Um bando de loucos

Que o PSD está em crise profunda e se arrasta penosamente já todos sabemos, mas as declarações de Guilherme Silva dão a esta crise toda uma nova dimensão:

“Alberto João Jardim, como outros, tem perfil e capacidade para dirigir o partido”, afirmou Guilherme Silva, em declarações aos jornalistas no Parlamento, sobre a possibilidade do líder do PSD/Madeira se candidatar à liderança dos sociais-democratas.

Isso é que era!

Mas o tiranete Alberto João não deve querer vir misturar-se com estes “cubanos” todos… pois não?

Sendo assim, quem defende a Constituição?

Cavaco Silva, na sua (não) reacção às alarvidades recentes de Alberto João Jardim, deixou bem claro que não está disponível a sacrificar a sua confortável posição de figura “consensual” e pacífica em nome dos níveis mínimos de funcionamento do sistema da democracia parlamentar consagrados na Constituição que jurou defender.

Mesmo para quem, como eu, nunca acreditou nesse juramento de circunstância do dia da tomada de posse, não deixa de ser incompreensível.

O episódio, mais uma vez, perder-se-á no meio da poeira e a figura abominável de Alberto João celebrará mais uma marca na coronha do revólver de ofensas constantemente apontado a uma República e a uma Democracia que já ninguém defende.

Não chegámos à Madeira, nem o barco encalhou: estamos mesmo é num faroeste sem xerifes nem homens de bem.

O barco da democracia encalhou ao largo da Madeira

Não sei se se usa em todo o país ou se é um regionalismo, mas o meu pai, quando as coisas se começam a complicar e os limites do aceitável ficam em risco, costuma usar a expressão “chegámos à Madeira, ou o barco encalhou?”.

Hoje, ouvi na RTP as declarações de Alberto João Jardim a propósito da visita de Cavaco Silva não incluir uma sessão na Assembleia Regional. Também se pode ler no Público:

“Eu acho bem não haver uma sessão solene, acho que era dar uma péssima imagem da Madeira mostrar o bando de loucos que está dentro da Assembleia Legislativa”, justificou Jardim no sábado. “Eu cá não apresento aquela gente a ninguém”, reforçou. E concluiu: “Acho que isso ia ter repercussões negativas no turismo e na própria qualidade do ambiente”.

Se, neste contexto, não houver nenhuma reacção enérgica do Presidente da República e de todos os órgão de soberania, não se verificar uma alteração na agenda desta visita e não se encarar definitivamente o problema Alberto João Jardim, é seguro afirmar que o barco da democracia encalhou ao largo da Madeira.

Tenho pena dos madeirenses. E terei pena de todos nós, se se deixar, mais uma vez, passar as alarvidades perigosas, ofensivas e anti-democráticas de Alberto João, como questões de “estilo”.