iPhone em Portugal pela Vodafone

O Pedro Aniceto chama a atenção para o anúncio da Vodafone, mas a questão do “quando” permanece. “Later this year” será exactamente o quê?

Eu continuo sem saber exactamente o que pensar do iPhone, se querem que vos diga. Mas, se pensar no meu quotidiano e no tipo de uso que dou ao meu telemóvel, aos computadores e até ao iPod que me foi oferecido nos anos :) , não sei mesmo o que faria com um gadget daquele tipo. Não me faz falta nenhuma das suas funções, mas, bem sei que essa não é a primeira questão que passa pela cabeça de quem o deseja e foi por isso mesmo que foi assim concebido.

Mas,

Recognizing the need is the primary condition for design.

Foi Charles Eames que o disse e se o for repetindo regularmente talvez evite pensar muito nisto. ;)

iCreate: a gota de água

A minha opinião acerca da iCreate nunca foi das melhores (e a associação à WebDesigner não me deu motivos para pensar que melhoraria), mas a presença do Pedro Aniceto fez-me manter a ténue esperança de que as coisas haviam de melhorar. O conteúdo do último editorial e, precisamente, a forma como trataram o Pedro Aniceto faz-me arrepender amargamente de ter sequer assinado a revista e ponderar a possibilidade de dedicar alguns minutos do meu tempo a fazer publicidade negativa desta e doutras publicações da Enjoy. Mas acho que não vale a pena: eles parecem bem capazes de tratar disso sozinhos.

Acontece aos melhores

Packman Lucas computer errorA Packman Lucas é uma empresa de topo, com uma série de trabalhos impressionantes e inovadores na concepção de estruturas. Mas quando passámos na montra deles, um daqueles crípticos erros do Windows (mas sem a piada destes ou destes) tinha bloqueado o monitor de apresentação do portfólio.

Para quem passava, tinha alguma piada, mas gostava de ter visto a apresentação dos trabalhos da empresa.

Não digo que se usassem Mac’s não teriam problemas, mas eu talvez não tivesse tirado a fotografia. ;) E daí, acho que tirava, por ser uma raridade! ;)

How little is too little?

Comparação de tamanhos dos écrãs dos novos iPods

A última aparição do Steve Jobs, como toda a gente sabe, foi para apresentar novos iPods e uma nova versão do iTunes. Estas apresentações, com o pano de fundo dos gritinhos e das palmas a despropósito envergonham-me sempre um bocado, como Mac User que sou, mas sigo-as com alguma atenção. Neste últimos caso houve 2 coisas em particular que me irritaram:

o início em que o Steve Jobs diz que vai falar sobre música e o entusiasmo de todos os presentes com o vídeo no novo nano, cujo mote é “a little video for everyone”.
Se há coisa que é verdade é que este nano é “little”, mas qual é o interesse real de fazer o écrã com a maior resolução que a Apple alguma vez usou (204ppi) se aquilo tem 4cm x 3cm? Alguém vê vídeo numa superfície desse tamanho?

How little is too little?

PS: Já os 160GB do iPod classic… isso sim parece ter alguma utilidade.

Schmap Guides disponíveis para Mac users

Quando algumas das minhas fotografias de Parma foram seleccionadas para um guia interactivo, apesar de algum orgulho, chateou-me que o software em causa não funcionasse em Mac’s e recebi a promessa dos editores que a correcção dessa situação fazia parte dos planos deles para um futuro breve.

Tardou, mas aconteceu: os Schmap Guides já funcionam correctamente (lembrem-se que é uma beta) em Mac OS X, na versão online e desktop.

O guia de Parma só está disponível na versão desktop, por isso, foi esse que testei primeiro e é (com) esse que (me) exibo:

Schmap Guide de Parma, com fotografias minhas sublinhadas

O conceito é interessante e muito “web 2.0″: em vez de criarem conteúdos, procuram-nos onde eles existem, pedem autorização aos autores e fazem uma espécie de agregador de informação turística (mapas, textos, fotografias), que acaba por funcionar como guia.

Art 2.0… where to, Mr. Benjamin?

Quando li, pela primeira vez, este artigo a classificar o David Fonseca como um “Artista 2.0″, pela estratégia recente de difusão do seu trabalho, com um recurso inteligente à web, e por acumular competências artísticas em vários domínios (a propósito do acto de ser o realizador do seu último videoclip, Superstars), achei que não o deveria comentar porque, não sendo eu minimamente próximo do mundo da música pop, era mais do que provável que qualquer comentário fosse mal interpretado.

