Fomos ao mercado

Fui ao mercado com a Lau e a Maria

Fomos todos (a Maria ainda bem protegida).
O Mercado de Santiago fica no Bairro de Santiago, os “comboios amarelos” a quem muita gente associa algumas das piores coisas de Aveiro. Não percebo. Eu, em Aveiro, sempre morei junto do Bairro de Santiago e não conheço muitos espaços em cidades portuguesas com a qualidade de vida que o Bairro de Santiago oferece. Por muito que se favoreça a degradação dos espaços públicos e jardins, por acções e omissões, e por muitas dificuldades que se vivam dentro das habitações (que conheço e que, como quase toda a habitação social em Portugal, não é de grande qualidade), a verdade é que a vida no Bairro de Santiago aproveita o que de melhor se pode fazer, urbanisticamente falando, numa cidade como Aveiro: há espaço para respirar, campos de desportos, jardins para passear, luz… e há o Mercado!

Se uma parte da cidade se alheasse de preconceitos e viesse usar mais estes espaços que são de todos, seria mais difícil aos responsáveis públicos abandonar de forma tão miserável alguns dos espaços e serviços prometidos.

Venham daí!

E o Pritzker vai para… Jean Nouvel

Jean Nouvel, vencedor do Pritzker 2008O Público dá a notícia: o francês Jean Nouvel ganhou o Pritzker deste ano. Infelizmente, o Público não tinha nenhuma imagem do arquitecto francês ou duma das suas obras e achou que era boa ideia ilustrar o artigo com uma fotografia de Siza Vieira, vencedor do prémio em 1992. Como neste blog não temos as restrições a que estão sujeitas as grandes publicações de referência como o Público, é com prazer que vos mostro o premiado deste ano: Jean Nouvel.

Sugestões de leitura

Não é muito meu hábito, mas dei por mim a pensar que fazia sentido deixar aqui duas sugestões de leitura.

A primeira é o artigo de opinião assinado por Pedro Gadanho na edição de hoje do Público (disponível online só para assinantes) a propósito do “desaparecimento” dos arquitectos portugueses numa altura crítica:

Agora que se repetem as eleições para a direcção nacional da Ordem dos Arquitectos – e quando há dez minutos atrás se abateu um silêncio ensurdecedor sobre o facto de o primeiro-ministro português assumir a autoria do que só pode ser considerado um crime arquitectónico – é importante perguntar onde param os arquitectos portugueses.

O artigo chama-se mesmo “Onde param os arquitectos portugueses?” e é importante e urgente, de facto, encontrar uma resposta. Espero que a reflexão de Pedro Gadanho sirva para “agitar estas águas”.

A segunda sugestão de leitura tem uma relação ténue e indirecta com as minhas  Fábulas de justiça social e é um ponto de situação relativo ao Estatuto dos Profissionais das Artes do Espectáculo feito pela Catarina Martins (directora do Visões Úteis, representante da Plateia nos Encontros AlCultur e minha irmã).

Destaco:

Regulamentar a contratação sem nada dizer sobre a segurança social não chega para estruturar o sector. Muita da debilidade do meio deve-se à falta de protecção social dos trabalhadores. Cronicamente tem-se disfarçado a falta de meios para a criação artística com a desprotecção dos profissionais. E as grandes empresas (como produtoras de televisão), e o próprio Estado, têm aproveitado para seguir os modelos dos pequenos empreendedores e do auto-emprego (as micro companhias de teatro e dança, os projectos pontuais) debilitando ainda mais o tecido profissional. Um profissional não pode ser obrigado a fazer em nome do lucro de outros, os sacrifícios que entende fazer em nome de projectos em cuja gestão tem voz activa. Não há razão para nesta área os trabalhadores serem ainda mais desprotegidos do que em todas as outras.

Boas leituras.

Depois do Adeus, cheias em Lisboa

Para acabar de vez com a ideia de que a discussão acerca dos riscos e sua prevenção é apenas uma manobra comercial, eis que, depois da estreia do Depois do Adeus — o novo programa da Maria Elisa na RTP, em que se discutiu ordenamento do território e prevenção de riscos, entre outras coisas, a propósito das cheias de 1967—, vieram cheias a sério em Lisboa.

Quem é que dizia que “não há coincidências”?

É uma revolução? É sim, meu menino.

