Estudo de opinião

Recebi um mail dum amigo que não gosta de ver o meu blog visualmente “poluído” com os resumos diários do Twitter. Pessoalmente, também acho que o blog fica mal servido com estas entradas, em termos gráficos, mas vejo alguma utilidade na sua publicação e, a julgar pelos números de visitas, leituras via feed e cliques, não sou o único. Isto aumenta a minha convicção de que uma parte significativa dos meus leitores não acede aos conteúdos via blog pelo que, cada vez mais, penso nele como uma plataforma funcional e preocupo-me pouco com o “aspecto” que tem. Sim, sou esse “tipo” de designer.

Num mundo ideal, claro que gostava de ter tempo ou vontade (não sei o que me faz mais falta) para actualizar por aqui umas coisas e refrescar o aspecto geral do blog, incluindo uma forma gráfica de separar estes conteúdos breves do resto, mas se soubesse que há mais gente que partilha da opinião deste meu amigo, talvez usasse isso como um incentivo importante. Como é? Há mais gente incomodada com o aspecto das minhas tuítadas ou a malta nem sequer tinha reparado e/ou pensado nisso se não fosse este artigo?

Esclarecimento: o Luís Delgado não pára aqui

Em 2005 publicitei o cantinho do Luís Delgado, uma iniciativa cómica que muito me fez rir e que, entretanto, já deixou de existir. Na altura tive que prestar esclarecimentos adicionais sobre essa iniciativa, visto que o personagem provoca reacções muito pouco ponderadas por parte de alguns leitores mais distraídos, mas hoje, pela segunda vez desde essa altura, vem-me parar à caixa de comentários desse artigo uma mensagem dirigida ao Luís Delgado, desta feita, a propósito de declarações que o jornalista/comentador terá feito a propósito de Manuel Alegre, declarações essas que não vi, li ou ouvi.

Minha gente: o Luís Delgado não pára aqui.

Ponho-me a pensar qual será  processo que dá origem a estes equívocos? Será que as pessoas decidem “vir à internet” “dizer das boas” ao Luís Delgado, metem o nome do meliante no Google, encontram um resultado que tem como título “o cantinho do Luís Delgado”, não lêem nada, na ânsia de encontrar um botão para enviar uma mensagem ou comentário e “toma que já almoçaste“?! Se assim for, quantos equívocos tão ou mais surreais se repetem por essa blogosfera fora?

Vamos começar a trocar cromos?

2009 em números, um balanço deste blog

Segundo o Google Analytics, em 2009, este blog teve 44.172 visitas (-20,35% que 2008) e foram vistas 56.417 páginas (-22,37% do que 2008). Foram identificados 38.578 visitantes exclusivos absolutos (-17,05% que 2008), o Google continua a ser o maior gerador de tráfego (75,95% das visitas) e o nome do blog, “diário de bordo”, continua a ser a expressão que mais visitantes traz, via mecanismos de pesquisa, mas não excede os 4% de visitas e a miríade de termos pesquisados por quem cá chegou não permite identificar tendências ou traçar um perfil de quem lê. Nem eu estaria muito interessado nisso. Só através dos comentários (que são raríssimos) é que poderia realmente interagir com os “leitores” e deixar-me influenciar (ou não) pelas suas opiniões.

A quantidade de dados estatísticos que um serviço como o Google Analytics nos oferece é tal que a sua utilidade depende exclusivamente dos nossos objectivos e da nossa capacidade de os seleccionar, analisar e interpretar. O facto do Internet Explorer ser o browser mais usado nas visitas (+ de 60%) e do Windows ser o Sistema Operativo mais comum entre os leitores (quase 90%) mostra-me que, ao contrário do que se passava há uns anos, quando este era um espaço muito “pessoal”, os meus leitores são uma eventual amostra da “maioria” dos internautas portugueses, distorcida como todas as amostras, mas cada vez menos.

O decréscimo de visitas reflecte, creio eu, considerando a tendência acentuada nos últimos meses do ano e observando o crescimento significativo e sustentado de subscritores do feed, uma maior interacção com os mesmos conteúdos por parte dum número crescente de leitores-utilizadores noutras plataformas (FriendFeed, Facebook, Twitter, etc).

Seja como for, os números indicam que, em média, diariamente, qualquer coisa como 105 visitantes, que realizaram cerca de 121 visitas, visualizaram cerca de 154 páginas do blog. Eu, excluindo anomalias (como esta ou esta), quase não dou pela presença de ninguém. E, por mim, as coisas podem manter-se assim, do ponto de vista da “manifestação” dos leitores, se bem que também não me importo de receber críticas, sugestões e comentários ocasionais. Mas além de repensar a secção de podcast do blog, farei, para me impôr alguma disciplina de escrita, algumas alterações que, se tudo correr bem, serão óbvias. ;)

E, nesse sentido, passo a aceitar sugestão de temas para artigos mais aprofundados.

Criaturas, excertos das projecções

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=AsW60KgdAsg[/youtube]

Porque o registo vídeo anterior não permite perceber minimamente a projecção, decidi fazer esta pequena montagem, com excertos das animações em tempo real geradas por Pure Data + GEM, com alguns elementos áudio da performance de estreia.

