Enquanto o Simplex for um plano de propaganda e não um estado de espírito…

… vão subsistir as Tesourarias.

Alguém sabe para que servem? Alguém consegue produzir uma boa resposta para a sua sobrevivência numa era de tecnologias de informação, métodos alternativos de pagamento, centralização de dados?

Alguém é capaz de explicar, de forma não rocambolesca, porque é que numa repartição de Finanças onde se pede uma certidão, não se pode fazer o pagamento respectivo, tendo que ir a uma outra fila, com uma guia de pagamento na mão que, depois de carimbada, permite a entrega do documento na repartição original?

E não, não estou a falar de nenhum procedimento que se consiga fazer online. Esses resolvo-os em casa.

E sim, tive que pagar qualquer coisa como 4,32 euros. E como tinha apenas uma nota de 20 e fiquei com uma funcionária bastante irritada por ter que procurar trocos.

Isto não é nada Simplex.

Simplex seria determinar como procedimento orientador que, em todos os postos de trabalho onde sejam atendidos cidadãos, e no caso de algum dos procedimentos possíveis envolver pagamentos, o posto deve estar equipado com um terminal de pagamento ou deverá ser emitida uma referência para pagamento posterior, sem prejuízo da conclusão do procedimento. Por exemplo.

Pior do que isso só ter que preencher formulários da INCM em uso, em que o campo do código postal ainda é do tempo do código simples, com químicos que não funcionam, e campos obrigatórios, mesmo que sejam campos inalteráveis constantes dum registo que se pretende alterar no pormenor. Simplex, neste caso, seria determinar que em todos os pedidos de alteração de dados, os cidadãos ficariam apenas obrigados a fornecer a informação a alterar e confirmar a restante, se necessário.

Mas qualquer um destes exemplos era válido se o Simplex fosse um estado de espírito, uma mudança de atitude… e ainda não é, pois não?

Not so bright

Um Director de Marketing decide ver como vai a imagem da sua empresa online e faz uma simples pesquisa no Google:

Resultados da pesquisa no Google por Bright Partners

Os resultados são interessantes pela quantidade e o lugar do site da própria empresa no ranking de relevância (1º e 2º lugares) atestam da eficácia dos mecanismos de indexação utilizados.

Nota também que um feito recente da empresa gera alguns resultados destacados, mas depara-se com uma entrada num blog desconhecido logo em 5º lugar, bem à vista de todos, num tom que não é propriamente elogioso.

O que fazer?

Eduardo Empis, o Director de Marketing da Bright Partners passou por isso hoje mesmo e, numa atitude que se poderia considerar corajosa e, por isso, louvável, decidiu, em nome próprio, comentar o artigo em causa.

Eu, que não sou especialista de Marketing (longe disso), não sou capaz de prever os efeitos que isso possa ter na imagem e na visibilidade geral online desta organização, mas estou tão curioso que não resisto a chamar este comentário à ribalta do blog e responder, aqui mesmo.

Eduardo Empis gostaria de “perceber as razões que [me] levam a pôr em causa a competência e/ou a seriedade da BRIGHT PARTNERS.” Eu não me lembro de ter questionado qualquer uma dessas virtudes. Mas percebo o que Eduardo Empis quer dizer. E esclareço: o que está em causa não é o comportamento da Bright Partners. Presumo que serão tão competentes e sérios quanto pode ser uma empresa de consultoria na área da gestão de projectos, com forte componente tecnológica e sólidos laços à Microsoft. Parabéns por isso.

E são tão sérios que não escondem que uma das suas principais áreas de intervenção é a Administração Pública, com responsabilidades no planeamento e execução de vários programas famosos: “SIMPLEX, PRACE, Plano Tecnológico, Procedimentos Públicos, Restrições Contratuais, Mobilidade…”.

Ora, não é segredo nenhum para quem me conhece, que eu não sou adepto da Microsoft, mas, acima de tudo, não sou adepto da adopção de soluções proprietárias em termos de Software. Isso é um problema meu, obviamente, mas na qualidade de cidadão preocupado isso traduz-se no apoio político a opções por Software Livre nos vários sectores da Administração Pública.

Se juntarmos isto tudo, não é difícil perceber que a minha “irritação” relativa à Bright Partners se deve ao facto de ver nela um instrumento da Microsoft na adopção pouco transparente por parte do Estado de soluções que, a mim, me parecem desadequadas. É legítimo, sério e/ou competente da parte da Bright Partners? Não tenho razões para duvidar disso. Mas o contexto global que gere a adopção destas soluções não é transparente e, na minha opinião, não favorece a “coisa pública”. E é ao Estado que se destina toda a minha verdadeira irritação.

