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Reclamação

Estou farto.
Acabei de enviar esta mensagem aos serviços Clix ADSL:

Ex.mos S.res:

Pedi a activação do serviço Clix ADSL nas minhas instalações a 18 de Abril, após confirmação das condições e da cobertura da vossa rede. Anunciaram na altura um prazo de 6 a 8 semanas até à instalação da linha, que me parecia já pouco razoável, considerando que o anterior utilizador destas instalações era vosso cliente. Ainda assim, preferi ser avisado da possibilidade da espera a receber promessas vãs de instalação e utilização imediata.
A necessária intervenção dos técnicos da PT aconteceu, de facto, quase 5 semanas depois do pedido, a 22 de Maio e o agendamento da instalação final foi muito rápido: foi agendada para hoje, 25 de Maio.
Mas o vosso técnico veio apenas para constatar que o técnico da PT se tinha enganado no Ponto de Distribuição e, aparentemente, o processo volta ao princípio, comigo à espera duma nova intervenção da PT.

Aceito, sem reservas, que a responsabilidade da situação possa ser atribuível à PT, mas, uma vez que não sou nem pretendo ser cliente da PT e vocês são os meus únicos interlocutores neste processo, devo informar-vos que considero que o tempo que esta situação demore até ficar completamente resolvida e as minhas instalações servidas com a ligação ADSL que vos solicitei, é, para mim, um prejuízo inaceitável. No vosso melhor interesse, devem providenciar a resolução com carácter de urgência máxima desta situação.

Serei solidário no vosso eventual processo de reclamação contra os serviços prestados pela PT, mas a minha reclamação só poderá ser dirigida aos vossos serviços e sê-lo-á, repetida e veementemente.

Com os melhores cumprimentos,

João Martins

Acham que vou ter alguma sorte?

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É amanhã, meus amigos

José Mário Branco e F.R.I.C.S. em concerto na Casa Viva, amanhã, às 21h30

24 e 25 de Maio

PLATAFORMA ARTIGO 65
Direito a Habitar
exposição | concertos | debates
GESTO, Cooperativa Cultural (Rua Cândido dos Reis, 64, PORTO)
CASA-VIVA, (Praça Marquês de Pombal, 167, PORTO)

Vários concertos, uma exposição e um debate decorrem, nos dias 24 e 25 de Maio, no Porto, organizados pela Plataforma Artigo 65 em conjunto com diversas associações e organizações que trabalham nesta cidade (SOS Racismo, a Comunidade do Bacelo, o Bairro do Lagarteiro, a Gesto e a Casa-Viva).
A exposição itinerante «Direito a Habitar» inaugura no dia 24 de Maio, às 17 horas, na Gesto – Cooperativa Cultural, no Porto e acompanha os concertos e debate que decorrerão na Casa-Viva.
Para além da sensibilização pública para o grave problema das carências habitacionais em Portugal e da defesa do Direito à Habitação – consagrado no artigo 65º da actual Constituição da República Portuguesa – um dos objectivos desta iniciativa é reflectir, especificamente, sobre os acontecimentos de Março passado, em que a Câmara Municipal do Porto, levou a cabo o despejo de um conjunto de famílias e sucessiva demolição das barracas onde viviam há 20 anos, no Bairro do Freixo na Freguesia de Campanhã. Esta iniciativa decorre, precisamente, na altura em que vence o prazo de 60 dias que a Câmara Municipal do Porto apontou para encontrar uma solução de realojamento definitivo para estas pessoas.
Este evento no Porto, segue-se às 1as Jornadas da Habitação que se estenderam ao longo de Janeiro e Fevereiro, em Lisboa e marca a extensão a outras cidades da acção da Plataforma Artigo 65, e da sua luta para a efectivação do Direito a Habitação para tod@s.

Plataforma Artigo 65

Quinta-Feira, 24

GESTO, Cooperativa Cultural
17h00 Inauguração da exposição itinerante “Direito a Habitar”

CASA-VIVA
21h30 Concerto: José Mário Branco
22h30 Concerto: Fanfarra Recreativa Improvisada Colher de Sopa

Sexta-Feira, 25

GESTO, Cooperativa Cultural

17h00 Reabertura da exposição itinerante “Direito a Habitar”

CASA-VIVA
21h30 Mesa Redonda:
Jorge Pereira (SOS Racismo/Plataforma Artigo 65)
Mónica Nunes (moradora do Bairro do Lagarteiro-Porto)
Vera Augusto (representante da Comunidade do Bacelo-Porto)

23h00 Concerto: Pedro e Diana + The Puppets

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Ensino Artístico – Petição online

O abaixo-assinado promovido pela MovArte que apresentei aqui também está disponível como petição online.

