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F.R.I.C.S. convida José Cid. Imperdível!

Terça-feira, 2 de Dezembro, 2008

F.R.I.C.S. convida José Cid, no Passos manuel, 3 de Dezembro

Um evento difícil de descrever, difícil de prever e, certamente, difícil de esquecer.

É já amanhã, dia 3 de Dezembro, no Passos Manuel e, se houvesse algum tipo de justiça, ou simplesmente lógica, no funcionamento do mundo, a sala estaria cheia. Como não há, contamos com toda a gente capaz de compreender estas singularidades.

Sente-se preparado?

jazz.pt | report #4: Fieldwork e Marta Hugon (CdM)

Segunda-feira, 1 de Dezembro, 2008

Concerto duplo, estranha mistura

Texto escrito por João Martins, a 05/02/2008.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 17 da revista jazz.pt, com fotografias de Luís Pedro Carvalho.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

Fieldwork e Marta Hugon Quarteto

Sala 2, Casa da Música, Porto
3 de Fevereiro de 2008

Fieldwork

Vijay Iver (piano), Steve Lehman (saxofone alto), Tyshawn Sorey (bateria)

Vijay Iyer: piano and compositions. Steve Lehman: saxophone and compositions. Tyshawn Sorey: drums and compositions.
Assim se apresentaram os membros de Fieldwork, aparentemente tímidos e não muito confortáveis no fim do concerto na Sala 2 da Casa da Música. Esta apresentação final reflectiu bem, por um lado, a aparente dificuldade em estabelecer uma relação com o público presente e, por outro, o ênfase colocado pelo três jovens músicos sediados em Nova Iorque no seu trabalho como compositores. De facto, o que é pouco usual em Fieldwork não é a formação sem baixo, mas a relação com o processo de criar e interpretar o complexo reportório. O trio nova-iorquino e cujo único membro fixo desde a fundação é o pianista-compositor Vijay Iyer, contando com Steve Lehman no saxofone e composição— em substituição de Aaron Stewart já desde a gravação de “Simulated Progress” (Pi Recordings, 2005)— e Tyshawn Sorey na bateria e composição— em substituição de Elliot Humberto Kavee, que gravou ainda “Simulated Progress”—, apresenta obras extraordinariamente elaboradas, principalmente nas complexas estruturas poli-rítmicas usadas e abdica quase completamente da utilização de qualquer convenção na composição ou desenvolvimento, tornando todo o processo exigente e imprevisível, apesar de pré-determinado.
A interpretação das obras foi, de resto, feita de forma relativamente rígida e autónoma, sem que se notassem cumplicidades entre os músicos ou momentos de partilha em palco, apesar de se intuírem na escrita e execução, que se imagina virtuosa. Ainda que o mote inicial da banda fosse: “Design music you can’t play and then work tirelessly until you can. Then do it again.

Para quem alimentava expectativas de ouvir o tão falado “jazz power trio for the new century”, as condições de amplificação reservavam a má surpresa do desequilíbrio de volumes e um perfil acústico desajustado— nomeadamente o piano pouco definido e o saxofone claramente subamplificado—, que tirava força e coesão ao conjunto, com prejuízo mais notado no caso de Steve Lehman. Mas esta designação de “power trio” não parece corresponder sequer exactamente à proposta de Fieldwork, e prende-se mais com o cliché face à inexistência de baixo/contrabaixo e à aposta em processos de construção colectiva de temas sujeitos a uma horizontalidade no tratamento instrumental que os aproximam de projectos que assumem relações mais claras com (algum) rock. Ainda assim, nem essa referência, nem a míriade de outras referências indicadas na apresentação do próprio projecto—”american jazz tradition, modern composition, African and South Asian musics, underground hip-hop and electronica, and the influential music of Chicago’s A.A.C.M.“— são facilmente reconhecíveis na escrita ou na interpretação. Os aspectos mais evidentes da performance, de facto, são o virtuosismo técnico de cada um dos músicos— apesar da inexistência de solos ou espaços de grande desenvolvimento—, a horizontalidade da escrita— nenhum dos intervenientes ocupa um lugar subserviente ou de segundo plano— e a utilização de todos instrumentos em toda a sua capacidade expressiva.

