jazz.pt | OJM & 3 Tenores

OJM & 3 Tenores
4 de Outubro 2009, 22h00
Sala Suggia, Casa da Música

Direcção: Carlos Azevedo e Pedro Guedes
Solistas convidados: Chris Cheek, Mark Turner e Andy Sheppard

A Orquestra de Jazz de Matosinhos apresentou na Sala Suggia da Casa da Música o evento que, no final de 2008, marcou a reabertura do Cine-Teatro Constantino Nery, em Matosinhos: um concerto para o qual a OJM encomendou novas obras a Ohad Talmor e John Hollenbeck (ambos com presenças marcantes no percurso da Orquestra) e aos seus maestros e compositores de serviço, Pedro Guedes e Carlos Azevedo. 4 novas obras para a OJM explorar, convidando 3 saxofones tenor como solistas.
Em Matosinhos, em 2008, os solistas foram Chris Cheek, Ohad Talmor e Joshua Redman e nesta reapresentação do projecto OJM & 3 Tenores, na Casa da Música, apresentaram-se Chris Cheek, Mark Turner e Andy Sheppard (os dois primeiros já com colaborações com a OJM, Sheppard em estreia).

As 4 obras resultantes da encomenda, pela diversidade de abordagens, pelo enquadramento oferecido ao trio de solistas, pelo papel e exigências atribuídas à própria OJM, funcionam quase como uma vista panorâmica da evolução do projecto da Orquestra, com a particularidade de, neste evento, praticamente se abolirem expressões solísticas dos membros da OJM, explorando-se, isso sim, as capacidades expressivas do grupo, que demonstrou, neste contexto, uma enorme diversidade tímbrica, grande flexibilidade idiomática, rigor na execução e inteligência na interpretação. Com a eventual excepção da obra de Pedro Guedes, mais curta e convencional na forma, com espaço para uma apresentação clara do tema e uma abordagem clássica dos solos, as obras apresentadas desenvolvem-se em secções, enquadrando os solistas em contextos diversificados e explorando diferentes ambientes musicais, com opções na instrumentação que permitem que a OJM percorra um largo espectro, entre a big band clássica e a orquestra de câmara (especialmente quando os saxofonistas, pegam em flautas e clarinetes e os metais se equipam com surdinas), passando pelos pequenos grupos que ocorrem quando apenas a secção rítmica acompanha os solistas. A escrita de Ohad Talmor e John Hollenbeck, particularmente, com que a OJM já se tinha deparado em projectos específicos, parece desmultiplicar as possibilidades musicais da orquestra, que se apresenta com enorme maturidade e convicção, com verdadeira dimensão de Orquestra de Jazz.

E é interessante notar que o papel dos solistas, neste contexto, sendo desempenhado com elevado rigor pelo excelentes intérpretes e improvisadores que são Cheek, Turner e Sheppard, parece ser menos relevante do que o funcionamento global da orquestra face às encomendas feitas aos compositores. A música apresentada, sendo muitíssimo enriquecida pelos solistas, quer na interpretação dos temas escritos, quer no desenvolvimento dos solos improvisados, é construída como música de orquestra, pelo que a performance específica de cada um dos convidados parece ser um assunto secundário.

Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 27 da revista jazz.pt. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

O que é que se chama a um país em que a palavra dum ministro vale zero?

Várias notícias podiam complementar este longo título já que, infelizmente, sobram-nos exemplos, neste país, da falta de respeito que o Estado tem por si próprio. Mas hoje, dou por mim a perguntar isto a propósito da notícia do Público sobre os perigos que corre a Academia Contemporânea do Espectáculo e o Teatro do Bolhão por terem confiado no compromisso do Ministro da Cultura relativo à comparticipação do Estado nas obras do Solar do Conde do Bolhão. Segundo a notícia, o projecto submetido a financiamento no âmbito do QREN e considerado de “mérito superior” pela CCDR-N, contava da parte do Ministério da Cultura com a comparticipação de 300 mil euros que o anterior ministro, Pinto Ribeiro, garantiu à ACE, mas o Ministério da Cultura afirma que “formalmente não há indicações”, que é, obviamente, uma forma de, sem negarem a versão da ACE, sacudirem a água do capote.

