Future Places 09: convocatória para flash-mob

CONVOCATÓRIA À PARTICIPAÇÃO DA COMUNIDADE DO PORTO NUM PROJECTO ARTÍSTICO EM ESPAÇO PÚBLICO

FESTIVAL FUTURE PLACES 09 – PORTO

Pretendemos convocar as pessoas da cidade do Porto para participar num flash-mob, uma performance em espaço público integrada no Festival Future Places, um Festival de Digital Media and Local Cultures que tem a sua 2ª edição este ano na cidade do Porto.

A 1ª sessão/reunião irá acontecer dia 6 de Outubro pelas 19h e 21h30m, conforme as disponibilidades dos participantes.

O ponto de encontro será junto ao Café Piolho, entre a esplanada e a entrada lateral para o edifício da Reitoria da U.P. situado na Praça dos Leões (Praça Gomes Teixeira).

Esta primeira sessão destina-se a um primeiro contacto com o conceito e objectivos do projecto flash-mob e perceber as disponibilidades de todos para tentar reunir um grupo de pessoas para este flash-mob que terá lugar numa praça pública da cidade do Porto no dia 15 de Outubro.

As sessões seguintes serão agendadas após esta primeira sessão. Será um máximo de 3 reuniões/ensaios. Não é necessário que os participantes tenham experiência prévia em actividades deste género, é apenas necessária boa disposição e vontade de causar impacto na cidade do Porto!

Todos os participantes serão convidados a dar ideias e sugestões para que possamos abordar neste projecto questões pertinentes para a comunidade do Porto.

Se estás interessado em participar envia-nos o teu nome e contactos (telemóvel e e-mail) para: transumancia.porto@gmail.com

No caso de qualquer dúvida, além do e-mail podes também contactar-nos através dos números:

93 6756991 | 918814598 | 96 9607812

Contamos contigo no dia 6 de Outubro! Agradecemos desde já, que passes a palavra também!

MLE com Rafael Toral no Balleteatro Auditório

Sábado, 3 de Outubro. 22h00

MENTAL LIBERATION ENSEMBLE & RAFAEL TORAL
Gustavo Costa, Henrique Fernandes, João Filipe, João Martins, Jonathan Saldanha e Filipe Silva, para além do convidado Rafael Toral

Local balleteatro auditório

MENTAL LIBERATION ENSEMBLE & RAFAEL TORAL
Agrupamento de geometria variável orientado em torno do eixo da editora portuense Soopa, o M.L.E. engloba um núcleo permanente de músicos (envolvidos em projectos da actual cena portuguesa, como F.R.I.C.S., Mécanosphère e Lost Gorbachevs), bem como diversos participantes ocasionais.
A estética do projecto é inclusiva, abarcando o uso de instrumentos acústicos, eléctricos e electrónicos; o seu “modus operandi” é a improvisação, resultando na criação de organismos sonoros abstractos e em constante fluxo.

Neste concerto, o M.L.E. será constituído por Gustavo Costa, Henrique Fernandes, João Filipe, João Martins, Jonathan Saldanha e Filipe Silva, para além do convidado Rafael Toral, músico e compositor que, em mais de duas décadas de carreira, tem colaborado com John Zorn, Sonic Youth e Keith Rowe, entre outros.

+ info www.soopa.org

Outubro no Balleteatro: Música e Performance

Em Outubro, o Balleteatro dá espaço à Música e à Performance, em dois ciclos, um programado pelo Jonathan Saldanha (Soopa), outro pelo Pedro Almeida. Altamente recomendável e não é só por eu integrar o Mental Liberation Ensemble no dia 3.

Ciclo música e performance 09 | balleteatro

DISNOMIA

Consultor artístico - Jonathan Saldanha

Dois concertos envolvendo músicos que povoam o universo da editora e colectivo portuense SOOPA, e que articulam a cena musical portuguesa nas vastas áreas da música exploratória.

Este ciclo pretende estabelecer e reafirmar rotas colaborativas entre representantes de correntes musicais exploratórias actuais, que vão produzindo um trabalho contínuo em Portugal, promovendo actuações de
músicos que abordam, usando diversas estratégias estéticas e formais, o tema do potencial transfigurador da prática musical, e a actividade sonora enquanto processo transmutador e por conseguinte alquímico.