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Concertos F.R.I.C.S.

Porque “não há fome que não dê em fartura” ou qualquer outra coisa do género, cá estão anúncios vários para preencher os próximos dias até ao final do mês. Temos, além da estreia do Visões e da apresentação de “O Contrabaixo” na Serv’Artes, concertos F.R.I.C.S. no Porto e em Bragança.
Um mês que acaba em grande, para dar lugar a outro que abre com concertos do Space Ensemble.

Crise? Qual crise?

Quinta-feira, 24 de Maio, 21h30
Casa Viva, Praça Marquês de Pombal, 167, Porto

José Mário Branco
Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa/F.R.I.C.S.

Num evento organizado pela Plataforma Artigo 65, integrado num conjunto de acções de sensibilização para o direito a uma habitação condigna para todos os cidadãos, a F.R.I.C.S. tem a arrepiante honra de partilhar a sala e, se tudo correr bem, a atenção do público, com esse enorme vulto da música (e não só) portuguesa que é José Mário Branco. Um momento que será contado vezes sem conta a várias gerações de descendentes fanfarreiros!

mais info: plataformaartigo65.org, soopa.org e casa-viva.blogspot.com

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*Capitais*De*Distrito*Por*Ordem*Alfabética*Tour #4

Sábado, 26 de Maio, horários flexíveis
Um ou vários locais a designar, Bragança

Refeita das emoções da antevéspera, a F.R.I.C.S. volta a fazer-se à estrada para mais uma paragem da *Capitais De Distrito Por Ordem Alfabética Tour*. À boa maneira portuguesa, o local do concerto ainda não foi determinado (agradecemos propostas e sugestões), pelo que é possível que a F.R.I.C.S. espalhe a sua alegria quântica e multipolar pelas ruas da bela cidade transmontana.
Esperamos (mais uma vez, um acto intrinsecamente português) adiantar mais informações sobre este concerto em próximas edições.

mais info: myspace.com/fanfarraimprovisada

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Ainda o Ensino Artístico – acção

Sou muito distraído e só agora é que reparei que, além do Manifesto, já aqui comentado, está disponível para subscrição, um abaixo assinado promovido pela MovArte. Para quem se quiser envolver e cumprir o dever cívico, cá está uma boa proposta.

Todos podemos imprimir e recolher assinaturas. Porque esperam?

MovArte
Abaixo-assinado

Sr. Presidente da Assembleia da República,
Sr. Primeiro-Ministro,
Sra. Ministra da Educação,

Os abaixo-assinados, músicos, musicólogos, professores, alunos, e outros cidadãos particularmente preocupados com o Ensino Artístico, com a imagem do Estado e a Cultura Portuguesa, face ao caos que se vem instalando nas instituições públicas de Ensino Artístico, à desregulamentação dos regimes de frequência e à falta de meios com que o Ensino Artístico Especializado se depara, solicitam a Vossas Excelências a tomada de medidas de nível político, técnico e financeiro que visem:

  • uma verdadeira universalidade de acesso ao Ensino Artístico, estabelecendo uma plataforma de conhecimentos culturais e artísticos a atingir ao nível da escolaridade obrigatória;
  • a clarificação do estatuto dos Conservatórios, nomeadamente no que se refere à sua missão, como escolas de excelência artística, na formação de artistas e tendo em conta a especificidade de cada uma destas formações especializadas;
  • a clarificação da legislação que regula o estatuto dos regimes de Ensino Artístico Especializado, no sentido de uma melhor articulação dos três regimes (integrado, articulado e supletivo) com o Ensino Geral, e permitindo uma verdadeira liberdade de escolha por parte das famílias do regime a frequentar pelos seus educandos;
  • a regulamentação da contratação dos docentes do Ensino Artístico Especializado, dando clara preferência a uma vinculação contratual dos docentes às escolas e conservatórios;
  • a regulamentação do regime de trabalho dos docentes-artistas do Ensino Artístico Especializado, tendo em conta que sem experiência regular de palco, não é possível ensinar os alunos a fazer face a essa experiência;
  • a adequação do financiamento dos Conservatórios ao nível de exigência enquanto escolas de excelência e de Ensino Especializado, permitindo condições adequadas à qualidade de formação que se pretende, nomeadamente no que se refere ao desenvolvimento de aulas individuais, de instrumentos e instalações para estudo, e de meios técnicos adequados ao ensino das novas tecnologias na Arte;
  • uma clara tomada de posição em favor do ensino público gratuito e de acesso universal;