Sem esta comparticipação do MC, as obras no Solar do Conde do Bolhão, um projecto antigo e tão necessário para a cidade do Porto, estão seriamente comprometidas. Infelizmente, somos também todos obrigados a aprender (de novo) que a palavra dum ministro não tem qualquer valor e que isso já não constitui sequer sinal de alarme político ou social.

Uma estratégia de marketing infalível

Há várias receitas para o sucesso dum negócio, umas mais comprovadas e/ou eficazes que outras. Umas completamente disparatadas. E outras tão elementares que são infalíveis.

Hoje fiquei cliente para o resto da vida (é um exagero como outro qualquer) duma óptica chamada Adão Oculista, que fica na Rua de Santa Catarina, no Porto, ao deparar-me com uma dessas elementares estratégias infalíveis que separam algumas empresas de todas as outras (que eu conheço). Digo-o, e conto a história, não por vontade de fazer publicidade, mas por um elementar sentimento de gratidão e justiça.

Os óculos que uso, actualmente, foram comprados numa MultiÓpticas e já há algum tempo que recorro a cadeias de ópticas, daquelas com lojas nos centros comerciais e anúncios na TV. Ontem, a Maria (é a minha filha, que tem quase 2 anos) decidiu pegar neles e arrancar-lhes uma haste. Um comportamento pouco comum nela, que me deixou desesperado pela falta que os óculos me fazem, intrigado com a sua aparente fragilidade e chateado com a minha falta de cuidado. Dirigi-me, naturalmente, à MultiÓpticas, onde comprei os óculos há menos de 1 ano, para saber se haveria alguma forma de reparar o estrago. Trata-se duma peça que se soltou e precisaria de ser soldada de novo, nuns óculos que, de resto, estão impecáveis. O funcionário perguntou-me se tinha comprado os óculos com o seguro deles e, face à minha incerteza, verificou no sistema informático que, de facto, não tinha. Era também relativamente pacífico, para todos, que esta era uma situação que não se enquadrava numa lógica de accionar a garantia, pelo que restava a questão da reparação propriamente dita. “Isso não podemos fazer, porque é um tipo de soldadura muito minuciosa e não temos ferramentas para isso. Podemos vender-lhe uma armação igual, nova, para reaproveitar as lentes… ou pode, eventualmente, ir a uma ourivesaria, daquelas tradicionais, que têm ferramentas para esse tipo de soldadura”.
Em desespero de causa, cheguei a casa, peguei numa bisnaga de Super Cola 3 e, enquanto decidia o que fazer, pus um pingo de cola a assegurar um mínimo de funcionalidade, mas muito pouca dignidade.

Hoje de manhã, num movimento que muito nos surpreendeu, a Maria repetiu exactamente o mesmo movimento, desta vez, com muito menos esforço e arrancou, de novo a haste. Um início de dia perfeito, considerando o trabalho que me esperava no Porto. Mais um pingo de Super Cola 3 e lá me pus no comboio.

