Arquivo da Categoria ‘comunicação’

Se for para mudar, que mudem para melhor

Terça-feira, 7 de Outubro, 2008

Ouvi, nas notícias, que o Multibanco ia mudar de imagem. Fiquei curioso, obviamente, mas por acaso, e porque uso a Internet para quase todas as operações bancárias, só alguns dias depois da mudança é que me deparei com ela. E fiquei muito desiludido. As questões mais profundas, as que potencialmente dificultarão a acessibilidade ao novo interface, são bem analisadas pelo Ivo Gomes, mas a mim, a impressão mais imediata e superficial foi “porque é que isto ficou tão feio”? E reparem que eu não achava nem a imagem, nem o interface antigo particularmente bonito. Mas se, por um lado, funcionava, por outro, tinha algum equilíbrio. Já esta nova imagem, pode eventualmente ter melhorias ao nível da “actualização” da identidade gráfica do Multibanco que se reflectem (eventualmente) na comunicação fora do interface. Aceito até que pessoas menos sensíveis a questões de legibilidade e acessibilidade considerem que, em geral, a nova imagem é mais “moderna”.

Multibanco - nova imagem

Mas não concordam que o novo “boneco” do MB é feio e mal desenhado?

MB, o novo boneco é feioE isso, chama a atenção para os pormenores de todo o interface e da identidade e, genericamente, há imensas fragilidades gráficas. Ora reparem com atenção… não é mesmo “feio”?

Porquê?

Visões Úteis: Outubro em Lisboa

Segunda-feira, 6 de Outubro, 2008

Visões Úteis, logotipoComo continua a ser verdade que, neste país provinciano e parolo, muitas decisões estão nas mãos de gente que, sem pensar, sente que “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”, este mês de Outubro, em que o Visões Úteis volta a pisar palcos da capital, é estranhamente importante:

Os espectáculos em Lisboa, envolvem-me “fisicamente”, um pouco para lá dos limites do estritamente necessário para assegurar a bandas sonora e sonoplastia.

Gosto de fazer O Contrabaixo e assumir a condição de “músico em cena”. O texto do Süskind é brutal (e um músico percebe isso um bocadinho melhor) e agrada-me a simplicidade, a portabilidade e a eficácia da encenação, além de não me deixar de surpreender com a interpretação do Pedro. E um espectáculo de teatro que tanto se faz em bares, como em auditórios (como em estações de metro), sem perder a eficácia, é, por definição, um espectáculo “forte”.

O Contrabaixo, imagem de Paulo Pimenta

Já o Muna, é “outro campeonato”: no que exige de cada um de nós, criadores, intérpretes e técnicos; no que exige do espaço; no que exige do(s) público(s)… ficará seguramente na História do Visões Úteis e, havendo alguma justiça, ficaria noutras Histórias, mais globais.

Muna, ilustração de Júlio Vanzeler

Na minha, como músico e sonoplasta, como inventor e construtor de instrumentos, como performer e como pessoa (e pai) fica certamente. E o esforço de adaptar o espectáculo à sala-estúdio do TNDMII está também a revelar-se digno de antologia, mas é sempre preciso sofrer qualquer coisa pela “Arte”. :)

Dos nossos amigos e conhecidos na capital, espera-se algum apoio: pela presença e por algum apoio na divulgação. Obrigado.

oCulto (d)a banda

Quinta-feira, 2 de Outubro, 2008

Os Secret Chiefs 3 deram o seu primeiro concerto em Portugal, mais precisamente no Porto, na passada terça-feira, no PlanoB, num evento Soopa / AmplificaSom.

Secret Chiefs 3, cartaz do concerto no Porto

Este projecto de Trey Spruance, colaborador habitual de Mike Patton e um dos responsáveis dos extintos Mr. Bungle, é um híbrido de luxo, onde se juntam referências esotéricas a estilos musicais exóticos e sub-apreciados, numa mistura alucinada, relativamente contagiante, virtuosa e exigente. As complexas estruturas rítmicas colhidas nas músicas do médio oriente e do sub-continente indiano, juntam-se a referências mainstream de surf-rock e música de filme à la Morricone, polvilhadas de massas agressivas q.b. colhidas nos contextos do metal e rematadas com linhas melódicas verdadeiramente assombrosas. O jogo instrumental é impressionante e o rigor e qualidade de execução ao vivo, mesmo em condições longe de ideiais, exige muito respeito.