Com parte da energia presente em “Simulated Progress” e no que já se pode ouvir de “Door”—o disco a sair ainda em 2008 e já com excertos disponíveis no site da banda— dispersa por causa das condições de amplificação e com a postura aparentemente desconfortável ou retraída dos músicos, o concerto de Fieldwork não foi tudo o que poderia ter sido, mas foi, sem dúvida, uma viagem intensa a um universo muito particular, complexo e dinâmico, onde somos constantemente surpreendidos pela ordem no meio dum caos aparente e percebemos que, se alguém se “perder” não será certamente nenhum dos membros de Fieldwork, por muito que a escrita seja complexa mesmo para eles.

Genericamente, face às altas expectativas criadas quer como grupo, quer individualmente (Vijay Iyer foi nomeado Artista Mais Promissor em  2006 e 2007 nas categorias de Artista de Jazz e Compositor pela prestigiada Downbeat, assim como Steve Lehman, na categoria de Artista de Jazz no Saxofone Alto, também em 2006 e 2007 e Tyshawn Sorey é considerado uma das mais promissores novas estrelas da cena nova-iorquina e não só são intérpretes como compositores premiados e muito solicitados, tendo trabalhado com nomes como Anthony Braxton, John Zorn, Steve Coleman, Muhal Richard Abrahams, Mark Dresser, Butch Morris, entre tantos outros), não se pode negar um certo sentimento de desilusão ou até frustração por se intuir que o concerto poderia ter sido muito mais intenso.

Uma promessa adiada.

Links:

Marta Hugon Quarteto

Marta Hugon (voz), Filipe Melo (piano), Bernardo Moreira (contrabaixo), André Sousa Machado (bateria)
convidado: André Fernandes (guitarra)

Antes do concerto de Fieldwork e numa aposta arriscada da Casa da Música (e, no meu entender, perdida) de juntar numa mesma noite dois projectos fundamentalmente diferentes e inconciliáveis, o quarteto liderado por Marta Hugon apresentou temas do último disco, “Tender Trap”, e do próximo, “StoryTeller”.
Num registo competente e seguro, o quarteto apresenta um conjunto de canções, entre standards do reportório jazzístico e versões de músicas Pop, numa apresentação que se esforça demasiado por ser confortável para o público e que não parece apresentar grandes desafios aos músicos.
Com maior risco interpretativo imagina-se que o reportório poderia ganhar alguma profundidade e o projecto, alguma identidade. Assim, o único risco que corre é não ser mais do que “agradável”.

A conjugação, numa mesma noite de domingo, destes dois concertos, apesar de teoricamente defensável dentro do esforço de diversificação e promoção do confronto do público com os vários caminhos do Jazz, na prática, afigura-se irresponsável e com impactos negativos fortes. Objectivamente, havia público diferenciado para cada uma das propostas, que poderá não ter encarado com bons olhos a ideia de não poder separar e escolher o que pretendia ver. Nunca saberemos o que teria acontecido em termos de público se não fosse a heterodoxia da proposta de concerto duplo, mas creio que se teria evitado, pelo menos, a saída de parte do público durante o concerto de Fieldwork, o que afecta, normalmente a performance em curso.

Links:

Texto escrito por João Martins, a 05/02/2008.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 17 da revista jazz.pt, com fotografias de Luís Pedro Carvalho.
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jazz.pt | report #3: Anthony Braxton Septet

Segunda-feira, 1 de Dezembro, 2008

Xeque-Mate

Texto escrito por João Martins, a 05/02/2008.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 17 da revista jazz.pt, com fotografias de Luís Pedro Carvalho.
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Anthony Braxton Septet | Sala Suggia, Casa da Música, Porto

28 de Janeiro de 2008

Anthony Braxton (saxofone alto, soprano e sopranino e clarinete contrabaixo), Aaron Siegel (percussão, bateria e vibrafone), Chris Dalhgren (contrabaixo), Jay Rozen (tuba), Jessica Pavone (viola), Mary Halvorson (guitarra), Taylor Ho Bynum (cornetas)

