Joomla! 1.5

Joomla! 1.5 anunciado

Depois de um (longo) período de desenvolvimento e testes, a versão 1.5 do Sistema de Gestão de Conteúdos (CMS) Joomla! chegou à condição de estável e está pronto para produção.

As alterações que justificam o salto da versão 1.0.x para uma versão 1.5 são bastantes e uma primeira observação e testes convenceram-me a adoptar desde já esta nova versão para novos projectos. Quanto à migração de alguns projectos antigos… isso é outra história. Havendo tempo, lá se chegará.

Para já, destaca-se a limpeza do novo código produzido, a maior preocupação com standards e acessibilidade e algumas simplificações importantes no backend. E o funcionamento de elementares estratégias de SEO e SEF na configuração padrão, claro.

Com esta evolução, o Joomla! mantém-se como a minha “escolha acertada” para o desenvolvimento rápido de sites que necessitam de mecanismos de gestão de conteúdos (que, por mim, seriam todos).

E continuo maravilhado com a superioridade que esta solução open source continua a demonstrar em qualquer comparativo com várias plataformas CMS comerciais, algumas delas muitíssimo caras.

FIM @ the invisible web

FIM - Festival Internacional de Marionetas do PortoEu sei que está na moda falar de visibilidade na web, SEO, SEF, SEM e outras coisas mais ou menos esotéricas e eu, sinceramente, interesso-me pouco pela maioria das coisas que se escrevem nesse charco. Mas volta e meia dou de caras com exemplos práticos relativamente dramáticos de quase completa invisibilidade de sites ou de eventos/fenómenos que teriam muito a ganhar com uma aposta estratégica mínima de visibilidade. Vejam o caso do FIM 2007 (Festival Internacional de Marionetas do Porto): o site está lá e é claro que tem o mínimo de indexação genérica, mas com o programa e o calendário em PDFs não é nada fácil descobrir que o Festival começa no próximo dia 13 de Setembro, pois não?

Uma busca no Google por Festival Internacional de Marionetas do Porto leva-nos (levou-me a mim, agora) ao site oficial e a uma série de notícias relativas às edições anteriores. Mas sobre a edição que está quase a começar… nada.

É pena, mas é também uma demonstração prática da importância dos conteúdos e da sua acessibilidade na indexação e na visibilidade dos sites.

É claro que os magros orçamentos deste tipo de eventos, principalmente os que têm sede no Porto, não dão para tudo, mas, se me permitem a ousadia, talvez pudessem ser mais bem gastos.

A bem da clareza: eu tenho uma relação especial com o FIM 2007, já que me foi encomendado um pequeno “jingle” de 20 segundos para um anúncio que irá passar na Metro TV. Se me autorizarem, hei-de pô-lo a “rodar” aqui no blog, também.

Quem ajuda a Skoda?

Há muitas coisas engraçadas (ou nem por isso) que acontecem quando se decide que os standards web não são importantes.
Eu, pessoalmente, acho que exemplos práticos são muito mais eficazes do que grandes discursos teóricos.

Cá está um:

Screenshot site Skoda Portugal

Este é o aspecto do site da Skoda Portugal visto em Firefox (um browser inteligente, standard-compliant, moderno e comum) em Mac OS X (um sistema operativo igualmente moderno e também comum).

Giro para quem se diverte com as desgraças dos outros… menos engraçado para quem quiser usar o site.

Este pode bem ser um pontapé de saída para uma série de artigos ilustrados acerca de acessibilidade e usabilidade básica na web portuguesa.

Alguém tem sugestões?

Obsoleto?

Eu pensava que manter o Internet Explorer para Mac no meu computador era apenas preguiça e que já não existiria nenhuma situação em que um browser descontinuado e obsoleto, como aquele, me fosse fazer falta. Afinal de contas, já se trabalha com standards há muito tempo e até o Estado e os Bancos (que eu uso) têm os seus sistemas a funcionar decentemente em browsers modernos e inteligentes.

Só que fui agora mesmo comprar bilhetes para assistir ao concerto do Ornette Coleman no Jazz em Agosto e, para minha grande surpresa, encontrei utilidade para o IE/Mac. É quase inacreditável que o sistema de venda de bilhetes online em uso pela Fundação Gulbenkian opte por excluir browsers modernos e inteligentes*, mas aceite com naturalidade um browser descontinuado e obsoleto

E um episódio destes, considerando a instituição de que se está a falar, diz muito acerca do “estado da arte” da programação web em Portugal.

