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O Fantasporto já tem idade para merecer respeito

Segunda-feira, 1 de Março, 2010

A Ministra da Cultura, ao sugerir que o Fantasporto se passe a realizar no futuro e hipotético pólo do Porto da Cinemateca Portuguesa, na Casa das Artes (ver notícia do Público) mostra uma de duas coisas: ou não conhece, ou não respeita um dos mais importantes festivais de cinema do país que, com as suas 30 edições já merecia algum respeito.

Sobre o futuro do Fantasporto devia falar-se de forma clara no imperativo cívico que é a sua realização num equipamento cultural público de dimensão apropriada como é o Teatro Municipal Rivoli. E devia aproveitar-se essa clareza para explicar aos energúmenos que teimam em não perceber que este é um dos muitíssimos motivos para combater ferozmente as estratégias de privatização de espaços como este.

Infelizmente, a Ministra da Cultura que, como o Fantasporto, tem idade para ter juízo e merecer respeito, mostra aqui, como noutros acontecimentos recentes (1) (2), que lhe falta coragem, bom senso e, quiçá, cultura.

Que raio de tourada é esta?

Domingo, 28 de Fevereiro, 2010

Como diz a Catarina, podia ser uma piada, mas não é: O Conselho Nacional de Cultura, na mesma altura em que é reactivado e passa finalmente a ter uma secção dedicada às Artes, passa também a ter uma secção dedicada à Tauromaquia (ver notícia no Público). O cumprimento dum desígnio relativamente elementar— a reactivação dum importante órgão consultivo e de articulação da relação dos agentes culturais com o Estado— fica assim associado a um momento de surrealismo a vários títulos ofensivos para sectores culturais (ligados a tradições ou não) que nunca mereceram tal atenção. Pense-se por exemplo na representatividade das ciências e/ou da cultura científica no Conselho Nacional de Cultura. Pense-se nas religiões, reduzidas a um representante da Conferência Episcopal Portuguesa.

O plenário do CNC é composto pelos membros do Governo com competências na área da Cultura, pelos presidentes das secções especializadas, por um representante do Centro Português de Fundações, da Associação Nacional de Municípios Portugueses, da Associação Nacional de Freguesias, do Conselho Nacional de Reitores das Universidades Portuguesas, do Conselho Nacional de Consumo, da Conferência Episcopal Portuguesa e, ainda, pelas 10 individualidades de reconhecido mérito representativas das várias áreas da Cultura agora designadas pela Ministra da Cultura.

As 10 individualidades são:

  1. o ensaísta Eduardo Lourenço
  2. o arquitecto Siza Vieira
  3. o musicólogo Rui Vieira Nery
  4. o programador e ex-bailarino Jorge Salavisa
  5. o encenador Ricardo Pais
  6. a escritora Inês Pedrosa
  7. a jornalista Paula Moura Pinheiro
  8. o ensaísta e programador António Pinto Ribeiro
  9. o crítico de cinema João Lopes
  10. o economista Augusto Mateus

As secções existentes, com as 2 novas criações são (de acordo com o Decreto Regulamentar nº 35/2007 de 29 de Março):

  • a) Secção do Livro e das Bibliotecas
  • b) Secção dos Arquivos
  • c) Secção dos Museus e da Conservação e Restauro
  • d) Secção do Património Arquitectónico e Arqueológico
  • e) Secção do Cinema e Audiovisual
  • f) Secção dos Direitos de Autor e Direitos Conexos
  • g) Secção das Artes
  • h) Secção de Tauromaquia

Tudo isto junto, com uma leitura da constituição da Secção das Artes, para ajudar, faz-me rir às gargalhadas, para não chorar. O Conselho Nacional de Cultura ainda não tinha uma Secção das Artes, mas tinha uma para o Cinema e Audiovisual, que não integra, pelos vistos as “Artes”.
A secção das Artes, tem, de resto, uma constituição sui generis (verificar aqui):

Quanto mais informação se recolhe, menos se percebe. Não há artistas/criadores ou seus representantes na secção de Artes, com a honrosa excepção dos arquitectos e designers que têm lugar assegurado. Na dança, é menos claro, já que a REDE, é uma “associação de estruturas empregadoras”. De resto, há dúvidas que, para um tipo como eu, são absolutamente esmagadoras: qual é o lugar da Música no CNC? Não há representantes de Orquestras, a Fundação Casa da Música fica de fora… o facto da actual Ministra vir desta área invalida a sua legítima representação nos órgãos consultivos? Porquê?

