O que é que se chama a um país em que a palavra dum ministro vale zero?

Várias notícias podiam complementar este longo título já que, infelizmente, sobram-nos exemplos, neste país, da falta de respeito que o Estado tem por si próprio. Mas hoje, dou por mim a perguntar isto a propósito da notícia do Público sobre os perigos que corre a Academia Contemporânea do Espectáculo e o Teatro do Bolhão por terem confiado no compromisso do Ministro da Cultura relativo à comparticipação do Estado nas obras do Solar do Conde do Bolhão. Segundo a notícia, o projecto submetido a financiamento no âmbito do QREN e considerado de “mérito superior” pela CCDR-N, contava da parte do Ministério da Cultura com a comparticipação de 300 mil euros que o anterior ministro, Pinto Ribeiro, garantiu à ACE, mas o Ministério da Cultura afirma que “formalmente não há indicações”, que é, obviamente, uma forma de, sem negarem a versão da ACE, sacudirem a água do capote.

Sem esta comparticipação do MC, as obras no Solar do Conde do Bolhão, um projecto antigo e tão necessário para a cidade do Porto, estão seriamente comprometidas. Infelizmente, somos também todos obrigados a aprender (de novo) que a palavra dum ministro não tem qualquer valor e que isso já não constitui sequer sinal de alarme político ou social.

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