50 anos de Amnistia Internacional

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A causa é valorosa. O vídeo belíssimo e, como se pode constatar no making of, a referência “florida” ao nosso 25 de Abril de 74 é uma escolha consciente e simbólica que muito nos devia honrar e que nos devia dar força para continuar a lutar pelos amanhãs que cantam.

Os amanhãs que cantam

Por sobre as montanhas de cinismo e hipocrisia que nos habitam, a cada 25 de Abril torna-se mais importante repetirmos que “a democracia é o pior de todos os sistemas, com excepção de todos os outros” e, por isso mesmo, agradecermos a quem construiu Abril. Para lá de todas as desilusões, hesitações, segundas, falsas ou más intenções, a conquista da nossa liberdade começou nessa madrugada de 1974. O resto, os “amanhãs que cantam” e as “promessas de Abril” são a nossa responsabilidade colectiva e quotidiana. Há 35 anos que é assim e é nas alturas em que a desilusão e a desesperança nos atingem mais fortemente que se torna fundamental afinar as vozes e a memória:

25 de Abril Sempre! Fascismo Nunca Mais!

O meu 25 de Abril tem uma cara e uma voz

José Mário Branco, o cantor, o compositor, o Homem e tudoA paixão e a raiva. O sonho, a ilusão e o desencanto. A coragem, a generosidade imensa e a coerência inflexível de quem sabe que vai mudar o mundo. De quem já o mudou, mesmo sem saber. O José Mário Branco é, sem sombra de dúvida um dos autores maiores da música portuguesa. E isso não é o menos.

Além disso, leva-me, em cada palavra, em cada grito de luta, em cada lamento, em cada interrogação a um país e a um mundo que também sonhei e sonho.

Não se passa um 25 de Abril (no calendário ou na alma) em que não o recorde, o use e dele abuse.

E que se lixe o pudor: o José Mário Branco é a cara e a voz do meu 25 de Abril, em que a “cantiga é uma arma”.

E é um músico imenso que só não ouve e reconhece quem tem os ouvidos cheios de uma qualquer porcaria que me é até difícil de descrever. Ouçam-no, a ele, por ele ou por outros e descubram-no. Vale a pena.