O Poder da Natureza é Infinito?

Eu sou, por tradição familiar (à falta de melhor argumento), consumidor de Água das Pedras. Bebo água com gás mineral natural de outras marcas, mas sou daqueles que, um bocadinho à antiga, pede “um café e uma água das pedras“, em vez dum mais genérico “um café e uma água com gás“. Não sou completamente antiquado— não peço “um quarto de pedras” como o meu pai—, mas é uma tradição que me dá gosto manter. E a verdade é que a água sabe-me melhor.

Anúncio Pedras Salgadas, O Poder da Natureza é Infinito

Por isso, como tantos outros consumidores convictos de Água das Pedras, encaro sempre com alguma frustração o quase banal “pedras não temos, pode ser…?” e com uma ponta de irritação a, também comum, substituição não anunciada e leviana por outra água qualquer (tenho um ranking pessoal no que diz respeito às alternativas)… mas resigno-me e limito-me a anotar mentalmente os sítios onde há e não há Água das Pedras e quais as práticas substitutivas usadas, sem que isso condicione verdadeiramente as minhas escolhas de “estabelecimentos”, mas como exercício de preparação mental, digamos assim. Mas mesmo nos sítios onde sei que não costuma existir, nunca deixo de pedir a minha água pelo nome, na secreta esperança de vir a ser surpreendido… é raro, mas já aconteceu.

Pedras Salgadas, problemas na distribuição?

As campanhas publicitárias recentes da Água das Pedras, sob o mote “O Poder da Natureza É Infinito” e “Trazida Até Si Pela Natureza” prometiam um novo vigor à marca e, como de costume, fizeram-me ter a esperança de poder beber a minha água em locais que tradicionalmente não a tinham.
São anúncios bonitos e bem feitos, que ficam na cabeça das pessoas, o que faria com que comerciantes que habitualmente devem usar critérios exclusivamente de preço na escolha do stock de águas, pensassem um bocadinho melhor e quisessem ter “aquela de que mais se fala“. Julgava eu.
A verdade é que, em mim, a campanha está a ter um efeito perverso: vejo a água mais na publicidade do que nos sítios que frequento e isso aumenta a minha frustração. E, de repente, a imagem “queridinha” de duas tartarugas a trazerem a água até mim, porque ela é “trazida pela natureza” tem apenas o sentido trágico-cómico de “nunca mais se despacham a chegar aos sítios onde eu estou!“.

O Poder da Natureza é Infinito, de facto, mas parece que não pode muito contra um urso a tratar da distribuição!

Pedras Salgadas, um urso na distribuição?