O termo “Disnomia” remete para uma condição fisiológica em que o acesso à memória é vedado; metaforicamente, esta condição é traduzida na reconfiguração do real que todos os intervenientes no projecto levam a cabo no seu trabalho, como se os referenciais culturais não lhes surgissem de forma ordenada (na mitologia grega, Dysnomia era a Deusa da Desordem), mas sim como imagens residuais.

Dia 3 de Outubro | 22h 45
MENTAL LIBERATION ENSEMBLE & RAFAEL TORAL

Agrupamento de geometria variável orientado em torno do eixo da editora portuense Soopa, o M.L.E. engloba um núcleo permanente de músicos (envolvidos em projectos da actual cena portuguesa, como F.R.I.C.S., Mécanosphère e Lost Gorbachevs) que, em cada apresentação, acolhem convidados (como por exemplo Carlos Zíngaro e Alfred 23 Harth).

A estética do projecto é inclusiva, abarcando o uso de instrumentos acústicos, eléctricos e electrónicos; o seu “modus operandi” é a improvisação, resultando na criação de organismos sonoros abstractos e em
constante fluxo.

Neste concerto, o M.L.E. será constituído por Gustavo Costa, Henrique Fernandes, João Filipe, João Martins, Jonathan Saldanha e Filipe Silva, para além do convidado Rafael Toral, músico e artista intermédia que, em mais de duas décadas de carreira, tem colaborado com John Zorn, Sonic Youth e Keith Rowe, entre outros.

mais info:
www.soopa.org

Dia 16 de Outubro | 22h
BEAST BOX apresenta: NYARLATOTHEP

Criação na confluência entre concerto, performance, teatro óptico e eléctrico, spoken word, e instalação sonora e visual, Nyarlathotep reúne o actor-locutor Diogo Dória e os músicos/artistas Jonathan Saldanha e Benjamin Brejon (Mécanosphère, Soopa) num “Cabinet of Wonders” macabro e mágico, baseado em filigrana no universo de HP Lovecraft e na figura de Nikola Tesla.

Diogo Dória – Voz
Jonathan Saldanha – Cenografia/Música
Benjamin Brejon – Cenografia/Música

mais info:
www.soopa.org
www.myspace.com/mecanosphere1

o corpo, os gestos e os sons

o corpo, os gestos e os sons” é um ciclo dedicado à música e performance concebido por Pedro Almeida para o Balleteatro.
A constante pesquisa de novos sons associados (ou não) às experiências do dia-a-dia, procuram o espaço que o esquisso e a improvisação possam ter no lugar de uma arte final. É na expressividade corporal, através dos gestos associados aos movimentos do desenho, que a guitarra, a voz e a percussão se têm desenvolvido. O corpo como trigger (botão), a tecnologia como ferramenta/acessório e o quotidiano como fonte inspiradora, destacam-se no acto criativo de quem procura a experimentação em palco.

Guitarras Variáveis e aCUR, são os projectos escolhidos pelo músico/designer/performer, onde se destaca o principal objectivo de cada actuação: o lado performativo e o seu resultado sonoro.

17 de Outubro 22h
“Guitarras Variáveis”

é o resultado de uma união de músicos que usam a guitarra como um instrumento comum de exploração, composição e base melódica. A consciência, a importância das influências e dos géneros que cada um extraiu no seu percurso individual, levam os participantes a expor o lado descomprometido dos acordes estandardizados do rock, das notas repetitivas da electrónica e da fluidez espontânea da improvisação. O lado imaginativo desta partilha sonora procura no experimentalismo uma outra forma de apresentação e atitude musical da guitarra.

O projecto surgiu numa iniciativa de Pedro Almeida, com Luís Varatojo e João Hora nos Encontros de Música Experimental EME2003, em Palmela (Setúbal, Portugal). Participaram até agora, André Gonçalves (okSuitcase), Alexandre Costa, Alexandre Soares (3 Tristes Tigres), Carlos Lobo (Evols), França Gomes (Evols), Horácio Marques, João Hora (FFT), LOC, Leonel Sousa (Alla Polacca), Luís Varatojo (A Naifa), Manuel Guimarães, Paulo Lopes (Repórter Estrábico), Pedro Almeida (aCUR), Pedro Boavida, Shinjiro Yamaguchi (Two-Lines), Tó Trips (Dead Combo) e Vítor Santos (Evols).

Seis anos depois, João Hora, Luís Varatojo e Pedro Almeida, novamente juntos!

