Esta cadeia começa aqui: uma escolha de 5 professores

Depois da escolha de 5 filmes e pensando na frequência com que surgem estas cadeias de blogs com escolhas de filmes, livros, discos, autores, artistas e sucedâneos e, considerando eventos recentes, lembrei-me de, pela primeira vez, iniciar a minha própria cadeia: uma escolha de 5 professores.

As regras são simples: cada blogger deve referir cinco professores que, de alguma forma, tenham marcado o seu percurso. Não tem que ser uma escolha ordenada nem uma lista absoluta dos “melhores” ou “mais importantes”. Isso seria um exercício de crueldade.
A informação adicional fica ao critério de cada um, mas era engraçado que esta cadeia servisse para partilhar ideias sobre o que faz dum professor uma personagem marcante e, eventualmente, distinguir diferentes tipos de “professores”.

Não estou a pensar impor regras muito rígidas sobre graus de ensino, ensino formal ou não formal, continuado ou pontual. Cada um saberá melhor o que fazer.

As minhas escolhas são estas:

Margarida MónicaMargarida Mónica

A minha professora da escola primária, da 1ª à 3ª classe. Uma escolha óbvia para quem teve bons professores na primária. Escolho a Margarida Mónica não só por me ter ensinado a ler, escrever e contar, mas porque me ensinou a gostar da escola e a gostar de fazer parte da escola, um conjunto de pessoas e processos nem sempre simples.
Acresce a isso eu ser um miúdo particularmente irritante, se a memória não me falha, com todos os vícios típicos dos “filhos de professores”. E só guardo boas memórias desses 3 primeiros anos. Posso não ter ficado com a caligrafia de que gostaria e com áreas da tabuada um bocado nubladas, mas não por culpa da Margarida Mónica.

Fernando Valente, professor de SaxofoneFernando Valente

Foi meu professor de Saxofone e Classes de Conjunto no Conservatório de Música de Aveiro de Calouste Gulbenkian durante quase 7 anos (entre os meus 12 e 19 anos). Ensinou-me a tocar saxofone do nada e acompanhou-me num período crítico da minha formação como músico. Fez-me participar em projectos colectivos muito variados, levou-me a diferentes palcos e públicos, proporcionou-me o contacto com outros professores e formadores.
Em retrospectiva, sei que não era um grande pedagogo e que os métodos dele eram uma mistura do mais reaccionário das escolas de banda sinfónica e da “academia” com uma energia e paixão que consumia tudo e que era tão sedutora como perigosa. Podia ter corrido tudo muito mal e conheço gente que ficou chamuscada na relação com ele. Mas isso também me tornou mais “rijo”, que também pode ser uma forma de aprender.

A homenagem recente que recebeu, pelo Teatro Aveirense, fez-me voltar a pensar nele como “personagem” e percebi que era importante que se tivesse homenageado a pessoa real, em toda a sua complexidade, em vez de se tentar construir uma imagem mais digna de salão nobre… ainda assim, a homenagem era necessária e teve momentos genuínos. Gostei.

Leo VerheyenLeo Verheyen

É estranho que um trombonista belga que orientou um workshop curtíssimo de Música de Câmara do Século XX, no Conservatório de Música de Aveiro de Calouste Gulbenkian , venha parar a esta lista, mas a verdade é que foi a primeira vez que vi partituras gráficas, que soube que havia outras formas de compor e comunicar música e que me vi na qualidade de intérprete/criador, com excepção dos workshops de Jazz que já tinha frequentado e que não tiveram o mesmo impacto (em retrospectiva). Em vez do Leo Verheyen, que orientou o workshop, talvez devesse estar aqui o nome da Andreia Hall e do José Abreu, meus professores de Análise e Técnicas de Composição e que organizaram o referido workshop. Como consequência directa, escrevi e apresentei a minha primeira “obra” no fim desse ano, com secções de improvisação e módulos permutáveis.

Beatriz Madureira

Não tenho fotografia da Beatriz Madureira (arquitecta) e faz sentido que assim seja. Foi a melhor professora que tive na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e é provável que esta seja uma das minhas escolhas mais difíceis de explicar. Menos para quem conheceu a Beatriz Madureira a tempo. A disciplina era a “cadeira do Távora”, Teoria Geral da Organização do Espaço, mas acima de tudo era uma introdução rápida e agressiva a vários “fundamentais”: o que é a Arquitectura, o que é um curso superior, o que é “estudar”, para que é que se estuda, quais as ferramentas… estruturante a vários níveis e um “destaque” que me sabe muito bem fazer.

Carlos AguiarCarlos Aguiar

Eu sou menos do que um aluno ausente no DeCA, mas a primeira aula que tive com o Carlos Aguiar deixou-me “pasmado”. A má experiência na FAUP pode ter baixado as minhas expectativas, mas em pouco mais de uma hora, de uma forma extraordinariamente fluída e estruturada, apresentou o Curso, explorou conceitos fundamentais, explicou a opção por um curso de Design único…
Daquilo que eu conheço das “escolas de projecto”, o Carlos Aguiar é um exemplo raro de eficácia, rigor e dinamismo.

As escolhas estão feitas. Como a cadeia começa aqui, passo a bola a quatro amigos de quem me interessa saber as respostas, mas sugiro que quem quiser pegar na ideia o faça. Se puserem um link para aqui, é simpático. Se não, “no harm done”.

Os 4 a quem passo a batata quente são: o Guilherme Cartaxo, a Catarina Martins, o Pedro Mosca e o Nuno Casimiro.

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