É de elementar justiça…

… dizer que a ideia do Bastonário da Ordem dos Advogados de “indexar” a progressão na carreira dos juízes ao número de decisões tomadas é uma mistura de caricato e genial. Podia até ser uma estratégia de aproximação dos advogados aos juízes, dada a quantidade de decisões inúteis que os advogados exigem aos juízes nos disparates e nas variadas estratégias de diversão e/ou “enconanço” (escolham vocês a palavra) em que a Justiça e a Verdade se perdem, por entre as frestas do tempo e do espaço dos atafulhados tribunais.

Se o Bastonário Marinho Pinto aceitar que se avalie e controle o número de requerimentos, moções e outras ferramentas do expediente legal usadas pelos advogados, sem qualquer critério e tendo como único objectivo atrasar processos e protelar o apuramento da Verdade e a aplicação da Justiça, então talvez se crie um caricato e, eventualmente, eficaz sistema de equilíbrio entre as diversas formas de fazer perder tempo nos Tribunais portugueses.

Seja o que for, qualquer coisa seria melhor do que saber (como ouvi agora no Telejornal da RTP2) que há Juízes que perdem dias inteiros do seu tempo a fazer coisas como digitalizar documentos, porque não têm assessores para fazer tarefas de tipo administrativo.

Se isto é assim, então não vale muito a pena discutir da responsabilidade relativa de Juízes e Advogados, nem do quadro legislativo, nem de coisa nenhuma. Se isto é assim, é de elementar justiça querer emigrar.

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