Fazem-no pelos seguintes motivos:

  • a Cultura, o Conhecimento e a prática artística são essenciais na formação pessoal e um direito de todos os cidadãos;
  • a universalidade do Ensino Artístico promove a salvaguarda e o desenvolvimento do património cultural e artístico nacional, bem como a inovação;
  • a fruição e o exercício da Arte são fundamentais para o exercício da liberdade e da cidadania, condição indispensável para uma sociedade desenvolvida;
  • apenas a co-existência e adequada regulamentação dos três regimes de ensino permitem uma verdadeira liberdade de escolha por parte das famílias sobre o percurso escolar e a carreira profissional dos seus educandos, deixando aos jovens a possibilidade, se assim o entenderem, de ter uma formação artística sólida durante alguns anos, a par de uma outra formação no ensino geral, antes de tomar uma decisão que dificilmente é reversível;
  • a existência de especialistas com dupla formação científica e artística é a única forma de desenvolver várias áreas essenciais no estudo das Artes e no desenvolvimento das próprias Artes na sua relação com as novas tecnologias;
  • a actual insegurança e regime de contratação de curta duração têm gerado um ambiente de perturbação generalizada nas escolas do Ensino Artístico Especializado;
  • apenas o Ensino Público pode garantir o livre acesso e a universalidade da formação a todos, sem discriminação, e a sua gratuitidade.

Conscientes de que este pedido se fundamenta no exercício de uma cidadania empenhada e participativa, os signatários esperam de Vossas Excelências a tomada de medidas com a urgência e a clareza que a presente situação justifica.

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Contribuições para o Manifesto pelo Ensino Artístico Especializado da Música

Aos promotores do Manifesto:

Leio com atenção o vosso texto e outros sobre o mesmo tema em vários blogs. Pretendo subscrever o Manifesto que promovem, na qualidade de músico (compositor e intérprete) que fez a sua formação inicial no Conservatório de Música de Aveiro.
Como aluno, assisti a algumas reuniões preparatórias de propostas de reforma do sistema do Ensino Artístico que deram em nada (nos inícios dos anos 90) e fui acompanhando os soluços do processo e a contínua degradação do sistema, por acção e omissão dos diversos intervenientes, conversando com antigos professores e com colegas que entretanto se tornaram docentes.

A minha visão deve, no entanto ser contextualizada. Frequentei, sem completar, o curso supletivo (em saxofone) e, desde os últimos anos no Conservatório, aumentou o meu interesse pelas músicas menos formalizadas e mais afastadas dos Conservatórios: o jazz, a improvisação livre não idiomática e outras músicas de vanguarda não eruditas.
A formação que recebi no Conservatório, quer tecnicamente como instrumentista, quer “artisticamente” como músico num sentido mais geral (análise e técnicas de composição, classes de conjunto, acústica, história da música…) foi fundamental não só na minha carreira profissional (como instrumentista e compositor de bandas sonoras para teatro, principalmente), como na minha formação como pessoa, cidadão e artista. A forma como o percurso no Conservatório me influenciou e me trouxe até ao aqui e agora foi feita de afirmações e negações. Construí-me com e contra aquilo que o Conservatório me deu e é essa a razão pela qual acredito que o Ensino Artístico Especializado da Música é fundamental.

Mas, como devem perceber, apesar de subscrever o vosso manifesto sem reservas, não partilho de todas as vossas opiniões (aquilo que me parecem ser as vossas opiniões, pelo menos). Acredito que vejam nisso uma força maior no vosso documento.

Seguem alguns reparos avulsos e votos de que a vossa luta seja consequente, apoiada e continuada.

MANIFESTO
pelo ensino artístico especializado da música

da condição de músico

1. Ser músico implica um processo de aprendizagem contínuo e inesgotável.
2. A expressão artistística é uma necessidade inerente à condição de músico.
3. O exercício de uma actividade artística requer uma disponibilidade total e incondicional.