Confuso com o movimento, o som da «Fanfarra Recreativa Improvisada Colher de Sopa» e os polícias que circulavam no interior e exterior do edifício, uma criança questionou o pai sobre o que se estava a passar.
«É uma revolução?», ouviu-se a pergunta.

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=i0VnkeQWZSY[/youtube]

Bolhão: Artistas e populares contra projecto recuperação

Diário Digital/Lusa | 16-02-2008 16:51:00

Artistas, arquitectos, políticos e populares aderiram hoje, no Porto, a mais uma manifestação organizada pelo movimento cívico em defesa do Mercado do Bolhão, que agendou já idêntico protesto para o próximo sábado.

Animados pela notícia da classificação do mercado do Bolhão como imóvel de interesse público, os organizadores do protesto garantem que «não vão parar» e manifestam-se, agora, mais confiantes de que o tribunal, através de uma providência cautelar, lhes dê razão e impeça o avanço do projecto da autarquia de reconversão do edifício.
Em declarações à Lusa, o arquitecto Correia Fernandes lamentou que a Câmara do Porto se tenha «demitido da obrigação de procurar rubricas, programas e outros apoios que existem para a reabilitação física dos espaços, optando pela imediata entrega do imóvel a um grupo privado».
Entregou a concepção do projecto, mas também a construção e a exploração do mercado sem antes ter tentado encontrar uma solução alternativa, nomeadamente através de candidaturas a fundos comunitários que existem», frisou.
O arquitecto, que hoje se juntou às dezenas de manifestantes que se reuniram em frente ao mercado, explicou que «todos os edifícios vão mudando – veja-se o caso da Cadeia da Relação – mas o importante é a manutenção da memória».
No caso do Mercado do Bolhão, «trata-se de um edifício notável e de grande importância a nível mundial».
A mesma opinião foi transmitida pelo mestre José Rodrigues, que faz questão de afirmar que adere a todos os movimentos que visem impedir os atentados contra o património.
Do negócio não sei, mas sei que destruir um património destes é um crime», acrescentou o escultor, considerando que «uma cidade vive de memórias».
José Rodrigues defende que se «façam obras e que se modernize o mercado», mas «mantendo as suas características principais».
O Bolhão faz parte do Porto», frisou.
A azáfama no interior do mercado era a habitual de uma manhã de sábado, não se notando, segundo os comerciantes e clientes, grandes alterações no movimento apesar da «festa» que decorria no exterior.

Isabel Figueira, de 71 anos, todos os dias visita o mercado.

«Só me ajeito a comprar aqui» disse, afirmando à Lusa que concorda que se façam obras «desde que garantam o regresso dos comerciantes».
Os jovens Andreia e Humberto vieram do Algarve para um período de férias no Porto.
«É a primeira vez que aqui estamos e viemos porque é um sítio emblemático da cidade», disseram.
Um outro casal, também jovem, explicou que moram na baixa portuense e que todos os sábados fazem compras no «Bolhão».
Confuso com o movimento, o som da «Fanfarra Recreativa Improvisada Colher de Sopa» e os polícias que circulavam no interior e exterior do edifício, uma criança questionou o pai sobre o que se estava a passar.
«É uma revolução?», ouviu-se a pergunta.

Simultaneamente ao protesto decorreu uma recolha de assinaturas para um abaixo-assinado que será entregue, a meio da próxima semana, na Assembleia da República, onde se defende que o Mercado do Bolhão «deve ser reabilitado e não demolido».
Este abaixo-assinado já recolheu cerca de «20 mil assinaturas», segundo um dos promotores, mas espera-se que o número continue a aumentar até 21 de Fevereiro, dia em que será entregue no parlamento.
A Câmara do Porto assinou a 23 de Janeiro um contrato com a TranCroNe (TCN), onde se prevê que a autarquia ceda o edifício em direito de superfície por 50 anos, recebendo um milhão de euros no momento da emissão da licença de construção e uma percentagem dos resultados de exploração a partir do décimo ano.
As origens do Mercado do Bolhão, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, remontam a 1838, quando a Câmara do Porto decidiu construir uma praça em terrenos adquiridos ao cabido.

Diário Digital/Lusa
16-02-2008 16:51:00

Ainda não assinou a petição? De que é que está à espera?