+ info:
http://www.larapal.org/guitarrasvariaveis
http://www.larapal.org/guitarrasvariaveis/participants/gvp_jhora.html
http://www.larapal.org/guitarrasvariaveis/participants/gvp_lvaratojo.html
http://www.larapal.org/guitarrasvariaveis/participants/gvp_pal.html

24 de Outubro 22h
“aCUR – critical food”

Performance especialmente concebida (Festival Escrita na Paisagem 2006) para confrontar os hábitos alimentares, para interrogar criticamente os gestos, as tradições, as receitas do comer contemporâneo e os comportamentos à mesa. Pedro Almeida procura uma abordagem sonora e visual das reacções corporais e sensoriais do acto performativo de comer. Ingredientes: boca como principal instrumento, o corpo como motor e armazém de energias, os efeitos dos sabores, os exageros dos petiscos, as provocações dos cheiros e a sonoridade dos alimentos. Um espectáculo com processamento de som e imagem em tempo real, dominado pela interacção com o público, pela ironia e humor corrosivos. O registo de video live, a cargo de Lara Silva, reforça o ritmo pormenorizado dos vídeos concebidos para a performance. Todos os sons produzidos ao vivo (processados ou não) são retirados de alimentos ou objectos relacionados com a gastronomia.

+ info:
site:: http://www.larapal.org/acur
site do projecto original:: http://www.escritanapaisagem.net/2006/doc_acurod.html
video:: www.larapal.org/acur/video/acur_criticalfood.mov
video:: www.youtube.com/watch?v=Cqzrwfc0wfg

Debate sobre políticas culturais promovido pela Plateia

Segunda-feira, 7 de Setembro, 18h00, FNAC S.ta Catarina, Porto

A PLATEIA – Associação de Profissionais das Artes Cénicas tem vindo a promover debates a propósito de políticas culturais no âmbito europeu, nacional e autárquico, por ocasião de cada uma das eleições. Este ciclo, que se iniciou em Junho com um debate acerca das políticas europeias, prossegue agora com um encontro com candidatos à Assembleia da República, dos partidos com assento parlamentar. Será uma oportunidade única para discutir e comparar as propostas dos vários partidos em termos de política cultural. O debate será moderado pela jornalista Carla Carvalho, da SIC e terá lugar na FNAC de Santa Catarina, no Porto, na segunda-feira, 7 de Setembro pelas 18h.
No debate participam Catarina Martins (Bloco de Esquerda), João Almeida (Partido Popular), Jorge Strecht Ribeiro (Partido Socialista), Manuel Loff (Partido Comunista Português) e Pedro Duarte (Partido Social Democrata).

Vale a pena ler com atenção o texto proposto pela Plateia como mote deste debate, aqui.

Handmade Music @ Casa da Música

Ao repto para a internacionalização das festas Handmade Music, a Digitópia responde com uma série de festas regulares que juntam um “mostra&conta” a uma “jam session” com instrumentos únicos. De hardware a software feito em casa até “circuit bending”, kits personalizados ou instrumentos acústicos originais, todos estão convidados a aparecer na Casa da Música pelas 21h30 para montagem de instrumentos. Estarão disponíveis algumas mesas e tomadas, contudo os canais de amplificação serão muito limitados, pelo que será melhor vir prevenido. Pelas 22h abrimos o evento ao público geral– a entrada é livre e recomenda-se-, ocupando a Digitópia e a zona do bar do Foyer Sul. O primeiro evento é já no dia 21 de Julho, uma data especial já que coincide com o final da SMC Summer School e o início do SMC 2009. Contamos convosco!

via http://www.ruipenha.pt

Carlos Zíngaro + Mental Liberation Ensemble

Na inauguração de A Mula Ruge no Espaço Campanhã, que acontece no dia 4 de Julho, próximo sábado, vamos ter um concerto do Mental Liberation Ensemble com Carlos Zíngaro. É às 18h00 e promete!