Essa “disponibilidade total e incondicional” parece mais uma profissão de fé e retira peso ao facto do exercício da profissão “músico” ter/poder ter um peso económico e um papel social que tem tanto de “funcional” como de artístico.
A “fasquia” técnica que a formação das escolas de ensino artístico especializadas traz ao panorama musical português é responsável por mais do que o dinamismo artístico. O significado e impacto para a indústria musical e do entretenimento e, por essa via para a economia, não deve ser menosprezado num debate que tem tanto de cultural como económico.

do ensino artístico especializado da música

1. Ensinar não é ocupar.
2. Formar não é entreter.
3. Não há regras nem percursos pré-definidos para a formação de um músico.
4. A aprendizagem não pode por vezes ser lúdica.
5. Não se ensina a ser músico, ajuda-se a aprender.
6. Há áreas do saber que implicam a aprendizagem e o exercício de rotinas intensivas que consolidam os recursos adquiridos e sem os quais uma formação mais avançada não pode ser construída e determinados objectivos não podem ser alcançados.
7. A missão do ensino artístico especializado da música de nível secundário deve ser formar alunos aptos a prosseguir os seus estudos a nível superior, independentemente da decisão que tomem.
8. A missão do ensino artístico especializado da música de nível superior deve ser formar alunos capazes de exercer uma actividade artística musical como profissão.

Muito bem. Particularmente o ataque inicial às teorias das ciências da educação. Sem ponta de ironia da minha parte.
Acrescentaria apenas que o exercício da profissão de músico não depende da obtenção dum diploma do ensino superior, pelo que o ensino de nível secundário deve estar adaptado para que os alunos se sintam capazes de um desempenho profissional. Claro que o nível não será o mesmo dum licenciado, mas deverá existir uma preparação para um nível intermédio de exercício profissional no caso dos intérpretes.

do processo de aprendizagem musical

1. O processo de aprendizagem musical requer por parte do formando uma rotina quotidiana, diligente, empenhada e que ultrapassa largamente o âmbito das actividades académicas.
2. Parte considerável da aprendizagem de um instrumento (ou canto) implica o desenvolvimento e controlo de processos psico-motores; ao conjunto destes processos dá-se correntemente o nome de “técnica”.
3. A aprendizagem e assimilação de recursos técnicos implica o exercício individual regular.
4. A orientação do especialista é fundamental em todas as fases do processo de aprendizagem musical, desde o primeiro contacto até à inserção na vida profissional.
5. Na aprendizagem e assimilação de recursos técnicos, a orientação do especialista é fundamental para evitar que estes seja construídos sobre bases frágeis ou não consolidadas.
6. Construir um percurso musical assente em bases frágeis resulta inevitavelmente em momentos de bloqueio que necessitam de processos morosos e complexos para serem resolvidos.
7. Apenas o especialista possui a capacidade de diagnóstico e as ferramentas metodológicas que permitem ao formando definir objectivos, traçar percursos e corrigir problemas.
8. Na aprendizagem e assimilação de recursos técnicos, a orientação do especialista garante que as capacidades do formando sejam optimizadas e que os métodos e estratégias mais adequadas sejam utilizadas na resolução dos seus problemas.
9. A aula individual é uma parte fundamental, incontornável e estruturante da aprendizagem musical.

Não sei se percebo bem esta terminologia do “especialista”. Também não sei se percebo a distinção “instrumento (ou canto)”, já que sempre pensei na voz, musicalmente, como um instrumento. Naturalmente diverso, mas instrumento.
Espero que concordem, como dizem no princípio, e não esqueçam que “não há regras nem percursos pré-definidos para a formação de um músico”. Com essa ressalva, concordo com tudo o que dizem, para quem escolhe um processo “académico” de aprendizagem musical.
Com variantes, outros processos são possíveis e deles resultam exemplos extraordinários.

do aluno do ensino artístico especializado da música

1. O aluno do ensino artístico especializado da música é um indivíduo que procura uma formação musical intensiva e especializada, normalmente expressa sob a forma da aprendizagem de um instrumento, canto e/ou composição.
2. O aluno do ensino artístico especializado da música é consciente que uma formação musical intensiva e especializada constrói-se sobre um trabalho individual e rotinas regulares.
3. Ao aluno do ensino artístico especializado da música devem ser facultadas condições de estudo que permitam desenvolver, potenciar e concretizar a vontade de expressão musical, entre as quais a orientação de especialistas, o acesso a espaços para estudo e apresentação, instrumentos musicais e documentação musical.
4. Ao aluno do ensino artístico especializado da música devem ser dadas condições que permitam compatibilizar os estudos musicais com os estudos gerais, sem prejuízo para a qualidade da sua formação.
5. Ao aluno do ensino artístico especializado da música devem ser dada a possibilidade de escolher entre os regimes de frequência que melhor se adequam ao seu caso particular, sem prejuízo dos objectivos definidos.
6. O aluno do ensino artístico especializado da música pré-superior não pode ter as suas opções de futuro hipotecadas pelo facto de se encontrar neste sistema de ensino.
7. A idade do candidato não deve ser impeditiva do acesso ao ensino artístico especializado da música