O Jogo da Música

Em várias línguas, escrever sobre as relações entre o Jogo e a Música torna-se particularmente complexo, uma vez que os verbos a conjugar se sobrepõem. E, de facto, é relativamente comum e fácil de compreender a actividade musical como uma espécie de Jogo, em mais do que um dos sentidos da palavra. O lado lúdico pode ser o mais imediato em algumas práticas musicais, mas as ideias de risco, sorte e azar, assim como a coordenação de vários intervenientes em conjuntos de regras mais ou menos complexos, a conjugação de esforços, as relações de tensão e equilíbrio entre várias componentes de um determinado sistema, todas estas noções que informam a definição de Jogo e do acto de Jogar, são facilmente observáveis no conjunto das práticas musicais. Em quantidades variáveis, claro está, como no próprio Jogo e nas suas diferentes expressões: da actividade desportiva, aos acasos da fortuna apostados numa mesa de casino ou numa encruzilhada psicológica, passando pelas brincadeiras de criança e pelas expressões de sintonia nos exercícios de “isto-joga-bem-com-aquilo”.
Também se observam diferenças (umas mais subtis que outras) na relação que os Músicos estabelecem com o conceito de Jogo, nas suas variações, de acordo com o papel que nele desempenham: compositores que se assumem ora mestres de jogo, ora bonecreiros; intérpretes que se limitam a seguir as regras definidas, eficazes como atletas de alta-competição e outros capazes de correr riscos e apostar tudo sempre na “jogada” seguinte; compositores-intérpretes capazes de jogar sem regras, ou fazê-las à medida que delas precisam, como numa partida de Calvinbola (o desporto flexível do personagem de banda desenhada)… e nas misturas de todas estas atitudes talvez possamos encontrar os perfis completos de todos os músicos, de todos os géneros musicais, ao longo de todos os tempos.
E nesse sentido, o Jogo é um conceito poderoso, também para unificar as práticas musicais e quebrar as barreiras artificiais em que estilos, ismos e géneros se deixam encurralar, com maior ou menor resistência.

Este longo, mas nem jocoso nem despropositado prólogo vem a propósito do concerto do Septeto de Anthony Braxton na Casa da Música. Integrado na programação de Jazz, Braxton, que é sistematicamente (exaustivamente, diria) apontado como um “Stockhausen do Jazz Moderno”, trouxe ao palco da Sala Suggia uma experiência que transcende as normais barreiras de estilo, precisamente pelo seu carácter “primordial”. A performance contínua de pouco mais de uma hora com que brindou o público é facilmente abordável como se aborda o desenrolar duma actividade desportiva ou outro tipo de Jogo, cujas regras desconhecemos, mas de cuja existência não podemos duvidar. As relações entre os sete músicos, assim como o desenrolar de toda a acção, obedece a regras e convenções que pressentimos e observamos com maior ou menos entendimento e, nesse sentido, tudo nos é familiar. Observamos, assim, o desenvolvimento da peça (do jogo) lendo, dentro e fora da música, os sinais, a partilha, as propostas e contra-propostas, os acordos, os desafios, os compromissos, interpretando mesmo parte desses sinais e reconhecendo algum do material associado ou das práticas sugeridas. Como público, somos envolvidos não apenas pelo conteúdo sonoro, mas pela compreensão da “mecânica” compositiva. Mesmo os mais desatentos ou desinteressados terão compreendido a relação entre os números indicados pelos músicos/jogadores e determinadas frases e variações, assim como o propósito da ampulheta como constrangimento estrutural e, com um pouco mais de atenção, ter-se-ão mesmo apercebido que, além de frases e variações, as secções numeradas, ora continham indicações sobre formas de interacção entre os músicos presentes, ora remetiam para gestos complementares a definição de “papéis” no seu desenvolvimento.
Atrever-me-ia mesmo a sugerir que, quem não encontrasse interesse suficiente no material sonoro apresentado pelos 7 músicos, teria no acompanhamento do processo compositivo razões suficientes de interesse.
Se bem que seria de uma grande injustiça remeter o conteúdo musical para um segundo plano. Não só porque um bom conjunto de regras não substitui nunca, neste contexto, o talento e a criatividade dos músicos, que assumem neste septeto, com todos os riscos inerentes, a condição de jogadores— sendo responsáveis pelo seu desenvolvimento em condições de igualdade—, mas também porque a escrita de Braxton é, além de rica e diversificada, tecnicamente exigente. De facto, ao contrário de outras composições em forma de jogo ou de práticas improvisacionais dirigidas de forma similar, a proposta de Braxton equilibra várias formas expressivas, moldando quer a estrutura global, quer algumas práticas relacionais, quer o conteúdo específico, com ênfase em linhas melódicas apresentadas ora em conjunto, ora harmolodicamente, em camadas sobrepostas de acordo com o número de “linhas de jogo” (combinações de músicos) em desenvolvimento.