Fora isso, a importância dada à Tauromaquia através da criação da sua secção é completamente descabida e contrária ao natural rumo da história (concordo com a Catarina e com o Bloco de Esquerda) e um tipo não pode deixar de pensar o que é que acontece a um país em que, num órgão consultivo do Ministério da Cultura, um representante do Sindicato Nacional dos Toureiros Portugueses ou da Associação Nacional de Grupos de Forcados, está no mesmo patamar dos representantes dos Teatros Nacionais e mais próximo do plenário do CNC do que um representante duma Orquestra ou duma Associação Científica (sem nenhum lugar assegurado em nenhuma secção).

E posto isto em termos que até os aficionados da tourada serão capazes de perceber: o Ministério da Cultura deve consultar um toureiro ou um forcado numa estrutura que não consulta nenhum chefe de cozinha (ou alguém ligado à gastronomia), nenhum futebolista (ou alguém ligado ao desporto) nem ninguém ligado ao artesanato?

Que raio de tourada é esta?

Entretanto, já existe uma petição contra a criação da secção de Tauromaquia no CNC. Eu faria mais umas:

  • pela inclusão de representantes de criadores/artistas, na secção de Artes
  • pela inclusão da Música na Secção de Artes ou em secção autónoma, se não nos quiserem misturar com os “artistas” a sério
  • pela criação duma Secção de Ciência
  • pela criação duma Secção de Desporto
  • pela criação duma Secção de Tradições, incluindo artesanato, folclore, gastronomia e, quem sabe, tauromaquia

Ou então uma só: pela utilização de vulgar bom senso e cultura na reestruturação e reactivação do Conselho Nacional de Cultura, consultando, previamente, pessoas com um bocadinho das duas coisas (cultura e bom senso) na criação de novas secções especializadas e/ou na reestruturação das existentes. É pedir demais?

Pordata, serviço público

Terça-feira, 23 de Fevereiro, 2010

Foi hoje lançado o Pordata, um novo portal apoiado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que “prevê disponibilizar os dados estatísticos em três fases principais: para Portugal (1.ª fase), para Portugal e países da UE 27 (2.ª fase) e para as regiões e municípios portugueses (3.ª fase). O vector comum a toda a informação apresentada é o tempo. Publicada sob a forma de séries cronológicas, a informação incide sobre um longo período, que se inicia, sempre que possível, em 1960 e se prolonga até à actualidade.

Ainda não tive tempo para me debruçar em detalhe, mas é evidente que este será um serviço muitíssimo útil, principalmente, a partir do momento em que algumas pessoas começarem a fazer alguma coisa com os dados, como refere (e bem) o Alex Gamela.

Por curiosidade, fui dar uma espreitadela e deixo aqui um exemplo do tipo de informação que agora é fácil de encontrar, graças ao Pordata:

  • entre 1987 e 2005, as despesas totais em Cultura, realizadas pelas Câmaras Municipais cresceram sempre, de pouco menos de 40 mil euros em 87 até mais de 910 mil euros, em 2005; em menos de 20 anos, multiplicou-se por mais de 20 esta verba
  • depois de 2005 (ano de eleições), esta verba decresceu significativamente; 2005 = 913 mil, 2006 = 802 mil, 2007 = 791 mil e 2008 = 863 mil
  • pegando só no ano de 2008, vemos que neste capítulo das despesas correntes das Câmaras Municipais, o desporto (que tem a fatia de leão) representa 10 vezes mais despesa que as artes cénicas (o parente pobre), numa relação de 183 mil para 18 mil euros

São pedacinhos de informação descontextualizados que não têm qualquer tipo de valor. Postos no contexto certo, talvez permitissem perceber que, a partir de determinada altura, a cultura passou a ser de forma mais clara, um instrumento de promoção das cidades e dos seus poderes, vendo o seu financiamento aumentado, mas dependente de ciclos eleitorais. Ou talvez permitissem ajudar a clarificar a (falta de) estratégia e política cultural a nível local, reflexo dum défice nacional e a estabelecer as bases para uma discussão séria sobre quais as áreas de investimento cultural prioritário. Uma coluna de dados com particular interesse, é a que diz respeito à despesa corrente em recintos culturais (única parcela que fica abaixo das despesas em artes cénicas) e o que isso significa na inexistência de redes de circulação e descentralização da fruição cultural.