Acho que vou mesmo ter que manter o IE/Mac por cá, não vá ter mais surpresas desagradáveis destas.

* – testei em Firefox, Safari e Opera (com e sem o user agent modificado para IE) e em nenhum deles consegui seleccionar os lugares, no primeiro passo para comprar bilhetes

Ser solidário

Este blog apoia a Associação Portuguesa de Deficientes Um amigo pediu-me uma ajuda para poder pôr no blog dele uma espécie de selo a afirmar o seu apoio à Associação Portuguesa de Deficientes.

É sempre bom saber que algumas das minhas habilidades podem ser úteis.

O “selo”, cá está, disponível para ele e para quem mais o quiser usar.

Para usarem o selo no canto superior direito dos vossos blogs ou sites (como tenho no meu, agora), só precisam de adicionar este bocado de código aos vossos sites/templates:

<div id="selo" style="position:fixed; left:100%; top:0px; height:100px; width:100px; margin:0 -100px -100px -100px; z-index:10000;">
<a href="http://www.apd.org.pt/" target="_blank" title="Este blog apoia a Associação Portuguesa de Deficientes">
<img src="http://joaomartins.entropiadesign.org/wp-content/uploads/selos/apoio_apd.gif" width="100" height="100" border="0" alt="Este blog apoia a Associação Portuguesa de Deficientes" /></a>
</div>

A ideia e o código (pouco original, simples, acessível e standard) pode ser reciclada para outras entidades e causas.
Se tiverem sugestões ou precisarem de apoio para implementar variações, a caixa de comentários está aqui para isso.

Uma variação óbvia é usar position:absolute; em vez de position:relative; e assim o “selo” fica preso no topo do site em vez de ficar preso no canto da janela do browser. Com essa variação, o código tem que ser colocado no início da página, a seguir a <body>.

Skitch extended…

Skitch + Paparazzi = ??No meio de toda esta agitação à volta do Skitch, fui pensando em funcionalidades que podiam melhorar a aplicação e ser úteis em alguns cenários específicos. Uma dessas funcionalidades seria a captura duma página web completa, independentemente da área visível num monitor, para analisar elementos de interface, áreas de maior ou menor destaque, etc.
Essa possibilidade poderia tornar o Skitch numa ferramenta bastante útil para fazer análise de interfaces, por exemplo, anotando a totalidade da página/layout graficamente.

Curiosamente, andava a pensar nisto e tropecei nesta apresentação do Paparazzi!, feita pela Paula Simões, no Blog do Felisberto. O Paparazzi! permite a captura como imagem duma página web, independentemente da área visível no monitor: insere-se o endereço a capturar, a área mínima e pode até refazer-se o enquadramento e programar um atraso, para que a captura seja feita alguns segundos depois da página carregar (útil se houver animações ou coisas assim).

Juntos, o Skitch e o Paparazzi! complementam-se de formas bem interessantes.

Outras coisas que eu gostava de ver no Skitch eram:

  • possibilidade de fazer um zoom a algumas áreas da imagem
  • possibilidade de fazer cortes parciais e juntar áreas distintas, talvez pela utilização de layers
    exemplo: captura de janela da aplicação, omissão do “miolo” e exibição das ferramentas/menus todas juntas
  • ampliação da área de trabalho para anotações não sobrepostas

Era giro, não era?

(não me chateiem com o óbvio: eu sei que com todas estas coisas, o que eu estou a descrever mais parece uma ferramenta completa de edição bitmap— Photoshop, Gimp, Fireworks…— com um interface mais “giro” e a integração de screenshot e de exportação/partilha web)

Bicing vs. BUGA

Através deste post no digit@lIP, fiquei a conhecer o projecto Bicingn, de Barcelona, que partilha imensos aspectos em comum com a nossa BUGA – Bicicleta de Utilização Gratuita de Aveiro. Acho que vale a pena estar atento ao desenvolvimento deste projecto, para ver até que ponto numa cidade com a dimensão de Barcelona, os problemas que afectam o conceito original da BUGA se aplicam ou não.

Uma das questões, a ausência de vias e percursos cicláveis bem planeados parece estar a ser acautelada na capital catalã. E isso, juntamente com a lógica não turística e virada para a ideia base de que este sistema de bicicletas pode fazer parte dum sistema de transportes públicos alternativos, na minha opinião, conta muito… mais do que os aspectos hi-tech dos cartões magnéticos e da disponibilidade online e em tempo real dos números de bicicletas em cada “estação”.

É de estar atento.