Mas fiquei a matutar nisso e o lançamento do iLife ’08, por razões não muito fáceis de explicar, deu-me vontade de avançar alguns comentários.

o iLife e a Renascença

Antes de outras coisas, preciso de tentar explicar a relação que encontro entre a suite de aplicações Life, da Apple, e o conceito mais ou menos mitológico do “Homem da Renascença” ou “Homo Universalis”, que é, na verdade, aquilo que leva algumas pessoas a olhar para artistas que “acumulam” competências em várias valências ou disciplinas, como Artistas (mais) completos ou (mais) à frente do seu tempo— é curioso à partida que uma atitude historicamente associada à segunda metade do século XV continue a servir para classificar uma certa ideia de vanguarda ou, pelo menos, de modernidade…

Ao fornecer um pacote muito acessível de aplicações extraordinariamente intuitivas, mas fortemente pré-modeladas, para a manipulação rápida e com relativa qualidade técnica de vários media (música, fotografias e vídeos) a Apple fez uma revolução, ou contribui para a revolução em curso na relação entre consumidores e produtores de bens culturais de grande consumo, ao diluir as fronteiras técnicas que faziam depender de equipamentos e profissionais altamente especializados qualquer operação de produção e divulgação desses bens culturais. O que a Apple fez com a filosofia subjacente ao GarageBand e ao iMovie na área dos meios de produção, fizeram os novos serviços da chamada Web 2.0 aos canais de distribuição e, tão ou mais importante do que a real utilização e potencial destas ferramentas, no ambiente altamente mediatizado em que vivemos, é a rapidez de difusão da ideia de que, com estes novos meios digitais e com estas “apps e gadgets bués de cool“, os processos criativos passavam a estar ao alcance de qualquer um.
Se a diluição de algumas fronteiras técnicas e o acesso facilitado a melhores meios de criação e produção nas áreas da música e do vídeo são sempre boas notícias, em termos de promoção da criatividade e nivelamento do campo, o pitch de marketing muito apetecível de que “qualquer um pode ser uma estrela e criar um sucesso“, além de ser ofensivo para uma parte significativa de criadores e artistas emergentes ou estabelecidos, introduz uma perigosa distorção na avaliação do trabalho desenvolvido e apresentado ao público, dada a desvalorização acentuada dos meios e das competências necessárias nas várias áreas artísticas.
Este problema não resulta duma postura exclusiva da Apple, nem é um problema exclusivo do nosso tempo, e talvez seja uma “faca de dois gumes” que não pode deixar de ir abrindo caminho e feridas à sua passagem.
(Este é o meu principal engulho actual com a Apple, do qual resulta também a minha apreciação da iCreate, para quem estiver a pensar nisso).

Neste contexto, esta espécie de iRenascença que os novos meios tecnológicos nos oferecem não passa dum aprofundamento da situação analisada por Walter Benjamin em “A Obra de Arte na Era da sua Reprodutibilidade Técnica“, temperada pela lógica consumista do fast-food e do ready-made que, para lá das suas aplicações filosóficas e estéticas, levantam problemas éticos reais na avaliação do papel do criador, do técnico especializado e da ferramenta… problemas com que vivemos quotidianamente, aliás.

Art 2.0… como estar à frente do seu tempo

Perceber-se-á que, neste contexto, me custa engolir a ideia de que o esforço do David Fonseca possa ser levado demasiado a sério, como “um novo tipo de artista”, e nem sequer me parece que o próprio dê um valor por aí além às suas incursões, naturais nos tempos que correm, às áreas afins da concepção e realização plástica dum videoclip. Não sou especialista mas creio que não será difícil fazer uma lista de artistas (nacionais e estrangeiros) que em várias áreas musicais têm apostado numa lógica de criação que excede a simples escrita e produção de canções, integrando num conjunto coerente a experiência plástica dos concertos, o conceito de eventuais videoclips ou outros métodos de distribuição ou a construção de “personagens” que resultam em concept albuns, em concept bands… e uma parte significativa desses criadores reconhece, há muito, o papel da web, não só como montra, mas como espaço de interacção com o público e suporte de novas experiências.

