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Ser solitário no blog ou a andar entre a gente, no Twitter?

Sábado, 23 de Janeiro, 2010

Não existem relações reais online. Por isso, obviamente, lhes chamamos virtuais. Estamos por isso todos muito sozinho, por aqui, cada um atrás do seu teclado e monitor, vertendo banalidades ou profundas reflexões, comentando o quotidiano ou relatando ficções— que podem ou não ser absolutamente verdade, dependendo da relação que mantemos com o Boris Vian—, mas acima de tudo, numa batalha quixotesca contra a ideia de estar sozinho, sem nunca quebrar de facto a barreira (virtual) que nos separa uns dos outros. Por isso— estou eu agora a pensar— escrevemos mais do que lemos, republicamo-nos uns aos outros, comentamos sem contracenar, conversamos, desconversando. Sempre isolados, modelando a imagem dessa solidão de acordo com expectativas do que gostávamos que a nossa vida real fosse, uns com imensos amigos e em todos os “lugares”, outros protegidos em “clubes privados” ou fechados nas suas “casas”.

Acima de tudo, pelo menos uma parte de nós faz de conta que esta coisa de escrever e publicar coisas que outras pessoas podem ler é qualquer coisa de parecido com participar na vida pública das nossas sociedades e uma parte de nós acredita que o que escreve é relevante e deve ser lido, enquanto outros, que se levam ainda mais a sério, quiçá, fazem de conta que não dão importância nenhuma ao facto de serem ou não lidos, acompanhados ou comentados.

Entretanto, a vida lá fora, a real, prossegue a uma velocidade que nos parece crescer sempre mais e mais, mas que provavelmente é constante, crescendo apenas a nossa voracidade do relato e comentário em “tempo real”, para acompanhar as “ferramentas” que são inventadas com as necessidades que se propõem suprir, um mecanismo antigo da sociedade de consumo.

Depois desta breve pausa, dedicada à Ágata, seguiremos dentro de momentos, por aqui, com esta vida plastificada e acelerada, felizmente, apenas virtual.

2009 em números, um balanço deste blog

Domingo, 3 de Janeiro, 2010

Segundo o Google Analytics, em 2009, este blog teve 44.172 visitas (-20,35% que 2008) e foram vistas 56.417 páginas (-22,37% do que 2008). Foram identificados 38.578 visitantes exclusivos absolutos (-17,05% que 2008), o Google continua a ser o maior gerador de tráfego (75,95% das visitas) e o nome do blog, “diário de bordo”, continua a ser a expressão que mais visitantes traz, via mecanismos de pesquisa, mas não excede os 4% de visitas e a miríade de termos pesquisados por quem cá chegou não permite identificar tendências ou traçar um perfil de quem lê. Nem eu estaria muito interessado nisso. Só através dos comentários (que são raríssimos) é que poderia realmente interagir com os “leitores” e deixar-me influenciar (ou não) pelas suas opiniões.

A quantidade de dados estatísticos que um serviço como o Google Analytics nos oferece é tal que a sua utilidade depende exclusivamente dos nossos objectivos e da nossa capacidade de os seleccionar, analisar e interpretar. O facto do Internet Explorer ser o browser mais usado nas visitas (+ de 60%) e do Windows ser o Sistema Operativo mais comum entre os leitores (quase 90%) mostra-me que, ao contrário do que se passava há uns anos, quando este era um espaço muito “pessoal”, os meus leitores são uma eventual amostra da “maioria” dos internautas portugueses, distorcida como todas as amostras, mas cada vez menos.

O decréscimo de visitas reflecte, creio eu, considerando a tendência acentuada nos últimos meses do ano e observando o crescimento significativo e sustentado de subscritores do feed, uma maior interacção com os mesmos conteúdos por parte dum número crescente de leitores-utilizadores noutras plataformas (FriendFeed, Facebook, Twitter, etc).

Seja como for, os números indicam que, em média, diariamente, qualquer coisa como 105 visitantes, que realizaram cerca de 121 visitas, visualizaram cerca de 154 páginas do blog. Eu, excluindo anomalias (como esta ou esta), quase não dou pela presença de ninguém. E, por mim, as coisas podem manter-se assim, do ponto de vista da “manifestação” dos leitores, se bem que também não me importo de receber críticas, sugestões e comentários ocasionais. Mas além de repensar a secção de podcast do blog, farei, para me impôr alguma disciplina de escrita, algumas alterações que, se tudo correr bem, serão óbvias. ;)

E, nesse sentido, passo a aceitar sugestão de temas para artigos mais aprofundados.

