A importância da informação

Em momentos como o que agora vivemos, face à tragédia que se abateu sobre a Madeira, torna-se ainda mais evidente a importância vital da informação e o papel fulcral dos órgãos de comunicação social no funcionamento da sociedade sob pressão. Por isso se exige, em tempos difíceis como estes, um comportamento exemplar dos media, que passa pela capacidade de fornecer informação rigorosa e atempada.

Por isso mesmo, e a propósito desta notícia do Público, que refere 250 desaparecidos na Madeira sem citar nenhuma fonte, partilho e angustio-me com esta dúvida da Shyznogud, no Jugular, com quem aliás, troquei algumas mensagens via Twitter, para percebermos se mais algum órgão de comunicação social usava estes números de forma mais esclarecedora ou se alguém do Público vinha esclarecer as fontes. Aparentemente, estas coisas não são muito preocupantes, mesmo que estejamos perante um título que “ameaça” tornar a tragédia Madeirense num drama humano muitíssimo maior do que os números oficiais apontam. É que, entre os 4 desaparecidos de acordo com as fontes oficiais e os 250 no título do Público há um mundo de diferença que, além de vender mais jornais, fará verter mais lágrimas e aumentar a ansiedade de todos aqueles que aguardam boas notícias vindas da ilha. Nem que fosse só por isso, além de garantir que correspondem a uma verdade objectiva, um jornal de respeito deveria indicar possíveis fontes de verificação. Ou não.

[Twitter] 2010-02-20

[Twitter] 2010-02-19

Panorâmicas

Não sei porquê, mas sempre tive um “fraquinho” por imagens “panorâmicas”. Parece que sou sempre mais atraído por imagens de realidades que não se conseguem captar com um único olhar. Realidades que exigem um movimento associado ao olhar, seja horizontal, na paisagem, seja vertical, em alguma arquitectura. Como esta vista panorâmica do Rempart de La Charité-sur-Loire:

La Charité-sur-Loire, Panorama do Rempart

Esta imagem corresponde à montagem destas 6 fotografias:

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E a ferramenta usada para fazer a operação de “stitching” é open-source, gratuita e multi-plataforma. Chama-se Hugin e, apesar de não ser elementar na utilização, não é preciso ser-se um especialista para criar montagens decentes, com auto-detecção de pontos-chave, várias formas de correcção da perspectiva e projecção e boas capacidades de mistura (blending). A montagem que vêem, aqui, é uma projecção “trans-mercator”, usando auto-detecção dos pontos chave, com o plugin Autopano-SIFT-C (instalação opcional descarregado com o instalador de base em Mac OS, pelo menos) e “blending” normal.
Para utilizadores mais exigentes, o Hugin lê informação EXIF sobre as lentes e o posicionamento e permite introdução manual de dados relativos a cada imagem (posição, rotação, lente, etc.), afinação manual de pontos-chave, criação de imagens HDR, assim como exportação em diversos formatos de imagem e até pode ser usado para apoiar exercícios de levantamento e modelação em arquitectura (ver aqui).

Confesso que no caso desta imagem, depois de criada a montagem panorâmica, passei pelo GIMP para ligeiros ajustes de cor, porque os originais estavam um bocado desmaiados. Clicando nas imagens (panorâmica e fotos originais), podem ver em maiores dimensões, no Flickr. Que tal vos parece a performance do Hugin? Que conselhos ou sugestões me dariam para melhorar este tipo de imagens? Precisam de alguma ajuda para se iniciarem neste processo de criar panorâmicas? A caixa de comentários está aberta para isso mesmo. ;)