Cartaz de A Mula RugeA MULA RUGE
no Espaço Campanhã
de 4 a 25 de Julho de 2009

A Mula Ruge é uma espécie de infantário, onde podem vislumbrar essa maldita e mutante prole de tantos anos de rambóia. É também uma espécie de orgia, pois poderemos ver in actu as trampolinices da Mula com seus novos namorados (alguns deles com idade para ter juízo, mas que ainda revelam ter pêlo na venta). E ainda uma espécie de casamento de aldeia, já que convidaram todos os compadres e comadres para um pé de dança, comezaina e outras vilanias.
Pedro Moura

Exposição colectiva com Miguel Carneiro, Marco Mendes, Arlindo Silva, Filipe Abranches, João Maio Pinto, André Lemos, Berto Fojo, Likenico, Pelucas, Von Calhau, José Feitor, Júcifer, Lígia Paz, Raygal, Mauro Cerqueira, Mike Goes West, Nuno de Sousa, Carlos Pinheiro e Carlos Zíngaro.

(cartaz de Miguel Carneiro & João Marrucho)

Dia 4 de Julho:

  • 15h
    Inauguração da Exposição Colectiva e Feira Laica
    Lançamento da Qu’Inferno
  • 18h
    Concerto Mental Liberation Ensemble & Carlos Zíngaro

O Mental Liberation Ensemble é uma formação cujos membros provêm de áreas musicais que vão do death-metal ao free jazz, colaborando regularmente em vários projectos (F.R.I.C.S., Mécanosphère, Srosh, Lost Gorbachevs, entre outros), e que se juntam como Mental Liberation Ensemble quando surge a oportunidade de acolher um músico convidado.

Para o concerto a formação será constituída por:

João Martins – saxofones
Henrique Fernandes – contrabaixo eléctrico
Gustavo Costa – bateria e percussões várias
João Filipe – percussões
Filipe Silva – electrónica, guitarra
Jonathan Saldanha – electrónica e outros instrumentos

A estes músicos irá juntar-se o convidado Carlos Zíngaro (violino).

  • 20h
    Mega Churrasco Dançante com DJ GoldenShower

Dia 25 de Julho:

  • 18h
    Concerto João Peludo

Cartaz Feira laica

(Cartaz Von Calhau)

Mais informação:

  • Miguel Pinho (responsável pelo espaço) Tel: 912897580 / linha1@plataformacampanha.com
  • José Maia (responsável pelo programa de exposições) Tel: 933288141

Contactos:
Espaço Campanhã
Rua Pinto Bessa 122 – Armazém 4 e Armazém 21 (atrás do BANIF)
4300-472 Porto
Tel. 912897580 | linha1@plataformacampanha.com | www.plataformacampanha.com

jazz.pt | Jazz Ao Norte, uma pedrada no charco

Texto escrito por João Martins.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 24 da revista jazz.pt.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

Jazz ao Norte: Pedrada no Charco

Não é apenas mais uma escola de Jazz. O modelo de exigência e rigor que todos os dias esta instituição do Porto aplica tem como sério objectivo a profissionalização dos músicos de Jazz que dela saírem e apresenta-se como um claro convite à replicação por todo o país.

