Depois do Adeus, cheias em Lisboa

Para acabar de vez com a ideia de que a discussão acerca dos riscos e sua prevenção é apenas uma manobra comercial, eis que, depois da estreia do Depois do Adeus — o novo programa da Maria Elisa na RTP, em que se discutiu ordenamento do território e prevenção de riscos, entre outras coisas, a propósito das cheias de 1967—, vieram cheias a sério em Lisboa.

Quem é que dizia que “não há coincidências”?

1 pensamento em “Depois do Adeus, cheias em Lisboa

  1. Mais uma vez Maria Elisa.
    Não posso deixar de começar por elogiar essa jornalista que de vez enquando foge para Londres, mas que desde sempre, nos deu um dos poucos olhares lúcidos sobre o nosso país.
    E o nome do programa? Depois talvez, do seu próprio Adeus e de todos aqueles que no pós Euro, tiveram o seu “lugar ao sol” para lá da fronteira, percebem depois que há que regressar, se se achar que há um país para salvar. Tentar salvar.
    É urgente regressar, é urgente que cada uma das consciências com um pingo de inteligência se agitem, protestem, façam um retrarto acessível a todos da verdade que somos nós, agora.
    “Depois do Adeus” somos nós, um povo numa encruzilhada histórica que nunca nada mais fez que entrar em guerras civis mais ou menos às claras.
    Um povo sem memória, sem noção de história.
    Onde 40 anos depois, só não morrem 500 pessoas, porque a miséria vive agora atrás do cimento.
    As cheias essas, só vão continuar a depender da intensidade da chuva.
    Como os partos em ambulãncias dependerão do jeito do bombeiro que assiste.
    Como a prestação de auxílio de emergência dependerá do condutor da ambulãncia conhecer os caminhos.
    Como o sofrimento humano dependerá do nº de macas que em cada noite estiverem nas urgências.
    Como as operações dependerão da existência de material.
    Como o corte do abono de família dependerá do azar de ter vendido uma casa para comprar outra.
    Como as declarações e papéis oficiais que precisa para anular declarções automáticas que o sistema gera dependerá do nº de dias que estará disposto a perder.
    Como a morte dependerá de se quer regressar a casa ou quer ir trabalhar num dia de chuva.
    (Há 40 anos como hoje,”não perguntes por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”)

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