O discurso teórico de Braxton aponta para processos muitíssimo complexos, carregados duma grande carga simbólica e crescentemente “mitológica”, com o desenvolvimento da Ghost Trance Music e a manipulação multidimensional do seu sistema tri-axiomático em três partes, nove graus e doze casas, correspondentes a lógicas de leitura e relacionamento diversificadas.
Mas, a partir dos mais básicos instintos criadores, o do Jogo, Braxton constrói um sistema relativamente simples, mas capaz de gerar enorme complexidade, em função da iniciativa dos músicos-jogadores e das múltiplas combinações e graus de liberdade presentes a cada momento. E não é claro, nem para o mais conhecedor, que graus de liberdade são esses. O que é claro é que eles existem não só na iniciativa distribuída por todos de seleccionar parceiros-adversário e propor secções ou temas a explorar, como nessa exploração (por vezes dentro de algumas regras), como na possibilidade de fazer contra-propostas ou desvios, de acordo com o desenvolvimento global da peça-jogo, adoptando comportamentos de um grupo paralelo ou misturando os diversos materiais em jogo.
E, sem instrumentos para avaliar a precisão desta afirmação, diria que alguns dos momentos mais entusiasmantes da perfomance resultam precisamente da recombinação (esperada) de conjuntos de regras, de acordo com as felizes coincidências que o seu desenrolar permite. Assim, as regras parecem existir para impulsionar e permitir momentos de conflito ou encaixe inesperado, que darão origem, pela resolução ou amplificação, a momentos de “revelação”. E, simultaneamente, asseguram a coerência interna estrutural e uma certa coesão estética objectiva.
E permitem, de forma clara, o desenvolvimento colectivo duma ideia musical, dificilmente realizável doutra forma. A miscigenação de processos compositivos, que vale a Braxton a tal comparação a Stockhausen, parece responder igualmente à necessidade de definir estratégias de expressão “colectiva”, bem diferente do que sucede no seu trabalho a solo ou com formações mais pequenas e individualizadas. Nestas construções colectivas não se trata de construir um consenso artificial ou definir papéis a desempenhar por cada intérprete, mas sim de criar condições estratégicas para que a obra se conduza a si própria, através da iniciativa conjunta dos seus intérpretes. Neste ensemble, mesmo que se possa destacar um ou dois momentos ocasionais em que Braxton dirige o discurso musical, tocando, mais do que dirigindo, e se possa identificar em Taylor Ho Bynum, uma maior prevalência em determinadas secções (no uso da palavra, obviamente, mas não só), alternando com Aaron Siegel a maior ânsia “propositiva”, a verdade é que as interpretações dos sete músicos se apoiam reciprocamente numa entrega simultânea, e certamente complexa, ao sistema compositivo e à descoberta ou invenção de novos caminhos nesse labirinto intrincado.
E se o início do concerto parecia marcado por uma forte dependência do “sistema”, com a interacção algo reservada ou limitada pela atenção dada às “ferramentas” (sinais gestuais, partituras, quadros e marcadores…) a descoberta (planeada) das coincidências e a distribuição crescente da iniciativa permitiu o desenvolvimento de materiais aparentemente mais “livres” ou “genuínos” e uma maior partilha e interacção sonora. Em “pleno andamento”, o “jogo” permite momentos de “delícia” como trio “liderado” por Mary Halvorson envolvendo Jessica Pavone e Jay Rozen numa estrutura pré-determinada, em que curtas frases em uníssono são pontuadas com variações alternadas entre a guitarra, a viola e a tuba. Ou as sucessivas sequências propostas por Aaron Siegel a Taylor Ho Bynum, com a corneta e o vibrafone a apresentarem uma parte significativa das frases numeradas de Braxton. Ou… a lista prolonga-se e o carácter simultâneo de muitos eventos dificulta ou torna irrelevante o seu destaque.