Está ligado?

Sexta-feira, 14 de Agosto, 2009

Os dados recentes sobre a utilização da internet em Portugal, no contexto dum quadro comparativo da Europa a 27, ilustram um país fracturado, cronicamente atrasado, bem distante da imagem que muitas vezes tentamos ter de nós próprios. O relatório da Comissão Europeia, que pode ser visto na íntegra aqui, coloca-nos na linha da frente em áreas como o eGovernment, eBusiness e eCommerce para Empresas, facto amplamente divulgado e destacado pelas vozes oficiais, mas demonstra também que a percentagem de portugueses que, de facto, está “ligada” é muitíssimo baixa. A justificação “oficial” faz sentido:

Este relatório aponta níveis baixos de utilização regular da Internet pela população (Portugal=38%, UE=56%) que, como sabemos, estão relacionados com a muito baixa percentagem da população adulta que tem educação secundária em Portugal (a mais baixa dos 27 países da UE), sendo que a posição de Portugal no que toca a utilização da Internet por pessoas com educação secundária e não superior (87%) e com educação superior (91%) é das melhores na UE, acima das médias da UE (respectivamente, 67% e 89%), e o mesmo acontece para a utilização da Internet por estudantes (Portugal=97%, UE=94%), muito acima do que seria de esperar pelas características socio-económicas do país.

Mas é muitíssimo deprimente. E ilustra, por si só, a fractura virtualmente inultrapassável que impede o país de progredir: um défice gritante de formação a que, aparentemente, nos rendemos. Esta justificação para um 22º lugar (entre 27) no ranking de utilizadores regulares de internet, ainda que honesta e rigorosa, não pode deixar de nos arrepiar: “a mais baixa (percentagem da população adulta com educação secundária) dos 27 países da UE”.

E estes dados devem-nos fazer pensar a todos em formas de inverter esta situação pela simples razão de que a literacia digital é um factor objectivo de exclusão social. Paradoxalmente agravada pela adopção de medidas que visam facilitar a prestação de serviços públicos por esta via. É, de facto, uma história de “ovos e galinhas”, mas é por demais evidente que nenhuma estratégia será bem sucedida se decidir aproveitar destes dados os indicadores positivos e esquecer os negativos, com a desculpa fácil de que temos muitos “analfabetos funcionais e info-excluídos”. A concentração de esforços na inversão desta tendência deve, por imperativos sociais e democráticos, sobrepôr-se ao investimento na adopção de soluções tecnológicas que servem minorias. Não se trata dum clássico “enquanto houver um analfabeto funcional no país não devemos gastar um tostão em projectos de eGov”, mas de procurar compreender quais as medidas que facilitam o acesso, de facto e quais aquelas que têm sido ineficazes.

Fazer perguntas simples e procurar responder com rigor:

  • como se demonstra e explica a utilidade das novas tecnologias a populações “info-deprimidas”?
  • como se constróem e conquistam espaços de cidadania onde as novas tecnologias desempenham um papel útil e, assim, consolidam o seu espaço?
  • como se utiliza a escola para promover a adopção das novas tecnologias para lá dos seus limites físicos?
  • como se consolida o espaço virtual como espaço de comunicação e participação cívica?
  • como se desenvolve o potencial económico do espaço virtual nacional?