Como vêem, um acesso superficial e de poucos minutos aos dados já compilados, mostra bem a utilidade desta plataforma. Com o tempo, e com as ferramentas já disponíveis, temos todas as condições para ficar a conhecer melhor o país e discuti-lo com base em alguma realidade.

Obrigado aos promotores do Pordata, portanto.

A importância da humildade

Segunda-feira, 22 de Fevereiro, 2010

Relativamente ao título calamitoso do Público, de que falei aqui, os dados actualizados/corrigidos já estão disponíveis noutra notícia no Público online, onde se dá conta da disponibilidade do Governo Regional para assumir falhas de comunicação que terão levado algumas entidades a falar de 250 desaparecidos, em vez de 250 desalojados.
Estranhamente (ou não?), o Público não se assume como uma dessas (poucas) entidades confundidas. Uma nota, ainda que breve, a reconhecer a falha (como fez o Governo Regional), não fazia mal a ninguém.

A importância da informação

Segunda-feira, 22 de Fevereiro, 2010

Em momentos como o que agora vivemos, face à tragédia que se abateu sobre a Madeira, torna-se ainda mais evidente a importância vital da informação e o papel fulcral dos órgãos de comunicação social no funcionamento da sociedade sob pressão. Por isso se exige, em tempos difíceis como estes, um comportamento exemplar dos media, que passa pela capacidade de fornecer informação rigorosa e atempada.

Por isso mesmo, e a propósito desta notícia do Público, que refere 250 desaparecidos na Madeira sem citar nenhuma fonte, partilho e angustio-me com esta dúvida da Shyznogud, no Jugular, com quem aliás, troquei algumas mensagens via Twitter, para percebermos se mais algum órgão de comunicação social usava estes números de forma mais esclarecedora ou se alguém do Público vinha esclarecer as fontes. Aparentemente, estas coisas não são muito preocupantes, mesmo que estejamos perante um título que “ameaça” tornar a tragédia Madeirense num drama humano muitíssimo maior do que os números oficiais apontam. É que, entre os 4 desaparecidos de acordo com as fontes oficiais e os 250 no título do Público há um mundo de diferença que, além de vender mais jornais, fará verter mais lágrimas e aumentar a ansiedade de todos aqueles que aguardam boas notícias vindas da ilha. Nem que fosse só por isso, além de garantir que correspondem a uma verdade objectiva, um jornal de respeito deveria indicar possíveis fontes de verificação. Ou não.

Mudar de vida

Sábado, 30 de Janeiro, 2010

É frequente pensar na necessidade de mudar de vida. Nas pequenas rotinas e nas direcções globais. Mas é raro sentir que estou de facto a mudar de vida e hoje senti isso em coisas verdadeiramente elementares e simbólicas. Tive duas boas conversa sobre uma (aparentemente) “nova” forma de promover a criação e o contacto entre criadores, assente na transposição de alguns princípios do movimento Open Source para os processos de criação e debate crítico e participei na instalação de dois sistemas operativos Linux (um Debian e um Xubuntu) em dois iMac G3 (PowerPC) que fazem parte dum parque de máquinas obsoletas que poderão vir, desta forma, a integrar um laboratório de formação e criação. Ao fim do dia, assinei o The Public Domain Manifesto e o dia pareceu alinhar-se perfeitamente.

Mais notícias em breve.

[divulgação] Oficina “Design para uma Redacção Livre”, no JUP

Quarta-feira, 20 de Janeiro, 2010

O Hacklaviva organiza no JUP uma oficina dedicada às ferramentas informáticas (FLOSS) necessárias para construir uma “redacção livre”, projecto em curso no JUP. É no próximo sábado, dia 23 de Janeiro, numa tarde cheia de actividades à volta do info-activismo (e que coincide com inaugurações nas galerias da Rua Miguel Bombarda), cujo programa completo pode ser consultado aqui.

Mas, do programa, destaco, por me interessar particularmente, esta Oficina de Design para uma Redacção Livre.