Este fluxo de eventos construído colectivamente está no centro da exploração duma certa ideia de transe colectivo, transe criador, cerimonial liberto de constrangimentos espacio-temporais. Cerimonial no qual o público participa também pela identificação das convenções, das “regras do jogo”.

A fruição genuína e descomprometida desta performance põe ainda em causa (ainda mais) o problema das classificações e das fronteiras estilísticas. O percurso de Anthony Braxton define-o como figura incontornável das vanguardas do Jazz, é verdade, mas o material apresentado, quer na forma, quer no conteúdo, quer na instrumentação ou mesmo no vocabulário de parte dos músicos, obriga-nos a ignorar o contexto estilístico em que nos é proposto. Não porque o Jazz não se possa ou não deva “esticar” até outros territórios— muito pelo contrário—, mas porque quer em teoria, quer na prática, esta música não pertence mais ao Jazz do que à Música Erudita Contemporânea ou a qualquer outro Jogo arriscado que se pratique “por aí”.

Links:

Texto escrito por João Martins, a 05/02/2008.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 17 da revista jazz.pt, com fotografias de Luís Pedro Carvalho.
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jazz.pt | report #2: Jazz no Parque 2007

Segunda-feira, 1 de Dezembro, 2008

16ª edição do Jazz no Parque

Texto escrito por João Martins, a 09/08/2007.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 14 da revista jazz.pt, com fotografias de Luís Pedro Carvalho.
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16ª edição do Jazz no Parque | Fundação de Serralves
Programação: António Curvelo
21, 28 de Julho e 4 de Agosto de 2007 | Ténis do Parque de Serralves, 18h00

O Jazz no Parque é um evento especial no calendário do Jazz no Porto e no país.
Um local magnífico, um ambiente informal e quase familiar, uma sequência curta de concertos espaçados, um público fiel e uma distinta “agenda”, definida e defendida pelo seu programador: “manter aberta a geografia contemporânea do jazz, sem exclusivos continentais ou sectarismos conceptuais”.

Não se lhe pode chamar um festival de jazz, nem parece ser essa a ambição ou vocação deste formato baseado em concertos isolados que se apresentam como experiências autónomas, relacionadas apenas de forma ténue nas intenções expressas na programação…
O Jazz no Parque é isso mesmo: uma experiência relativamente pura de fruição de Jazz, no Parque de Serralves, com todas as vantagens e desvantagens assumidas conscientemente pela Fundação.

Se se pode argumentar que num país com tão parca oferta, o aproveitamento da presença de alguns destes músicos para a realização de outras actividades (relacionadas com o Serviço Educativo, por exemplo) ou a contribuição para alguma rotação dos projectos apresentados no curto circuito nacional teria um impacto relevante na consolidação de públicos e comunidades de “fruição” mais aprofundadas ou na formação de novos músicos nacionais, temos que admitir que dificilmente uma abordagem desse tipo permitiria a manutenção do tal ambiente informal e familiar que os concertos destas tardes de verão continuam a ter e que tem um valor em si mesmo, por exemplo, na diversidade dos públicos e das suas atitudes.
O apelo que este ciclo de concertos mantém reside precisamente numa certa “leveza” que lhes está associada: os guarda-sóis no palco e na plateia, os check-sounds abertos ao público, as famílias completas com crianças, alguns apartes dos músicos entre eles e para o público… tudo isto contribui para uma experiência singular.

E esta 16ª edição apostava, no contexto dos objectivos expostos pela programação, numa “triangulação” capaz de passar fronteiras geográficas e conceptuais e a fórmula encontrada parecendo simples, foi, sem dúvida, eficaz: o quarteto norte-americano “Arts & Crafts” de Matt Wilson a tocar “clássicos” com inteligência, muito talento e bom humor, o sexteto francês de Henri Texier, militante em causas sociais e culturais que também passam pelo desenvolvimento de um jazz “internacionalizado” e o empolgante encontro da “nossa” Orquestra Jazz de Matosinhos com a música exigente de John Hollenbeck.