De facto, a geração MTV consome doses cavalares de híbridos audiovisuais que já há muito deixaram de ter identidade musical autónoma das suas representações gráficas ou de uma identidade plástica, no que poderia passar por um alucinado cumprimento do ideal Wagneriano da GesamtKunstWerk. :D

Em tal contexto, parece necessário olhar para as diferentes atitudes entre criadores (na música e em todo o lado) e valorizar as reflexões mais críticas acerca dos meios de produção e distribuição, e seria particularmente interessante destacar alguns exemplos de quem procurou, realmente avant-la-lettre, novos meios de interagir e partilhar ideias com o seu público, integrando a Internet e as TIC na sua existência, em vez de usarem simplesmente receitas já conhecidas e gastas. Exemplos já reconhecidos, como o dos Einstürzende Neubauten e do seu Supporter Project, estabeleceram verdadeiramente novos padrões na avaliação da relação de projectos musicais com a internet e têm frutos visíveis, ainda que não óbvios, um pouco por todo o lado.

em jeito de conclusão

A capacidade de encontrar e explorar novos meios para a expressão e partilha de ideias e objectos artísticos em suportes interligados, complementares e trandisciplinares será, provavelmente, um recurso bastante mais frutuoso do que a simples acumulação de habilidades técnicas que as sucessivas revoluções computacionais tornam mais comuns. E essa capacidade passa por atravessar fronteiras disciplinares e partilhar com outros criadores e técnicos a realização de ideias e conceitos, criando sinergias e gerindo talentos.

Algures por aí andará a Art 2.0.

Concorda, Mr. Benjamin? E os leitores?

Obsoleto?

Eu pensava que manter o Internet Explorer para Mac no meu computador era apenas preguiça e que já não existiria nenhuma situação em que um browser descontinuado e obsoleto, como aquele, me fosse fazer falta. Afinal de contas, já se trabalha com standards há muito tempo e até o Estado e os Bancos (que eu uso) têm os seus sistemas a funcionar decentemente em browsers modernos e inteligentes.

Só que fui agora mesmo comprar bilhetes para assistir ao concerto do Ornette Coleman no Jazz em Agosto e, para minha grande surpresa, encontrei utilidade para o IE/Mac. É quase inacreditável que o sistema de venda de bilhetes online em uso pela Fundação Gulbenkian opte por excluir browsers modernos e inteligentes*, mas aceite com naturalidade um browser descontinuado e obsoleto

E um episódio destes, considerando a instituição de que se está a falar, diz muito acerca do “estado da arte” da programação web em Portugal.

Acho que vou mesmo ter que manter o IE/Mac por cá, não vá ter mais surpresas desagradáveis destas.

* – testei em Firefox, Safari e Opera (com e sem o user agent modificado para IE) e em nenhum deles consegui seleccionar os lugares, no primeiro passo para comprar bilhetes

Apostas

Quem quer apostar que este artigo do Jeffrey Zeldman vai fazer correr muita tinta electrónica acerca da estratégia da Apple em geral, do iPhone em particular e das motivações que cada um usa para se convencer a si próprio que o iPhone é o máximo ou que o iPhone é o “demo”?

Eu sou o primeiro a admitir que, depois de uma leitura na diagonal, comecei a pôr em causa alguma da minha desconfiança face ao gadget e ao “encaixe” numa estratégia de crescimento da Apple. O Zeldman tem esse efeito em mim, que querem que vos diga?

Ainda o Skitch

Espero não me especializar nisto, mas depois do comentário da Maria João Valente à minha wishlist de funcionalidades para o Skitch, como sabia como é que se pode mudar o estilo do texto (só o alinhamento é que não), decidi usar o próprio Skitch para mostrar como e, ao fazê-lo, apercebi-me que é possível fazer o “crop” da imagem (seja para retirar partes, seja para acrescentar área livre):

Skitch: crop e estilos de texto

 Assim, fica resolvido (porque já estava) um dos meus desejos (o crop) e um dos da Maria João Valente (os estilos de texto):

  • clicar e arrastar nas margens para o crop
  • edit > show fonts (option+t) para alterar o tamanho, tipo e estilo, com a possibilidade de retirar o contorno e/ou a sombra ou reverter para o estilo Skitch

Há mais dúvidas ou dicas, por aí? Ou dúvidas que se transformem em dicas? ;)