Grande confusão no Facebook: Perfil vs Página

Quem usa o Facebook com alguma frequência terá notado nos últimos tempos alguma agitação à volta da conversão dum série de perfis em páginas, justificadas das mais diversas maneiras, todas com base nos termos de serviço desta rede social (que nesse aspecto não mudaram), que reserva a existência de perfis para pessoas individuais, exigindo às “pessoas colectivas”— associações, organização, marcas, empresas, instituições e outros colectivos, com objectivos comerciais ou não—, que criem páginas ou grupos.

Muitos destes perfis criados contra os termos de serviço do Facebook foram fruto de falta de atenção, ignorância ou preguiça de verificar, acrescida da confiança típica “se os outros estão a fazer assim, então deve ser assim que se faz”. Outros resultaram duma opção consciente, discutível, escudada atrás do mesmo argumento dos “outros que fazem assim” e reforçada pela ideia de que a interacção ao nível dos perfis é mais “completa” e “democrática” e, no contexto duma rede social, para algumas “pessoas colectivas”, é melhor ter amigos do que ter “fãs”. É mais fácil pelo menos, a olhar para os números de amigos e de fãs de instituições que optaram por ter as 2 coisas, perfil e página.

Com a tomada de consciência gradual da insustentabilidade desta situação, que começou com o tecto dos 5.000 amigos e se agravou nos últimos tempos com algumas acções concretas por parte do Facebook, relativamente a perfis irregulares (falo de ouvir falar), vemos agora muitos perfis e avisarem que vão deixar de existir e pedidos para que os “amigos” cliquem no “gosto” das páginas (o próprio Facebook abandonou a ideia do “fã”), para que a animação possa prosseguir noutro espaço. Estas “migrações” estão a provocar algum alvoroço, algumas críticas ao Facebook (que, que eu saiba, não mexeu nos termos de serviço neste aspecto nos últimos tempos) e algumas manifestações de desagrado pela menor presença e/ou interacção que estas pessoas colectivas virão a ter na rede social, quando abandonarem o perfil. É verdade que há algumas coisas que se perdem. Muitas delas, felizmente, diria eu.

Utilizar o Facebook como página

Mas é importante para todos, especialmente para quem está a fazer estas alterações agora, saber que há uma nova possibilidade na utilização do Facebook, que passa por Utilizar o Facebook como Página, como se pode ver nesta captura de ecrã. Como muitas outras funcionalidades associadas às “actualizações” do FB, esta não é muito divulgada, nem está muito bem documentada.
(Talvez porque também tenha alguns “bugs” por resolver— eu, depois de a usar, tenho que terminar a sessão no Facebook, para recomeçar com o meu perfil “normal”.)
Mas podem verificar nestas perguntas frequentes (só na versão em inglês, para já), algumas das características desta funcionalidade e ver o que se pode ou não fazer como página:

  • Receber no site notificações sobre novos utilizadores que gostam da sua Página.
  • Receber notificações no site e através de e-mail sobre pessoas que comentam e publicam conteúdos na sua Página.
  • Ver um feed de notícias para a sua Página. Este feed terá publicações sobre a sua Página e sobre outras Páginas de que gosta.
  • Gostar de outras Páginas e publicar itens e comentários nessas Páginas.

O destaque nesta última é meu e creio que responde a muitas das inquietações dos utilizadores.

Quem pode usar o Facebook como Página são os administradores dessa página, pelo que basta que, regularmente, os administradores dessa página, da mesma forma que utilizavam o perfil, mudem a sua “identidade” e percorram a rede como a Página, assinalando outras Páginas com um “gosto” e publicando comentários ou mensagens para que a “animação” continue. Não é exactamente a mesma coisa, mas é parecido. E, do ponto de vista de funcionamento duma rede social, pessoalmente, prefiro que as “pessoas colectivas” estejam diferenciadas dos indivíduos. Parece-me fazer mais sentido. A vocês não?

5 pensamentos em “Grande confusão no Facebook: Perfil vs Página

  1. Eu continuo sem perceber para que serve uma pagina no facebook de uma marca…

    Por muito que goste de uma marca não vou recorrer para nada a uma pagina do facebook para alguma duvida ou sugestão para esse tipo de coisas existem meios mais formais e muito úteis.

    Acho que as pessoas/empresas se estão a perder um pouco nos conceitos das coisas…

  2. Há muitas empresas e marcas que não têm, de facto, razões para recorrer ao Facebook. Ou melhor, tendo razões, não têm os meios para aproveitar o Facebook convenientemente. E isso pode querer simplesmente dizer que o que o Facebook pode trazer a essas empresas e marcas não justifica a alocação dos meios necessários e, por isso, que o benefício do Facebook, nesses casos, não é suficiente. Mas há um benefício de base na presença no Facebook que tem a ver com a forma como uma percentagem cada vez maior de utilizadores da internet já não vai à procura dos produtos ou serviços nos sites respectivos e apenas espera que estes venham ter com eles nas plataformas que frequentam.
    O que, em tempos era a questão fundamental da visibilidade na web, com a optimização para motores de busca a estar na ordem do dia, hoje tem que ser pensado em termos da visibilidade nos “locais” que as pessoas frequentam online, já que a própria estrutura da internet se tem alterado.
    Mas às empresas e marcas compete-lhes munirem-se dos recursos técnicos, humanos e financeiros para tomarem essas decisões e avaliarem custos e benefícios de diferentes estratégias de marketing e comunicação.
    A minha preocupação não tem a ver com empresas e marcas, mas sim com um número crescente de colectividades, associações e outras pessoas colectivas sem fins lucrativos, que usam com clara vantagem o Facebook como forma de divulgarem as suas actividades, por exemplo, mas que não o têm usado da forma mais correcta.

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