(more…)

Projecto Tell, 1 artista = 1 euro

Sábado, 22 de Novembro, 2008

A primeira sessão do Projecto Tell foi no dia 13 de Novembro (e parece ter tido grandes momentos). E a segunda, foi esta quinta-feira, dia 20. Planeei escrever sobre este projecto no dia em que recebi o convite para participar e depois fui adiando, por uma razão ou por outra (ou por nenhuma) até chegar a este ridículo de nada ter escrito aqui até agora e estar a alguns dias de participar.

É no dia 27, quinta-feira, no Passos Manuel, no Porto, às 22h00. Às escuras.

Como em todas as outras noites do projecto, apresentam-se 7 performances de quem aceitou o desafio lançado pela Inês Maia e pelo Sérgio Marques: “tens alguma coisa a dizer no escuro?

Miguel Cabral, Ana Deus, Isabel Alves Costa, Valter Hugo Mãe, Susana Chiocca, Calhau e Alexandre Osório apontaram à maçã no dia 13.
Rute Rosas, Ivo Bastos, Ana Laranja, Regina Guimarães, Miguel Bonneville, Ada Pereira da Silva e Isabel Barros fizeram o mesmo no dia 20.
João Pedro Costa, Teresa Branco & Olga Rocha, João Gesta & Susana Meneses, Marta Bernardes, João Martins (sim, sou eu) e Vera Santos & Tiago Dionísio, lá estarão, às escuras, no dia 27.
Igor Gandra, Mário Afonso, Simão Costa, Liz Vahia & Nerea Barros, António Júlio, Amarante Abramovici e Rui Lima & Sérgio Martins fecham o ciclo, a 4 de Dezembro.

Não quero levantar o véu sobre o que pretendo fazer, já que todo o público deve estar “às escuras”, mas agrada-me que este convite tenha coincidido com a minha crescente vontade de trabalhar, a solo, ideias que me surgem quando estou eu próprio (normalmente) às escuras, a dormir. Digamos que o convite acertou na maçã, no meu caso.

Por isso, se não tiverem medo do escuro, apareçam, na próxima quinta-feira, no Passos Manuel, para mais esta sessão do Projecto Tell. Quem tiver medo do escuro, pode vir na mesma e fechar os olhos. ;)

Meio Dia Meia Noite

Sábado, 22 de Novembro, 2008

O Teatro do Frio promove 12 horas de actividades constantes hoje, 22 de Novembro, entre teatro, circo, concertos e vários híbridos. Do meio dia à meia noite, na Fábrica da Rua da Alegria, no Porto.

Meio Dia Meia Noite, cartaz

Ao meio dia, lá estarei, com os F.R.I.C.S., na abertura. E, para garantir que tudo corre bem, lá estarei no fecho, também, com Alfred 23 Harth, naquela que será a minha estreia como membro do Mental Liberation Ensemble.

Mais informação e detalhes sobre a programação do evento, aqui: http://www.teatro-do-frio-meiomeia.blogspot.com/

Filmes da Terra do Pai Natal

Terça-feira, 18 de Novembro, 2008

Turilas & Jäärä

Filmes da Terra do Pai Natal é um projecto do Space Ensemble em parceria com Finnish Film Contact e conta com o apoio da Embaixada da Finlândia em Lisboa.

O programa, foi especialmente criado para as crianças do ensino pré-primário e primário, e é composto por curtas metragens de animação, contemporâneas, do realizador Heikki Prepula e de episódios da série Turilas & Jäärä, dos realizadores Ismo Virtanen e Mariko Härkönen.

Neste projecto o Space Ensemble apresenta-se com Ana Veloso (guitarra),  Eleonor Picas (harpa), Henrique Fernandes (contrabaixo e acordeão), João Martins (saxofones, melódica, flauta e berbequim), João Tiago Fernandes (bateria e marimba), José Miguel Pinto (guitarra e theremin), Nuno Ferros (electrónicas) e Sérgio Bastos (piano).

As sessões na Casa da Música, segundo nos informaram, já estão esgotadas, mas temos datas confirmadas ainda antes do Natal, em Viseu, Aveiro e no Alandroal.