A muitas destas perguntas os especialistas e os homens da propaganda responderão com siglas e nomes de programa já executados e em curso que se orientam, teoricamente, em função destes objectivos. Mas, se olharmos para os dados dos últimos quadros deste relatório, percebemos que talvez alguns desses programas tenham bases pouco sólidas: na percentagem de pessoas empregadas com competências de utilizador de TICs, estamos em 26º, apenas à frente da Roménia, e na percentagem de pessoas empregadas com competências de especialista em TICs, estamos em 21º. Significa isso que uma parte significativa dos esforços desenvolvidos no terreno, junto de empresas e organizações, são realizados no vazio, sem interlocutores válidos para a implementação de medidas nestas áreas. Parece por isso mais relevante, ainda, reforçar a ideia do investimento na formação em TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação) como competência cívica elementar: a conquista de novos utilizadores pela via da participação cívica, como indivíduos será mais eficaz do que a sua instrumentalização no local de trabalho, onde as pressões laborais podem ter um efeito adverso. Para a conquista destes novos utilizadores-cidadãos, precisamos, como de pão para a boca, de níveis absolutamente diversos de conteúdos, o eterno calcanhar de Aquiles da internet “portuguesa”. Produzimos poucos conteúdos e de fraca qualidade; nas Universidades, por exemplo, faltam projectos de disponibilização aberta dos poucos conteúdos de qualidade que temos e abundam projectos fechados, nos quais se adivinham, ora grande tesouros, ora “porcas misérias”. As pesquisas em português devolvem sistematicamente resultados produzidos no Brasil, nem sempre com qualidade, mas sem que nunca se perceba a inexistência de equivalente ou alternativas portuguesas. Ou devolvem conteúdos irrelevantes. E, para quem dominar a língua inglesa, mais frustrante será saber que, muitas vezes, há conteúdos de qualidade a serem criados cá, mas na chamada “língua franca”, para aumentar a visibilidade, mas com o efeito perverso de diminuir a acessibilidade aqui.

Na escola, a iniciativa e-escola é bem exemplo do que não se devia fazer, na minha opinião: ao privilegiar e financiar a aquisição privada de computadores e a contratação de serviços de ligação à internet, o estado dinamiza o comércio de serviços e produtos, e esquiva-se ao papel fundamental de assegurar as infra-estruturas humanas, mais que técnicas, que poderiam fazer funcionar comunidades educativas em rede. O dinheiro vertido no comércio de laptops, seria mais útil na formação continuada de professores, na manutenção de redes informáticas adequadas (leia-se com técnicos responsáveis), na criação e difusão de conteúdos em rede, na abertura das infra-estruturas técnicas das escolas às comunidades que ali poderiam (re)construir os seus centros cívicos. Menos computadores, mais bem usados, prioridade a soluções abertas, livres e gratuitas, combate ao desperdício que consiste a aquisição de tantos laptops, cuja obsolescência se confirma em poucos anos… estes factores de rigor na gestão dos recursos permitiriam “fazer mais com menos” e, ao concentrar os recursos técnicos e humanos em torno das escolas, poderíamos assistir a um curiosos fenómeno: as pessoas aproximavam-se umas das outras fisicamente, para descobrir as vantagens de generalizarem essa aproximação no mundo virtual. Compreendia-se de forma mais profunda o significado e a importância das relações (dos vários tipos de relações) no contexto dum mundo tendencialmente virtual. Perceber-se-ia, talvez, que, num mundo de informação e comunicação, passar demasiado tempo a olhar e polir os nossos umbigos é disparatado: há imensa gente e imensos umbigos mais interessantes que o nosso com que nos podemos relacionar.

E, entre olhar para o próprio umbigo e passar a olhar o umbigo do outro, dá-se uma tão grande mudança de postura que talvez possamos ver a linha do horizonte.

Pérolas desportivas do dia

Quarta-feira, 12 de Agosto, 2009

Via Twitter, deparei-me com duas pérolas desportivas que mostram bem o estado dos media desportivos em particular, mas creio que não seria injusto generalizar para os media em geral:

  1. A Lusa chamou “tretacampeão” ao FCP (ver aqui) e o Público e o JN reproduzem, sem revisão. Uma gralha com graça.
  2. O blog Força nas Canetas encontrou uma forma engraçada de usar uma campanha de marketing do site do SLB e o JN, em vez de perceber a simplicidade da graçola e por, claramente, faltar na redacção o tipo que sabe navegar num site e olhar para uma barra de endereços com olhos de ver, fala de “piratas informáticos”. Se também quiser ser um pirata informático é fácil: vá até http://www.slbenfica.pt/Informacao/Futebol/Noticias/CompraRedPass.asp?Adepto=PirataInformatico (pode escrever, em vez de “PirataInformatico” a seguir a “Adepto=” qualquer nome que lhe interesse ver no plantel).

Como não acompanho a imprensa desportiva, não sei com que frequência estas coisas acontecem. A reprodução constante de gralhas e a falta de revisão dos textos é um problema endémico e só chateia que, mesmo depois de ter sido revelada a gralha, considerando que o meio online é facilmente actualizável, ninguém se pareça importar.