E é verdadeiramente incompreensível como é que a estreia em Portugal dum projecto destes acontece num espaço da dimensão do PlanoB e como, apesar dos melhores esforços dos promotores, passa relativamente despercebido.

Que algo de muito estranho se passa na imprensa dita especializada e na generalidade das redacções dos generalistas que, teoricamente, deveriam compreender a importância relativa dos eventos em agenda, já todos sabíamos, mas o que parece ser evidente é que o último critério em uso, actualmente, é a verdade essencial do acontecimento (seja música, seja outra coisa qualquer). Essa “verdade” é preterida permanentemente por aproximações subjectivas a quem promove, em que local e em que contexto, por oscilações de humor pessoais e intransmissíveis e níveis de conforto relativo que trarão constantemente à ribalta as banalidades próximas dos círculos restritos de editores e redactores, normalmente quase tão ignorantes como arrogantes e preguiçosos.

E assim, bandas de culto merecido, como os Secret Chiefs 3, são confundidas com bandas “ocultáveis”. Mas um dia isto muda…

Tolerância Zero

Segunda-feira, 29 de Setembro, 2008

Desde o início do ano morreram 46 mulheres vítimas de violência doméstica em Espanha.
Desde o ínicio do ano morreram 36 mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal.

Espanha tem 45 milhões de habitantes, Portugal tem 10.

Em Espanha, o silêncio quebra-se assim:

Quando maltratas uma mulher deixas de ser um homem. Tolerância Zero para os Agressores

Mãe, fá-lo por nós. Age. Tolerância Zero para os Agressores

Nem penses em voltar a pôr-me a mão em cima. Tolerância Zero para os Agressores.

E nós?

Via Argolas, 5 dias, Vida Breve e Folhos e Confettis

O melhor da Escola

Segunda-feira, 29 de Setembro, 2008

Como é que o professor Arsélio mudava e melhorava a relação dos alunos com o ensino da Matemática?
Só tenho uma hipótese. Continuar a fazer o meu trabalho. ABraçar os alunos quando é caso disso, ralhar com eles quando é necessário. E tentar com todos os exemplos à minha disposição mostrar que a Matemática é uma coisa de importância vital. A minha posição é esta: quando uma pessoa pensa que uma coisa é importante, tenta aprendê-la e fazê-la bem. Todos os alunos que são maus a Matemática fazem muitas coisas bem. Porquê? Porque para eles são coisas importantes. A Matemática é que não é uma delas. O problema é de cultura. Os pais não entendem isto e desculpam a falta de cultura científica. QUnado perceberem que é vital, vão aprendê-la. Não pode ser feito doutra maneira.

O professor Arsélio Martins responde a perguntas do aluno Tomás Fidélis, na Pública de 28.09.08

Arsélio e Tomás são o melhor da escola (Pública 28.09.08)

A Idade da Inocência

Quarta-feira, 24 de Setembro, 2008

Quem não ouve TSF, ou não ouve a horas estranhas, talvez não conheça A Idade da Inocência. Eu, que só ouço rádio no carro, sou por vezes surpreendido por programas deste tipo, naquelas horas em que todas as rádios se parecem juntar na difícil tarefa de combater a insónia nacional. São programas de música para adormecer, essencialmente, pontuados a espaços com umas frases de significado aparentemente profundo, mas, na realidade, completamente vazias. Mas, depois de algumas breves experiências de audição estou convencido que estes programas devem constituir autênticos filões para músicos carenciados, já que, além de toda a música feita originalmente para adormecer, passam versões atrás de versões de músicas, cujo original já era muitas vezes meloso, mas não o suficiente, de tal forma que alguém decidiu fazer uma versão ainda mais melosa. Como se fosse um concurso. Hoje, por exemplo, ouvi um excerto duma versão inacreditavelmente melosa do já insuportavelmente meloso “How Deep Is Your Love“, dos incontornáveis Bee Gees. Para quê?

