Arquivo da Categoria ‘teatro’

Meio Dia Meia Noite

Sábado, 22 de Novembro, 2008

O Teatro do Frio promove 12 horas de actividades constantes hoje, 22 de Novembro, entre teatro, circo, concertos e vários híbridos. Do meio dia à meia noite, na Fábrica da Rua da Alegria, no Porto.

Meio Dia Meia Noite, cartaz

Ao meio dia, lá estarei, com os F.R.I.C.S., na abertura. E, para garantir que tudo corre bem, lá estarei no fecho, também, com Alfred 23 Harth, naquela que será a minha estreia como membro do Mental Liberation Ensemble.

Mais informação e detalhes sobre a programação do evento, aqui: http://www.teatro-do-frio-meiomeia.blogspot.com/

“O Álbum” estreia hoje no PerFormas

Terça-feira, 18 de Novembro, 2008

Pois é: o PerFormas - Estúdio de Artes Performativas reabriu no dia 13 e tem uma programação intensa e diversificada, com concertos, performances, instalações… vale a pena ir (re)descobrir o espaço e o projecto. Visitem o blog para estarem a par da programação.

Hoje, às 22h00, estreia O Álbum, “uma criação híbrida que entrecruza os universos da performance, da fotografia, do vídeo, da imagem em tempo real, da música e utilizando como fio dramatúrgico condutor alguns fragmentos de textos de Câmara Clara de Roland Barthes e de Crave de Sarah Kane.” É uma criação e performance da Helena Botto, para a qual contribuem vários artistas da “nossa praça”. A banda sonora original e sonoplastia, por exemplo, é do João Figueiredo, o que, no meu caso, acrescenta uma óptima razão extra para estar na estreia a dar-lhe todo o meu apoio.

A performance está em cena de 18 a 22 de Novembro (3ª a sábado), sempre às 22h00. E há mais para ver e ouvir no renovado PerFormas.

Nota breve: no dia 22, também no PerFormas, a Beatriz Portugal vem cantar Sweet Punk & Jazz. A Beatriz é outra amiga de longa data, a cujo concerto não poderei assistir porque vou estar fora. :( Vão vocês, da minha parte, ok?

Passatempo: descubra a entrada do TNDMII

Terça-feira, 21 de Outubro, 2008

Quem diria que se podia fazer um passatempo com uma actividade tão banal como esta? Mas, para os não Lisboetas (e, se calhar para alguns lisboetas, também), cá fica o desafio:

Por onde se entra no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa?

Passatempo: descubra a entrada do TNDMII, imagem aérea (Google maps)

Será pela escadaria principal, virada para a Praça D. Pedro IV (Rossio)?

TNDMII, vista do Rossio (fotografia de telemóvel)

Será pela entrada poente, virada para a Estação do Rossio?

TNDMII, vista da Estação do Rossio (fotografia de telemóvel)

Ou será pela entrada nascente, virada para o Largo da Ginjinha?

TNDMII, vista do largo da Ginjinha (fotografia de telemóvel)

Já ajuda dizer que não é pelas traseiras (viradas para o Gambrinus) e deixar as fraquíssimas fotografias. Por isso, para dificultar um bocadinho, fiquem sabendo que na escadaria principal há uma esplanada e uma entrada para a Livraria do Teatro e na entrada poente, um Restaurante.

Quem adivinhar ganha reservas* para o resto da temporada do Visões Úteis.

* Este é um concurso gozão e da minha exclusiva responsabilidade pessoal. As reservas não são nem convites nem bilhetes com desconto. ;)

Lisboa

Quarta-feira, 15 de Outubro, 2008

Estou em Lisboa.

Quem tiver prestado alguma atenção ao blog nos últimos tempos sabe que é por causa da temporada do Muna no TNDMII e já deve ter percebido que o tempo para escrever aqui no blog não abunda. E mesmo que tivesse tempo, não sei se teria grande energia, confesso. E se tivesse, não devia conseguir fazer coincidir isso tudo com um momento em que tivesse acesso à Internet.*

(Além disso, as saudades fazem-me passar mais tempo ao telefone e menos no computador.)

Obviamente que não é a primeira vez que estou em Lisboa, nem sequer é a primeira vez que por aqui estou em trabalho. Mas é a primeira vez que estou de forma mais prolongada e com a sensação de que, temporariamente, é aqui que tenho que “morar”. E é mais estranho do que esperava. O meu instinto natural, relativamente inconfessável, faz-me sentir mais “tripeiro” quando estou em Lisboa, o que tem a sua “graça” quando venho num fim-de-semana ou para dar um concerto, mas, ao fim de vários dias, começa a fazer-me pensar de onde me vem esta reacção “intestina”.
Talvez tenha a ver com o facto de, em Lisboa, me sentir sempre relativamente “estrangeiro”. Não pela estranheza do território ou das pessoas e da sua diversidade, mas pela escala (ter mudado do Porto para Aveiro talvez acentue a minha dificuldade em lidar com cidades maiores) e pela sensação de ter muito pouco em comum com as pessoas à minha volta.