Notícia do JN sobre "possível ataque informático" ao site do SLB

Mas no segundo caso, a falha parece-me mais grave e reveladora duma enorme falta de formação, mais do que simples ingenuidade. Falar de “possível ataque informático” neste caso é, simplesmente, ser preguiçoso, pouco sério, nabo… para poupar em adjectivos mais fortes.

Twitter, Facebook e Friendfeed… cuidado com a onda

Sábado, 8 de Agosto, 2009

Quem acompanha este blog terá notado um decréscimo significativo de actividade, inversamente proporcional ao tempo que tenho dedicado à comunicação online. Curioso. A verdade é que, depois de aderir ao Twitter e de sincronizar a partir dali o meu estado no Facebook, comecei a usar com alguma intensidade estas plataformas, porque se ajustam ao meu (pior) comportamento obsessivo-compulsivo, com intervenções curtas, e respostas rápidas. Percebi, de novo, que uma das coisas mais interessantes (e mais perigosas, como distracção) da vida social online é, como na vida real, um nível elevado de interacção. Pergunta, resposta, comenta, faz um aparte, manda uma boca, partilha um link ou uma imagem… tudo isso é fácil, imediato e “real” no Twitter, que tem como principal desvantagem a superficialidade inerente às rajadas de 140 caracteres, a confusão do meio, onde se torna difícil perceber quem disse o quê e a que propósito e um potencial de vício que se torna fundamental combater. O Facebook ajuda a organizar algumas coisas e tem sido um ponto de contacto interessante e até inesperado com muitas amizades reais, mas foi com o Friendfeed, a que aderi, entretanto, que descobri que posso combater parte destas desvantagens, por não ter os mesmo limites de caracteres e, acima de tudo, por poder cruzar conteúdos de várias fontes e republicar nos contextos relevantes.

Com estas novas ferramentas e hábitos, não tenho ainda a certeza de qual pode ser o papel do blog, mas é evidente que muitas coisas que, em tempos, “mereciam” um artigo, agora são mais eficazes, seja na divulgação, seja na recolha de feedback, se forem difundidas como um simples tweet, ou partilhadas via Friendfeed.

Teoricamente já sabia que assim era: li os artigos dos “especialistas” em social media que estão na berra, consultei os sites das plataformas e testei timidamente alguns serviços. Mas mantive-me à distância, acima de tudo, por precaução: sei que este é um terreno em que facilmente posso deixar de distinguir entre o uso razoável, o uso distraído e o uso obssessivo, até porque sou hábil na racionalização dos meus vícios e das minhas distracções. Sempre fui.

Este é, por isso, aquele ponto em que me reconheço no topo da crista da onda que não me pode engolir. Primeiro passo está dado.

“If you were a sound, what sound would you be?”

Sexta-feira, 17 de Julho, 2009

As redes sociais estão cheias de porcaria e distrações. Mas têm pérolas, ocasionalmente.

Hoje, no Facebook, a Pauline Oliveros perguntou, “If you were a sound, what sound would you be?“. A pergunta é simples, mas genial, especialmente, tendo em conta quem pergunta— compositora e investigadora na área da música e da percepção, responsável por conceitos como Deep Listening e Sonic Awareness— e, por isso, o público potencial. A sequência de respostas é belíssima e é, em si mesmo, uma experiência “sónica”, se usarmos a imaginação. Contribuem músicos notáveis (a primeira resposta é do compositor/criador belga Godfried-Willem Raes, por exemplo) e utilizadores comuns, como eu.

Sem poder criar um link para esta sequência na fonte original (falha do Facebook), deixo aqui uma amostra dessa torrente de sons:

Pauline Oliveros: If you were a sound what sound would you be?