Porta 65 Fechada: MANI FESTA ACÇÃO

O Movimento Porta 65 Fechada promove um fim de semana de contestação com acções em vários pontos do país.
A causa é justa, o momento é este e é urgente agir. Eu, que beneficiei do antigo Incentivo ao Arrendamento Jovem e que sei reconhecer o impacto positivo que teve em parte da minha “auto-determinação”, acho que se “mete pelos olhos dentro” o absurdo duma parte considerável do Decreto Lei Porta 65.

Parece, entre outras coisas, que alguém achou que esta era uma boa forma de moralizar ou pressionar o mercado do arrendamento em Portugal e que, face a esse desígnio maior, o sacrifício duma geração era perfeitamente aceitável. A malta, ainda por cima, é nova!, o que é que lhes custa pôr a vida em stand-by, até que os proprietários percebam que estão a perder clientes ou “vítimas” e comecem a baixar os valores das rendas até aos padrões definidos pelo Estado? De facto…

Nota-se um padrão nesta forma de pensar e agir por parte do Executivo: é uma familiar mistura de autismo com prepotência cobarde.

Se o desígnio de moralizar o mercado do arrendamento é nobre, que sentido faz “atacar” a questão usando os jovens arrendatários como arma de arremesso?

O programa das festas para o próximo fim de semana pode ser visto no blog do movimento e, para quem estiver no Porto, fica aqui o meu convite especial para o concerto de F.R.I.C.S. na Casa Viva, no sábado, dia 9, às 21h00.

Cartaz do fim de semana de contestação promovido pelo movimento Porta 65 Fechada

Os mamarrachos do Sócrates

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=QhLlNZKpjlo[/youtube]

Desculpem lá, mas fiquei confuso acerca desta questão e não estava. Para mim, a desonestidade intelectual e a fraqueza de carácter do nosso PM eram dado adquirido, mas algumas das construções à volta do tema, que fui lendo aqui e ali, preocupam-me.

Importam-se que faça 2 ou 3 perguntas?

É que, das duas uma:

  1. ou se aceita que o Sócrates mente acerca destes processos e do seu envolvimento, pelo que a responsabilidade real do próprio a nível de projecto não existe, não lhe sendo atribuível o atentado à paisagem, mas apenas o acto corrupto da altura e a mentira torpe de agora;
  2. ou se presume que Sócrates é mesmo autor das obras em causa, sendo por isso honesto ao assumi-las agora, culpado de péssimo gosto e completa falta de habilidade para o projecto arquitectónico, mas isento de culpa no que ao acto corrupto diz respeito e no exercício de funções que legalmente, ainda que mal, lhe eram permitidas.

Pelo que o Público divulga, aparentemente, apenas um dos proprietários reconhece José Sócrates como autor do projecto, pelo que é mesmo provável que ele tenha prevaricado das duas formas:

  1. como técnico corrupto, capaz de vender a assinatura e, com ela, aval técnico de obras que desconhecia, em troca de favores semelhantes (presume-se) e outros de carácter político-partidário;
  2. e como técnico incompetente no exercício de funções que lhe eram legalmente permitidas e que ele, filho de Arquitecto, se sentia capaz de exercer, ainda que o resultado seja desastroso.

Mas parece-me confuso tentar juntar as duas coisas numa só, classificando de gravosa ora as falhas éticas e deontológicas, ora as falhas técnicas e estéticas, numa aparente saraivada que atinge o PM justamente— “só se perdem as que caem ao chão”, como se costuma dizer—, mas que é pouco “cirúrgica”.
De facto, num caso e noutro o nosso PM não é mais do que o triste reflexo do país e do funcionamento de classes e corporações do mais fraco que há. E pensar que, dele, surgiriam manifestações de fra(n)queza é mais do que ingénuo.
A ética de Sócrates é como a de Pina Moura e a de tantos outros portugueses mais ou menos ilustres. É a lei. E como a lei nunca é muito bem escrita (porque haviam os legisladores de ser mais rigorosos ou competentes que a maioria dos portugueses?), há sempre um ou outro artifício à mão, para que a lei se adapte à “ética” que der jeito ao próprio e aos amigos.

Isso é mais grave se estivermos a falar do PM do que se estivermos a falar dum funcionário público ou dum assalariado do sector privado? Parece-me que sim.