23 jan 2010 | 14h30 - 17h30
Oficina de Design para uma Redacção Livre

Uma redacção a funcionar apenas com software livre? É o objectivo de uma colaboração entre o JUP e o Hacklaviva. Nesta oficina, vamos falar sobre o que é o software livre e as suas implicações na prática criativa, associativa e editorial. Depois veremos como hoje é possível tratar fotografia, criar gráficos e tipografia, paginar, editar áudio e montar vídeo com ferramentas livres. Traz o teu portátil e vem passar uma tarde connosco a descobrir novas formas de fazer o teu trabalho.

A informação chegou-me por via do Ricardo Lafuente, que é uma das pessoas que vai orientar esta oficina. As ferramentas-base da oficina serão:

  • Imagem: GIMP, Scribus e Inkscape (3 que fazem parte do meu workflow actual)
  • Áudio: Audacity (ferramenta muito útil)
  • Vídeo: Kaltura, OpenShot e (talvez) PiTiVi (esta é a área que é toda nova para mim e tenho que verificar se se conseguem instalar algumas destas ferramentas num Mac)

Segundo o Ricardo, “a ideia é mais um overview do que tutoriais; podemos tocar em partes específicas de acordo com as vontades colectivas, mas seria mais uma cena de esclarecimento, já que boa parte do pessoal que vai aparecer não tem noção do que existe no mundo do FLOSS…

Esclarecimento: o Luís Delgado não pára aqui

Domingo, 17 de Janeiro, 2010

Em 2005 publicitei o cantinho do Luís Delgado, uma iniciativa cómica que muito me fez rir e que, entretanto, já deixou de existir. Na altura tive que prestar esclarecimentos adicionais sobre essa iniciativa, visto que o personagem provoca reacções muito pouco ponderadas por parte de alguns leitores mais distraídos, mas hoje, pela segunda vez desde essa altura, vem-me parar à caixa de comentários desse artigo uma mensagem dirigida ao Luís Delgado, desta feita, a propósito de declarações que o jornalista/comentador terá feito a propósito de Manuel Alegre, declarações essas que não vi, li ou ouvi.

Minha gente: o Luís Delgado não pára aqui.

Ponho-me a pensar qual será  processo que dá origem a estes equívocos? Será que as pessoas decidem “vir à internet” “dizer das boas” ao Luís Delgado, metem o nome do meliante no Google, encontram um resultado que tem como título “o cantinho do Luís Delgado”, não lêem nada, na ânsia de encontrar um botão para enviar uma mensagem ou comentário e “toma que já almoçaste“?! Se assim for, quantos equívocos tão ou mais surreais se repetem por essa blogosfera fora?

Vamos começar a trocar cromos?

Fusível

Quarta-feira, 13 de Janeiro, 2010

Hoje passei 2 horas à espera, às escuras, que um piquete da EDP viesse trazer de volta ao presente a nossa casa. Fiquei a saber que a instalação eléctrica da casa, quadro incluído, que foi renovada recentemente e sofreu uma alteração na potência contratada para 30 amperes, está muito bem e que o fusível principal até tem uma margem que permite chegar aos 40 amperes antes do corte.

Em eletrônica e em engenharia elétrica fusível é um dispositivo de proteção contra sobrecorrente em circuitos. Consiste de um filamento ou lâmina de um metal ou liga metálica de baixo ponto de fusão que se intercala em um ponto determinado de uma instalação elétrica para que se funda, por efeito Joule, quando a intensidade de corrente elétrica superar, devido a um curto-circuito ou sobrecarga, um determinado valor que poderia danificar a integridade dos condutores com o risco de incêndio ou destruição de outros elementos do circuito.

Fusíveis e outros dispositivos de proteção contra sobrecorrente são uma parte essencial de um sistema de distribuição de energia para prevenir incêndios ou danos a outros elementos do circuito.

Fusível, Wikipedia

No “nosso” quadro, com contador bi-horário, maravilha da técnica, com led a piscar e um mostrador em ciclo constante com mais informação do que consigo compreender, está tudo em grande forma e a tal margem sobre a potência contratada é normal, mas, de facto, não é sempre a mesma. “Varia, que eles não podem andar a verificar um a um“, que é uma coisa que não se gosta muito de ouvir dizer a um técnico da EDP. Menos mal: em casa, tudo em ordem.