Lançada em 2006, a Jazz ao Norte assume-se como uma “pedrada no charco” no panorama do ensino do Jazz em Portugal, e pode mesmo dizer-se, no ensino privado da música. Ao contrário de muitos outros projectos, construídos à volta de uma personalidade- músico, pedagogo ou divulgador- ou resultado da evolução orgânica e intuitiva de estruturas pré-existentes (academias de música, escolas de bandas, órfeãos ou outro tipo de associações), esta instituição logo desde o início com objectivos muito claros, usando metodologias claramente relacionadas com a prática profissional como engenheiro do seu fundador e director, Pedro Ferreira. Ao pensar neste projecto, e ao definir objectivos, se foi também a sua costela musical a impeli-lo nesta mudança de percurso (Pedro Ferreira toca saxofone tenor e sempre esteve ligado ao mundo do jazz), foi claramente a sua experiência de planificação e gestão na área da engenharia que conduziu o processo sistemático e rigoroso de definir um modelo de escola profissional que pudesse implementar no nosso panorama experiências de formação certificada e certificável, à semelhança do que se verifica em outros países.
Não há, por isso, espaço para grandes devaneios líricos quando se fala da história da Jazz ao Norte: em 2006, a visão, missão e objectivos definidos no projecto, incluíam a certificação do Curso Profissional que a escola ministra (processo concluído recentemente), a definição clara de estruturas programáticas que permitissem a construção de um percurso estruturado e organizado, rejeitando-se, por sistema, processos pedagógicos individualizados e subjectivos e exigindo-se planificações muito claras aos docentes. A Jazz ao Norte assumia-se já como uma escola dedicada à formação profissional de instrumentistas de jazz, organizando a sua oferta formativa em função da construção de um perfil profissional, comum a outras experiências internacionais (os exemplos norte-americanos, holandeses, franceses ou belgas são recorrentes na conversa que tivemos com Pedro Ferreira), mas que em Portugal se tem evitado, devido à pouca dignificação das profissões ligadas à arte e à criação.
O grau fornecido pela Jazz ao Norte, no fim do seu exigente Curso Profissional de 3 anos, pretende ser, tal como formalizado pelo próprio processo de reconhecimento e acreditação pela Direcção Geral de Emprego e Relações de Trabalho (antigo IQF), um grau profissional, correspondente à formação teórico-prática necessária para um instrumentista de jazz. E, com a conclusão do 4º ano (Curso Propedêutico), considera-se que o aluno está preparado para a prossecução de estudos superiores.
A conversa mantida com Pedro Ferreira tornou evidente que este tipo de aposta estruturada na formação de tipo básico e profissional era o que se esperava dos poderes públicos, num esforço articulado e prévio visando a criação de cursos superiores nesta área. «Em Portugal, gostamos de estar sempre “à frente”, mas esquecemo-nos muitas vezes de fazer os investimentos mais básicos. E isto é verdade no ensino do jazz, mas também na programação dos festivais, por exemplo», disse aquele responsável à jazz.pt. A aposta da Jazz ao Norte é, por isso, uma aposta também na formação básica de públicos e promotores/programadores, dirigindo-se, de forma generalizada à enorme lacuna de formação existente: disciplinas opcionais, das quais se destacam a História do Jazz (dada por José Duarte), os Cursos Livres, frequentáveis exclusivamente na vertente instrumento, mas que podem incluir cadeiras teóricas e/ou Classe de Conjunto, complementam a oferta estruturada dos cursos Profissional e Propedêutico, oferecendo aos mais interessados, a possibilidade de aumentarem os seus conhecimentos musicais.
O Curso Infantil (dos 3 aos 10 anos) assume-se como uma oferta de formação musical e cívica e o resto das actividades promovidas pela empresa (dos “workshops” às lojas, passando pelo agenciamento ou programação de concertos no Auditório José Duarte – Clube Jazz ao Norte) constitui um todo que pretende fortalecer o significado e importância da música em geral e do jazz em particular na saúde cultural da comunidade e propagar uma visão profissionalizada do fenómeno da produção musical jazzística.
Para implementar um projecto tão audacioso e distinto, a Jazz ao Norte apostou em não “reinventar a roda”: recrutou docentes com extensos currículos e formação no estrangeiro que partilham desta visão estruturada e profissional, pedindo a cada um deles a elaboração de planos pedagógicos completos para o Curso Profissional e Propedêutico. As diferentes propostas, resultado das experiências de docentes que passaram por instituições como o Conservatório de Música de Amesterdão ou de Paris ou o Berklee College of Music, foram depois analisadas e reorganizadas por forma a assegurar coesão horizontal (entre disciplinas) e vertical (ao longo dos anos) num trabalho que cabe ao director pedagógico, Hélder Martins, prestigiado académico e autor de “O Jazz em Portugal (1920-1956)”.
O modelo não é pacífico, como o próprio Pedro Ferreira admite, repetindo várias vezes «a malta do Jazz mata-me por dizer isto», mas a lógica é praticamente inabalável e a honestidade da proposta inquestionável: a quantidade de informação colocada à disposição dos potenciais alunos e a clareza das regras para todos (modelos e momentos de avaliação dos alunos e processo de recrutamento dos docentes) são filtros suficientes para garantir a construção saudável de uma comunidade coesa. A apresentação pública, estruturada e regular dos resultados, por outro lado, permite a verificação do cumprimento dos objectivos da escola. E, como pudemos comprovar na Audição da Páscoa, é um momento de consolidação da comunidade educativa mais alargada (professores, alunos, pais e amigos). Esses resultados são, em alguns casos, bastante significativos e animadores.
Mas o projecto não se deixa iludir: «não existem sucessos imediatos», considera Pedro Ferreira. E não perde a perspectiva da sua real dimensão, apesar do significativo investimento nas excelentes instalações e no quadro docente, poder “autorizar” algum entusiasmo. Ferreira assume não só que em menos de 10 anos será difícil avaliar a real eficácia das opções tomadas, como duvida do impacto isolado da Jazz ao Norte, desejando, pelo contrário, que o modelo se possa replicar e distribuir um pouco por todo o país. Também nesse asecto, a mentalidade de rigor e exigência se faz sentir.