Mas o que me deixa ainda mais espantado é quando surgem versões melosas de músicas completamente despropositadas, como Eye of the Tiger, o tema dos filmes do Rocky, que ouvi hoje mesmo numa versão de adormecer brutos, em absoluto espanto. Nestes momentos, fico na dúvida sobre se A Idade da Inocência e programas similares não serão intervenções humorísticas ou mega-experiências psicológicas, para descobrir quão alienados do que se passa à nossa volta é que nós andamos.

Se vos interessa saber, eu, pelo menos, noto com espanto, estas agressões surrealistas. Às vezes dá-me para rir, outras para questionar se as pessoas responsáveis por estas coisas serão equilibradas e sãs.

Rodrigo Amado: Searching for Adam

Sexta-feira, 19 de Setembro, 2008

Assisti ontem na Casa da Música ao concerto de estreia do projecto Searching for Adam, de Rodrigo Amado. A exposição de fotografia, central no projecto, está patente apenas em Lisboa, mas o concerto, com Taylor Ho-Bynum, John Hebert e Gerald Cleaver, além do próprio Rodrigo Amado, estreou-se no Porto.

Rodrigo Amado: Searching for Adam

Guardo as impressões mais completas e profundas para o artigo que escreverei para a Jazz.pt, mas aconselho o concerto vivamente e sem reservas, a quem ainda puder ir hoje à Culturgest.

Quando não se sabe do que se fala…

Sexta-feira, 19 de Setembro, 2008

Ontem à noite, na TSF, a responsável pela emissão que, obviamente nunca deve ter estado no Porto “a sério”, anunciava que dentro de poucas horas se poderia circular normalmente na VCI, que tinha sido cortada “em direcção ao Porto”.

Eu, que estava prestes a entrar na VCI, em direcção à Ponte da Arrábida, não cheguei a saber se para ela, a “direcção ao Porto” é do Porto oriental (Freixo) para o Porto ocidental (Arrábida), ou o contrário, mas saí do Porto sem problemas. O que é seguro é que, em alguma altura, algum ponto da Via de Cintura Interna, que começa e acaba no Porto, esteve cortada, num sentido qualquer, que provavelmente nem interessa nada.

Não é a primeira vez que noto, em alguns dos responsáveis por dar informações de trânsito, uma diferença considerável no detalhe e pertinência da informação dada sobre as condições em Lisboa (cidade na qual circulam regularmente, imagino) e no Porto (cidade que já terão visitado). É tudo normal…

A Vida Normalmente

Quinta-feira, 18 de Setembro, 2008

Estreou esta terça-feira, na RTP2, A Vida Normalmente, uma série documental de 10 episódios, de Fernanda Câncio e Abílio Leitão. 10 bairros “problemáticos” são vistos/mostrados pelos olhos de quem lá vive “normalmente”, escapando às tradicionais armadilhas da “vitimização” ou da “desculpabilização”. À estreia, dedicada ao Bairro da Abelheira, um bairro de realojamento em Quarteira, seguiu-se um debate num Sociedade Civil “Especial Bairros”, com a presença dos autores do documentário, a jornalista Fernanda Câncio e o realizador Abílio Leitão, da coordenadora operacional da Iniciativa Bairros Sociais do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana, Virgínia Sousa, e do Bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando Santo.

Uma primeira nota vai para a falta de critério de programação da RTP que remete para horas impróprias (o documentário de 30 minutos, ao qual se seguiu o debate, começou depois das 23h00) uma iniciativa que, no contexto actual, justificaria, obviamente, maior visibilidade. Continua sem se perceber porque é que as incursões mais profundas à natureza do que é o serviço publico de televisão ficam reservadas para noctívagos e cuidadosamente “guardadas” no canal que, de nome e, de facto, é o segundo.

Felizmente, apesar disso, não perdi esta estreia e pude ficar a ver o debate até ao fim.