À porta, no átrio do prédio, uma caixinha misteriosa, esconde a razão do nosso “blackout” particular: uma caixa de ligações e fusíveis, que regula a ligação de cada apartamento. “É uma instalação antiga” e os fusíveis são umas tranças de filamentos a ligar dois pinos duma espécie de grande ficha eléctrica. Os 5 filamentos que constituíam o fusível da nossa ligação não aguentavam a margem acima dos 30 amperes que o “nosso” fusível aguenta e, assim, puf!

O técnico, diligente, fez novo fusível. Sim, fez, com as mãozinhas, uma trancinha de 5 filamentos a partir dum cabo que descarnou— numa cena que me fez recordar antigas montagens de peças de teatro em que se faziam os cabos que faltavam, à medida— e passou a trancinha à volta dos pinos, recolocou a tal ficha e fez-se luz. Pediu-me para ligar tudo e, a frágil trança voltou a desfazer-se. “Vamos ter que medir, então“. Nova trança, desta feita com 6 filamentos, fiquei a saber depois, e “ligue tudo menos as duas últimas coisas“, enquanto um aparelho avançado se ligava às entranhas do nosso quadro. “25 amperes, está a ver? Ligue o resto“. Mais dois aparelhos e “30, 35, 40…“, mas antes da trança, desta vez, ouvimos o clique do quadro. “Está a ver? A sua instalação está óptima. Lá fora, não podemos fazer melhor. É uma instalação antiga“. Do pouco que percebo de física, percebi que a nova trança de 6 filamentos tem mais resistência que a anterior e, assim, aguenta a margem de manobra que o nosso quadro nos dá a nós, face à potência contratada. Mas sei também que não é nada de tecnicamente rigoroso ou garantido que essa resistência da trancinha feita à mão se mantenha acima da do fusível industrial que temos no quadro e, por isso, “têm que gerir as coisas que ligam“. Pois… mas era mais confortável saber que, em caso de distração ou acidente, o nosso quadro nos protegesse, antes de se comprometer a “trancinha” a que não temos acesso. Mas as instalações antigas é assim.

Portugal parece que é isto, também.

Cumprimento breve

Segunda-feira, 11 de Janeiro, 2010

Estive hoje na 1ª sessão do Roteiro sobre Política Cultural promovido pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda, que contou com a participação de agentes culturais do distrito do Porto e do distrito de Aveiro. Tomei algumas notas para mim e para mais tarde poder fazer um eventual resumo ou balanço. Para já, e por ser de elementar justiça, fica um cumprimento público à primeira responsável pela iniciativa. Obrigado, Catarina.

Porque não é comum conseguir reunir, em tão pouco tempo, um tão grande número de pessoas para debaterem de forma séria, aprofundada e não oportunista (roubo esta expressão ao Francisco Beja) questões de política cultural, apresentadas nos seus diversos níveis, desde o papel dos criadores ao papel do Estado, passando pela participação da sociedade civil e dos privados, pelo perigoso conceito das “indústrias criativas”, pelas responsabilidades dos poderes locais, pela importância da educação e dos media… duas horas e meia de trabalho sério.

E para que fiquem com uma noção da dimensão da tarefa, cá ficam os nomes dos intervenientes (entre cerca de 65 presentes): Catarina Martins (actriz/deputada), Salvador Santos (TNSJ), João Fernandes (Serralves), Pedro Jordão (Teatro Aveirense), Mário Moutinho (Plateia/FITEI), Paula Sequeiros (bibliotecária), João Martins (músico), Francisco Beja (ESMAE - Teatro), Jorge Campos (ESMAE - Audiovisual/Cinema), Pedro Fernandes (CineTeatro de Estarreja), Luísa Moreira (THSC), Carlos Costa (Visões Úteis/Plateia), Eduardo Rocha (produtor CCCAveiro), Jorge Louraço (crítico de teatro), João Luís (Pé de Vento), Ferreira dos Santos (AM Matosinhos, BE).
São os nomes como os apontei e o papel e funções tal como as percebi. Peço desculpa por qualquer gralha.

Curiosamente, ao contrário do que é “moda”, só eu é que estava de computador em punho (vícios antigos) e não havia cá modernices de cobertura no Twitter ou transmissão online. Nem tudo se pode resumir a bojardas de 140 caracteres, está visto. Mas não se pense que isto vai ficar “offline”: em breve vai ser lançado um fórum online para companhar as restantes sessões do Roteiro.

Mantenham-se atentos.