Twitter, Facebook e Friendfeed… cuidado com a onda

Quem acompanha este blog terá notado um decréscimo significativo de actividade, inversamente proporcional ao tempo que tenho dedicado à comunicação online. Curioso. A verdade é que, depois de aderir ao Twitter e de sincronizar a partir dali o meu estado no Facebook, comecei a usar com alguma intensidade estas plataformas, porque se ajustam ao meu (pior) comportamento obsessivo-compulsivo, com intervenções curtas, e respostas rápidas. Percebi, de novo, que uma das coisas mais interessantes (e mais perigosas, como distracção) da vida social online é, como na vida real, um nível elevado de interacção. Pergunta, resposta, comenta, faz um aparte, manda uma boca, partilha um link ou uma imagem… tudo isso é fácil, imediato e “real” no Twitter, que tem como principal desvantagem a superficialidade inerente às rajadas de 140 caracteres, a confusão do meio, onde se torna difícil perceber quem disse o quê e a que propósito e um potencial de vício que se torna fundamental combater. O Facebook ajuda a organizar algumas coisas e tem sido um ponto de contacto interessante e até inesperado com muitas amizades reais, mas foi com o Friendfeed, a que aderi, entretanto, que descobri que posso combater parte destas desvantagens, por não ter os mesmo limites de caracteres e, acima de tudo, por poder cruzar conteúdos de várias fontes e republicar nos contextos relevantes.

Com estas novas ferramentas e hábitos, não tenho ainda a certeza de qual pode ser o papel do blog, mas é evidente que muitas coisas que, em tempos, “mereciam” um artigo, agora são mais eficazes, seja na divulgação, seja na recolha de feedback, se forem difundidas como um simples tweet, ou partilhadas via Friendfeed.

Teoricamente já sabia que assim era: li os artigos dos “especialistas” em social media que estão na berra, consultei os sites das plataformas e testei timidamente alguns serviços. Mas mantive-me à distância, acima de tudo, por precaução: sei que este é um terreno em que facilmente posso deixar de distinguir entre o uso razoável, o uso distraído e o uso obssessivo, até porque sou hábil na racionalização dos meus vícios e das minhas distracções. Sempre fui.

Este é, por isso, aquele ponto em que me reconheço no topo da crista da onda que não me pode engolir. Primeiro passo está dado.

Rendição

Como podem ver, ali na barra lateral, rendi-me ao Twitter. Era previsível, mas não sei exactamente como é que vou usar a ferramenta. Integrei com o blog, através do TwitterTools, e vou ter os meus artigos automaticamente “tweetados”, além de ter os “tweets”, disponíveis na barra lateral. E vou testar uma integração com a minha conta no delicious, através do Mahalo Share. Aceito sugestões sobre outras possibilidades. O principal objectivo é manter-me ao corrente das possibilidades das ferramentas de micro-blogging, para poder avaliar da pertinência estratégica de cada uma delas.

Singularidades gravitacionais semânticas no espaço virtual

Como já devem ter percebido, neste blog escreve-se sobre muitos assuntos. Mas como usei a palavra “sedução” no título dum post recente, os avançados algoritmos usados pelo AdSense para apresentar publicidade relevante no contexto do blog parecem ter sido sugado pelo incrível campo gravitacional desta palavra:

Publicidade no blog com a distorção introduzida pela palavra \"sedução\"

Para mim, estas “singularidades gravitacionais semânticas” não são novidade, mas nunca me tinha apercebido dum exemplo tão disparatado e/ou evidente, com excepção dos hilariantes anúncios a comida de cão e remédio para pulgas no blog do Pedro Aniceto, claro.

Também sei que, por causa da classificação deste post no sistema de tabs e categorias, com referências ao AdSense, ao Google e questões similares, tudo isto vai mudar rapidamente para o maravilhoso mundo das optimizações para motores de busca (SEO e SEF), optimização de conteúdos para criação de rendimento através de publicidade and so on… em algumas coisas, as singularidades da web são muito previsíveis. ;)

Uso, Permanência e Existência: os 3 estados “online”

Nos dias com muito tempo livre (mesmo que o tempo só seja livre em algumas áreas mais irresponsáveis do meu subconsciente), dou por mim a pensar em coisas parvas com uma certa conotação filosófica.

Hoje, por exemplo, a propósito de passar grandes temporadas sem ter sequer uma ligação à internet e, apesar disso, haver gente que acha que eu tenho uma existência “online”, cheguei à conclusão de que existem 3 estados ou modos de interagir com a internet (refiro-me a sites, correio electrónico e todos os protocolos e serviços baseados na rede). Estes “estados” são aplicáveis aos indivíduos e às organizações, ainda que com adaptações, como se percebe. E quer os indíviduos, quer as organizações são capazes de mudar entre estados, da mesma maneira que a água se evapora ou solidifica, de acordo com a temperatura.