Quanto ao documentário, parece-me de facto interessante o registo-construção duma visão dos “bairros” de dentro para fora, fugindo de abordagens mais correntes e, porventura, mais fáceis, de dar a voz aos técnicos do costume— ora teóricos de tribuna, ora gente de intervenção no terreno— que não podem deixar de estar numa condição de “estrangeiros” relativamente ao “bairro”. A visão “local” ajuda a compreender a natureza das fronteiras que nem sempre são bem entendidas em toda a sua complexidade e, no debate, algumas expressões ilustram essa complexidade: “os bairros de realojamento, mecanismos de inclusão social, funcionam também, como mecanismos de exclusão”, porque “não são cidade”, apesar de “haver um maior sentimento de pertença”, de tal forma que, “quando saem do bairro, as pessoas sentem-se no estrangeiro”, assim como se sente, por vezes, que as incursões da polícia parecem “incursões em território inimigo”.

Percebo também a ideia de procurar, dentro dos “bairros”, exemplos de pessoas que procuram “suplantar as condições de partida” e, simplesmente, ou “normalmente”, viver a sua vida. Estes “bons exemplos” são inspiradores e têm o potencial de humanizar o nosso olhar sobre estes territórios “estrangeiros”, que ora são “problemáticos”, ora “críticos”, ora sujeitos a “intervenção prioritária”… Mas o argumento apresentado de que esta visão é uma pedrada num charco marcado por imagens ora de “vítimas”, ora de “irresponsáveis”, para mim, não faz muito sentido. A verdade é que as “pessoas” que moram nos bairros— os bons, os maus e os vilões— não têm visibilidade no panorama da comunicação social, e os bairros são tratados como realidades uniformes e indistintas, como se não fossem território habitado de toda a diversidade que habita o resto do país. Com estes 10 episódios ficaremos a conhecer algumas das pessoas dos bairros, mas ficaremos a conhecer histórias de superação, de persistência, de preserverança, de sorte, de sucesso relativo. Mas não é verdade que isso sirva para temperar um panorama em que conhecemos já as biografias de quem não conseguiu superar as condições de partida, por não poder, por não querer, por falta de sorte, por…

A verdade é que estes retratos dos bairros, de pessoas dos bairros, pode ter o efeito pernicioso de prolongar uma visão distorcida que já temos desta realidade e dar mais fôlego à ideia de que, quem quer e faz por isso, pode ter uma vida melhor. Os autores do documentário sabem que não é bem assim e disseram-no no debate, mas a opção de construção da série é esta. Não deixa de ser legítima, mas creio que o processo de humanização do nosso olhar sobre os bairros passa por conhecer as pessoas que lá moram: as que, quiçá excepcionalmente, vivem a sua vida “normalmente” e as outras, cujas vidas são, no contexto, tão normais como a de cada um de nós, mas num contexto muito pior. Fico curioso por perceber quão “excepcionais” são os exemplos de vidas “vividas normalmente” e escolhidas para estes documentários e ficaria agradavelmente surpreendido se, com contribuições valiosas como esta, passássemos, como sociedade, a olhar para os “bairros” como sítios onde moram pessoas. É um importante primeiro passo.

Quanto ao debate que, como se perceberá, foi rico, fiquei surpreendido com a presença do Bastonário da Ordem dos Engenheiros num papel que poderia ser exercido, com vantagem, por um Urbanista ou Arquitecto. O Nuno Portas, o Varela Gomes, a Ana Tostões, o Ribeiro Telles, ou até a Helena Roseta (se fôssemos capazes de não confundir o que a pessoa diz com o papel político que desempenha a dado momento) poderiam contribuir com uma visão centrada no desenho e no funcionamento das cidades e do território e dos seus momentos particulares, como são os bairros de realojamento, provavelmente com mais interesse do que o Eng. Fernando Santo, que merece todo o meu respeito. O Nuno Portas, particularmente, por acumular responsabilidades como Urbanista, Arquitecto, Pedagogo e Político e ser um grande comunicador, poderia ter dado outra dimensão ao debate.

Claro que o debate seria ainda mais rico se prolongasse a opção do documentário e desse voz a quem vive nos “bairros”, pondo frente-a-frente o discurso dos técnicos com o discurso de quem tem que viver com as opções dos técnicos.

