Quad Quartet: entrevista

A crítica ao CD Now Boarding, publicada no nº 24 da jazz.pt, aconteceu depois de ter conduzido uma entrevista ao Quad Quartet, em Dezembro de 2008, para publicação na Viento, uma revista espanhola especializada em instrumentos de sopro e editada pela Mafer Musica, representante ibérica da Selmer e da Vandoren. A edição na revista espanhola acontecerá brevemente, mas, para os leitores portugueses, deixo o conteúdo aqui, em pré-publicação.

Quad Quartet em entrevista

conduzida e editada por João Martins, em Dezembro de 2008

[João Martins] Qualquer pequeno ensemble de música de câmara, como um quarteto de saxofones, vive sempre do equilíbrio entre o que une os seu membros, o espírito de grupo e o que os separa, a sua individualidade. Perceber isso, normalmente, ajuda a perceber a história do grupo a sua dinâmica. No vosso caso, o que é que vos une e o que é que vos separa?

[Quad Quartet] No início dos nossos estudos como instrumentistas, aquilo que foi mais presente foi esta formação, o quarteto. Aquilo que nos puxou mais para continuarmos e para sermos músicos foi o facto de, desde jovens- com 14, 15 anos, ou até mais cedo-, termos tocado em classes de conjunto, neste tipo de formações de saxofones e com o mesmo formador inicial, o Fernando Valente. E isso criou em nós uma grande apetência por este tipo de formação.

Além disso temos uma visão muito aproximada daquilo que um grupo destes deve ser: apesar de termos começado como toda a gente começa: com repertório muito tradicional e com umas coisas mais ligeiras, depois, ao longo da nossa evolução como músicos, como estudantes de música, como artistas e também como professores, procurámos neste tipo de grupo algo mais para além do repertório tradicional e que nos preenchesse musicalmente. Por isso, acreditamos que, dentro do mundo “clássico”, o saxofone na sua expressão máxima afirma-se neste conjunto.

[JM] Ao nível da formação-base partilham, além do trabalho com o Fernando Valente, o trabalho com o Henk Van Twillert, em Amesterdão e no Porto. E partilham igualmente a condição de músicos e professores. Mas o que é que vos separa ou distingue?

[Quad] Alguns gostos musicais, obviamente. Embora tenhamos muitos que são próximos, também temos alguns que são diferentes.
Somos 4 pessoas diferentes. Temos métiers diferentes. Mesmo na nossa preparação para ensaios e essas coisas todas, concerteza temos métiers diferentes, gostamos de trabalhar nos ensaios de forma diferente… e às vezes isso também é complicado de gerir. Até hoje tem corrido bem.
Mas nós levamos isso sempre para os ensaios, as nossa diferenças todas. Acaba é por funcionar e acho que essa é a nossa diferença: o facto de nós sermos 4 pessoas com ideias próprias até certo ponto, mas que se fundem bem umas nas outras. O resultado é a escolha da música e muito mais.
E nota-se bem, para quem ouvir o disco, essa forma diferente de abordar a música. Não só em termos de abordagem estética, mas na própria abordagem ao instrumento.

[JM] A mim parece-me que há dois tipos de quartetos de saxofones, com uma série de híbridos pelo meio. Isso relaciona-se com a interpretação, mas também com a escolha de repertório e muitas outras coisas. Nos extremos estão os quartetos que procuram uma homogeneidade tímbrica que faça o conjunto soar como um instrumento único e os que procuram afirmar a individualidade das vozes que o compõem. Vocês como é que se posicionam entre estes extremos? Gostam de explorar as duas coisas?

[Quad] Sim: é claro que somos vozes individuais mas que se completam ao fim…
Não é rígido. É uma mistura das duas posturas. E depende muito da obra que estamos a tocar. No disco, por exemplo, tocamos uma peça do Luís Tinoco em que é fundamental que o quarteto soe como um instrumento único, enquanto que nas obras do (Chiel) Meijering há secções mais “abertas” em termos de estrutura, em que cada um pode afirmar a sua individualidade. Mas depende muito do programa que estamos a tocar.

