Quem nos educa?

Os debates sobre a educação em Portugal são os únicos verdadeiramente fundamentais porque só ganhando essa aposta podemos sequer pensar em ter um futuro.

Mas assistir a debates destes torna-se quase doloroso, frequentemente, porque passamos o tempo todo à espera de um sinal de esperança, de rumo e de alguma estabilidade. Hoje, no Prós e Contras, houve muitos sinais contraditórios, alguma agitação pueril, sinais claros (para mim) da crescente diluição das estruturas sindicais enquanto interlocutores sérios e construtivos em algumas das questões fundamentais (o que é um sinal complicado para a democracia) e a consolidação duma sensação de grande “viscosidade” de todo o habitat educativo.

A Ministra insiste em identificar “equívocos” na base de todas as diferenças de opinião— o que é muito irritante e diz muito acerca da capacidade comunicativa do Ministério— os sindicatos especializaram-se, aparentemente, no combate administrativo e judicial, de tal forma que não chegam a formular convicções, muitos professores fazem questão em dar razão à Ministra, anunciando despudoradamente visões enviesadas das políticas e dos seus instrumentos… no meio de tudo isto, a tentação maniqueísta de Fátima Campos Ferreira (que parece gostar bastante de dedos apontados e pouco de diagnósticos complexos), não ajuda a navegar e filtrar o que pode ser inércia de classe, o que pode ser legítima desconfiança, o que pode ser violência e desadequação das medidas propostas, o que podem ser caminhos alternativos.

Pergunto-me se as participações do meu pai, Arsélio de Almeida Martins, poderão ter ajudado a fracturar alguma da “crosta” acumulada em cima destas questões, que nos impedem de as ver pelo que elas são, de tão saturados estamos de contra-informação das mais variadas fontes. Espero que sim. Mas não tenho grandes ilusões: as visões lúcidas, não simplistas, responsáveis e comprometidas que lhe são características não são de digestão televisiva fácil. Além do mais, estes são assuntos sobre os quais quase toda a gente se sente à vontade para emitir opinião e sobre os quais demasiadas pessoas têm opiniões formadas a priori, que não têm nenhuma relação com a realidade.

Mas se tiver estado gente atenta nesta noite de segunda-feira (que raio de horário para este programa, meus senhores!), pode ser que se tenha dado mais um passo para, pelo menos, aproximar a questão a mais portugueses.

Depois, logo se vê.

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