  • Uso — é o estado mais elementar de interacção. As pessoas que simplesmente “usam” a internet fazem-no da mesma forma que usam telefones, televisões, jornais ou mesas de café. A sua vida não foi (conscientemente, pelo menos) mudada pela utilização desta ferramenta. Abordam os conteúdos online como leitores-consumidores e não interagem profundamente nos sites que consultam. Usam o correio electrónico e/ou trocam mensagens instântaneas com colegas e amigos. Não participam em comunidades ou fóruns, mas podem ocasionalmente, comentar um artigo num jornal e podem até ter um perfil no hi5 ou sucedâneo, porque um amigo ou conhecido sugeriu. Não se sentem parte da internet e não sentem (conscientemente) a sua falta, ainda que possam ser os primeiros, no trabalho ou na escola, a queixar-se se houver um corte no acesso.
  • Permanência — é o que acontece a um utilizador que se entrega aos (ou é absorvido pelos) mecanismos de interacção das diversas plataformas online. As pessoas que “permanecem” ou, mais simplesmente, que “estão” online, não se limitam a “usar” as ferramentas. Sentem-se parte do fenómeno e têm actividades regulares de definição de território pessoal: criam um blog, registam-se em várias redes sociais, de acordo com os seus perfis, comentam artigos em sites de vários tipos, participam em fóruns… isto além de usarem o correio electrónico e as mensagens instantâneas para todas as áreas da sua vida: família, trabalho, lazer, etc. A internet mudou a vida destas pessoas, e elas têm consciência disso. Identificam os “seus” espaços, privados e comunitários. Fazem da sua actividade e do seu “território” online, parte da sua apresentação e descrição como pessoas. E, claramente, há coisas que não saberiam fazer sem estas ferramentas.
  • Existência — quando quem “está” online, fica tão absorvido por ferramentas e serviços online que se convence que para cada uma das áreas da sua vida há alguma coisa online que pode melhorar ou facilitar a sua vida real e que, quando isso não acontece, começa a descurar esses aspectos da realidade, pode-se afirmar com propriedade que essa pessoa passou a “existir” online. São as pessoas que, conscientemente ou não, tentam assegurar-se de que terão sempre uma forma de estar ligados, mas mais do que isso, são as que fazem um investimento emocional desproporcionado na sua actividade virtual. Não são necessariamente as que têm net nos telemóveis e placas de banda larga portátil, mas são as que twittam no percurso entre casa e trabalho, as que, em vez de perguntarem a quem passa, usam um site ou serviço online para saber onde fica a farmácia ou o restaurante mais próximo. As que dão por elas a pensar, a cada momento, que deviam ter consigo uma máquina fotográfica ou de filmar para poderem transformar cada pedaço de realidade em registo digital partilhável. Mais do que isso; as que têm dificuldade em captar, usufruir e reagir ao mundo físico que as rodeia, mas têm um interesse quase mórbido pelas últimas actualizações no seu agregador de conteúdos, ou pelos vídeos mais populares do YouTube, ou…

Acho que já devo ter passado por estes 3 estados, em níveis diferentes e por razões diferentes e acho que conheço pessoas mais ou menos estabilizadas em cada um deles. Mais do que isso, conheço pessoas que ocupam variadíssimos lugares intermédios nesta escala ultra-simplificada e sei que o processo que nos leva duns estados a outros resultam duma mistura complexa de decisões conscientes, omissões e constrangimentos. Sei que me sinto limitado ou “reduzido”, quando não posso fazer mais do que “usar” a internet. Sei que já me assustei com a sensação de que tinha estado a “existir” online. Sei que sinto algum conforto no “meu” espaço online. Mas (agora) sei que nada disto é verdadeiramente relevante comparado com a esmagadora dimensão que tem a vida real.

O diário de bordo (re)feito pelos seus leitores

Porque o comentário do NS faz todo o sentido, os artigos escritos para a jazz.pt vão aparecer de forma faseada, para poupar os leitores à “enxurrada”. Será a um ritmo mais rápido do que um texto por semana, num compromisso entre a minha vontade de pôr tudo disponível e um certo conforto de leitura.

Para quem já tinha posto os olhos neste ou naquele artigo, não se preocupem: tudo ficará publicado em pouco mais de uma semana, incluindo a cobertura do Guimarães Jazz 2008, que fiz para o número 22 da revista.

Prometo ser mais cuidadoso na gestão da publicação, no futuro e espero que assim, possam ler com mais calma e visitar com alguma frequência o estaminé.

Cá vos espero.

Para quê publicar os artigos escritos para a jazz.pt?

Como terão notado, reiniciei a publicação de textos escritos para números antigos da jazz.pt e tenciono publicar aqui, com autorização da revista, obviamente, todos os artigos escritos e já publicados.

O objectivo é duplo: por um lado, acredito poder contribuir para a promoção da revista e, por outro, interessa-me recolher opiniões acerca da minha colaboração específica. Não sou jornalista nem crítico e tenho relativamente a esta “função”, uma atitude peculiar.

Também sei que a crítica da crítica é normalmente um exercício reservado para as mesas de café, mas se alguém sentir que me pode ajudar a melhorar, agradeço.