Uma proposta modesta (e revolucionária)

Terça-feira, 16 de Setembro, 2008

Sigo com atenção e frequência o blog do Jeffrey Zeldman. O que me levou ao blog são questões eminentemente técnicas e especializadas— o Zeldman é uma sumidade no campo do web design e dos standards—, mas o que me faz voltar e mais me impressiona é a qualidade da escrita e, acto contínuo, do pensamento.
Ontem, numa “proposta modesta“, o Jeffrey Zeldman escreveu algumas coisas fundamentais acerca da natureza do actual sistema político-mediático norte-americano. Proponho esta tradução (não oficial nem autorizada) porque vale a pena aceder ao pensamento dum norte-americano lúcido e porque esta proposta modesta podia e devia ser levada a sério um pouco por todo o lado.

Uma proposta modesta

por Jeffrey Zeldman (trad. João Martins)

É ilegal difundir falsidades em anúncios de televisão ou rádio, a não ser que se esteja a concorrer a um cargo político.

Se estiver a vender pasta de dentes, as suas alegações têm que ser validadas por profissionais médicos e juristas. Mas não se estiver a vender um cadidato.

Se estiver a vender um candidato, não só pode mentir acerca do seu passado, mas, de forma mais clara, pode mentir acerca do seu adversário.

Estas mentiras são vistas e ouvidas por milhões de pessoas, não só quando são difundidas como anúncios pagos, mas também quando circulam de forma gratuita nas redes noticiosas em funcionamento permanente, ávidas de controvérsia. E, depois de circularem gratuitamente, tornam-se assuntos para conversas “independentes” e “sem preconceitos”, onde se defende que existem sempre dois lados em qualquer história, mesmo quando um deles mente. Duas palavras: Swift Boat [referência a campanhas contra John Kery em 2004].

As mentiras, e os esforços humilhantes dos candidatos para se livrarem delas, preenchem o ciclo noticioso e formam o discurso nacional. E esta ruptura com a realidade, terrível e moralmente indefensável, persiste, mesmo quando o país está de rastos.

Se as redes emissoras recusam anúncios de cigarros, como é que podem aceitar, sem hesitações, anúncios políticos desonestos? Os cigarros matam pessoas, mas os anúncios políticos mentirosos ferem todo o país. Nenhuma democracia pode permitir isto, menos ainda quando o pais está em guerra, sob a ameaça existencial de terroristas e com a economia em queda livre.

Por isso, esta é a minha ideia. Uma que poderia funcionar, se as redes emissoras norte-americanas se lembrassem que são Americanas, em primeiro lugar, e prospectoras de lucro, em segundo.

Assim como se uniram para acabar com os anúncios a cigarros, as estações de televisão e as rádios, e os publicitários, têm que se juntar e chegar a acordo relativamente à necessidade de deixar de tolerar falsas declarações em anúncios políticos. Se emitissem um anúncio político que se viesse a provar ser uma mentira, as redes emissoras passariam a pagar uma elevada multa e o anunciante, uma ainda maior.

Para evitar multas esmagadoras, as emissoras, insistiriam em provas das declarações feitas em anúncios políticos, da mesma forma que exigem provas das declarações feitas nos anúncios a pastilhas elásticas sem açúcar.

Os anunciantes políticos não poderiam mentir acerca dos seus adversários. Teriam que os atacar de forma honesta, ou falar acerca dos problemas reais do país e sobre as soluções propostas pelo seu candidato.

Imaginem. Poderíamos ouvir anúncios sobre a crise bancária e sobre as propostas de cada candidato para a enfrentarem.

Os candidatos poderiam apresentar de forma resumida as suas posições acerca do Iraque e do Afeganistão e acabar com ligações para posições mais aprofundadas nos seus websites.

O público poderia discutir os assuntos reais que nos afectam, em vez das “controvérsias” fabricadas ao estilo “Entretenimento da Noite”. As pessoas poderiam votar nos candidatos com base nos seus percursos e nas posições que têm sobre os diferentes assuntos.

Seria mesmo como uma democracia.