Hoje, depois da estreia do espectáculo para a infância, durante um belo almoço no FrutAlmeidas (os pastéis de massa tenra e os sumos de fruta são tão bons ou melhores do que a minha irmã vinha anunciando), consegui verbalizar melhor esta forma de “estranheza” ou “desconforto”: sinto nitidamente que há muito poucos assuntos da minha “agenda cívica” que sejam comuns à maior parte dos lisboetas. E vice-versa. As questões que mais me preocupam, no meu quotidiano em Aveiro e no Porto, são absoluta e naturalmente estranhas aos lisboetas. E aceito com naturalidade que o contrário é absolutamente real. Mesmo assuntos genéricos e preocupações “nacionais” têm que ser verbalizados e ilustrados de forma diferente. E não é natural que haja acordo acerca do que são as nossas prioridades.

Pode parecer ridículo falar-se de forma tão “radical” acerca de diferenças e assimetrias locais e regionais num rectângulo tão pequeno como este, e só com 10 milhões de pessoas. Mas aqui, à minha volta, se é verdade que estão concentradas quase metade dessas pessoas, também é verdade que está concentrado muito mais de metade do poder político e económico. E é isso que é desconfortável: sentir que a esmagadora maioria das decisões que afectam o meu quotidiano é tomada por gente que lhe é completa e naturalmente alheia. E se me pedirem para eleger um assunto tipicamente “lisboeta” que afecta todo o território nacional, é fácil: a suburbanidade. Eu não conheço território suburbano fora da região de Lisboa e Vale do Tejo. A discussão técnica não é fácil, mas eu partilho da visão de alguns geógrafos e urbanistas que consideram que o espaço urbano contínuo entre Aveiro e Viana do Castelo, constitui um fenómeno de conurbação, onde múltiplos pólos urbanos se intersectam e promovem cruzamentos de pessoas, serviços e mercadorias, sem uma hierarquia clara que permita falar de urbes e subúrbios. Além disso, uma parte significativa das cidades portuguesas não chega a ser propriamente “urbana”, pelo que não faz sentido falar de “suburbanidade”. Ou, numa visão mais distanciada, poder-se-ia dizer que todo o país é sub-urbano, relativamente à região da capital, onde existe uma cultura urbana e suburbana real, que no resto do país ainda se cruza muito com uma raíz profundamente rural. Este problema de desenvolvimento, gestão e planeamento territorial marca de forma profunda a agenda nacional, mas devia reconhecer-se a sua natureza específica. E aceitar com naturalidade que a simples diferença de escala e de modelo de desenvolvimento urbano traça fronteiras no país, que não se podem ignorar.

Devia ser simples, não?

Mas pergunto-me (e a vocês, que me lêem, já agora) se, da mesma forma que me ajudou estar nesta condição de “estrangeiro” para me pôr a pensar nisto (outra vez), não precisaremos todos de conhecer melhor o país todo, partindo, sempre que possível, dessa condição de “estrangeiro” que resulta, necessariamente, duma certa disponibilidade para nos alhearmos do que já julgamos saber. Será esse exercício possível?

* Aceito sugestões de locais agradáveis na vizinhança do D. Maria (Rossio) ou perto da estação de Metro da Av. de Roma (onde estou alojado) com acesso rápido e gratuito (wireless, preferencialmente) e onde se possa trabalhar. Tem mesmo que ser um sítio simpático, porque preciso de uma tomada, já que a bateria do meu velhinho portátil não colabora.

Visões Úteis: Outubro em Lisboa

Segunda-feira, 6 de Outubro, 2008

Visões Úteis, logotipoComo continua a ser verdade que, neste país provinciano e parolo, muitas decisões estão nas mãos de gente que, sem pensar, sente que “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”, este mês de Outubro, em que o Visões Úteis volta a pisar palcos da capital, é estranhamente importante:

Os espectáculos em Lisboa, envolvem-me “fisicamente”, um pouco para lá dos limites do estritamente necessário para assegurar a bandas sonora e sonoplastia.

Gosto de fazer O Contrabaixo e assumir a condição de “músico em cena”. O texto do Süskind é brutal (e um músico percebe isso um bocadinho melhor) e agrada-me a simplicidade, a portabilidade e a eficácia da encenação, além de não me deixar de surpreender com a interpretação do Pedro. E um espectáculo de teatro que tanto se faz em bares, como em auditórios (como em estações de metro), sem perder a eficácia, é, por definição, um espectáculo “forte”.

