Escapatórias

Pelo pouco que fui acompanhando, parece-me que havia muita gente convencida que desta vez é que íamos ser campeões europeus de futebol. Parece que não, afinal.

Ficam algumas questões no ar, para entreter os próximos dias e fornecer escapatórias, para quem precisar:

  • Terá sido culpa do árbitro sueco que não marcou a falta do Ballack sobre o Paulo Ferreira, no 3º golo alemão?
  • Terá sido culpa do Ricardo que continua “aos papéis” em lances de bola parada e deixou que os alemães repetissem uma jogada ensaiada para o 2º e 3º golos?
  • Terá sido culpa do Scolari que anunciou a sua transferência para o Chelsea durante o campeonato, contribuindo para a desestabilização do plantel?
  • Terá sido culpa do João Moutinho que não soube escolher entre a cabeça e o joelho
    quando o Bosingwa lhe entregou o golo?
  • Terá sido culpa do Pepe que cabeceou para fora quando o Deco lhe meteu um canto mesmo a jeito?

Ou terá sido simplesmente a eficácia germânica e a simplicidade absoluta do futebol que consiste em marcar golos e evitar que o adversário marque, por mais “rodriguinhos” que os nossos meninos façam?

Temos escapatórias para várias semanas de rescaldo do europeu mas fico com uma dúvida: os ecrãs gigantes montados um pouco por todo o país mantêm-se, independentemente da nossa participação? Podem baixar um bocadinho o volume, pelo menos?

Os Contemporâneos

Tive pena de não conseguir ver o episódio de estreia de Os Contemporâneos na totalidade e sem interrupções. Estive, alegremente, a esterilizar biberões e chupetas, em jeito de preparação para o que aí vem.

Dos bocados que vi, fiquei com boa impressão e a expectativa naturalmente criada pela equipa apresentada nos anúncios parece cumprir-se. Pode mesmo ser muito bom, por isso, é bom saber que os episódios vão estar disponíveis no site da RTP “via” YouTube.

O meu sketch “preferido”, sem ter visto o episódio todo, é o das palavras do Papa:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=j3aLc5NayHw[/youtube]

Gosto particularmente da referência a “alguns participantes no forum da TSF”. :)

Quem nos educa?

Os debates sobre a educação em Portugal são os únicos verdadeiramente fundamentais porque só ganhando essa aposta podemos sequer pensar em ter um futuro.

Mas assistir a debates destes torna-se quase doloroso, frequentemente, porque passamos o tempo todo à espera de um sinal de esperança, de rumo e de alguma estabilidade. Hoje, no Prós e Contras, houve muitos sinais contraditórios, alguma agitação pueril, sinais claros (para mim) da crescente diluição das estruturas sindicais enquanto interlocutores sérios e construtivos em algumas das questões fundamentais (o que é um sinal complicado para a democracia) e a consolidação duma sensação de grande “viscosidade” de todo o habitat educativo.

A Ministra insiste em identificar “equívocos” na base de todas as diferenças de opinião— o que é muito irritante e diz muito acerca da capacidade comunicativa do Ministério— os sindicatos especializaram-se, aparentemente, no combate administrativo e judicial, de tal forma que não chegam a formular convicções, muitos professores fazem questão em dar razão à Ministra, anunciando despudoradamente visões enviesadas das políticas e dos seus instrumentos… no meio de tudo isto, a tentação maniqueísta de Fátima Campos Ferreira (que parece gostar bastante de dedos apontados e pouco de diagnósticos complexos), não ajuda a navegar e filtrar o que pode ser inércia de classe, o que pode ser legítima desconfiança, o que pode ser violência e desadequação das medidas propostas, o que podem ser caminhos alternativos.

Pergunto-me se as participações do meu pai, Arsélio de Almeida Martins, poderão ter ajudado a fracturar alguma da “crosta” acumulada em cima destas questões, que nos impedem de as ver pelo que elas são, de tão saturados estamos de contra-informação das mais variadas fontes. Espero que sim. Mas não tenho grandes ilusões: as visões lúcidas, não simplistas, responsáveis e comprometidas que lhe são características não são de digestão televisiva fácil. Além do mais, estes são assuntos sobre os quais quase toda a gente se sente à vontade para emitir opinião e sobre os quais demasiadas pessoas têm opiniões formadas a priori, que não têm nenhuma relação com a realidade.

Mas se tiver estado gente atenta nesta noite de segunda-feira (que raio de horário para este programa, meus senhores!), pode ser que se tenha dado mais um passo para, pelo menos, aproximar a questão a mais portugueses.

Depois, logo se vê.

Depois do Adeus, cheias em Lisboa

Para acabar de vez com a ideia de que a discussão acerca dos riscos e sua prevenção é apenas uma manobra comercial, eis que, depois da estreia do Depois do Adeus — o novo programa da Maria Elisa na RTP, em que se discutiu ordenamento do território e prevenção de riscos, entre outras coisas, a propósito das cheias de 1967—, vieram cheias a sério em Lisboa.

Quem é que dizia que “não há coincidências”?

Mãmã, estou na TV!

F.R.I.C.S. na reportagem sobre as manifestações do fim de semana do movimento Porta 65 Fechada

A participação da Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa – F.R.I.C.S. nos protestos organizados pelo Movimento Porta 65 Fechada “animou” a reportagem do Jornal da Tarde.

[adenda] entretanto chegou ao Youtube:

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=4CbgEBuUDc8[/youtube]

Medicina Preventiva

Começo a achar que o tradicional Natal dos Hospitais e todas as iniciativas similares são, de facto, uma mega-operação de medicina preventiva: eu, pelo menos, farei de tudo para não ser apanhado num hospital ou em qualquer unidade de cuidados de saúde por esta altura. Até ter cuidados de saúde extra. Que pesadelo!

Mas não será um bocado desumano torturar desta maneira pessoas que já estão doentes? E, ainda por cima, acho que a maior parte dos acamados nem sequer pode tentar fugir.

Ou serão todos figurantes?

Photoshop CSI

Como qualquer ser normal, exposto à influência da televisão, conheço vários sabores da série CSI e, como qualquer pessoa com dois dedos de testa, reconheço a qualidade superior do original de Las Vegas, mas vou acompanhando, como posso, os vários desenvolvimentos das diversas versões. De entre a miríade de séries que exploram a nossa fraqueza voyeurística e o nosso frágil interesse pelos mistérios da ciência forense, a série protagonizada por Gil Grissom, com muito mais “espessura” e “realismo” na frequência de simples acidentes, por oposição directa aos contos morais de Horatio Caine, entretém-me mais. Mas há um ponto em comum a todas estas variações e a muito mais fenómenos televisivos: a tecnologia “espectacular” e verdadeiramente “automágica” que parece estar ao dispôr dos cientistas forenses norte-americanos. Em muitas áreas, a dimensão do “espanto” escapa-me, mas no que diz respeito a operações que executo quase diariamente, como edição de imagem e áudio, as capacidades das ferramentas destes heróis deixam-me verde de inveja.

Imagens CSI

Quando perco horas a tentar salvar uma má fotografia ou a explicar a alguém porque é que uma fotografia dum telemóvel não se consegue imprimir com qualidade num outdoor, dou por mim a desejar que não falte muito tempo para o lançamento do Photoshop CSI.