Afinal quanto dinheiro é que se pode ganhar com publicidade num blog?

As respostas à minha pergunta recente, “Porque é que os blogs pessoais têm cada vez mais publicidade?“, levam-me a pensar que é bem provável que até agora, tenha subestimado os rendimentos possíveis. Ou isso, ou uma parte dos comentadores estão todos a soldo do Google AdSense. ;) Seja como for, parece que vale a pena.

Mas, sendo assim— e pondo de lado questões de princípio ou apenas sensibilidade—, impõe-se a pergunta: como e quanto dinheiro é que se pode ganhar, de facto?

No sistema do Google AdSense, onde “alugamos” espaço publicitário nos blogs, pode-se ganhar dinheiro de duas formas, porque se pode gastar dinheiro de duas formas no Google AdWords, o sistema do Google para anunciantes:

  1. CPC – Custo Por Clique
    Neste sistema, os anunciantes pagam apenas pelos cliques efectivos nos seus anúncios, ou seja, por visitas geradas através da publicidade. Neste caso, um anúncio pode surgir 10, 100 ou 1000 vezes no nosso blog sem recebermos um tostão por isso. Apenas se os nossos visitantes clicarem nos anúncios é que há retorno. E não vale fazer a batota: se clicarmos nós próprios nos anúncios e se isso for detectado pelo Google (e acreditem que eles detectam muita coisa), podemos ser banidos do sistema.
  2. CPM – Custo por Impressão
    Neste sistema, os anunciantes pagam para aparecer, independentemente dos cliques, ou seja, das visitas. Neste caso, de cada vez que o anúncio surge, somos pagos.

A opção CPC vs CPM é dos anunciantes e não de quem aluga espaço publicitário (pelo que percebi).
Isso significa que dependendo dos assuntos abordados e, assim, dos potenciais anunciantes, podemos ter anúncios CPC e CPM. Pela lógica, os pequenos anunciantes querem gerar visitas aos sites de forma controlada e económica e optarão pelo CPC. Os grandes anunciantes e grandes marcas, com orçamentos para publicidade online mais largos, estarão interessados em gerar visibilidade , independentemente das visitas associadas.

A escolha da parte de quem anuncia  é um problema de marketing, estratégia comercial e orçamento.

No sistema CPC, o custo por clique depende da relevância das palavras-chave escolhidas pelos anunciantes (“artesanato” custa €0,06 – €0,10, “linux” custa €0,81 – €1,22). Podem fazer as vossas próprias simulações aqui. Não encontrei dados ou simuladores para o sistema CPM, em que os anunciantes licitam por pacotes de 1000 impressões do seu anúncio.

Independentemente disso, há uma diferença entre o que os anunciantes pagam ao Google e aquilo que recebem os bloggers. E o facto da fórmula de cálculo não ser transparente assusta-me um bocadinho, pessoalmente.

Mas as histórias de gente que ganha bastante dinheiro multiplicam-se pela net e, aparentemente, entre os leitores deste blog há mesmo gente que tem essa experiência em primeira mão.

Como?

O motor do Google identifica no conteúdo do blog as palavras-chave indicadas pelos anunciantes e selecciona alguns, da lista de anúncios disponíveis e usando algoritmos que se apresentam como os melhores para garantir resultados aos anunciantes e aos bloggers (se uns pagam o mínimo e outros recebem o máximo, devem ser algoritmos do “arco-da-velha”). Dependendo do tipo de anúncio (CPC ou CPM) são calculadas receitas e despesas para cada uma das três partes envolvidas (despesas do anunciante, receitas do Google e do blogger) em função de cliques e/ou impressões.

Este sistema complexo significa que fazer estimativas de rendimentos com base nesta publicidade é muito complicado. Apenas se poderá concluir que:

  1. Um elevado número de visitantes e de exibições de página aumenta a probabilidade de rendimentos altos, mas não os garante, se a maior parte dos anúncios for do tipo CPC
  2. Conteúdos que versem assuntos “populares” aumentam também essa probabilidade, principalmente se entrarem na área de acção das marcas que aderem ao sistema CPM
  3. Conteúdos relevantes, bem escritos e estruturados permitem, em teoria, ao Google uma indexação mais eficaz do blog e, assim, um melhor “encaixe” entre publicidade e leitores, o que aumenta consideravelmente a hipótese de se fazer algum dinheiro

Mas, aparentemente, sem nos preocuparmos muito com isso, ou sem alterações na linha editorial, é possível ter algum rendimento. Se assim for, sugiro que isso significa que o sistema está temporariamente inflaccionado e que um ajuste progressivo entre a oferta e a procura, associados à melhoria dos “algoritmos” que o Google usa para garantir resultados a todos os intervenientes eliminará alguma “gordura” do sistema.

Entretanto, que faça bom proveito a todos.

E, afinal?