  • Godfried-Willem Raes the sound of a failing robot probably…
  • David Kresge open E chord w/ analog delay, decaying to infinity / noise.
  • Dave Madden (Simultaneous) 1) wet thumb across a 24″ bass drum head 2) metal knitting needle scraped across 20″ ride cymbal.
  • Luk Vaes unintentional
  • Dan Cohoon a screw driver twirling against electric guitar strings with about 3 kinds of delay on it.
  • Eduardo Melendez shhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
    hhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
  • Alexandros Georgiadis an electronic combination of textures!
  • Tony Gerber The constant sound of the wind blowing through pine trees. It would sooth me for evermore…
  • Dave Seidel A 60-cycle hum.
  • Baird Hersey “If I was a sound?” We all already are!
  • Peter Castine Black noise. Or an extended performance of 4′33″. Very extended;-)
  • Franky Fockers silence
  • Jentry Hood A waterfall, or windchime
  • Jim Jandt 3 squealing piglets being chased by 3 laughing boys on bicycles with playing cards pinned to their wheel spokes and 3 giggling girls on bicycles ringing their bells
  • Deborah Slater laughter
  • Roman Stolyar The sound produced by fingernail gliding along lowest string of Bosendorfer grand piano
  • Jim Jandt or…the sound of a tumbleweed rolling across a prairie(not too loud, really, but non-zero finite) ;)
  • Gwen Deely loud heartbeats!
  • Jesse Kanner the dull rush and thumpity thump you hear when the subway travels beneath your feet here in NYC.
  • Cynthia Bonnet the breeze
  • Tom Roe radio static
  • Carol Worthey Long ago I wrote a poem in answer to this yet unspoken question. Here is the poem:
    I am
    the song
    the morning dew would sing
    if tears
    of joy
    had voices.
    Copyright c 1967 Carol Worthey
  • Michael Waller I rather be inside the sound.
  • Linda Harrington sound of the winter ocean hitting & crashing against the rocks.
  • Rick Olson The “snork” at the beginning of Zappa’s “Moggio”
  • Brian Routh fart!
  • Jo-Anne Green rain on a corrugated iron roof.
  • Joseph Pettini My Waterphone.
  • Ian Johnson half-speed tuvan throat singing!
  • Mark Ledoux the strange wafting dissonances and consonances of mismatched wind chimes.
  • Kyungmi Lee quickly disappearing and reappearing rainbow colored sound!
  • Mark A Ferdman Wow, there are so many. Something nice and soothing, so a fart is definitely out! LOL Also out, loud barking dogs, screaming kids, and the sound that the leaf movers make.
    a waterfall
    ocean waves
    the sound of a smile
    and perhaps some erotic stuff, but I won’t go there :-)
  • Chris Harvey distant wind chimes tuned to a minor seventh on a mildly breezy day
  • Gary Sisco Low, dark laughter, alone in the wee hours.
  • Jeffrey Ventrella simultaneous alternating dog bark five houses away and mocking bird in tree above
  • Eldad Tsabary a pianissimo orchestral cluster
  • Justin Lane the warble of an oscillating room fan
  • Kazue Asano ringing of a bell from an extremely deep cave
  • Erin Donovan gong
  • Emily Liolin a chorus of sighs and earthy exhales
  • Dianne Hunter ocean waves of withdrawing tide
  • Pauline Oliveros Wow - a wonderful collection - what a sound collage it would make.
  • Rob Peterson deep darkness in a pine forrest.
  • Chris Cones VLF whistlers
  • Carlo Altomare The babble of millions of voices from memory that logarhthmically yield a single transforming morphing word in a pulsing meter.
  • Sharon Nichols cello
    or baby giggle
  • Carlo Altomare Also it was fun to read the other posts and imagine feeling that sound as a subjective expression of myself… thanks to all!
  • Albert Ortega breathing ocelot
  • Maria Chavez Depends on the day I guess. Right now I would be a nice warm hum.
  • Christopher Phillips the sound of water
  • Oliver Polzin silent organs
  • João Martins The sound of air rushing through the fully-closed tube of a bass saxophone: first only breathing, then the combination between the low B flat and all the incredible harmonics it produces with occasional very high squeaks, slightly bitting the reed… but mostly breathing.

E estas são apenas as 2 primeiras horas de respostas…
Um verdadeiro trabalho de composição colaborativa.

Rendição

Segunda-feira, 25 de Maio, 2009

Como podem ver, ali na barra lateral, rendi-me ao Twitter. Era previsível, mas não sei exactamente como é que vou usar a ferramenta. Integrei com o blog, através do TwitterTools, e vou ter os meus artigos automaticamente “tweetados”, além de ter os “tweets”, disponíveis na barra lateral. E vou testar uma integração com a minha conta no delicious, através do Mahalo Share. Aceito sugestões sobre outras possibilidades. O principal objectivo é manter-me ao corrente das possibilidades das ferramentas de micro-blogging, para poder avaliar da pertinência estratégica de cada uma delas.

