Os pacotes de fraldas

Há uns tempos escrevi uns artigos acerca do sentido que fazia (ou não) ter publicidade num blog pessoal, como este. Comecei por me perguntar porque é que os blogs pessoais tinham cada vez mais publicidade e acabei por analisar como é que se pode fazer (se é que se pode fazer) dinheiro com publicidade no blog.

A minha opinião inicial é a de que não faz muito sentido tentar rentabilizar estes espaços pessoais, já que quem ganha, de facto, é o intermediário e os riscos de se acabar por alterar a relação com o blog por causa disso é real: quer do lado de quem lê, quer do lado de quem escreve.
Muitos bloggers/anunciantes vieram cá dizer-me que isso não acontecia: nem os leitores se queixam do espaço ocupado pela publicidade, nem eles se sentem “pressionados” consciente ou inconscientemente (essa é a parte mais difícil de assegurar) pelo facto do blog passar a ser uma potencial fonte de rendimento, se eles conseguirem atrair os anúncios e os visitantes certos.

A minha opinião não mudou, mas toda a reflexão e uma série de conversas fizeram-me ver a coisa doutra forma: o tempo que estou aqui, a escrever, traz-me um rendimento intelectual e social, de tipo pessoal e intangível muito importante, mas que, como muitas outras coisas que faço, não paga rendas, serviços ou pacotes de fraldas (que estão pela hora da morte, segundo me dizem). Ora isso resulta num peso na consciência com o qual não é fácil lidar e, em todas as minhas actividades mais voluntariosas vou tomando medidas para reduzir os gastos ou, nas poucas em que isso é possível, encontrar formas de rentabilização. Não se trata de enriquecer, obviamente, mas de sobreviver.

Ora, se estas preocupações “adultas” me fazem mudar de atitude gradualmente no que diz respeito a concertos, actividades criativas e as mil e uma coisas que continuo a fazer apenas pelo gosto e por algum espírito de missão, não fará sentido que neste blog— espaço pessoal que é meu e só meu—, sendo possível introduzir algum instrumento de rentabilização, isso não contribua para alguma paz de espírito?

Não sei ainda, nem garanto nada, mas a verdade é que a publicidade aí está. Não quero com isto incomodar ou assustar leitores e visitantes, por isso, se quiserem reclamar, façam-no. Digam-me se acham que está em sítios chatos ou se é demais. A relevância dos anúncios dependerá da velocidade do Google AdSense a perceber os conteúdos do blog e espero que não apareçam por aqui anúncios “estúpidos”, como aconteceu à Manuela Ferreira Leite.

Com o tempo e com sorte, talvez os cêntimos que forem aparecendo contribuam para os tais pacotes de fraldas e, com isso, para uma consciência menos pesada.

Desculpem qualquer coisinha.

PS: Sem desrespeitar os termos de serviço do Google AdSense, que proíbem a divulgação pública de resultados, darei notícia do desenrolar da situação, para quem tiver ficado curioso.

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