Já no caso da (falta de) qualidade da obra em si, tão bem ilustrada pelo Público, podemos sempre pensar que a paisagem portuguesa está mais segura com José Sócrates longe dos estiradores mas, infelizmente, não podemos sequer dizer que é um caso único, isolado ou sequer merecedor de destaque pela negativa no conjunto das práticas construtivas do nosso país. Mamarrachos como os que Sócrates assinou— e muitos bem piores— estão espalhados de norte a sul do país, saídos da mão de engenheiros técnicos, engenheiros civis, desenhadores, mestres da construção civil, arquitectos, jeitosos e clientes de todas as classes sociais e formações que dispensaram sequer a presença de projectistas.

O sector da construção civil e a forma como se organiza, nas diferentes relações contaminadas entre os vários agentes, é um dos males que aflige o país há mais tempo e de forma mais continuada, por razões tão diversificadas como são as que explicam o nosso atraso generalizado e, num caso e noutro, a “raíz de todo o mal” pode ser encontrada nas falhas de formação generalizadas. São elas também que permitem o relaxamento dos padrões éticos e morais. São elas que explicam de forma mais completa os nosso baixos padrões estéticos, a nossa relação descomprometida com o património construído e natural, o nosso desprezo pela paisagem e pelas manifestações do belo… E são elas que explicam a difícil relação entre os dois extremos do sector da construção: arquitectos, engenheiros e técnicos superiores dum lado e mestres, encarregados e trolhas doutro. E, no meio, um deserto de incompreensão, falhas de comunicação, desrespeito e intolerância mútuas, arrogante ignorância distribuída equitativamente por todos, com um resultado desastroso: uma tensão latente constante, uma absoluta falta de coordenação de esforços e ilhas de autismo insuportáveis.

Não é por isso de estranhar que muitas vezes se procure a solução no meio do sistema, e é essa a principal razão pela qual o infame 73/73 demora a morrer.

E qualquer tentativa de colocar esta questão de forma corporativa, defendendo que a definição e protecção absoluta de territórios disciplinares na lei é a solução para os males da nossa paisagem é uma ilusão perigosa. Eu, pessoalmente, só acredito que os Arquitectos são parte da solução na mesma medida que acredito que são parte do problema. Não será legislando que se convencerá os portugueses do papel social do Arquitecto, muito menos das vantagens de contar com as suas competências no momento de fazer/remodelar/expandir a sua casinha. E, nesse sentido, duvido se se ganha alguma coisa em usar o exemplo de Sócrates, o mau engenheiro técnico, como argumento a favor dos Arquitectos. É bem possível que se eleja um par de Arquitectos-Políticos para uma outra Galeria de Mamarrachos, tão ou mais pungente que a de Sócrates. Ou não?

Esta cadeia começa aqui: uma escolha de 5 professores

Depois da escolha de 5 filmes e pensando na frequência com que surgem estas cadeias de blogs com escolhas de filmes, livros, discos, autores, artistas e sucedâneos e, considerando eventos recentes, lembrei-me de, pela primeira vez, iniciar a minha própria cadeia: uma escolha de 5 professores.

As regras são simples: cada blogger deve referir cinco professores que, de alguma forma, tenham marcado o seu percurso. Não tem que ser uma escolha ordenada nem uma lista absoluta dos “melhores” ou “mais importantes”. Isso seria um exercício de crueldade.
A informação adicional fica ao critério de cada um, mas era engraçado que esta cadeia servisse para partilhar ideias sobre o que faz dum professor uma personagem marcante e, eventualmente, distinguir diferentes tipos de “professores”.

Não estou a pensar impor regras muito rígidas sobre graus de ensino, ensino formal ou não formal, continuado ou pontual. Cada um saberá melhor o que fazer.

As minhas escolhas são estas:

Margarida MónicaMargarida Mónica

A minha professora da escola primária, da 1ª à 3ª classe. Uma escolha óbvia para quem teve bons professores na primária. Escolho a Margarida Mónica não só por me ter ensinado a ler, escrever e contar, mas porque me ensinou a gostar da escola e a gostar de fazer parte da escola, um conjunto de pessoas e processos nem sempre simples.
Acresce a isso eu ser um miúdo particularmente irritante, se a memória não me falha, com todos os vícios típicos dos “filhos de professores”. E só guardo boas memórias desses 3 primeiros anos. Posso não ter ficado com a caligrafia de que gostaria e com áreas da tabuada um bocado nubladas, mas não por culpa da Margarida Mónica.

