Arquivo da Categoria ‘youtube’

Exercício curioso sobre a falta de curiosidade dos públicos

Domingo, 13 de Dezembro, 2009

Ando a tentar perceber qual a melhor forma de vos explicar as incríveis relações que vejo entre este acontecimento em Espanha e este outro, em Portugal.

Fico por um resumo de circunstâncias:

  1. em Espanha, no V Festival de Jazz de Sigüenza, um espectador chamou a polícia por achar que o espectáculo de Larry Ochs Sax & Drumming Core não era um espectáculo de jazz e querer o seu dinheiro de volta. O músico, fundador do Rova Saxophone Quartet e com mais de 30 anos de carreira como músico criativo e nas vanguardas do jazz, foi “acusado” de fazer “música erudita contemporânea” que, para o melómano-jazzista em causa, teria contra-indicações clínicas, por perigos psicológicos. Ficou claro que o senhor teria problemas de estabilidade psicológica, não ficou claro se a polícia espanhola compreende o seu papel em situações deste tipo, o que é preocupante.
  2. em Portugal, Lisboa, mais propriamente, um grupo de idosos participantes frequentes em excursões do INATEL foi trazido ao Teatro São Luiz, para assistir à peça “O que se leva desta vida“, que conta com caras conhecidas da televisão, como Gonçalo Waddington (Os Contemporâneos). A linguagem usada na peça (que não conheço), terá chocado os idosos que enchiam o teatro provocando reacções enérgicas, com vaias e insultos, obrigando a um final abrupto, numa cena pouco vista nos nossos palcos. Foram recolhidos testemunhos de alguns dos idosos e dos actores da peça num vídeo disponibilizado pelo I, a que tive acesso via Arrastão e dactilógrafo.

São episódios radicalmente diferentes, mas parecem convergir em alguns aspectos tão curiosos como perigosos. Tendo tempo, tentarei dizer mais qualquer coisa sobre isto e sobre as legítimas e ilegítimas expectativas do(s) público(s).

A vocês, o que vos parece?

Teatro no Porto: O Anzol, de Gemma Rodríguez

Sexta-feira, 11 de Dezembro, 2009

aqui anunciei a estreia no Porto de O Anzol, de Gemma Rodríguez. É a 34ª criação do Visões Úteis, na qual participo com a banda sonora original e sonoplastia. De 11 a 13 de Dezembro, podem assistir ao espectáculo no Teatro Helena Sá e Costa (Porto), às 21h30.

É evidente que haverá sempre boas desculpas para não ir ao teatro, mas, ocasionalmente, como é o caso em muitas peças do Visões, há também óptimas razões para ir. Fiquem com o “trailer” que o Pedro Maia realizou, para vos ajudar a decidir.

Criaturas @ TA, um registo possível

Segunda-feira, 9 de Novembro, 2009

Nem o som, nem a imagem estão brilhantes, mas, para já, é o registo possível. Também no Vimeo, no Facebook e no MySpace.

Uma pequena experiência de “cross-posting” para ver qual das plataformas gera mais feedback.

Porto em Ruínas

Quarta-feira, 7 de Outubro, 2009

Imagens de Paulo Ricardo, música da FRICS.
Iniciativa do Bloco de Esquerda-Porto.

Jazz na Relva, em Paredes de Coura: a consagração

Sexta-feira, 7 de Agosto, 2009

Aparentemente, para alguns dos presentes, o Spy Quintet, do Space Ensemble, foi um momento muito alto na programação do Festival de Paredes de Coura.


Cobertura vídeo pelo Instituto Politécnico de Viana do Castelo.

And now for something completely different

Segunda-feira, 11 de Maio, 2009

A TSF tem na sua playlist, já há umas semanas, uma canção portuguesa que me tem dado que pensar. A canção chama-se Vinho do Teu Corpo e a banda, Neruda.

Mas em que é que uma música destas me pode fazer pensar? É evidente: Sit on My Face, dos Monty Python, que aborda a mesma temática, mas com outro tom e elevação. ;)

Parabéns aos Neruda pela coragem de escreverem uma música sobre sexo oral (não me lembro de muitas) que peca, na minha opinião, pela falta de entusiasmo que os Monty Python demonstram.

A quem interessar, transcrevo a letra da música dos Neruda e a dos Monty Python, com um conveniente aviso às pessoas com mais sensibilidade: a letra dos Neruda é muito glicodoce, figurativa, cheia de insinuações brejeiras misturadas com imagens hiper-líricas que podem enjoar um bocado. Ah! A dos Monty Python é bastante gráfica e explícita, plena de entusiasmo a respeito da posição sexual a que habitualmente se chama 69.