Ao aluno do ensino artístico especializado da música assiste o direito de escolher o seu percurso e ser apoiado no seu processo de escolha, considerada a diversidade de carreiras e vocações no mundo da música. De resto, completamente de acordo.

do docente do ensino artístico especializado da música

1. Ser músico é condição indispensável para ser professor de música.
2. A condição de professor do ensino artístico especializado da música não pode nunca implicar o abdicar do exercício de uma actividade artística, sem prejuízo para a formação dos alunos.
3. A condição de artista não pode significar um menor empenho ou responsabilidade para o artista que é docente do ensino artístico especializado da música.

A condição de docente do ensino artístico especializado da música não pode significar um menor empenho ou responsabilidade para o docente que se diz artista. Creio que a dignificação da posição do docente do ensino artístico passa precisamente pela valorização da sua eventual carreira artística, que poderá passar pela limitação do número de horas e/ou estabelecimentos onde lecciona. Sem se dizer isso, poderá denunciar-se alguma hipocrisia neste ponto.
Não deixa de ser igualmente verdade que um conjunto de disciplinas e/ou docentes, de facto, exercem de forma exclusiva e intensiva a profissão de docente e nem sempre de forma prejudicial. A distinção entre as duas formas de estar no ensino artístico deve ser clarificada e assumida com naturalidade.

do estabelecimento de ensino artístico especializado da música

1. O estabelecimento de ensino artístico especializado da música deve ser um lugar onde indivíduos possam encontrar as ferramentas necessárias para construírem o seu percurso individual.
2. O estabelecimento de ensino artístico especializado da música deve possuir condições logísticas mínimas e indispensáveis, como espaços para leccionação e estudo acusticamente adequados, centros de documentação, espaços para apresentações públicas.
3. O estabelecimento de ensino do ensino artístico especializado da música deve ser um lugar onde discentes e docentes possam concretizar projectos de expressão artística.

O estabelecimento de ensino do ensino artístico especializado da música deve ser um lugar que potencie o contacto e os intercâmbios entre a comunidade educativa que alberga e a sociedade. Deve estar aberto à comunidade, deve ter uma atitude de prestação de serviço público na dinamização cultural e sensibilização para a música como arte no seu contexto local. Deve potenciar o contacto com outras áreas artísticas e movimentos cívicos e ser um pólo dinamizador de cidadania, educação e arte.

Espero que possam usar este meu contributo (que publicarei igualmente no meu blog), no contexto da vossa discussão.

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Ensino Artístico – actualização

Continuei a leitura e fui seguindo o rasto pela web. Continuo sem saber quão grave é a situação porque a leitura na diagonal nunca é boa conselheira.

Mas gostei do que li no Manifesto pelo Ensino Artístico. Visitar, ler, discutir e, quem sabe, subscrever, parecem ser óptimas opções. Mas não parece muito claro o que é que cada pessoa pode fazer para apoiar esta causa. Sugestões?

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Ensino Artístico

Há muito, muito tempo, pouco tempo depois dos animais terem deixado de falar, eu assisti a umas discussões sobre eventuais reformas do Ensino Artístico. Era na altura aluno do Conservatório de Música de Aveiro e a urgência das reformas era já nessa altura qualquer coisa de mítico: falar sobre o estatuto dos Conservatórios, a integração dos currículos, as carreiras dos professores, os modelos de ensino… tudo parecia já ter sido dito e redito até à exaustão por equipas cada vez mais desiludidas e cansadas de esperar pelo cumprimento de qualquer compromisso por parte do(s) poder(es). A divisão no seio das “nossas” fileiras (a dos defensores do Ensino Artístico), a partir do momento em que a “coisa” aquecia ou parecia que algo podia de facto mudar, também era uma ameaça constante a pairar sobre as nossas cabeças…

Passou-se bastante tempo e fui sabendo, ao longe, de mais uns avanços e recuos e de como os moldes globais da”trama” pareciam inalterados. Agora, parece que a fúria reformista do executivo do Eng? Sócrates vai chegar ao Ensino Artístico. Eu não tive tempo para ler o estudo que serve de base às propostas, nem para ver em profundidade o que alguns dos intervenientes pensam de tudo isto, mas não consigo deixar de pensar que as alterações a fazer no Ensino Artístico serão, provavelmente, as que menos “ondas” vão provocar na sociedade portuguesa, mas das que terão um efeito mais profundo naquilo que seremos no futuro.