Ao chegar ao Porto, a Super Cola 3 já tinha desistido e comecei o dia a optar entre estar sem óculos e equilibrá-los com uma só haste. Escusado será dizer que foi um dia ridículo, em termos de trabalho, e que cheguei ao princípio da tarde com uma imensa dor de cabeça e um princípio de náusea, que me aflige nestas alturas de dificuldades ópticas. A custo, acabei o fundamental do dia e, por ter partilhado o meu drama, recebi a sugestão de me dirigir à Adão Oculista. No Visões Úteis já há bastante tempo que existe uma relação com esta óptica do centro do Porto, que cede, frequentemente, óculos como adereço e/ou peça de figurino em várias peças. Mas o Pedro aconselhou-me fazer-lhes uma visita porque lhes parecia que eram uma “óptica a sério” e porque “se não puderem arranjar lá, talvez indiquem alguém”. Sem grandes esperanças e já a fazer contas ao preço duma nova armação, lá fui à Adão Oculista que, na Rua de Santa Catarina, fica, ironicamente, muito perto da MultiÓpticas.
Entrei, com os “despojos” dos óculos na mão e um ar relativamente suplicante ou apenas pitosga (não sei) e a senhora que me atendeu, disse, com naturalidade “ah!, isto é só uma questão de solda, acho que não há problema. fazem-lhe falta não é? pode voltar daqui a uma hora?”. Fiquei imensamente aliviado e mais ainda, quando o colega, responsável pelo trabalho, que estava a passar confirmou que “a não ser que seja titânio, não há problema. é só o tempo da tinta secar, porque como perde a cor, temos que retocar, depois”.
Eu ainda balbuciei que a mudança de cor, para mim, era pouco importante, e saí, com a indicação de que podia ir dar uma volta ou, se preferisse “esperar sentado num dos sofás”. Estava com um ar bastante pitosga, provavelmente, mas ainda assim, fui dar uma volta em Santa Catarina, com aquela particularidade de saber que se me cruzasse com alguém conhecido, muito dificilmente dava por ela e, por isso, correndo o risco de ser muitíssimo antipático.
A dada altura, a meio da volta, apercebi-me que não tinha perguntado qual seria o preço do serviço, mas pela simpatia e naturalidade do atendimento, presumi que seria sempre bastante inferior ao preço duma armação nova.

Voltei, sem deixar passar a hora completa, porque a dor de cabeça não me dava grande descanso e a senhora lembrava-se de mim e foi verificar, enquanto eu me sentava num dos tais sofás, à espera. Disseram-me que tinha que aguardar um minuto, porque a tinta estava a secar. Uma outra funcionária, veio, uns 2 minutos depois, com os meus óculos na mão e perguntou-me “que tal?”. A haste corrigida parecia que nunca tinha saído e os óculos assentam-me tão bem agora como no dia em que os comprei. Fiquei maravilhado. E disse-o. E perguntei: “quanto devo?”. “4 euros”, respondeu a senhora, pelo que eu peguei no meu Multibanco para pagar (quase nunca ando com dinheiro). Ela olhou para o cartão e disse “deixe lá!”. Eu presumi que era uma daquelas coisas de pagamentos inferiores a 5 euros, blabla, pelo que me dispus a ir a uma das caixas Multibanco ali na rua para pagar. Ela repetiu “deixe lá, não vale a pena”. Eu, sinceramente, disse “olhe que eu assim até me sinto mal” e ela rematou com um “é oferta da casa”.

“Muito obrigado, muito obrigado e boa tarde” e cá estava eu, na Rua de Santa Catarina, de óculos novos e sem gastar um tostão, atendido com uma enorme simpatia e servido com enorme profissionalismo. E reparem: nunca comprei ali nenhuns óculos, nem nunca tinha ali entrado, nem sequer me foi perguntado, quando ali cheguei, se os óculos lhes tinham sido comprados. Não fui identificado como cliente especial, nem sequer referi a relação indirecta, via Visões Úteis, ou a referência que me tinha sido dada. Fui, tanto quanto sei, tratado como um cliente normal. E se é assim que eles tratam todos os seus clientes, imagino que tenham uma clientela satisfeita e fiel. Eu, pelo menos, é assim que me sinto.

Há alguma estratégia de marketing melhor do que tratar todas as pessoas muito bem e fazer tudo para que se sintam bem servidas? Há melhor publicidade que a que é feita pelos clientes satisfeitos? Duvido.

Por estas e por outras, eu, sem ter gasto ainda um tostão ali, sou cliente da Adão Oculista.

jazz.pt | Não foi bonita a festa, pá!