E interessa-nos fazer tudo. Até por uma questão de crescimento do grupo, saber crescer de várias formas. Todos nós somos individualistas no sentido em que todos nós estudamos sozinhos, todos nós fazemos repertório que não está ligado ao Quarteto e todos nós precisamos de mostrar a nossa individualidade. Mas no fundo, no fundo, o trabalho é sempre para o grupo, mesmo dentro da individualidade. Até porque este repertório nunca é solista ou individualista.

[JM] A sensação que tenho, de vos ouvir em disco e em concerto, é que vocês soam mais a “Quad” quando não estão a fazer o esforço para soarem todos iguais. Portanto, o som do grupo resulta do conforto que cada um de vocês tem no instrumento que está a tocar.

[Quad] Sem dúvida.

[JM] E como é que vocês trabalham no sentido de combinar as diferentes visões que têm e construir os consensos interpretativos?

[Quad] Essa é a parte mais complicada. Nós temos um período de maturação de cada obra muito longo. Demoramos bastante tempo a apresentar obras novas, precisamente por isso: são 4 personalidades muito fortes, musicalmente, e demora algum tempo a chegarmos a uma conclusão, um ponto em que concordamos “sim, agora está”.
Há alguns consensos que se conseguem a nível mais técnico. A verdade é que se começa por trabalhar nas obras para as conhecer, já que a maioria das obras não foi gravada, pelo que primeiro temos que as tocar uma série de vezes só para “entrar” na obra. Mas procuramos sempre o que é que essa obra precisa para funcionar. A essência da obra.
E o que nos ajuda depois nas questões técnicas. Porque as questões técnicas de que estamos a falar são questões de articulação, de tempo, até questões de afinação que são resolvidas com questões musicais. E como nós, de certa forma, viramos as peças ao avesso- porque há grupos que começam por trabalhar primeiro as questões eminentemente técnicas-, nós procuramos as questões musicais que podem contribuir para resolver as questões técnicas e para as dificuldades que um grupo destes tem. Porque um grupo destes tem dificuldades específicas, como as questões rítmicas, por exemplo. Não tendo um instrumento claramente rítmico- e este é um dos problemas com que nos debatemos frequentemente-, é complexo lidar com algumas questões rítmicas, já que as “baquetas” passam de mão em mão… é muito difícil estabelecer de forma clara um “groove” do grupo…

Por isso mesmo é que procuramos primeiro que é que interessa musicalmente e depois tratamos do resto, de afinar os pormenores.
Porque sabemos o que é que é preciso.
Porque depois, tecnicamente, cada um de nós, conhecendo as particularidades dos outros, encontra as soluções. Mas, se calhar, nós vemos sempre as coisas muito do “avesso”. E é sempre pela parte musical. Daí, também, a escolha do repertório e a nossa diferença vem de todos nós ouvirmos bastante Jazz. Não somos músicos de Jazz, mas temos essa componente, todos nós, e isso leva-nos a procurar repertório que nos diga alguma coisa e que seja diferente do tradicional. A nossa voz, digamos.
E só apresentamos peças que sentimos que estão bem maturadas intelectualmente, o que faz com que o grupo não seja um grupo de “fast food”, no sentido de vender logo, produzir rapidamente, Há realmente períodos de maturação grandes.

[JM] Para afirmarem a vossa individualidade, a escolha do repertório torna-se, de facto, central. Como é que gerem essa situação?

[Quad] Investimos muito na aquisição de partituras de novas obras e temos já um arquivo importante. Das obras que adquirimos, aproveitamos uns 10% a 15%.
Vamos à procura de coisas novas, experimentamos para perceber se nos interessa ou não, se funciona bem no grupo… E tentamos encaixá-las no programa geral do Quarteto.
Temos que ver se faz sentido no momento em que as estamos a experimentar ou não. Temos boas peças que ainda não tocámos e que sabemos que vamos tocar, mas que, se calhar, neste momento, não se enquadram no que estamos a fazer e, talvez no próximo projecto…
Além disso nós temos uma actividade profissional como docentes muito exigente, também, e é natural que nem todo o repertório seja visto dum momento para o outro.

Neste momento, temos contactos ocasionais de compositores que nos enviam obras que gostariam de tocássemos. Normalmente são coisas que nunca foram editadas. Algumas já tocadas, mas como não foram editadas não estão no “circuito”.
A encomenda de obras é uma coisa que queremos fazer, só que exige condições que ainda não temos.