O Contrabaixo, imagem de Paulo Pimenta

Já o Muna, é “outro campeonato”: no que exige de cada um de nós, criadores, intérpretes e técnicos; no que exige do espaço; no que exige do(s) público(s)… ficará seguramente na História do Visões Úteis e, havendo alguma justiça, ficaria noutras Histórias, mais globais.

Muna, ilustração de Júlio Vanzeler

Na minha, como músico e sonoplasta, como inventor e construtor de instrumentos, como performer e como pessoa (e pai) fica certamente. E o esforço de adaptar o espectáculo à sala-estúdio do TNDMII está também a revelar-se digno de antologia, mas é sempre preciso sofrer qualquer coisa pela “Arte”. :)

Dos nossos amigos e conhecidos na capital, espera-se algum apoio: pela presença e por algum apoio na divulgação. Obrigado.

Saudades antecipadas

Domingo, 5 de Outubro, 2008

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colocada no Flickr por joaomartins

Vêm aí dias difíceis: a temporada do Muna, no Teatro Nacional D. Maria II, obriga-me a estar em Lisboa e, pela primeira vez nestes 4 meses, vou estar afastado da Maria por vários dias consecutivos. Ainda não sei bem como será, mas sei que há muitas coisas de que vou sentir saudades no meu quotidiano.

Este Ministério da Cultura não serve a Portugal

Quarta-feira, 10 de Setembro, 2008

Acredito que a republicação deste comunicado, como fizeram a Catarina e o Nuno, se justifica plenamente.

Tomada de posição da PLATEIA, divulgada hoje:

Em Agosto foi aprovado em Conselho de Ministros o Decreto-Lei que cria um novo quadro para o financiamento das Artes pelo Estado (o terceiro em quatro anos). No preâmbulo afirma-se que “Apoiar a criação, a produção e a difusão das artes bem como consolidar, qualificar e dinamizar as redes de equipamentos culturais são objectivos inscritos no programa do XVII Governo Constitucional. Um dos principais instrumentos de realização dessas duas dimensões correlacionadas da política cultural é o financiamento público de actividades e projectos que contribuam, quer para projectar nacional e internacionalmente a criatividade e a capacidade de inovação artísticas, quer para desenvolver a sensibilidade e o pensamento crítico das populações, promovendo a sua qualificação e a coesão social.” E apresentam-se como objectivos estratégicos: “a) Promover o acesso público às artes, contribuindo para a elevação da qualidade de vida, da cidadania e da qualificação das populações; b) Promover a criatividade e a inovação artísticas.”

Estamos em Setembro e a nova legislação ainda não foi publicada. Não foi ainda sequer discutida publicamente a respectiva Portaria, que deverá regulamentar os concursos em que o regime de financiamento assenta. Em Dezembro de 2008 acabam os contratos de financiamento em vigor e nada se sabe sobre o que acontecerá aos profissionais e públicos da arte.

Nos últimos anos o Estado tem respondido aos atrasos com renovações imediatas dos contratos em vigor, acentuando as assimetrias, desvalorizando o cumprimento de objectivos e fechando as portas às novas gerações.

É tempo de pôr cobro a esta situação.

É inaceitável que o financiamento às artes acentue as assimetrias regionais. A região Norte, a mais populosa do país, conta com um financiamento equivalente a 50% da média nacional.

É inaceitável que o Estado não fiscalize o cumprimento dos objectivos de interesse público que determina. Nos últimos quatro anos a única comissão de acompanhamento e fiscalização do Ministério da Cultura que funcionou foi a do Norte. Na Região de Lisboa e Vale do Tejo, que absorve metade do investimento nacional, pura e simplesmente não existiu fiscalização.

É inaceitável que há já quatro anos nenhuma nova estrutura tenha sequer a possibilidade de concorrer a um financiamento sustentado.

Acima de tudo é inaceitável que o Estado mantenha uma situação de facto intolerável, escudando-se no não cumprimento de prazos e objectivos que são da responsabilidade exclusiva do próprio Estado.

É inaceitável que o Estado crie constantemente situações limite e confusas para esconder o seu desinvestimento na Arte, no todo do território nacional e nas novas gerações.

A PLATEIA – Associação de Profissionais das Artes Cénicas exige que o Estado divulgue já a solução pensada para ultrapassar a situação de iminente suspensão da actividade artística em Portugal, e que essa solução seja capaz de corrigir assimetrias regionais, de retirar consequências dos processos de acompanhamento e fiscalização e de dar oportunidades reais às novas gerações.

Aqui a análise da PLATEIA ao novo Decreto-Lei

Aqui a análise e gráficos relativos ao investimento nacional e por região.

