Do papel social da paternidade

Hoje fui buscar a minha filha ao infantário e, seguindo a rotina habitual, fui com ela à padaria mais próxima, onde ela pede e come, entusiasmada, um pão simples, para grande alegria dos funcionários, e eu aproveito para lanchar. No caminho e na padaria— que é um daqueles estabelecimentos típicos de Aveiro, padaria/confeitaria aberta e mantida por famílias de emigrantes na Venezuela que voltaram—, a boa disposição da Maria, que me vai apresentando a quem passa— “papá, papá”, com o dedito apontado—, enquanto distribui sorrisos e olhares carinhosos tem o estranho efeito de iluminar a cara das pessoas, aliviando-lhes, aparentemente, a carga dos dias e fazendo-as sorrir o que, comprovadamente, é bom para a sua saúde. O efeito é particularmente visível entre as pessoas de mais idade que, eventualmente, estão mais necessitadas desse tónico reconfortante, mas também se nota entre pessoas mais jovens, como são as funcionárias da padaria, para quem estes sorrisos familiares são uma óptima quebra na rotina.

De repente dei por mim a pensar que isto também é um papel social da paternidade que não deve ser menorizado: os pais socialmente responsáveis devem permitir um saudável e necessário contacto de quem os rodeia com a felicidade das suas crianças, que é um remédio natural para tantos males do corpo e do espírito. A bem das crianças, com toda a certeza, mas também como uma espécie de serviço público com recompensa imediata.

Dependendo dos pais, a parte mais difícil será garantir a felicidade das suas crianças ou a generosidade de partilhar publicamente a sua manifestação, mas vale bem a pena.

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