Fernando Valente, professor de SaxofoneFernando Valente

Foi meu professor de Saxofone e Classes de Conjunto no Conservatório de Música de Aveiro de Calouste Gulbenkian durante quase 7 anos (entre os meus 12 e 19 anos). Ensinou-me a tocar saxofone do nada e acompanhou-me num período crítico da minha formação como músico. Fez-me participar em projectos colectivos muito variados, levou-me a diferentes palcos e públicos, proporcionou-me o contacto com outros professores e formadores.
Em retrospectiva, sei que não era um grande pedagogo e que os métodos dele eram uma mistura do mais reaccionário das escolas de banda sinfónica e da “academia” com uma energia e paixão que consumia tudo e que era tão sedutora como perigosa. Podia ter corrido tudo muito mal e conheço gente que ficou chamuscada na relação com ele. Mas isso também me tornou mais “rijo”, que também pode ser uma forma de aprender.

A homenagem recente que recebeu, pelo Teatro Aveirense, fez-me voltar a pensar nele como “personagem” e percebi que era importante que se tivesse homenageado a pessoa real, em toda a sua complexidade, em vez de se tentar construir uma imagem mais digna de salão nobre… ainda assim, a homenagem era necessária e teve momentos genuínos. Gostei.

Leo VerheyenLeo Verheyen

É estranho que um trombonista belga que orientou um workshop curtíssimo de Música de Câmara do Século XX, no Conservatório de Música de Aveiro de Calouste Gulbenkian , venha parar a esta lista, mas a verdade é que foi a primeira vez que vi partituras gráficas, que soube que havia outras formas de compor e comunicar música e que me vi na qualidade de intérprete/criador, com excepção dos workshops de Jazz que já tinha frequentado e que não tiveram o mesmo impacto (em retrospectiva). Em vez do Leo Verheyen, que orientou o workshop, talvez devesse estar aqui o nome da Andreia Hall e do José Abreu, meus professores de Análise e Técnicas de Composição e que organizaram o referido workshop. Como consequência directa, escrevi e apresentei a minha primeira “obra” no fim desse ano, com secções de improvisação e módulos permutáveis.

Beatriz Madureira

Não tenho fotografia da Beatriz Madureira (arquitecta) e faz sentido que assim seja. Foi a melhor professora que tive na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e é provável que esta seja uma das minhas escolhas mais difíceis de explicar. Menos para quem conheceu a Beatriz Madureira a tempo. A disciplina era a “cadeira do Távora”, Teoria Geral da Organização do Espaço, mas acima de tudo era uma introdução rápida e agressiva a vários “fundamentais”: o que é a Arquitectura, o que é um curso superior, o que é “estudar”, para que é que se estuda, quais as ferramentas… estruturante a vários níveis e um “destaque” que me sabe muito bem fazer.

Carlos AguiarCarlos Aguiar

Eu sou menos do que um aluno ausente no DeCA, mas a primeira aula que tive com o Carlos Aguiar deixou-me “pasmado”. A má experiência na FAUP pode ter baixado as minhas expectativas, mas em pouco mais de uma hora, de uma forma extraordinariamente fluída e estruturada, apresentou o Curso, explorou conceitos fundamentais, explicou a opção por um curso de Design único…
Daquilo que eu conheço das “escolas de projecto”, o Carlos Aguiar é um exemplo raro de eficácia, rigor e dinamismo.

As escolhas estão feitas. Como a cadeia começa aqui, passo a bola a quatro amigos de quem me interessa saber as respostas, mas sugiro que quem quiser pegar na ideia o faça. Se puserem um link para aqui, é simpático. Se não, “no harm done”.

Os 4 a quem passo a batata quente são: o Guilherme Cartaxo, a Catarina Martins, o Pedro Mosca e o Nuno Casimiro.

Na ordem do dia: um agradecimento ao Alexandre Alves Costa

 O Arquitecto Alexandre Alves Costa esteve ontem Na Ordem do Dia, o programa da TSF em que as diferentes ordens profissionais têm tempo de antena. Não é irrelevante que tenha estado em representação da Ordem dos Arquitectos, mas a intervenção que fez diz-nos respeito a todos e põe muitas coisa na ordem do dia.


A mim, marcou-me o dia e devolveu-me um sentimento de admiração pela classe dos arquitectos pela qual nutro uma complexa mistura de amor e ódio… uma paixão assolapada, de facto.

Acho que a audição desta breve intervenção faz bem à alma de toda a gente que se preocupa com a cidade (a do Porto, particularmente), com a cultura e com o exercício activo e enérgico da cidadania.

Obrigado, Alexandre. Muito obrigado.