[JM] E qual é a vossa relação com os compositores?

[Quad] Normalmente tentamos trabalhar directamente com os compositores. Se os conhecermos é fácil. Se não os conhecermos, procuramos uma forma de contacto. Regra geral, tudo o que tocamos em concerto e o que está no disco envolve um contacto com os compositores, directamente, ou enviando gravações…

[JM] Ou seja, interessa-vos, para lá do que está escrito na partitura, conhecer o autor?

[Quad] Claro. Aí está, também, a maturação da obra.
Uma das últimas pessoas com quem contactámos foi o Ian Wilson, um compositor irlandês bastante conhecido, do qual tínhamos ouvido algumas obras. Tem uma obra que se chama “So Soflty” que achámos que podia ser interessante e encomendámos e, acabámos por entrar em contacto com o compositor e foi imediato: ele foi muito simples connosco, ouviu as nossas coisas e até nos enviou mais tarde obras dele, inclusivamente uma delas ainda não tinha sido editada, mas ele pediu à Ricordi para nos enviar umas cópias. É uma obra grande, de 30 minutos que, lá está, nos exige um tempo e um contexto específico. Mas isto só para dizer que tentamos sempre ter contacto com os compositores: se não os conhecemos, procuramos conhecer. Até porque, hoje em dia, é relativamente fácil ter esse contacto: toda a gente tem um site, toda a gente tem um endereço electrónico, um MySpace, ou qualquer coisa. E aquele mito do compositor inatingível que está lá, escreve a obra, nós tocamos a obra, mas para aceder a ele é muito difícil… isso hoje em dia é uma coisa ridícula. A maioria dos compositores o que quer é conhecer músicos, é conhecer gente que toque as obras…
Mesmo o disco, foi produzido em estúdio, com os compositores presentes. Mesmo ao Chiel Meijering, que obviamente não podia estar presente, nós enviámos-lhe as gravações e ele enviou-nos uma lista hiper detalhada de alterações, sugestões, mesmo em questões tímbricas.
Porque hoje em dia a ideia do compositor numa torre de marfim já acabou. Há um processo de criação e execução e nós tentamos minimizar a distância entre os dois, para que, depois, o produto final saia melhor.
Porque nós começámos este processo exactamente por isso: não nos interessa continuar a comprar e tocar o de sempre e o que vai saindo no mercado. Interessam-nos coisas novas e diferentes. E isso marca também a diferença. Em vez de fazer o que é fácil- ir à loja e comprar as partituras que outros já testaram e estão a tocar com sucesso-, nós vamos ao encontro do que nós queremos tocar.

E queremos inovar no repertório do quarteto de saxofones. Temos a nossa visão, e procuramos sempre inovar.
Para já, a maior parte dos compositores com que lidamos são compositores da nossa idade, alguns um bocadinho mais velhos, outra até mais novos, e têm todo o interesse em ter as suas obras tocadas, porque nós somos uma espécie de laboratório.
E isso é uma coisa que nós gostávamos de explorar no futuro e até brincamos um bocado com o nome, com as possibilidade de um “Quad Ensemble”, por exemplo. Porque isto é um grupo que pode ter outras formações: o quarteto de saxofones é o núcleo, mas nós já tocámos com convidados ou como convidados noutras formações, com outros instrumentos e em vários géneros musicais.

[JM] Falando em colaborações com o exterior, qual é a importância das vossas experiências musicais exteriores, desde a colaboração com grupos de rock até tocar em Orquestras, passando por bandas residentes de programas de TV, se reflectem no quarteto?