Cá vão:

Vinho do Teu Corpo

Bebo o vinho do teu corpo
Devagar como se a boca
Fosse uma flor onde o tempo
Desenha um mapa da vida
Corre o vinho do teu corpo
Nos lençóis da madrugada
E há carícias debruçadas
À janela do silêncio
Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede
Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede
E provo o vinho do teu corpo
Gota a gota e beijo a beijo
Como quem recolhe o sonho
De entre os dedos de um sorriso
Corre o vinho do teu corpo
Nos regatos do luar
Que hão-de vir desaguar
Mansamente nos meus braços
Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede
Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede
Bebo o vinho do teu corpo
Devagar e quase a medo
Na surpresa dos segredos
Copos cheios de prazer
Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede
Bebo o vinho do teu corpo
Bebo até morrer de sede
Gota a gota beijo a beijo

Sit On My Face

Sit on my face and tell me that you love me
I’ll sit on your face and tell you I love you too
I love to hear you oralize
When I’m between your thighs
You blow me away

Sit on my face and let my lips embrace you
I’ll sit on your face and then I’ll love you truly
Life can be fine if we both sixty nine
If we sit on our faces in all sorts of places
And play till we’re blown away 

F.R.I.C.S. + José Cid: as provas

Sábado, 6 de Dezembro, 2008

Não há muito a dizer. Os registos vão aparecendo e não serão nunca suficientemente esclarecedores.

Jogos Olímpicos Pequim 2008: que fazer à consciência?

Terça-feira, 12 de Agosto, 2008

Eu gosto de ver “as corridas”, como lhes chama o Nelson, mas isso não significa que não partilhe das convicções dele ou que não sinta que, de facto, precisamos de resistir ao “barulho das luzes“.

Sendo assim, que fazer à consciência, para podermos assistir às diversas proezas atléticas, sem nos sentirmos cúmplices da hipocrisia global que ofereceu ao regime totalitário chinês esta oportunidade de ouro de se legitimar em toda a sua contraditória condição de potência mundial?

Eu dei por mim a trautear Monty Python, um destes dias…

Title: I like Chinese
From: Monty Python’s Contractual Obligation Album

(spoken)
The world today is absolutely crackers.
With nuclear bombs to blow us all sky high.
There’s fools and idiots sitting on the trigger.
It’s depressing, and it’s senseless, and that’s why…

(singing)
I like Chinese,
I like Chinese,
They only come up to you knees,
Yet they’re always friendly and they’re ready to to please.

I like Chinese,
I like Chinese,
There’s nine hundred million of them in the world today,
You’d better learn to like them, that’s what I say.

I like Chinese,
I like Chinese,
They come from a long way overseas,
But they’re cute, and they’re cuddly, and they’re ready to please.

I like Chinese food,
The waiters never are rude,
Think the many things they’ve done to impress,
There’s maoism, taoism, I Ching and chess.

I like Chinese,
I like Chinese,
I like their tiny little trees,
Their zen, their ping-pong, their yin and yang-eze.

I like Chinese thought,
The wisdom that Confucius taught,
If Darwin is anything to shout about,
The Chinese will survive us all without any doubt.

So, I like Chinese,
I like Chinese,
They only come up to you knees,
Yet they’re wise, and they’re witty, and they’re ready to please

Wo, I chumba run,
Wo, I chumba run,
Wo, I chumba run,
Ne hamma, Ne hamma, Ne hamma sa chen.

I like Chinese,
I like Chinese,
They’re food is guaranteed to please,
A fourteen, a seven, a nine and li-cheese

I like Chinese,
I like Chinese,
I like their tiny little trees,
Their zen, their ping-pong, their yin and yang-eze

I like Chinese,
I like Chinese,
(fade out….)

Os Contemporâneos

Terça-feira, 6 de Maio, 2008

Tive pena de não conseguir ver o episódio de estreia de Os Contemporâneos na totalidade e sem interrupções. Estive, alegremente, a esterilizar biberões e chupetas, em jeito de preparação para o que aí vem.

Dos bocados que vi, fiquei com boa impressão e a expectativa naturalmente criada pela equipa apresentada nos anúncios parece cumprir-se. Pode mesmo ser muito bom, por isso, é bom saber que os episódios vão estar disponíveis no site da RTP “via” YouTube.

O meu sketch “preferido”, sem ter visto o episódio todo, é o das palavras do Papa:

Gosto particularmente da referência a “alguns participantes no forum da TSF”. :)

A magia da rádio

Quarta-feira, 30 de Abril, 2008

Não sou grande ouvinte de rádio. Ouço sobretudo no carro, como quase toda a gente, presumo, e acabo por procurar quase sempre notícias, sem grande esperança de encontrar nas playlists algum reflexo dos meus gostos musicais. Mas, regularmente, sou surpreendido e gosto muito da sensação. Quase sempre, as surpresas vêm das verdadeiras estações de serviço público: a privada TSF, na forma de reportagens, entrevistas ou crónicas fenomenais e a pública Antena 2 que, quase só em horários impróprios, oferece verdadeiras pérolas em programas “marginais”. Vem isto a propósito do Raízes de ontem, onde se ouviu canto gutural tuva e mongol, na voz mágica de Okna Tsahan Zam.

Não é fácil explicar a atracção que estas músicas exercem, essencialmente pela sua natureza mística e primária, mas a verdade é que passei uma boa parte da tarde de hoje a ouvir músicas deste universo. A referência mais evidente é Huun Huur Tu, o grupo de canto gutural tuva que esteve em Portugal em 2007. É deles este vídeo belíssimo: