Arquivo da Categoria ‘tecnologia’

Um mapa

Quinta-feira, 25 de Fevereiro, 2010

Por vezes, um mapa é uma boa forma de compreender a verdadeira escala do fenómenos que estudamos.
Cluny, sobre o qual desenvolvemos neste momento um projecto, tem estas marcas espalhadas pelo território europeu:

Ver Sites Clunisiens num mapa

Pordata, serviço público

Terça-feira, 23 de Fevereiro, 2010

Foi hoje lançado o Pordata, um novo portal apoiado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, que “prevê disponibilizar os dados estatísticos em três fases principais: para Portugal (1.ª fase), para Portugal e países da UE 27 (2.ª fase) e para as regiões e municípios portugueses (3.ª fase). O vector comum a toda a informação apresentada é o tempo. Publicada sob a forma de séries cronológicas, a informação incide sobre um longo período, que se inicia, sempre que possível, em 1960 e se prolonga até à actualidade.

Ainda não tive tempo para me debruçar em detalhe, mas é evidente que este será um serviço muitíssimo útil, principalmente, a partir do momento em que algumas pessoas começarem a fazer alguma coisa com os dados, como refere (e bem) o Alex Gamela.

Por curiosidade, fui dar uma espreitadela e deixo aqui um exemplo do tipo de informação que agora é fácil de encontrar, graças ao Pordata:

  • entre 1987 e 2005, as despesas totais em Cultura, realizadas pelas Câmaras Municipais cresceram sempre, de pouco menos de 40 mil euros em 87 até mais de 910 mil euros, em 2005; em menos de 20 anos, multiplicou-se por mais de 20 esta verba
  • depois de 2005 (ano de eleições), esta verba decresceu significativamente; 2005 = 913 mil, 2006 = 802 mil, 2007 = 791 mil e 2008 = 863 mil
  • pegando só no ano de 2008, vemos que neste capítulo das despesas correntes das Câmaras Municipais, o desporto (que tem a fatia de leão) representa 10 vezes mais despesa que as artes cénicas (o parente pobre), numa relação de 183 mil para 18 mil euros

São pedacinhos de informação descontextualizados que não têm qualquer tipo de valor. Postos no contexto certo, talvez permitissem perceber que, a partir de determinada altura, a cultura passou a ser de forma mais clara, um instrumento de promoção das cidades e dos seus poderes, vendo o seu financiamento aumentado, mas dependente de ciclos eleitorais. Ou talvez permitissem ajudar a clarificar a (falta de) estratégia e política cultural a nível local, reflexo dum défice nacional e a estabelecer as bases para uma discussão séria sobre quais as áreas de investimento cultural prioritário. Uma coluna de dados com particular interesse, é a que diz respeito à despesa corrente em recintos culturais (única parcela que fica abaixo das despesas em artes cénicas) e o que isso significa na inexistência de redes de circulação e descentralização da fruição cultural.

Como vêem, um acesso superficial e de poucos minutos aos dados já compilados, mostra bem a utilidade desta plataforma. Com o tempo, e com as ferramentas já disponíveis, temos todas as condições para ficar a conhecer melhor o país e discuti-lo com base em alguma realidade.

Obrigado aos promotores do Pordata, portanto.

Moissac

Sexta-feira, 19 de Fevereiro, 2010

Moissac, vista externa

Há imagens que tenho vontade de pintar, mais do que fotografar.
Alguma edição digital acalma um bocado desse desejo.

Panorâmicas

Quinta-feira, 18 de Fevereiro, 2010

Não sei porquê, mas sempre tive um “fraquinho” por imagens “panorâmicas”. Parece que sou sempre mais atraído por imagens de realidades que não se conseguem captar com um único olhar. Realidades que exigem um movimento associado ao olhar, seja horizontal, na paisagem, seja vertical, em alguma arquitectura. Como esta vista panorâmica do Rempart de La Charité-sur-Loire:

La Charité-sur-Loire, Panorama do Rempart

Esta imagem corresponde à montagem destas 6 fotografias:

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E a ferramenta usada para fazer a operação de “stitching” é open-source, gratuita e multi-plataforma. Chama-se Hugin e, apesar de não ser elementar na utilização, não é preciso ser-se um especialista para criar montagens decentes, com auto-detecção de pontos-chave, várias formas de correcção da perspectiva e projecção e boas capacidades de mistura (blending). A montagem que vêem, aqui, é uma projecção “trans-mercator”, usando auto-detecção dos pontos chave, com o plugin Autopano-SIFT-C (instalação opcional descarregado com o instalador de base em Mac OS, pelo menos) e “blending” normal.
Para utilizadores mais exigentes, o Hugin lê informação EXIF sobre as lentes e o posicionamento e permite introdução manual de dados relativos a cada imagem (posição, rotação, lente, etc.), afinação manual de pontos-chave, criação de imagens HDR, assim como exportação em diversos formatos de imagem e até pode ser usado para apoiar exercícios de levantamento e modelação em arquitectura (ver aqui).

Confesso que no caso desta imagem, depois de criada a montagem panorâmica, passei pelo GIMP para ligeiros ajustes de cor, porque os originais estavam um bocado desmaiados. Clicando nas imagens (panorâmica e fotos originais), podem ver em maiores dimensões, no Flickr. Que tal vos parece a performance do Hugin? Que conselhos ou sugestões me dariam para melhorar este tipo de imagens? Precisam de alguma ajuda para se iniciarem neste processo de criar panorâmicas? A caixa de comentários está aberta para isso mesmo. ;)

Começa hoje

Quarta-feira, 3 de Fevereiro, 2010

Partimos do Porto daqui a umas horas. Aterramos em Lyon e seguimos um percurso por lugares de Cluny como Nevers, Souvigny, Carennac e Moissac; em Marselha apanhamos o avião de regresso ao Porto.

É o princípio dum projecto audacioso de Arte na Paisagem, do Visões Úteis, que é muito mais que isso. Ou pode ser.

Uma semana de viagem pelos “lugares de Cluny”. Vamos.

Mais informações no último número da newsletter do Visões.

Mudar de vida

Sábado, 30 de Janeiro, 2010

É frequente pensar na necessidade de mudar de vida. Nas pequenas rotinas e nas direcções globais. Mas é raro sentir que estou de facto a mudar de vida e hoje senti isso em coisas verdadeiramente elementares e simbólicas. Tive duas boas conversa sobre uma (aparentemente) “nova” forma de promover a criação e o contacto entre criadores, assente na transposição de alguns princípios do movimento Open Source para os processos de criação e debate crítico e participei na instalação de dois sistemas operativos Linux (um Debian e um Xubuntu) em dois iMac G3 (PowerPC) que fazem parte dum parque de máquinas obsoletas que poderão vir, desta forma, a integrar um laboratório de formação e criação. Ao fim do dia, assinei o The Public Domain Manifesto e o dia pareceu alinhar-se perfeitamente.

Mais notícias em breve.

Ser solitário no blog ou a andar entre a gente, no Twitter?

Sábado, 23 de Janeiro, 2010

Não existem relações reais online. Por isso, obviamente, lhes chamamos virtuais. Estamos por isso todos muito sozinho, por aqui, cada um atrás do seu teclado e monitor, vertendo banalidades ou profundas reflexões, comentando o quotidiano ou relatando ficções— que podem ou não ser absolutamente verdade, dependendo da relação que mantemos com o Boris Vian—, mas acima de tudo, numa batalha quixotesca contra a ideia de estar sozinho, sem nunca quebrar de facto a barreira (virtual) que nos separa uns dos outros. Por isso— estou eu agora a pensar— escrevemos mais do que lemos, republicamo-nos uns aos outros, comentamos sem contracenar, conversamos, desconversando. Sempre isolados, modelando a imagem dessa solidão de acordo com expectativas do que gostávamos que a nossa vida real fosse, uns com imensos amigos e em todos os “lugares”, outros protegidos em “clubes privados” ou fechados nas suas “casas”.

Acima de tudo, pelo menos uma parte de nós faz de conta que esta coisa de escrever e publicar coisas que outras pessoas podem ler é qualquer coisa de parecido com participar na vida pública das nossas sociedades e uma parte de nós acredita que o que escreve é relevante e deve ser lido, enquanto outros, que se levam ainda mais a sério, quiçá, fazem de conta que não dão importância nenhuma ao facto de serem ou não lidos, acompanhados ou comentados.

Entretanto, a vida lá fora, a real, prossegue a uma velocidade que nos parece crescer sempre mais e mais, mas que provavelmente é constante, crescendo apenas a nossa voracidade do relato e comentário em “tempo real”, para acompanhar as “ferramentas” que são inventadas com as necessidades que se propõem suprir, um mecanismo antigo da sociedade de consumo.

Depois desta breve pausa, dedicada à Ágata, seguiremos dentro de momentos, por aqui, com esta vida plastificada e acelerada, felizmente, apenas virtual.

[divulgação] Oficina “Design para uma Redacção Livre”, no JUP

Quarta-feira, 20 de Janeiro, 2010

O Hacklaviva organiza no JUP uma oficina dedicada às ferramentas informáticas (FLOSS) necessárias para construir uma “redacção livre”, projecto em curso no JUP. É no próximo sábado, dia 23 de Janeiro, numa tarde cheia de actividades à volta do info-activismo (e que coincide com inaugurações nas galerias da Rua Miguel Bombarda), cujo programa completo pode ser consultado aqui.

Mas, do programa, destaco, por me interessar particularmente, esta Oficina de Design para uma Redacção Livre.

23 jan 2010 | 14h30 - 17h30
Oficina de Design para uma Redacção Livre

Uma redacção a funcionar apenas com software livre? É o objectivo de uma colaboração entre o JUP e o Hacklaviva. Nesta oficina, vamos falar sobre o que é o software livre e as suas implicações na prática criativa, associativa e editorial. Depois veremos como hoje é possível tratar fotografia, criar gráficos e tipografia, paginar, editar áudio e montar vídeo com ferramentas livres. Traz o teu portátil e vem passar uma tarde connosco a descobrir novas formas de fazer o teu trabalho.

A informação chegou-me por via do Ricardo Lafuente, que é uma das pessoas que vai orientar esta oficina. As ferramentas-base da oficina serão:

  • Imagem: GIMP, Scribus e Inkscape (3 que fazem parte do meu workflow actual)
  • Áudio: Audacity (ferramenta muito útil)
  • Vídeo: Kaltura, OpenShot e (talvez) PiTiVi (esta é a área que é toda nova para mim e tenho que verificar se se conseguem instalar algumas destas ferramentas num Mac)

Segundo o Ricardo, “a ideia é mais um overview do que tutoriais; podemos tocar em partes específicas de acordo com as vontades colectivas, mas seria mais uma cena de esclarecimento, já que boa parte do pessoal que vai aparecer não tem noção do que existe no mundo do FLOSS…

Fusível

Quarta-feira, 13 de Janeiro, 2010

Hoje passei 2 horas à espera, às escuras, que um piquete da EDP viesse trazer de volta ao presente a nossa casa. Fiquei a saber que a instalação eléctrica da casa, quadro incluído, que foi renovada recentemente e sofreu uma alteração na potência contratada para 30 amperes, está muito bem e que o fusível principal até tem uma margem que permite chegar aos 40 amperes antes do corte.

Em eletrônica e em engenharia elétrica fusível é um dispositivo de proteção contra sobrecorrente em circuitos. Consiste de um filamento ou lâmina de um metal ou liga metálica de baixo ponto de fusão que se intercala em um ponto determinado de uma instalação elétrica para que se funda, por efeito Joule, quando a intensidade de corrente elétrica superar, devido a um curto-circuito ou sobrecarga, um determinado valor que poderia danificar a integridade dos condutores com o risco de incêndio ou destruição de outros elementos do circuito.

Fusíveis e outros dispositivos de proteção contra sobrecorrente são uma parte essencial de um sistema de distribuição de energia para prevenir incêndios ou danos a outros elementos do circuito.

Fusível, Wikipedia

No “nosso” quadro, com contador bi-horário, maravilha da técnica, com led a piscar e um mostrador em ciclo constante com mais informação do que consigo compreender, está tudo em grande forma e a tal margem sobre a potência contratada é normal, mas, de facto, não é sempre a mesma. “Varia, que eles não podem andar a verificar um a um“, que é uma coisa que não se gosta muito de ouvir dizer a um técnico da EDP. Menos mal: em casa, tudo em ordem.

À porta, no átrio do prédio, uma caixinha misteriosa, esconde a razão do nosso “blackout” particular: uma caixa de ligações e fusíveis, que regula a ligação de cada apartamento. “É uma instalação antiga” e os fusíveis são umas tranças de filamentos a ligar dois pinos duma espécie de grande ficha eléctrica. Os 5 filamentos que constituíam o fusível da nossa ligação não aguentavam a margem acima dos 30 amperes que o “nosso” fusível aguenta e, assim, puf!