Casa da Música, Sala Suggia
28 de Junho, 22h00

Brad Mehldau e Chico Pinheiro convidam Fleurine e Luciana Alves
Ciclo Jazz e Brasil, País Tema 2009

Brad Mehldau: piano
Chico Pinheiro: voz e guitarra
Fleurine e Luciana Alves: voz
Doug Weiss: contrabaixo
Edu Ribeiro: bateria

Este concerto, primeiro duma curta digressão nacional, estava apresentado como “Brad Mehldau e Chico Pinheiro convidam Fleurine e Luciana Alves” e prometia aos amantes do jazz e da música brasileira uma noite plena de emoções, dada a importância e o talento dos nomes principais do cartaz. A colaboração entre Brad Mehldau, um dos mais prolíficos e requisitados pianistas de jazz da sua geração e de Chico Pinheiro, figura incontornável da música brasileira de hoje, compositor e virtuoso do emblemático “violão”, justificava uma elevada expectativa em torno do concerto e a sala cheia e entusiasta confirmava isso mesmo.
E esse entusiasmo teve o retorno esperado no início do concerto, primeiro com Brad Mehldau e Chico Pinheiro em duo, sozinhos no palco a explorar um tema do músico brasileiro, assim como o segundo tema, já com Doug Weiss e Edu Ribeiro, músicos de elevada craveira e parceiros habituais de Mehldau e Pinheiro, respectivamente, a completarem a secção rítmica. As ligações íntimas e o jogo de sedução constante entre o jazz e as músicas brasileiras, com especial destaque para a bossanova, cuidadosamente equilibradas, e com músicos de tão elevado nível técnico e criativo podem dar origem a concertos formidáveis, capazes de agradar às mais diversas audiências, mas, infelizmente, não foi o caso desta noite de encontro entre Mehldau e Pinheiro. Por um lado porque o desequilíbrio entre o Jazz e a Bossanova foi evidente do princípio ao fim, nas palavras de algum público à saída “bossanova a mais e jazz a menos“, o que, apesar dos esforços de Mehldau e Weiss, limita a sua capacidade expressiva e, no geral, torna o concerto menos interessante. Por outro lado, porque um encontro mais intenso entre os talentos musicais de Mehldau e Pinheiro ficou muitíssimo limitado, quer pela estrutura das canções que foram sendo apresentadas, com poucos espaços para mais explorações, quer pela estrutura do concerto que ofereceu apenas mais um momento de duo, com o virtuoso “Tema em 3“, novamente de elevado nível, mas ainda em territórios de Pinheiro.
Mas, acima de tudo porque, na realidade, na agenda de todos estes músicos está, acima de qualquer outra coisa, a apresentação do mais recente álbum da cantora holandesa Fleurine, “San Francisco” (Sunnyside 2008), onde se juntaram Mehldau e Pinheiro pela primeira vez, de facto, e onde a parceira de Brad Mehldau, cantora de jazz de reconhecidos méritos faz uma incursão pela música brasileira, gravando temas de 3 Franciscos notáveis: Francisco Buarque de Hollanda, Francis Hime, e o próprio Chico Pinheiro. Impunha-se, por isso, uma mais rigorosa apresentação do concerto, evitando o equívoco de se pensar que se estaria perante o fruto duma colaboração directa entre Pinheiro e Mehldau. Questões de comunicação e marketing, que em nada afectariam a fruição do concerto, não fosse dar-se o caso de Fleurine, figura central do concerto, de facto, se encontrar num momento particularmente infeliz, com muitíssimas dificuldades de afinação, numa prestação sofrível e atípica para performers com estes pergaminhos e que afectou de forma indelével a totalidade do concerto.
Principalmente no duo com Brad Mehldau, único tema do pianista norte-americano tocado, para o qual Fleurine escreveu uma letra em português, “Resignation / Resignação, não para nós“, não só a desafinação e dificuldades vocais nos momentos sinuosos da melodia de Mehldau, como as dificuldades de dicção do português, transformaram todo o tema num momento quase embaraçoso.
Fleurine teve momentos menos maus, especialmente quando cantou em inglês, mas nunca esteve à altura dos seus parceiros em palco, facto que a voz segura e acolhedora de Luciana Alves terá ajudado a realçar, e o concerto, entre essas fragilidades, a escolha pouco criteriosa e algo populista do reportório e os seus arranjos minimalistas e repetitivos ficou muitíssimo abaixo das expectativas. Tom Jobim, Moacir Santos, Milton Nascimento, Baden Powell e Francis Hime e Chico Buarque “encheram” o concerto, canção atrás de canção, até aos encores, em temas escolhidos de acordo com o gosto mais genérico e sem grandes preocupações de variação da fórmula. Os temas de Chico Pinheiro terão sido os únicos a ser alvo de maior atenção, mas nem isso, nem o talento dos músicos em palco bastam para um concerto à altura da proposta.
Pode ter sido só uma noite de azar, mas não “foi bonita a festa, pá!”.