Singularidades gravitacionais semânticas no espaço virtual

Terça-feira, 19 de Maio, 2009

Como já devem ter percebido, neste blog escreve-se sobre muitos assuntos. Mas como usei a palavra “sedução” no título dum post recente, os avançados algoritmos usados pelo AdSense para apresentar publicidade relevante no contexto do blog parecem ter sido sugado pelo incrível campo gravitacional desta palavra:

Publicidade no blog com a distorção introduzida pela palavra \"sedução\"

Para mim, estas “singularidades gravitacionais semânticas” não são novidade, mas nunca me tinha apercebido dum exemplo tão disparatado e/ou evidente, com excepção dos hilariantes anúncios a comida de cão e remédio para pulgas no blog do Pedro Aniceto, claro.

Também sei que, por causa da classificação deste post no sistema de tabs e categorias, com referências ao AdSense, ao Google e questões similares, tudo isto vai mudar rapidamente para o maravilhoso mundo das optimizações para motores de busca (SEO e SEF), optimização de conteúdos para criação de rendimento através de publicidade and so on… em algumas coisas, as singularidades da web são muito previsíveis. ;)

Uso, Permanência e Existência: os 3 estados “online”

Quinta-feira, 9 de Abril, 2009

Nos dias com muito tempo livre (mesmo que o tempo só seja livre em algumas áreas mais irresponsáveis do meu subconsciente), dou por mim a pensar em coisas parvas com uma certa conotação filosófica.

Hoje, por exemplo, a propósito de passar grandes temporadas sem ter sequer uma ligação à internet e, apesar disso, haver gente que acha que eu tenho uma existência “online”, cheguei à conclusão de que existem 3 estados ou modos de interagir com a internet (refiro-me a sites, correio electrónico e todos os protocolos e serviços baseados na rede). Estes “estados” são aplicáveis aos indivíduos e às organizações, ainda que com adaptações, como se percebe. E quer os indíviduos, quer as organizações são capazes de mudar entre estados, da mesma maneira que a água se evapora ou solidifica, de acordo com a temperatura.

  • Uso — é o estado mais elementar de interacção. As pessoas que simplesmente “usam” a internet fazem-no da mesma forma que usam telefones, televisões, jornais ou mesas de café. A sua vida não foi (conscientemente, pelo menos) mudada pela utilização desta ferramenta. Abordam os conteúdos online como leitores-consumidores e não interagem profundamente nos sites que consultam. Usam o correio electrónico e/ou trocam mensagens instântaneas com colegas e amigos. Não participam em comunidades ou fóruns, mas podem ocasionalmente, comentar um artigo num jornal e podem até ter um perfil no hi5 ou sucedâneo, porque um amigo ou conhecido sugeriu. Não se sentem parte da internet e não sentem (conscientemente) a sua falta, ainda que possam ser os primeiros, no trabalho ou na escola, a queixar-se se houver um corte no acesso.
  • Permanência — é o que acontece a um utilizador que se entrega aos (ou é absorvido pelos) mecanismos de interacção das diversas plataformas online. As pessoas que “permanecem” ou, mais simplesmente, que “estão” online, não se limitam a “usar” as ferramentas. Sentem-se parte do fenómeno e têm actividades regulares de definição de território pessoal: criam um blog, registam-se em várias redes sociais, de acordo com os seus perfis, comentam artigos em sites de vários tipos, participam em fóruns… isto além de usarem o correio electrónico e as mensagens instantâneas para todas as áreas da sua vida: família, trabalho, lazer, etc. A internet mudou a vida destas pessoas, e elas têm consciência disso. Identificam os “seus” espaços, privados e comunitários. Fazem da sua actividade e do seu “território” online, parte da sua apresentação e descrição como pessoas. E, claramente, há coisas que não saberiam fazer sem estas ferramentas.
  • Existência — quando quem “está” online, fica tão absorvido por ferramentas e serviços online que se convence que para cada uma das áreas da sua vida há alguma coisa online que pode melhorar ou facilitar a sua vida real e que, quando isso não acontece, começa a descurar esses aspectos da realidade, pode-se afirmar com propriedade que essa pessoa passou a “existir” online. São as pessoas que, conscientemente ou não, tentam assegurar-se de que terão sempre uma forma de estar ligados, mas mais do que isso, são as que fazem um investimento emocional desproporcionado na sua actividade virtual. Não são necessariamente as que têm net nos telemóveis e placas de banda larga portátil, mas são as que twittam no percurso entre casa e trabalho, as que, em vez de perguntarem a quem passa, usam um site ou serviço online para saber onde fica a farmácia ou o restaurante mais próximo. As que dão por elas a pensar, a cada momento, que deviam ter consigo uma máquina fotográfica ou de filmar para poderem transformar cada pedaço de realidade em registo digital partilhável. Mais do que isso; as que têm dificuldade em captar, usufruir e reagir ao mundo físico que as rodeia, mas têm um interesse quase mórbido pelas últimas actualizações no seu agregador de conteúdos, ou pelos vídeos mais populares do YouTube, ou…

