Cadernos

Ofereceste-me 2 cadernos pequenos, de folhas lisas e capas moles. Nada daquelas coisas caras que estão na moda. Simplesmente 2 cadernos, 1 de capa preta, outro de capa castanha, e pediste-me que num deles fizesse o que me apetecesse, mas que, no outro, registasse, ao fim de cada dia, o que tinha feito. Percebi que não se trata dum diário pessoal, mas dum registo (do) quotidiano. Agradeci, sem perceber a solenidade do gesto.

Agora, antes de me deitar, tento perceber se o dia já terá chegado ao fim e tento recuperar do novelo de acontecimentos diários o que é digno de registo. No primeiro dia, cansado e na penumbra do quarto de hotel, escrevi duas folhas numa letra que não sei se consigo compreender. No segundo, o exercício de registo ocorreu-me várias vezes ao longo do dia e, no quase fim sempre um pouco mais adiado, lembrei-me que o caderno livre se mantém ainda em branco e comecei a perceber a importância do exercício que me propuseste.

Obrigado.