+ info: www.casadamusica.com | www.fleurine.com

Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 26 da revista jazz.pt.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

O Fantasporto já tem idade para merecer respeito

A Ministra da Cultura, ao sugerir que o Fantasporto se passe a realizar no futuro e hipotético pólo do Porto da Cinemateca Portuguesa, na Casa das Artes (ver notícia do Público) mostra uma de duas coisas: ou não conhece, ou não respeita um dos mais importantes festivais de cinema do país que, com as suas 30 edições já merecia algum respeito.

Sobre o futuro do Fantasporto devia falar-se de forma clara no imperativo cívico que é a sua realização num equipamento cultural público de dimensão apropriada como é o Teatro Municipal Rivoli. E devia aproveitar-se essa clareza para explicar aos energúmenos que teimam em não perceber que este é um dos muitíssimos motivos para combater ferozmente as estratégias de privatização de espaços como este.

Infelizmente, a Ministra da Cultura que, como o Fantasporto, tem idade para ter juízo e merecer respeito, mostra aqui, como noutros acontecimentos recentes (1) (2), que lhe falta coragem, bom senso e, quiçá, cultura.

Boom & Bang, a realidade

Quando ontem ouvimos na TSF as notícias sobre o envolvimento da Goldman Sachs no ilusionismo da dívida pública na Grécia e sobre a investigação da Secreta Espanhola a alguns especuladores e meios de comunicação especializados, começámos a cantar a banda sonora do Boom & Bang. De forma completamente espontânea. ;)

Para quem não percebe a relação ou para quem ainda anda a tentar compreender esta coisa da crise internacional, aconselho uma ida ao Labirintho ou agora em Fevereiro (23, 24 e 25), ou em Março (23, 24 e 25). Sempre às 22h00. Quando a realidade se torna demasiado “surreal”, o contributo do teatro torna-se fundamental para compreender ou, pelo menos, questionar o que nos rodeia.

E se estiverem atentos, saem de lá com uma bela melodia para trautear da próxima vez que se sentirem “atropelados” pela alta finança. Imaginem que o nosso mais alto responsável pela regulação dos mercados, que não se apercebeu do regabofe, era promovido a responsável pela regulação no espaço europeu… trauteiem comigo:

Boom, Bang!
Boom Bang Boom Boom Bang Boom
Boom, Bang!

[divulgação] Oficina “Design para uma Redacção Livre”, no JUP

O Hacklaviva organiza no JUP uma oficina dedicada às ferramentas informáticas (FLOSS) necessárias para construir uma “redacção livre”, projecto em curso no JUP. É no próximo sábado, dia 23 de Janeiro, numa tarde cheia de actividades à volta do info-activismo (e que coincide com inaugurações nas galerias da Rua Miguel Bombarda), cujo programa completo pode ser consultado aqui.

Mas, do programa, destaco, por me interessar particularmente, esta Oficina de Design para uma Redacção Livre.