Sexta-feira começa o FIMP

Segunda-feira, 8 de Setembro, 2008

FIMP: Festival Internacional de Marionetas do Porto 2008 - 12 a 20 de Setembro

Na próxima sexta-feira, dia 12 de Setembro, começa mais uma edição do FIMP, Festival Internacional de Marionetas do Porto. Além de todas as razões habituais para estarem atentos e aparecerem, este ano, o FIMP tem um hino, de autoria do Hélder Gonçalves (Clã), que será interpretado, no dia da abertura, por duas fanfarras: Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa - FRICS + Fanfarra de S. Bernardo. A colaboração iniciada em Serralves continua desta forma, graças ao generoso convite do FIMP e com o desafio acrescido de assegurarmos um arranjo do hino do festival para a instrumentação particular da Fanfarra. Para quem percebe alguma coisa de teoria musical, mas não tem a organologia em dia, recordo que os clarins tocam apenas o arpejo de Mi bemol maior. ;)

Fazer o arranjo e ensaiá-lo com a Fanfarra de S. Bernardo tem sido, mais uma vez, um processo enriquecedor. E a vontade de continuar a aumentar os desafios é grande.

Para já, na sexta-feira, lá estaremos para encher a Praça com uma “forma mais animada” e tentar seduzir, como flautistas de Hamelin, as gentes do Porto a seguirem-nos até ao Teatro Carlos Alberto, onde o festival arranca com Macbeth, do Teatro de Marionetas do Porto.

O que raio é que se passa com o Público?

Segunda-feira, 25 de Agosto, 2008

Quando me mostraram, não queria acreditar.
O Público, diário generalista dito “de referência”, publicou na edição deste sábado, no caderno P2, um artigo intitulado “Do outro lado da cidade”, assinado pela jornalista Ana Cristina Pereira.

"Do outro lado da cidade", página 1 "Do outro lado da cidade", página 2

Em circunstâncias normais, uma tal visibilidade do “Vou ao Porto“, o projecto do Paulo Pimenta e do Visões Úteis, que resultou dum desafio no contexto de “O Resto do Mundo“, deixar-nos-ia a todos bem contentes, mas, assim,

Sem dizer que as fotografias de que fala, e que mostra, são muito mais do que a ilustração de um artigo. São parte de um projecto artístico muito mais vasto, da autoria do fotógrafo Paulo Pimenta e da companhia de teatro Visões Úteis (que não é sequer referida).
Aquelas 6 imagens fazem parte de uma exposição composta por 21 imagens criadas ao longo de um projecto que nos acompanha há quase dois anos.
Aquele conceito de traçar uma geografia do Porto através de retratos de famílias que habitam zonas marginalizadas da cidade, nasceu do discurso do Visões Úteis sobre a cidade e da cumplicidade com o Paulo Pimenta.

Assim, trata-se apenas e só dum erro muito grave e de mais um sinal da degradação dos órgãos de comunicação social, particularmente, do Público. Espero que quer o Paulo Pimenta (que se encontra na situação particularmente complicada de ter sido “traído” no seu próprio local de trabalho), quer o Visões Úteis façam chegar a sua justa indignação ao director do Jornal e ao Provedor e que estes sejam capazes de agir em conformidade, explicando o que houver a explicar e assumindo e corrigindo os erros.

Por falar nisso, a minha mais recente mensagem ao Provedor não teve qualquer eco.

Muna - Um espectáculo “dupla-face”

Terça-feira, 17 de Junho, 2008

Muna no TEATRO CARLOS ALBERTO, no Porto
uma criação Visões Úteis

de 18 a 29 de Junho

Muna - Versão Infância (M4)
de quarta a quinta, às 10h30 e 15h00 | sexta e sábado, às 15h00

Muna - Versão Adultos (M12)
sexta e sábado, às 21h30 | domingo, às 16h00

“Estás a gostar da brincadeira?”, pergunta a Muna. “Estou a gostar de tudo!”, responde o Muna.

Ilustração de Júlio Vanzeler para o espectáculo No Muna, o espectáculo de “dupla-face” que estreia no dia 18, sou também um Muna e estou a gostar muito da “brincadeira”, mesmo que o trabalho envolvido seja hercúleo (pensavam que estava calado por ter metido férias ou uma licença de paternidade?).

Há canções, uma corneta-mangueira, uma bicicleta-musical, um piano… e há músicas de embalar e de sonhar (sonhos bons, sonhos maus e sonhos esquisitos) que fui criando para Muna e, obviamente, para a Maria.

Eu, que não posso ver nenhum dos espectáculos, porque aceitei ser parte integrante deste universo, aconselho os adultos a verem os dois espectáculos, se puderem. E estou verdadeiramente ansioso pela reacção das crianças, já que a dos adultos tende a ser menos genuína.

Venham. E tragam as vossas crianças… ou as dos outros.

Muna não é uma experiência trivial.