Confiar na democracia

Ontem, mais de metade dos eleitores do nosso país, achou que não valia a pena participar activamente na eleição presidencial. Optimista, vou achar que assim foi, por considerarem que os poderes e funções presidenciais não são assim tão relevantes pelo que esta eleição não mudaria significativamente o país.

Face aos resultados anunciados, vou dar um “salto de fé” e acreditar, com todas as minhas forças, na sabedoria política e bom senso destes portugueses abstencionistas: todos os dias, nos próximos 5 anos, desejarei para Cavaco, e dele esperarei, nada mais do que a irrelevância e simbolismo duma jarra de flores constitucionalmente consagrada. Se assim não for, ficarei muito desiludido com a tranquilidade abstencionista.

Sendo assim, quem defende a Constituição?

Cavaco Silva, na sua (não) reacção às alarvidades recentes de Alberto João Jardim, deixou bem claro que não está disponível a sacrificar a sua confortável posição de figura “consensual” e pacífica em nome dos níveis mínimos de funcionamento do sistema da democracia parlamentar consagrados na Constituição que jurou defender.

Mesmo para quem, como eu, nunca acreditou nesse juramento de circunstância do dia da tomada de posse, não deixa de ser incompreensível.

O episódio, mais uma vez, perder-se-á no meio da poeira e a figura abominável de Alberto João celebrará mais uma marca na coronha do revólver de ofensas constantemente apontado a uma República e a uma Democracia que já ninguém defende.

Não chegámos à Madeira, nem o barco encalhou: estamos mesmo é num faroeste sem xerifes nem homens de bem.