Para já, recolhi algumas referências para leitura futura. Depois, pode ser que consiga formar uma opinião e/ou juntar a minha voz à de outros…

Querem ler comigo? Vão até ao Artimanha, à Tónica Dominante, às Ideias Soltas e à MovArte, ver o que eles dizem sobre o tal Estudo de Avaliação do Ensino Artístico. Encontramo-nos aqui para falar sobre isso, depois. Até já.

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Surpresa!?

Aparentemente, o “material técnico do Rivoli foi uma surpresa amarga” para o La Féria.

Pus-me a pensar nos 5 espectáculos que fizemos nos últimos 4 anos no Rivoli e nas surpresas amargas ou, pelo menos, agridoces que fomos tendo. Nunca foram surpresas grandes, porque os raiders técnicos e a equipa residente faziam um bom trabalho a gerir as expectativas. Nunca tive (grandes) surpresas com a (falta de) qualidade da mesa de som ou com o número (reduzido) de microfones de lapela ou com qualquer outra coisa desse género, porque lia (e espremia) os raiders técnicos que me davam e fui (mal) habituado a trabalhar com o que tinha à disposição. Claro que, às vezes, mesmo assim, as surpresas surgiam e não foram poucas as dores de cabeça…

Mas não foi o La Féria que se candidatou à gestão do Rivoli? E fê-lo sem conhecer o equipamento? Sem estudar os dossiers técnicos? Que tipo de “surpresa” é a dele? Achava que o Rivoli era tipo Ovo de Páscoa, com brindes lá dentro?
Se não sabia com que é que podia contar, podia ter perguntado a quem quer que tivesse montado um espectáculo no Rivoli nos últimos anos, em vez de fazer o folclore do “se não fosse esta surpresa, estava pronto a estrear daqui a 10 dias”…

Brincamos?

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Impresa e Macintosh

Periodicamente acontecem coisas assim: alguém decide publicar alguma coisa— um website, um determinado conteúdo on-line ou num CD-Rom, uma mini-aplicação de uso geral…— esquecendo-se de que nem toda a gente usa computadores com sistemas operativos Windows. Não me irrito mais pela exclusão da minha plataforma de eleição, os computadores Apple Macintosh, do que por todas as outras e, acima de tudo, fico irritado quando percebo que, no fundo, se trata apenas de preguiça: preguiça dos programadores que não querem saber de plataformas que não as que usam no local de trabalho, preguiça de quem elabora cadernos de encargos e não se está para chatear com “pormenores” como “quem é o público disto”…

Desta vez foi a Impresa que se esqueceu da imensa minoria “diferente” no lançamento de novas funcionalidades da edição on-line do Expresso.

O Pedro Aniceto (que é mais do que um pai para a comunidade de Mac Users portugueses), preparou um textozinho de protesto, pronto a enviar para impresa@impresa.pt. Sendo ou não Mac User, se se irrita com a preguiça, junte-se a nós neste protesto.

Use o e-mail que se transcreve, ou se quiser ser preguiçoso como os programadores da Impresa, pode simplesmente clicar aqui.
O Pedro Aniceto pede para ser informado, em CC, para “medir” o pulso à dimensão do protesto e (imagino eu) avaliar acções futuras.

Para: impresa@impresa.pt
CC: aniceto@mac.com
Assunto: Macintosh/ Mac OS

Mensagem:
É possível que tenha sido um lapso. Ou um desconhecimento. Ou ambas as coisas. Ou ainda outras que não consigo sequer imaginar quais tenham sido.
Deixar de fora MILHARES de utilizadores de computador que não utilizam Windows como sistema operativo, é pouco inteligente, não revela grande visão do mercado e, em termos de gestão económica, muito pouco sagaz.
Talvez exista alguma estratégia genial de afastar leitores, tão genial que está escondida algures, mas tão bem escondida que se não vê…

Como leitor do Expresso e de alguns outros produtos Impresa, lavro aqui o meu protesto pela falta de respeito técnico (porque há tantas soluções para múltiplas plataformas que me dispenso de as enumerar).

Cumprimentos,

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