Revolucionário?

É cada vez mais frequente vermos aplicado o termo “revolucionário” a produtos, serviços ou tecnologias em fase de lançamento e é também muito frequente que isso seja apenas e só sinal crescente da banalização do termo por culpa de marketeers ambiciosos que vêm na “novidade”, por pequena que seja, a brecha para uma revolução que, com fogo de vista se oferece aos consumidores como outra coisa que não uma pequena revolução nos seus bolsos…

Assistimos a isso tantas vezes em tantas áreas que se torna por vezes difícil distinguir entre o hype e a real thing e, dependendo do grau de cinismo, podemos mesmo recorrer ao célebre mote The Revolution Will Not Be Televised para descartarmos todas as promessas de revolução que nos cheguem pela publicidade ou pelas notícias na imprensa…

Mas num mundo globalizado e cada vez mais dependente das tecnologias de informação e cada vez mais “ligado”, não podemos deixar de manter acesa alguma esperança de que sinais de revolução possam surgir nos monitores dos nossos computadores. E não podemos ignorar que algumas revoluções acontecem/acontecerão precisamente na forma como usamos estas tecnologias e que outras tantas se apoiam/apoiarão nestas tecnologias e na força “viral” das redes de informação para atingirem os seus objectivos.

Poderá não ter lugar no horário nobre das televisões e escapar mesmo à maioria da imprensa “convencional”, mas a(s) revolução(ões) do nosso tempo chegarão até nós via web, ou acontecerão à frente dos nosso narizes, nos nossos monitores e encherão páginas de blogs e emissões de podcasts e videocasts.

O problema que se coloca é saber se no meio de todo este ruído digital, de tantas notícias de revolução nos transportes, revolução nas comunicações, revolução no entretenimento, seremos capazes de manter presente a ideia de que só existe verdadeiro potencial revolucionário em ideias capazes de unir as pessoas e transformar efectivamente o mundo e que nada disso depende de gadgets mais ou menos interessantes e inovadores, mas, evidentemente, exclusivistas, efémeros e superficiais.

A Segway, que ia revolucionar os transportes, agora é

Os exemplos que escolhi para os links (Segway, iPhone e AppleTV) são apenas exemplos de revoluções de marketeer que, pela visibilidade obscena que têm, merecem este tratamento de destaque negativo. Acredito que cada um destes produtos inclui características e inovações tecnológicas que constituem passos evolutivos importantes em cada uma das áreas. E acredito até que a integração desses aspectos em novos contextos menos centrados no lucro financeiro imediato possa trazer à sociedade em geral melhorias que poderão desempenhar um qualquer papel em algumas das revoluções reais de que necessitamos.

 

Apple iPhone. Revolutionary Phone !?

Acredito, por exemplo, que partes da engenharia da Segway combinados com outros bocados do génio de Dean Kamen poderão contribuir decisivamente para uma revolução real na mobilidade e nas políticas de transporte nas cidades, mas o verdadeiro motor dessa revolução não será um produto ou um conjunto de soluções técnicas, mas a vontade social de quebrar as barreiras que tornam as nossas cidades inimigas das pessoas.

Acredito até, tentando ver para lá da minha desconfiança relativamente a dispositivos tácteis, que aspectos pontuais do interface do iPhone possam expandir as possibilidades de interacção com dispositivos de várias escalas e que o impulso que ele trará à construção de novos tipos de web apps possa permitir algumas mudanças positivas, mas o verdadeiro motor de uma revolução nas comunicações (como se vê nas sucessivas definições da web 2.0) será a vontade social de estender as possibilidades de intercâmbio e participação a mais e mais pessoas, quebrando barreiras culturais, técnicas e económicas.

Porta Chaves Che GuevaraNenhuma revolução se fará, aliás, nem com gadgets de ricos, nem com memorabilia revolucionária, por mais que os marketeers façam subir os lucros dos seus patrões a vender t-shirts, porta-chaves ou iPods (ainda não se lembraram desta, pois não?) com a já gasta silhueta do Che Guevara (deve andar às voltas na tumba).

Mas se é fácil denunciar as “falsas” revoluções, mais difícil é dar visibilidade a eventos, causas e projectos verdadeiramente revolucionários, principalmente quando parte da revolução assenta em tecnologias. Basta pensarmos na questão óbvia do movimento Open Source, para vermos como facilmente chovem acusações de parcialidade, preconceito ou pura e simples inépcia quando alguém tenta promover uma ferramenta, uma linguagem ou uma plataforma de desenvolvimento que pareça uma verdadeira ferramenta da revolução. Organizado em “seitas” (como tantos movimentos revolucionários), o mundo do Open Source tem dificuldade em lidar com o exterior e consigo próprio e as guerras internas, que o debilitam, servem apenas para alimentar as grandes empresas, que têm razões para recear o potencial verdadeiramente revolucionário do Open Source.