O Google insiste que só testando é que se poderá comprovar qual o rendimento do programa em cada blog. É verdade, por todas as razões indicadas e mais algumas. Mas existem formas de fazer estimativas. Esta é uma das mais simples que encontrei, mas não asseguro nada:

Rendimento = CTR * CPC

CTR – Click Through Rate: a relação entre o número de impressões do anúncio e o número de cliques
CPC – Cost per Click: custo por clique

Considera-se que uma CTR média andará à volta de 3% e que o CPC médio é de $0.25 (USD), por isso, para cada 1000 impressões (page views):

1000 * 3% (est. CTR) * $0.25 (CPC médio) = $7.5 (USD)

A acreditar nesta fórmula para estimar rendimento, um blog parecido com este, que tem cerca de 6500 exibições de página por mês, se tivesse 5 anúncios por página, poderia render cerca de $243.75 (USD) por mês.

Quem sabe se alguns dos comentadores do post anterior não poderão confirmar ou negar o rigor desta fórmula de estimar rendimento.

Mas, e depois?

Depois… nada. Este blog não terá publicidade por razões várias, mas acho que é importante que se perceba e se fale sobre esta realidade com alguma frontalidade e sem as “tretas” habituais de quem tem outros interesses nisto.

Também em nada se altera a minha relação com os blogs com e sem publicidade. Procuro conteúdos e acho que é isso que a maior parte das pessoas faz.

E alegra-me a frontalidade e naturalidade com que os comentários foram feitos. Ficámos todos (acho) a saber um bocadinho mais.

Porque é que os blogs pessoais têm cada vez mais publicidade?

Não é uma provocação. É uma dúvida legítima.
A tendência alastra e, por agora, já devem ser minoritários os blogs pessoais como este, que não têm publicidade. Não tenho sequer uma posição clara sobre isto. A existência ou ausência de publicidade raramente me distrai do critério fundamental para avaliar um blog: o interesse do seu conteúdo.

Mas dou por mim, cada vez mais frequentemente, a pensar nas razões que levam as pessoas a ter publicidade nos seus blogs.

Para ganhar dinheiro?

Imagino que uma parte significativa das pessoas o faça para complementar o seu rendimento. Mas qual será a rentabilidade de sistemas como um Google AdSense em blogs pessoais? Não tenho dados acerca disso, mas será possível ganhar algum dinheiro “real” sem começar a escrever em função disso? Não aumentará a pressão para escrever sobre assuntos “atractivos” e manter, até artificialmente, um elevado número de visitantes? Ou seja, como é que se controla o equilíbrio entre “ter publicidade” e “ser da publicidade”?

Para prestar um serviço?

Acho também que uma parte significativa das pessoas não está, conscientemente, a pensar em “rendimento”, ou, pelo menos, disfarça isso com uma ideia de que a publicidade pode ser um “serviço” prestado aos leitores. Como nestes sistemas a publicidade é escolhida em função da relação com os conteúdos, pode-se dizer que há alguma probabilidade de surgirem, entre os anúncios publicados, alguma informação relevante para os leitores. Mas esse é o argumento dos intermediários da publicidade, de todos os publicitários e do Google também, para nos convencer de que a publicidade é útil, particularmente se for “segmentada” e “direccionada”. E é um argumento que talvez faça sentido quando pensamos em sites ou blogs de projectos, associações, empresas ou indivíduos em que existe uma componente clara de “prestação de serviço”. Mas e na imensidade de blogs pessoais, de opinião e reflexão, o que é que a publicidade lá está a fazer?

Para assegurar despesas de manutenção?

Uma abordagem pragmática seria dizer que a publicidade pode servir para compensar os gastos com a própria manutenção do blog: registo de domínio, espaços em servidores extra para armazenar ficheiro, tempo gasto na escrita…

Se no caso das primeiras despesas, a quantidade de alternativas gratuitas faz parecer pouco razoável ou relevante a escolha, no caso do tempo “perdido”, impõe-se outra pergunta: se o tempo é “perdido”, ou seja, se não há mais-valia ou se se verificam perdas de produtividade em função do “investimento” feito no blog, faz sentido compensar desta forma (com publicidade), ou será melhor repensar a “pertinência” de ter um blog tão activo?

Imagino que esta argumentação pareça algo cruel, mas a minha experiência diz-me que, se pensarmos bem, o exercício de escrever um blog traz outras “mais-valias” e outros “ganhos” que, por vezes, é fácil menosprezar.

Para ser como os outros?

Este é o argumento mais “absurdo”, mas começo a achar que talvez seja um dos mais frequentes. Com a quantidade de blogs “profissionais” e “semi-profissionais” que nos habituamos a ler e que têm publicidade (como seria de esperar), talvez haja uma tendência crescente para achar que um “blog a sério” tem que ter publicidade, mesmo que nenhuma das outras razões seja relevante ou aplicável.

Como digo, não tenho certezas acerca de nenhuma destas coisas e tenho muito poucos dados acerca do rendimento que a publicidade pode trazer ao “blogger amador” ou da utilidade que terá para os seus leitores. Parece-me clara a utilidade desta tendência para alguns anunciantes e para os intermediários que ganham um canal vastíssimo. Mas, de resto…

Estranhamente, já vi muitas discussões e reflexões acerca de estratégias para aumentar o rendimento dos blogs, mas conheço poucas acerca da sua necessidade.

E vocês? Que respostas têm para esta pergunta? Que reacção têm à publicidade nos blogs?