[Quad] É óptimo. Mantemos também a nossa individualidade enquanto músicos, já que todos nós temos outros projectos. É enriquecedor. E o facto de fazermos trabalhos muito diferenciados individualmente, fora do grupo, faz com que o grupo seja exactamente aquilo que é e não um grupo tradicional. Porque se não tivéssemos outras experiências e estivéssemos muito presos a este grupo, cristalizávamos mais depressa.
O facto de tocarmos em grupos desde o Remix Ensemble ou a Orquestra Nacional do Porto, grupos que eu diria que são mais “eruditos” que o Quad, até grupos que funcionam sem partitura ou directos na televisão em que se dá uma tonalidade e “agora amanhem-se”… tudo isto contribui para que a visão do repertório que depois se escolhe, que eu diria que é uma das coisas mais importantes e complicadas neste grupo, seja aquilo que é: muito abrangente, não cristalizada nos paradigmas do quarteto convencional e não uma continuidade do que já foi feito, se calhar um bocadinho melhor.
E muitas das pessoas que nos ouvem individualmente noutros projectos que temos, estão longe de imaginar que nós tocamos todos juntos nesta formação e muitas pessoas que ouvem o Quad Quartet têm dificuldade em imaginar que nós possamos fazer algumas das coisas que fazemos.

[JM] Qual é o momento que vocês guardam colectivamente como sendo o momento mais significativo do projecto?
E quando é que vocês sentiram que as coisas funcionaram muito bem com o público?

[Quad] Terá sido o concerto na Fábrica da Ciência Viva, em Aveiro: o primeiro concerto assumidamente com um projecto coerente (parte do que se veio a gravar em disco), no qual o público teve uma reacção muito boa e, por termos tido a oportunidade de gravar, tivemos a possibilidade de comprovar, auditivamente, que o projecto tinha, de facto pernas para andar. Foi com essa experiência que acho que tivemos a confirmação de que precisávamos para avançar com a decisão do disco, por exemplo. Porque, muitas vezes, quando estamos a tocar, não temos a possibilidade de perceber, como é que algumas coisas resultam, ao contrário do público. Outro momento importante foi no Festival Internacional de Saxofones de Palmela de 2007, não só por causa da reacção entusiasta do público- não estamos dependentes disso, apesar de ser importante- mas, principalmente por sentirmos que, com um repertório que não era muito simples, conseguimos ter uma reacção do público independentemente de ser ou não letrado musicalmente. Foi isso que nos marcou e que também nos deu força para avançar com este projecto: é que a música, não sendo fácil, chega às pessoas. E isso tem a ver com o que falávamos sobre repertório. São coisas que dizem alguma coisa às pessoas, que não têm que ser melodiosas, que não têm que ter ritmos simples, mas as pessoas dizem “isto é contemporâneo”…
Isto é quotidiano, isto está cá, isto existe, tem a ver com a realidade que vivemos. E qualquer pessoa se identifica com aquilo.
Pode não perceber nada do que está a acontecer, mas sai do concerto a pensar “eu gosto disto”.

Os sítios de onde nós até temos melhores recordações são sítios de que, aparentemente, não se esperava. Não são sítios de músicos. E isso, para nós é muito importante: a música não chegar só às elites musicais que já gostam muito, mas chegar ao tipo que está ali por acaso, que é surpreendido, que não sabe como reagir, mas que sentiu.
Havia um rapaz no fim desse concerto em Palmela que dizia “eu não percebi nada do que vocês estavam a fazer, mas adorei”. Isso é muito importante: essa parte visceral de chegar às pessoas não pelo intelecto, por terem percebido que a obra foi construída assim ou assado, mas simplesmente porque sentiram.

[JM] Vocês não são calculistas na escolha do repertório, mas interessa-vos que a coisa funcione junto do público. É isso?

[Quad] Sim, exactamente. Mas há outra coisa que é muito importante; a aprovação pelos nossos pares, pelo tipo que sabe exactamente aquilo que tu estás a fazer. Porque uma coisa é esta reacção que é sobejamente importante, que é a reacção do público. Que para nós é fundamental e só isso justifica as longas horas de trabalho. Mas a aprovação dos pares é também importante e sentimos isso particularmente durante a gravação do disco. Primeiro porque estavam lá os compositores porque foram eles que conceberam as obras e, para nós era muito importante que eles se revissem na nossa interpretação.
E isso foi muito marcante: o entusiasmo dos compositores.
E do Mário Barreiros (produtor), que é conhecido por ser muito selectivo nas coisas que aceita gravar e produzir, e que nos recebeu com bastante entusiasmo, ouviu as gravações e aceitou de imediato gravar-nos, deu-nos muita liberdade…

[JM] No estúdio tiveram portanto a validação dos autores, por um lado e, sendo o Mário Barreiros um prestigiado produtor duma área musical não muito próxima, tiveram com ele um tipo de validação diferente.

