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Paixão

Alguém se sacrifica, alguém sangra. Alguém morre.

Alguém diz que morre. Alguém suporta o peso do mundo nos ombros… explodem as dores e infâmias da humanidade na alma. Alguém rejubila no sofrimento. Alguém pede e anuncia a própria morte por todos menos por si. Alguém cerra os punhos e grita, mas já não tem voz. Alguém sangra os olhos em lágrimas, o ventre em suor. Alguém sente a explosão interior do desejo de si próprio reflectido nos olhos, nos corpos e nas almas dos inocentes espectadores. Alguém diz que morre… mãos e pés atados, corpo tenso. Depois exangue. Alguém morre pelo perdão de si próprio ou dos outros. Alguém desiste de si. Ninguém é inocente e a procissão segue a marcha, Gólgota acima, até que o sangue e o suor brilhem ao sol, carrasco e vítima cúmplices, corpos envolvidos, misturados, confundidos.
No fim, os líquidos derramados brilham ao sol, misturam-se com a areia, escondem-se nas sombras. Tudo recomeça.

ilustração de conceitos . deca-ua . nov.2003

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