Ser crescido

Ocorre-me frequentemente pensar até que ponto já sou “crescido”. Principalmente quando faço coisas que é suposto não se fazer, quando se é “crescido”.

Um dia destes, caí na rua, por distracção. Isso é coisa que acontece a qualquer pessoa, crescida ou não, não é? Mas portei-me como um “crescido”: não fiz grandes fitas por ter rasgado as calças ou pelo sangue no joelho e limitei-me a culpar os arquitectos responsáveis pela reabilitação urbana do Porto 2001, porque usam materiais iguais em níveis diferentes de pavimento, o que dificulta a visibilidade dos degraus do passeio ou das rampas, especialmente à noite e com muita gente na rua. Além disso, tratei eu próprio de desinfectar a ferida quando cheguei a casa, com a água oxigenada a criar aquela espuminha branca em cima da ferida recente e betadine, como deve ser. Percebi que a espuminha branca é a prova de que não é bem verdade o que os “crescidos” dizem aos mais pequenos acerca da água oxigenada não arder nada, mas fingi bem. E tenho sido “crescido” q.b. com toda a história do joelho ferido. Não me tenho queixado por aí além, nem tenho deixado de fazer nada do que era suposto.

Mas ontem, fiz uma coisa típica de quem ainda não é “crescido” e senti-me bem por isso. Foi uma parvoíce, mas a ingenuidade às vezes sabe bem.
Lembram-se de ser pequenos e não resistir a coçar as feridas e arrancar as crostas, contrariando os bem intencionados e insistentes conselhos e avisos dos pais? Pois… mesmo aos 32 anos, continuo incapaz de resistir a uma boa crosta. ;)

Mas tenho a ideia de que, depois desta experiência, posso ser mais eficaz a passar conselhos para a Maria, quando ela tiver idade para esmurrar os joelhos. ;)

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