Nota avulsa sobre Sound Art

Estou a ler Sound Art: Beyond Music, Between Categories, do Alan Licht, que a Cláudia me ofereceu pelos anos. Como no caso do Walkscapes: Walking as as Aesthetic Practice, do Francesco Carreri, que li enquanto trabalhava no nosso segundo audiowalk, Errare, sinto-me a consultar bibliografia retrospectivamente: a cada página sinto que faria sentido ter lido o livro antes de começar a trabalhar nesta área, sem por isso ficar com a ideia de que faria as coisas de forma diferente. As convicções que tenho acerca das virtudes e defeitos das opções que vamos tomando são reforçadas, ou melhor, informadas, por estas leituras e julgo que aprendo muito mais e compreendo muito melhor os conceitos em jogo por causa das intensas experiências que fui tendo. É, no geral, um processo muito interessante.

Além disso, no caso de Sound Art, colocam-se algumas questões prévias, coincidentalmente ligadas com conversas recentes sobre o “estatuto” de diversas formas artísticas. Para que se possa continuar mais tarde essa conversa, trancrevo alguns excertos férteis:

Music, like drama, set up a series of conflicts and resolutions, either on a large or small scale (…). A friend recently commented that avant-garde art is now commercially viable and extremely successfull, whereas avant-garde literature, music, as film are usually uncommercial and generally unsuccessfull. He’s right, but that is because art doesn’t have the inherent entertainment value of a narrative that those other art forms have. It doesn’t have to appeal to the masses to be successfull— as long as it catche’s one collector’s (or curator’s) attention, the person who created it can make a fair amount of money from it. Literature, music, and film, however, depend on popular opinion and public demand. This is because they’re the primary sources of entertainment besides sports.
p. 13

Sound art (…) rejects music’s potential to compete with other time-based and narrative-driven art forms and addresses a basic human craving for sound, For the purposes of this study, we can define sound art in three categories:

  1. An installed sound environment that is defined by the space (and/or acoustic space) rather than time and can be exhibited as a visual artwork would be.
  2. A visual artwork that also has a sound-producing function, such as a sound sculpture.
  3. Sound by visual artists that serves as an extension of the artist’s particular aesthetic, generally expressed in other media.

p. 16-17

Os nossos audiowalks não se inscrevem em nenhuma destas 3 categorias e, nesse sentido, não são Sound Art, mas o discurso mais comum acerca da música e do som enquanto matérias artísticas feito pelo mundo da Arte é muitas vezes surpreendente.

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