Empresas oportunistas não me aquecem nem arrefecem. Mas a gestão danosa de dinheiros públicos com que essas empresas lucram tira-me do sério.

O episódio dos Óscares da Microsoft, na minha opinião, é apenas prova de que a actividade da Bright Partners beneficia a multinacional de Redmond. A adopção de soluções proprietárias, baseadas em tecnologias e ferramentas MS na Administração Pública é, na minha opinião, uma forma de prejudicar o Estado. Mesmo quando é ele que pede.

Preciso de ser mais claro?

Até onde pode ir o Software Livre no Estado Português?

É uma óptima pergunta, não é?

O site Software Livre na AP procura ser parte da resposta:

Este local é um repositório de conhecimento em software livre (Open Source Software – OSS) das entidades do Estado Português e destina-se a ser um ponto de encontro e troca de experiências entre todos aqueles que, ao serviço do Estado, o utilizam. Deste contributo resulta uma mais-valia incalculável para quem pretende vir a utilizá-lo.

Associação Ensino LivreMas a navegação pelos incipientes exemplos de boas práticas dá-nos uma visão deprimente, ainda que realista, do panorama. Uma das áreas fulcrais (porque tem grandes impactos a prazo) é a Educação, e é por isso que a recém-criada Associação Ensino Livre pode vir a ter uma grande importância na definição duma dinâmica diferente.

É que a resposta à pergunta que serve de título a este artigo está na educação. É nas escolas, em todos os graus de ensino, que se podem inverter práticas perversas, criar novos hábitos, difundir novas posturas éticas.

Pessoalmente (e localmente), não posso deixar de lamentar o afastamento que a Universidade de Aveiro, que tanto se orgulha do seu papel pioneiro em tantas áreas, mantém, relativamente ao Software Livre. E não posso deixar de me interrogar, por causa do peso que a UA tem na dinâmica “local”, como seriam as coisas na autarquia, por exemplo, se o “contexto” fosse mais favorável à adopção destas soluções.

Mas quais serão os factores que determinam o grau de penetração do Software Livre nas diferentes áreas da Administração Pública portuguesa (nas autarquias, por exemplo)?

  • Opções políticas?
  • Dimensão e complexidade dos sistemas implementados?
  • Grau e antiguidade da informatização dos serviços?
  • Dependências económicas?
  • Competência do apoio técnico disponível?
  • Proximidade de prestadores de serviços/soluções diversificados?

A resposta será sempre multifacetada e há algumas partes da resposta mais defensáveis (e confessáveis) do que outras, como é óbvio. Mas era importante que se reflectisse publicamente sobre isto, porque esta é uma questão pública, por mais que se tente disfarçar.

Para esta reflexão, todas as contribuições são bem vindas.

É de elementar justiça…

… dizer que a ideia do Bastonário da Ordem dos Advogados de “indexar” a progressão na carreira dos juízes ao número de decisões tomadas é uma mistura de caricato e genial. Podia até ser uma estratégia de aproximação dos advogados aos juízes, dada a quantidade de decisões inúteis que os advogados exigem aos juízes nos disparates e nas variadas estratégias de diversão e/ou “enconanço” (escolham vocês a palavra) em que a Justiça e a Verdade se perdem, por entre as frestas do tempo e do espaço dos atafulhados tribunais.

Se o Bastonário Marinho Pinto aceitar que se avalie e controle o número de requerimentos, moções e outras ferramentas do expediente legal usadas pelos advogados, sem qualquer critério e tendo como único objectivo atrasar processos e protelar o apuramento da Verdade e a aplicação da Justiça, então talvez se crie um caricato e, eventualmente, eficaz sistema de equilíbrio entre as diversas formas de fazer perder tempo nos Tribunais portugueses.

Seja o que for, qualquer coisa seria melhor do que saber (como ouvi agora no Telejornal da RTP2) que há Juízes que perdem dias inteiros do seu tempo a fazer coisas como digitalizar documentos, porque não têm assessores para fazer tarefas de tipo administrativo.

Se isto é assim, então não vale muito a pena discutir da responsabilidade relativa de Juízes e Advogados, nem do quadro legislativo, nem de coisa nenhuma. Se isto é assim, é de elementar justiça querer emigrar.