exercício

nesta sala fechada

abre a porta e deixa-me sair.
pensa bem nisso.
abre a porta.
estás-te a repetir.
porque quero que abras a porta. que me deixes sair.
se quisesses sair, abrias tu a porta. e saías.
estás a desconversar.
não, não estou.
que queres que te diga?
que me digas que não queres que te liberte.
mas eu quero sair daqui.
isso pode ser verdade. mas não queres que te liberte.
não?
não. não queres que te liberte. queres que te expulse. e isso não faço.

abre a porta e deixa-me sair.

Enxaqueca

Hoje, fui seguido durante umas horas por uma insuspeita dor de cabeça. Subitamente, ela aproximou-se, sem avisar e atacou-me violentamente, provocando-me vómitos e fechando-me num quarto escuro, refém de mim próprio.

Sou, oficialmente, vítima duma enxaqueca cruel, que não conhecia nem sabia que podia existir. E ganhei um grande respeito e muito mais solidariedade para todas as pessoas que sofrem regularmente de enxaquecas, especialmente as que são gozadas por pessoas que, como eu, não sabiam muito bem o que era isto.

Por mais que tente, não consigo ser curto

Hoje foi dia de escrita. Textos em atraso.

Começa a ser regular esta necessidade de estabelecer “dias de escrita” e, por mais que me esforce e treine no Twitter, por exemplo, não consigo ser curto. Pensava eu que isso se devia a falta de disciplina, por ter, normalmente, um editor capaz e generoso, a jusante, mas hoje percebi que não é só isso, confrontado com a necessidade de encurtar um texto bem para lá daquilo que me parece possível. Em boa verdade, há um nível de poder de síntese (ou mais do que um?) que me escapa completamente e, se não começo a exercitar esse misterioso músculo, desconfio que terei vários dissabores num futuro muito mais próximo do que gostaria.

Sendo assim, prolixo e preguiçoso me confesso, apelando à ajuda de todos quantos possam ter sugestões de exercícios, rotinas ou referências bibliográficas para exercitar o poder de síntese até ao nível telegráfico. Preciso mesmo da vossa ajuda.

Estudo de opinião

Recebi um mail dum amigo que não gosta de ver o meu blog visualmente “poluído” com os resumos diários do Twitter. Pessoalmente, também acho que o blog fica mal servido com estas entradas, em termos gráficos, mas vejo alguma utilidade na sua publicação e, a julgar pelos números de visitas, leituras via feed e cliques, não sou o único. Isto aumenta a minha convicção de que uma parte significativa dos meus leitores não acede aos conteúdos via blog pelo que, cada vez mais, penso nele como uma plataforma funcional e preocupo-me pouco com o “aspecto” que tem. Sim, sou esse “tipo” de designer.

Num mundo ideal, claro que gostava de ter tempo ou vontade (não sei o que me faz mais falta) para actualizar por aqui umas coisas e refrescar o aspecto geral do blog, incluindo uma forma gráfica de separar estes conteúdos breves do resto, mas se soubesse que há mais gente que partilha da opinião deste meu amigo, talvez usasse isso como um incentivo importante. Como é? Há mais gente incomodada com o aspecto das minhas tuítadas ou a malta nem sequer tinha reparado e/ou pensado nisso se não fosse este artigo?

Jogos Olímpicos Pequim 2008: que fazer à consciência?

Eu gosto de ver “as corridas”, como lhes chama o Nelson, mas isso não significa que não partilhe das convicções dele ou que não sinta que, de facto, precisamos de resistir ao “barulho das luzes“.

Sendo assim, que fazer à consciência, para podermos assistir às diversas proezas atléticas, sem nos sentirmos cúmplices da hipocrisia global que ofereceu ao regime totalitário chinês esta oportunidade de ouro de se legitimar em toda a sua contraditória condição de potência mundial?

Eu dei por mim a trautear Monty Python, um destes dias…

[youtube]http://www.youtube.com/watch?v=WkGkv7NWyl4[/youtube]

Title: I like Chinese
From: Monty Python’s Contractual Obligation Album

(spoken)
The world today is absolutely crackers.
With nuclear bombs to blow us all sky high.
There’s fools and idiots sitting on the trigger.
It’s depressing, and it’s senseless, and that’s why…

(singing)
I like Chinese,
I like Chinese,
They only come up to you knees,
Yet they’re always friendly and they’re ready to to please.

I like Chinese,
I like Chinese,
There’s nine hundred million of them in the world today,
You’d better learn to like them, that’s what I say.

I like Chinese,
I like Chinese,
They come from a long way overseas,
But they’re cute, and they’re cuddly, and they’re ready to please.

I like Chinese food,
The waiters never are rude,
Think the many things they’ve done to impress,
There’s maoism, taoism, I Ching and chess.

I like Chinese,
I like Chinese,
I like their tiny little trees,
Their zen, their ping-pong, their yin and yang-eze.

I like Chinese thought,
The wisdom that Confucius taught,
If Darwin is anything to shout about,
The Chinese will survive us all without any doubt.

So, I like Chinese,
I like Chinese,
They only come up to you knees,
Yet they’re wise, and they’re witty, and they’re ready to please

Wo, I chumba run,
Wo, I chumba run,
Wo, I chumba run,
Ne hamma, Ne hamma, Ne hamma sa chen.

I like Chinese,
I like Chinese,
They’re food is guaranteed to please,
A fourteen, a seven, a nine and li-cheese

I like Chinese,
I like Chinese,
I like their tiny little trees,
Their zen, their ping-pong, their yin and yang-eze

I like Chinese,
I like Chinese,
(fade out….)