23 jan 2010 | 14h30 – 17h30
Oficina de Design para uma Redacção Livre

Uma redacção a funcionar apenas com software livre? É o objectivo de uma colaboração entre o JUP e o Hacklaviva. Nesta oficina, vamos falar sobre o que é o software livre e as suas implicações na prática criativa, associativa e editorial. Depois veremos como hoje é possível tratar fotografia, criar gráficos e tipografia, paginar, editar áudio e montar vídeo com ferramentas livres. Traz o teu portátil e vem passar uma tarde connosco a descobrir novas formas de fazer o teu trabalho.

A informação chegou-me por via do Ricardo Lafuente, que é uma das pessoas que vai orientar esta oficina. As ferramentas-base da oficina serão:

  • Imagem: GIMP, Scribus e Inkscape (3 que fazem parte do meu workflow actual)
  • Áudio: Audacity (ferramenta muito útil)
  • Vídeo: Kaltura, OpenShot e (talvez) PiTiVi (esta é a área que é toda nova para mim e tenho que verificar se se conseguem instalar algumas destas ferramentas num Mac)

Segundo o Ricardo, “a ideia é mais um overview do que tutoriais; podemos tocar em partes específicas de acordo com as vontades colectivas, mas seria mais uma cena de esclarecimento, já que boa parte do pessoal que vai aparecer não tem noção do que existe no mundo do FLOSS…

Workshop: O Som no Drama

A convite da SOOPA / OOPSA – Associação Cultural, vou orientar um workshop no Maus Hábitos (Porto) sobre sonoplastia e dramaturgia.

O Som no Drama, exercícios de sonoplastia e dramaturgia

por João Martins
13, 14, 21 e 28 Fevereiro

O workshop pretende ser uma forma introdutória, elementar e bastante prática de abordar questões recorrentes em qualquer exercício de sonorização. Dirige-se a todos os interessados na problemática do som e do seu significado e impacto em contextos narrativos e/ou dramático, sejam músicos, técnicos de som, performers (teatro, dança, etc), criadores (encenadores, escritores, etc), estudantes em qualquer uma destas áreas ou simples curiosos.
O workshop abordará questões como “Significado do Som e da Música”, “Convenções e Clichés”, “Gestão do Silêncio” e “Som como Espaço”. Através da análise e discussão de exemplos práticos, procurar-se-á fomentar reflexões pessoais e exemplificar várias técnicas, de acordo com o perfil dos participantes. A vertente prática do workshop assume particular importância, definindo a sua própria estrutura temporal: após as primeiras sessões de exposição, análise, reflexão e pequenos exercícios técnicos, sera proposto um exercício prático para ser realizada de forma autónoma, por cada participante num período de 2 ou 3 semanas. A meio desse exercício, será organizada uma sessão para que cada participante possa fazer um ponto de situação do seu exercício e esclarecer quaisquer questões (teóricas ou práticas, conceptuais ou técnicas). A apresentação final dos exercícios será o mote para uma reflexão conjunta global.

Nota: as questões abordadas no workshop têm aplicação prática não só em objectos artísticos (peças de teatro, dança performance, vídeo, cinema, sound art, etc), mas também em objectos de consumo (publicidade, aplicações multimédia, video-jogos, etc).
Os formandos deverão trazer o seu próprio equipamento (computador portátil e equipamento de gravação, se tiverem).

Datas e horário:

  • 13 e 14 de Fevereiro | 10:00- 13:00 15:00-18:00
  • 21 de Fevereiro | 15:00-18:00
  • 28 de Fevereiro | 10:00-13:00 15:00- 18:00

Duração: 15 horas, em 5 sessões de 3 horas

Nº de formandos mínimo: 4
Nº de formandos máximo: 10
Custo: 70€ por aluno

Biografia
João Martins nasceu em 1977. Estudou Música, Arquitectura e Design. Colabora com o Visões Úteis (companhia profissional de teatro do Porto) desde 1998, como músico e sonoplasta, sendo responsável por diversas bandas sonoras, assim como pela sonoplastia e pela criação de paisagens sonoras para peças de teatro e audiowalks. Criou também música para cinema e para instalações multimédia e desenvolve inúmeros projectos como músico quer em colectivos, quer a solo.
Desenvolve paralelamente a actividade de designer e tem experiência como formador e consultor na área das ferramentas informáticas e da comunicação.