+ info: www.jazzaonorte.com

Texto escrito por João Martins.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 24 da revista jazz.pt.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

Como disse, Elisa Ferreira?

“Pintaram os bairros, mas esqueceram-se de vos dizer que o dinheiro é do Estado, é do PS”

[Ao Parlamento Europeu] “Vou só dar o nome e volto”

Quem fala assim é Elisa Ferreira, citada pelo JN (via Arrastão). A dupla-candidata do PS à Câmara Municipal do Porto e ao Parlamento Europeu faz assim uma dobradinha de disparate. É cada vez mais evidente que o PS não dá grande importância a estas duas eleições. Pobre cidade do Porto…

jazz.pt | Luso Skandinavian Avant Music Orchestra

Texto escrito por João Martins, a 02/10/2008.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 21 da revista jazz.pt.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

Luso Skandinavian Avant Music Orchestra
dirigida por Raymond Strid

Casa da Música, Sala Suggia, Terça-Feira, 30 de Setembro de 2008, 22h00

  • Raymond Strid – Direcção e Bateria
  • Gabriel Ferrandini – Bateria
  • Rodrigo Amado – Saxofone Tenor e Barítono
  • Sture Ericson – Saxofone Tenor e Clarinete
  • Sten Sandell – Piano
  • João Paulo – Piano
  • Nuno Rebelo – Guitarra
  • Dave Stackenas – Guitarra
  • Ernesto Rodrigues – Violino
  • Per Zanussi – Contrabaixo
  • Per-Ake Holmlander – Tuba

O concerto de encerramento do Ciclo Novas Músicas na Casa da Música, também integrado no contexto temático do Focus Nórdico, permitiu o encontro em palco de músicos portugueses e escandinavos, todos activos na improvisação livre, sob a direcção do baterista sueco Raymond Strid, com a designação de Luso Skandinavian Avant Music Orchestra.
Strid, com um percurso musical peculiar, já que começou directamente pela improvisação livre, escapando a percursos mais comuns de “fuga” (ao jazz, ao rock, ao pop…), explora há muito os jogos de improvisação (Gush, a colaboração com Mats Gustafsson e Sten Sandell, por exemplo começou nesse contexto) e a estratégia de direcção e construção da experiência deste encontro luso-escandinavo passou por cartões coloridos— pelo que se pôde perceber, verdes para protagonistas, vermelhos para paragens e brancos para ambientes—, que conduziram um set único marcado por contenção, exploração de diferentes formas de silêncio e uso generalizado de técnicas instrumentais expandidas.
A instrumentação (2 pianos, 2 guitarras, 2 baterias, 2 saxofones, 1 contrabaixo, 1 violino e 1 tuba) e a distribuição entre “nações”, poderia sugerir “confrontos” de estratégia ou linguagem, ou sucessões de diálogos-debates-demonstrações, mas os 11 músicos em palco não só estavam empenhados no cumprimento das regras do jogo e, por isso, bastante dependentes das instruções de Strid, como pareciam relativamente de acordo quanto aos registos tímbricos a usar e à manutenção da forma fluída e livre. Praticamente todos os instrumentos foram tocados durante grande parte do concerto nos seus limites técnicos quanto à produção de som (arcos sul-tasto e cordas afinadas em sub-graves, abafadores manuais externos nos pianos, ruídos nos corpos das guitarras, guinchos, vento e slaps nas palhetas, voz na tuba, mãos e escovas nos corpos das baterias), esbatendo a identidade musical e instrumental e afirmando um contínuo sonoro, com menos variações dinâmicas do que se esperaria dum ensemble tão numeroso. Rodrigo Amado e Raymond Strid, com auxílio de Dave Stackenas, terão protagonizado o momento mais “activo” do set, mas não passou duma curta excepção a uma performance que parecia marcada por um certo receio da massa sonora possível e que, de tanto se esforçar por criar silêncios, fundamentais nas improvisações colectivas, poderá ter esquecido a possibilidade de pontuar mais momentos e libertar outras expressões. João Paulo e Sture Ericson terão esboçado ainda uma espécie de duo, com alguma troca de material e Sten Sandell, parecia procurar responder às partículas ocasionais produzidas pelo ensemble, mas nenhum momento se afirmou verdadeiramente, nem pela dinâmica, nem pelo eventual estabelecimento de diálogos compreensíveis.
A fraca afluência de público, numa sala que não é particularmente acolhedora nessas condições, poderá ter tido algum impacto nos níveis de energia em palco, mas a direcção de Raymond Strid parecia, de facto, apostada na exploração duma certa ideia de silêncio intersticial.
De resto, é de destacar, o equilíbrio e o acordo entre todos os envolvidos (portugueses e escandinavos), que pareciam coordenados a um nível mais profundo do que a direcção, por vezes hesitante, de Raymond Strid, permitia compreender (que complicado que é gerir um sistema de direcção com a vontade de participar no jogo).