E (essa) revolução vai sendo adiada, avançando passo-a-passo, aos soluços.

Essa era uma revolução em que eu queria participar, mas o ambiente de “clandestinidade” que se vive por ali, faz-me manter este estatuto tipo “esquerda-caviar” que é, de facto, a condição dos Mac Users.

Outra revolução real é a que Nicholas Negroponte pretende com o projecto One Laptop Per Child, que como ele não se cansa de referir, “é um projecto de educação, não um projecto de um computador portátil“.

OLPC Laptop

Uma iniciativa destas reduz todos os planos e choques tecnológicos de marketeers armados em políticos à sua insignificância e devia-nos pôr todos a pensar nas verdadeiras revoluções que faltam fazer.

Visibilidade

Uma questão que me preocupa (na qualidade genérica de activista) é a avaliação da visibilidade que determinado fenómeno, acontecimento ou causa tem na sociedade portuguesa. Todos sabemos que quando se está demasiado envolvido pode ser difícil perceber a dimensão das repercussões exteriores do que se faz e temos que procurar indicadores de visibilidade.

O indicador clássico é a presença da comunicação social: contar os microfones das rádios, as máquinas fotográficas dos jornais, mas, acima de tudo, as câmaras das televisões é, em teoria, uma boa forma de prever até onde é que a “mensagem” está a chegar. Mas sabemos, também, que, com o funcionamento cada vez mais errático da imprensa, a cobertura in situ não garante o tempo de antena. Assim, é necessário procurar outros indicadores e um “estranho” indicador que descobri no Porto foi o factor Emplastro (quem não se lembra dele?), cuja presença assegurava que estávamos perante um evento com significativa projecção.

Emplastro numa multidão

O Emplastro (que não sei se é figura única no nosso panorama) fareja as câmaras e os directos e a sua presença é muito mais indicativa da dimensão de determinado fenómeno do que a “simples” presença de jornalistas. Desconfio mesmo que o Emplastro tem lugar cativo nos conselhos editoriais de alguns órgãos de comunicação social de “referência”.

Confesso mesmo que foi só quando o Emplastro apareceu à porta do Rivoli, na altura da sua ocupação, que senti que aquele acto de protesto estava a chegar a todo o país.

E isto a propósito de quê?
É que descobri hoje, durante o almoço, que há um outro indicador “bizarro” mas fiável de visibilidade: o Destak (ou uma publicação similar). Descobri isso quando percebi a minha “excitação” ao ver que, na edição de hoje, o Destak alertava os seus leitores para o facto de que em cada 4 famílias europeias, uma tem um elemento com deficiência.

Destak: 1 em cada 4 famílias europeias tem elemento com deficiência

E suponho que um pequeno parágrafo destes numa publicação deste tipo, com a distribuição que tem, faz mais pela visibilidade das questões de acessibilidade e pela sensibilização geral para a necessidade de lutar contra barreiras arquitectónicas e outras do que encontros de arquitectos onde há gente que não sabe se a nova legislação já entrou ou não em vigor, ou que duvida da necessidade de se aplicar essa mesma legislação a todo o parque habitacional

Não desfazendo no Fórum Arquitectura Acessível ou na necessidade de se dinamizarem debates disciplinares sobre a implementação da nova legislação, estas são questões que precisam de fazer parte da consciência colectiva nacional e, dessa, o Destak está mais perto…

Próximo desafio: multilingual

Já fiz algumas experiências com artigos bilingues neste blog e já usei, com relativo sucesso, uma solução de portal bilingue construída com Joomla! e Joom!Fish.

Como estou numa de desafios e remodelações e porque o jLanguage, apesar de útil em pequenas coisas, levanta problemas complicados, por exemplo, nos feeds RSS (esta é para ti, Guilherme), vou agora deitar as mãos ao Gengo… desejem-me boa sorte.

Se tudo correr bem, volto em breve, com alguns artigos em inglês e português. Mais uma experiência que este blog, isoladamente, não exige nem justifica, mas que poderá ser bastante útil num futuro próximo.

I’ll just cross my fingers and hope for the best… ou coisa assim.