A lista total em 2008 (para já) é esta:

Casa da Música, Porto
20 e 21 de Novembro 2008 | 11h00 e 14h30 (Sessões reservadas para Escolas)
13 de Dezembro de 2008 | 16h00

Teatro Viriato, Viseu
5 de Dezembro 2008 | 10h30 e 15h30 (Sessões reservadas para Escolas)
6 de Dezembro 2008 | 16h00

Teatro Aveirense, Aveiro
10 de Dezembro 2008 | 10h30

Fórum Cultural Transfronteiriço do Alandroal
12 de Dezembro 2008 | 10h30

Nós estamos a gostar imenso desta experiência e esperamos ansiosamente que as crianças adiram.

Eu, pessoalmente, ando a tentar encontrar uma boa estratégia para a Maria poder assistir, apesar de não ser uma coisa pensada para bebés.

Se este blog fosse sobre mim

Sábado, 8 de Novembro, 2008

Este blog é, de facto, sobre mim, mas nem sempre o tempo e/ou a vontade de escrever registam algumas coisas relevantes que me vão acontecendo e que, num blog sobre mim, ou num relatório da autoria duma entidade autónoma, abstracta e mais ou menos burocrática, focado na minha insignificante pessoa (tipo O que Diz de Molero, estão a ver?) teriam direito a algumas linhas.

As coisas que, por exemplo, justificam o acto de estar a escrever este artigo, sentado no Bar de Artistas da Casa da Música, às 10h30 da manhã de sábado. A presença no 4º Curso de Animadores Musicais é uma parte importante dum novo percurso que decidi começar, focando-me na descoberta e melhoria de vários aspectos, quer das minhas estratégias e práticas musicais, quer das “competências sociais” que tantas vezes me limitam na construção de melhores relações criativas e/ou na dinamização de trabalhos colaborativos. O processo, no caso deste curso, interessa-me mais do que as suas eventuais manifestações públicas, que terão também a sua importância, obviamente.

A razão que me põe aqui a esta hora, sendo a sessão de hoje, apenas à tarde, é outro facto relevante, sobre o qual, não tinha conseguido ainda dizer nada: o Space Ensemble está em processo de ensaios para o seu novo projecto, Filmes da Terra do Pai Natal, com estreia marcada também para a Casa da Música, a 20 de Novembro.

E promete.

Agora vou ensaiar…

Lisboa

Quarta-feira, 15 de Outubro, 2008

Estou em Lisboa.

Quem tiver prestado alguma atenção ao blog nos últimos tempos sabe que é por causa da temporada do Muna no TNDMII e já deve ter percebido que o tempo para escrever aqui no blog não abunda. E mesmo que tivesse tempo, não sei se teria grande energia, confesso. E se tivesse, não devia conseguir fazer coincidir isso tudo com um momento em que tivesse acesso à Internet.*

(Além disso, as saudades fazem-me passar mais tempo ao telefone e menos no computador.)

Obviamente que não é a primeira vez que estou em Lisboa, nem sequer é a primeira vez que por aqui estou em trabalho. Mas é a primeira vez que estou de forma mais prolongada e com a sensação de que, temporariamente, é aqui que tenho que “morar”. E é mais estranho do que esperava. O meu instinto natural, relativamente inconfessável, faz-me sentir mais “tripeiro” quando estou em Lisboa, o que tem a sua “graça” quando venho num fim-de-semana ou para dar um concerto, mas, ao fim de vários dias, começa a fazer-me pensar de onde me vem esta reacção “intestina”.
Talvez tenha a ver com o facto de, em Lisboa, me sentir sempre relativamente “estrangeiro”. Não pela estranheza do território ou das pessoas e da sua diversidade, mas pela escala (ter mudado do Porto para Aveiro talvez acentue a minha dificuldade em lidar com cidades maiores) e pela sensação de ter muito pouco em comum com as pessoas à minha volta.