O técnico, diligente, fez novo fusível. Sim, fez, com as mãozinhas, uma trancinha de 5 filamentos a partir dum cabo que descarnou— numa cena que me fez recordar antigas montagens de peças de teatro em que se faziam os cabos que faltavam, à medida— e passou a trancinha à volta dos pinos, recolocou a tal ficha e fez-se luz. Pediu-me para ligar tudo e, a frágil trança voltou a desfazer-se. “Vamos ter que medir, então“. Nova trança, desta feita com 6 filamentos, fiquei a saber depois, e “ligue tudo menos as duas últimas coisas“, enquanto um aparelho avançado se ligava às entranhas do nosso quadro. “25 amperes, está a ver? Ligue o resto“. Mais dois aparelhos e “30, 35, 40…“, mas antes da trança, desta vez, ouvimos o clique do quadro. “Está a ver? A sua instalação está óptima. Lá fora, não podemos fazer melhor. É uma instalação antiga“. Do pouco que percebo de física, percebi que a nova trança de 6 filamentos tem mais resistência que a anterior e, assim, aguenta a margem de manobra que o nosso quadro nos dá a nós, face à potência contratada. Mas sei também que não é nada de tecnicamente rigoroso ou garantido que essa resistência da trancinha feita à mão se mantenha acima da do fusível industrial que temos no quadro e, por isso, “têm que gerir as coisas que ligam“. Pois… mas era mais confortável saber que, em caso de distração ou acidente, o nosso quadro nos protegesse, antes de se comprometer a “trancinha” a que não temos acesso. Mas as instalações antigas é assim.

Portugal parece que é isto, também.

[Tema] Será que (toda) a Música pode (sobre)viver sem as Editoras?

Terça-feira, 5 de Janeiro, 2010

Proponho-me escrever um artigo aprofundado sobre esta questão, aqui no blog. O objectivo é contribuir para um debate que me parece essencial e para o qual me parecem faltar, sistematicamente, visões mais abrangentes do que é o fenómeno musical.

Interessa-me tentar fazer um bocadinho de “história” da indústria fonográfica e compreender quais os seus aspectos mais positivos e negativos. Sim, ouviram bem, vou-me debruçar também sobre aspectos positivos da indústria fonográfica. Contribuições para aquilo que é hoje o fenómeno musical que é frequente ignorar, quando o discurso contra as “majors” e o papel destrutivo que elas vão tendo no panorama musical global por causa das suas atitudes reaccionárias e, muitas vezes, desesperadas, na defesa dum modelo de negócio claramente ultrapassado.

Para fazer uma reflexão mais profunda, deixo aqui um convite à participação de todos nesta reflexão, através de comentários aqui no blog ou no Facebook, ou via Friendfeed, Twitter ou o que estiver mais à mão.

O artigo sairá algures no fim desta semana.

A questão é:

Será que (toda) a Música pode (sobre)viver sem as Editoras?

E quando aqui falo de “editoras” estou a pensar nas estruturas pesadas, não nas pequenas independentes. Estou a pensar nos “papões” que, apesar de tudo, continuam (ou não?) a ser as únicas estruturas com acesso a meios técnicos, logísticos e financeiros, sem os quais muita música me parece impossível de gravar e/ou editar. Estou a pensar nos “papões” ao longo da história e estou a considerar a hipótese de ser a eles que se deve, em grande parte, uma revolução nos meios de produção musical (técnica), que teve um extraordinário impacto em opções estéticas e no surgimento de correntes inteiras de sub-géneros musicais, e cujo investimento no desenvolvimento de meios permitiu a massificação da produção musical e a acessibilidade de meios (muito a partir das pequenas revoluções “digitais”) que conduziu à massificação actual. Paradoxalmente, é nos campos que, neste contexto, mais devem, historicamente, à indústria fonográfica e onde as tradicionais tarefas de técnica e produção musical foram elevadas à condição de prática criativa, instrumental, autoral e performativa que encontramos alguns dos mais convictos ataques à indústria, por ser também aí (estou a pensar em inúmeras variantes das músicas ditas electrónicas) que a acessibilidade dos meios e a autonomia individual permite uma visão quase unipessoal do fenómeno musical: o mesmo indivíduo, muitas vezes a partir duma única máquina, compõe, interpreta, grava, mistura, edita, produz e publica o seu trabalho. Aparte a aparente “injustiça histórica”, impõe-se pensar no fenómeno musical como um todo e perguntar: e as músicas que dependem de grandes colectivos de pessoas? As músicas dos músicos que não são (felizmente) técnicos gravadores, produtores e publicadores do seu trabalho? Como se garante a sua continuidade?

Fico à espera dos vossos contributos.