[Quad] Claro. Tanto como músico, como produtor, como compositor.

[JM] Qual é a importância do disco, para vocês?

[Quad] É um marco importante de registo dum projecto específico. Nós pretendemos trabalhar por projectos, pelo que o registo em disco é uma forma de encerrar um capítulo, de certa forma e libertar-nos para outros projectos. E, para o público, é uma oportunidade de continuarem a usufruir desse repertório, obviamente.
A gravação faz parte do processo de trabalho. Passar por todo este processo e não ficar com um registo físico, apesar de não ser em vão, deixar-nos-ia uma estranha sensação. Além do mais, há uma questão de marketing fundamental, já que dificilmente apresentas o nosso trabalho musical sem um registo deste tipo.

[JM] Mas também funciona como remate dum projecto que vos permite seguir para o seguinte?

[Quad] Sem dúvida. Até porque os novos projectos vão trazer processos de aprendizagem e, com o tempo, se decidirmos voltar a este repertório, podemos encará-lo duma forma completamente nova. Há casos célebres na música clássica, como as Variações Goldberg, pelo Glenn Gould. E daí, também a importância do registo. Para vermos a evolução.
E dá-nos um prazer imenso sentir que está ali, foi feito.
É tudo um processo de crescimento. Porque agora já não temos professores, não temos ninguém que nos diga “se calhar os timbres deviam aproximar-se mais, o equilíbrio do grupo podia ser melhor, etc”… nós temos que procurar isso tudo. E como nós tocamos ao mesmo tempo que fazemos esse trabalho, o trabalho é gigantesco. E o facto de gravarmos mostra-nos coisas que não eram visíveis.

[JM] Mas o processo de estar em estúdio mostra-vos que a experiência de gravação pode ser uma ferramenta de trabalho em si mesmo?

[Quad] Claro, porque o concerto e a gravação são situações completamente diferentes. Mas a gravação ao vivo poderia ser uma experiência muito interessante, por juntar as melhores facetas dos dois mundos: o espontâneo do “live”, com a possibilidade do registo.

[JM] Falem-me dos vossos planos para o futuro.

[Quad] Acho que o grupo está a crescer em todas as frentes. Iniciámos neste momento uma parceria com a Selmer, que nos permitirá, entre outras coisas e se tudo correr bem, dar maior visibilidade ao nosso trabalho além fronteiras. Musicalmente, há projectos em andamento e colaborações com outros grupos planeadas.
E isso resulta da nossa convicção inicial de que não nos devíamos cingir ao panorama local e procurar visibilidade a nível europeu e global. Até porque achamos que em termos de nível musical, não estamos atrás do que acontece, até porque dentro deste pequeno mundo que é a música de câmara de saxofone- é uma coisa que temos debatido-, o nível artístico não é sobejamente interessante. E é exactamente contra isso que nós queremos trabalhar. Portanto, em termos de projecção, ela será sempre mundial, porque hoje em dia, é muito mais acessível e porque, sendo este um meio relativamente pequeno, não tem lógica nós confinarmo-nos a um país tão pequeno como Portugal. E sabendo nós que, artisticamente, isto tem valor extra-Portugal, isto tem que ser, para nós, um projecto para sairmos. A parceria com a Selmer, vem de encontro a isso mesmo, porque há da parte da Selmer um reconhecimento do valor do nosso trabalho. Para nós, porque foi sempre a marca com que tocámos, é natural e o facto da Selmer ser a marca mais conhecida, historicamente até, alinha-se com estes objectivos, por ser, também, uma forma de reconhecimento pelos pares.

Nós teremos que continuar a crescer e não perder a integridade artística.

NOTA: A entrevista contou com a participação dos 4 elementos do quarteto— João Figueiredo, Fernando Ramos, Henrique Portovedo e Romeu Costa— tendo-se optado, no momento da edição, para facilitar a leitura e remover redundâncias, por integrar todas as suas contribuições individuais numa única voz colectiva.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Pode usar estas etiquetas HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>