Hoje, depois da estreia do espectáculo para a infância, durante um belo almoço no FrutAlmeidas (os pastéis de massa tenra e os sumos de fruta são tão bons ou melhores do que a minha irmã vinha anunciando), consegui verbalizar melhor esta forma de “estranheza” ou “desconforto”: sinto nitidamente que há muito poucos assuntos da minha “agenda cívica” que sejam comuns à maior parte dos lisboetas. E vice-versa. As questões que mais me preocupam, no meu quotidiano em Aveiro e no Porto, são absoluta e naturalmente estranhas aos lisboetas. E aceito com naturalidade que o contrário é absolutamente real. Mesmo assuntos genéricos e preocupações “nacionais” têm que ser verbalizados e ilustrados de forma diferente. E não é natural que haja acordo acerca do que são as nossas prioridades.

Pode parecer ridículo falar-se de forma tão “radical” acerca de diferenças e assimetrias locais e regionais num rectângulo tão pequeno como este, e só com 10 milhões de pessoas. Mas aqui, à minha volta, se é verdade que estão concentradas quase metade dessas pessoas, também é verdade que está concentrado muito mais de metade do poder político e económico. E é isso que é desconfortável: sentir que a esmagadora maioria das decisões que afectam o meu quotidiano é tomada por gente que lhe é completa e naturalmente alheia. E se me pedirem para eleger um assunto tipicamente “lisboeta” que afecta todo o território nacional, é fácil: a suburbanidade. Eu não conheço território suburbano fora da região de Lisboa e Vale do Tejo. A discussão técnica não é fácil, mas eu partilho da visão de alguns geógrafos e urbanistas que consideram que o espaço urbano contínuo entre Aveiro e Viana do Castelo, constitui um fenómeno de conurbação, onde múltiplos pólos urbanos se intersectam e promovem cruzamentos de pessoas, serviços e mercadorias, sem uma hierarquia clara que permita falar de urbes e subúrbios. Além disso, uma parte significativa das cidades portuguesas não chega a ser propriamente “urbana”, pelo que não faz sentido falar de “suburbanidade”. Ou, numa visão mais distanciada, poder-se-ia dizer que todo o país é sub-urbano, relativamente à região da capital, onde existe uma cultura urbana e suburbana real, que no resto do país ainda se cruza muito com uma raíz profundamente rural. Este problema de desenvolvimento, gestão e planeamento territorial marca de forma profunda a agenda nacional, mas devia reconhecer-se a sua natureza específica. E aceitar com naturalidade que a simples diferença de escala e de modelo de desenvolvimento urbano traça fronteiras no país, que não se podem ignorar.

Devia ser simples, não?

Mas pergunto-me (e a vocês, que me lêem, já agora) se, da mesma forma que me ajudou estar nesta condição de “estrangeiro” para me pôr a pensar nisto (outra vez), não precisaremos todos de conhecer melhor o país todo, partindo, sempre que possível, dessa condição de “estrangeiro” que resulta, necessariamente, duma certa disponibilidade para nos alhearmos do que já julgamos saber. Será esse exercício possível?

* Aceito sugestões de locais agradáveis na vizinhança do D. Maria (Rossio) ou perto da estação de Metro da Av. de Roma (onde estou alojado) com acesso rápido e gratuito (wireless, preferencialmente) e onde se possa trabalhar. Tem mesmo que ser um sítio simpático, porque preciso de uma tomada, já que a bateria do meu velhinho portátil não colabora.

As ruas deviam ser sempre nossas

Domingo, 5 de Outubro, 2008

Se esta rua fosse minha... com destaque no Público

Nós, F.R.I.C.S., fizemos a nossa parte e, a mim, soube-me muito bem. Se pudesse, tinha ficado por ali, a participar nas actividades ou só a ver as pessoas e a animação. Mas, se algumas pessoas podem sentir e dizer que “o Porto devia ser sempre assim”, o que muito me alegra, a verdade é que o evento e a energia positiva que o parece caracterizar não é muito comum na cidade. Não me interpretem mal: gosto imenso do Porto, mas se me vim embora foi precisamente por ser comum um sentimento insuportável de opressão e uma espécie de impossibilidade de se ser ali genuinamente feliz, sem ser numa breve explosão.

Interessam-me todos os registos desta festa e reacções, pelo que se tropeçarem em alguma coisa interessante, agradeço que apontem aqui nos comentários.