Acho que já devo ter passado por estes 3 estados, em níveis diferentes e por razões diferentes e acho que conheço pessoas mais ou menos estabilizadas em cada um deles. Mais do que isso, conheço pessoas que ocupam variadíssimos lugares intermédios nesta escala ultra-simplificada e sei que o processo que nos leva duns estados a outros resultam duma mistura complexa de decisões conscientes, omissões e constrangimentos. Sei que me sinto limitado ou “reduzido”, quando não posso fazer mais do que “usar” a internet. Sei que já me assustei com a sensação de que tinha estado a “existir” online. Sei que sinto algum conforto no “meu” espaço online. Mas (agora) sei que nada disto é verdadeiramente relevante comparado com a esmagadora dimensão que tem a vida real.

O futuro da last.fm

Quarta-feira, 8 de Abril, 2009

Os utilizadores da last.fm e outras pessoas interessadas devem já saber das alterações ao serviço que foram anunciadas e saberão, eventualmente, que, por pressão popular, houve um adiamento.

Os leitores do blog saberão que eu sou um utilizador da last.fm (como ouvinte e como artista) e terão inclusivamente lido os artigos em que expunha o meu entusiasmo pela plataforma, como este. Por isso, talvez seja estranho eu demorar tanto tempo a reagir a esta alteração no funcionamento do serviço que mais me agrada (o rádio). A demora, ou hesitação, tem a ver com o reconhecimento da validade de alguns argumentos apresentados e com o facto de, para mim, o serviço prestado valer o dinheiro que agora vão começar a exigir. Mas da mesma forma que reconheço isso e não sendo defensor de que o que é gratuito é, por princípio, bom, e o que é pago é, por princípio, mau, não consigo aceitar a descriminação que significa todos os utilizadores passarem a ter que pagar pelo serviço, menos aqueles que estão em países onde o negócio publicitário é directamente rentável.

Do ponto de vista estritamente económico é evidente que percebo a argumentação, mas do ponto de vista comunitário (e a last.fm é uma plataforma de tipo social) é, simplesmente, absurdo.
Os utilizadores a quem se pede uma comparticipação directa estão em 2 tipos de países:

  1. países onde o mercado e panorama musical está de tal forma depauderado que não se podem gerar receitas significativas para financiar um projecto como este e que são, pelas mesmas razões, países onde o acesso à música que a last.fm representa tem um imenso valor para pessoas que não podem contribuir com estes 3 euros mensais
  2. países onde o mercado e panorama musicais têm força e expressão suficiente e onde vive gente que pode pagar sem grande dificuldade os 3 euros, mas que o terá que fazer apenas e só, porque os recursos da last.fm ainda não se conseguiram globalizar, de facto

Há, evidentemente, uma grande variedade de situações intermédias, mas estas duas situações são, para mim, bem evidentes e, claramente injustas. E não me parece que a plataforma possa fazer de conta que não é assim (o adiamento é sinal de que estão a ouvir): como plataforma social que é, a last.fm depende da comunidade global que usa os serviços, mas que também cria os conteúdos e manipula os mecanismos “editoriais”, se quisermos. E essa comunidade está-se a mexer. Esperemos que com resultados práticos.

Se assim não for, na qualidade de “utilizador-editor”, terei claramente que tomar uma atitude drástica, por muito que me custe.