Informações: producao [@] soopa.org

Cumprimento breve

Estive hoje na 1ª sessão do Roteiro sobre Política Cultural promovido pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, que contou com a participação de agentes culturais do distrito do Porto e do distrito de Aveiro. Tomei algumas notas para mim e para mais tarde poder fazer um eventual resumo ou balanço. Para já, e por ser de elementar justiça, fica um cumprimento público à primeira responsável pela iniciativa. Obrigado, Catarina.

Porque não é comum conseguir reunir, em tão pouco tempo, um tão grande número de pessoas para debaterem de forma séria, aprofundada e não oportunista (roubo esta expressão ao Francisco Beja) questões de política cultural, apresentadas nos seus diversos níveis, desde o papel dos criadores ao papel do Estado, passando pela participação da sociedade civil e dos privados, pelo perigoso conceito das “indústrias criativas”, pelas responsabilidades dos poderes locais, pela importância da educação e dos media… duas horas e meia de trabalho sério.

E para que fiquem com uma noção da dimensão da tarefa, cá ficam os nomes dos intervenientes (entre cerca de 65 presentes): Catarina Martins (actriz/deputada), Salvador Santos (TNSJ), João Fernandes (Serralves), Pedro Jordão (Teatro Aveirense), Mário Moutinho (Plateia/FITEI), Paula Sequeiros (bibliotecária), João Martins (músico), Francisco Beja (ESMAE – Teatro), Jorge Campos (ESMAE – Audiovisual/Cinema), Pedro Fernandes (CineTeatro de Estarreja), Luísa Moreira (THSC), Carlos Costa (Visões Úteis/Plateia), Eduardo Rocha (produtor CCCAveiro), Jorge Louraço (crítico de teatro), João Luís (Pé de Vento), Ferreira dos Santos (AM Matosinhos, BE).
São os nomes como os apontei e o papel e funções tal como as percebi. Peço desculpa por qualquer gralha.

Curiosamente, ao contrário do que é “moda”, só eu é que estava de computador em punho (vícios antigos) e não havia cá modernices de cobertura no Twitter ou transmissão online. Nem tudo se pode resumir a bojardas de 140 caracteres, está visto. Mas não se pense que isto vai ficar “offline”: em breve vai ser lançado um fórum online para companhar as restantes sessões do Roteiro.

Mantenham-se atentos.

Boom & Bang

Vem aí!

Boom % Bang, cartaz

35ª Criação Visões Úteis

Boom & Bang

a partir de “The power of Yes” de David Hare

no Labirintho Bar
26, 27 e 28 Janeiro 2010
23, 24 e 25 Fevereiro 2010
23, 24 e 25 Março 2010
Sempre às 22H

M12
Duração: 50 minutos

Isto é uma nova espécie de socialismo. É o socialismo para os ricos. Para os outros está tudo na mesma. Só para os bancos é que há socialismo. O resto do pessoal continua tão à rasca como dantes. E é nesta altura que começamos a sentir uma certa sensação de injustiça, ou não é?

  • dramaturgia e direcção Ana Vitorino e Carlos Costa
  • banda sonora original e sonoplastia João Martins
  • interpretação Ana Vitorino, Carlos Costa e Pedro Carreira
  • projecto fotográfico Paulo Pimenta
  • coordenação técnica e operação Luis Ribeiro
  • produção executiva Joana Neto
  • assistência de produção Helena Madeira
  • design gráfico entropiadesign a partir de imagem de Ricardo Lafuente

Logotipo Boom & Bang, uma criação entropiadesign