Texto escrito por João Martins, a 02/10/2008.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 21 da revista jazz.pt.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | Jazz no Parque 2008

Texto escrito por João Martins, a 23/09/2008.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 21 da revista jazz.pt.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

Jazz no Parque 2008

12, 19 e 26 de Julho de 2008
Campo de Ténis do Parque de Serralves

A cada ano que passa, interrogo-me se a relação do Jazz no Parque com a Fundação de Serralves e com o(s) seu(s) público(s) sofrerá algum tipo de evolução. É que os 3 concertos ao ar livre, em 3 fins-de-semana estivais consecutivos permanecem aparentemente desligados da programação geral do Museu de Arte Contemporânea e, apesar da sua longevidade e do estatuto adquirido, não se vislumbram iniciativas que promovam vivências mais profundas das propostas que o Jazz no Parque apresenta ao público.

Em 2008, a proposta de programação de António Curvelo repete a fórmula de 2007, trazendo ao Ténis de Serralves, um concerto “norte-americano” (Matt Wilson’s Arts & Crafts, em 2007 e Steve Kuhn Trio, em 2008), um “português” (OJM com John Hollenbeck, em 2007 e “Cubo“, de André Fernandes em 2008) e um “europeu” (Strada Sextet de Henri Texier, em 2007 e o Quarteto de Michel Portal, em 2008). A repetição desta “visão tripartida” não apresenta “per se” qualquer inconveniente, assim como a presença de “repetentes” (Joey Baron, Michel Portal, Bruno Chévillon, Daniel Humair, André Fernandes, Mário Laginha, Alexandre Frazão são alguns dos músicos que regressam ao Jazz no Parque) não é, “per se” “sinal de fraqueza”. Concordo com António Curvelo quando afirma que, no jazz contemporâneo, o mesmo músico se pode apresentar “com identidades múltiplas, conforme o(s) tempo(s) e o(s) modo(s) em que se move”, pelo que a repetição de nomes não conduz à repetição da música ou do evento.
Porém, acredito que estes dois factores cruzados e o número crescente de “repetentes” num festival que se faz de 3 eventos apenas, com agrupamentos, em regra, pequenos, pode conduzir a um fenómeno de desgaste e conduz certamente, apesar dos melhores esforços de António Curvelo, a um certo sentimento de “déja vu“, ou “déjà entendu” por parte do público mais fiel.
Num evento com a dimensão do Jazz no Parque e com o perfil de público que se vai afirmando/cristalizando, poderá até ser uma opção estratégica. Mas programar um festival de jazz, ainda que apenas com 3 concertos, sem (alguma) ousadia e sem correr (grandes) riscos não parece coerente nem com a natureza da música que se pretende divulgar, nem com a natureza da instituição promotora.

Mas há Verões e Verões, e há Outonos que se parecem precipitar, pelo que estas considerações pessoais valem apenas e só por isso mesmo e em nada beliscam a qualidade de cada um dos concertos apresentados.

Da memória dos 3 concertos, surpreendentemente, realçam-se 3 nomes: Joey Baron, Alexandre Frazão e Daniel Humair.
Os 3 bateristas, por razões puramente emocionais-musicais, foram os que deixaram memórias mais marcadas e vivas, no que é apenas mais um sinal do lugar que a bateria, enquanto conjunto de instrumentos, ocupa no panorama do jazz contemporâneo e da importância de bateristas capazes de construir e usar criativamente uma voz inconfundível no instrumento, além de respeitarem os constrangimentos “funcionais-operacionais” básicos do jazz.

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