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Passatempo: descubra a entrada do TNDMII

Terça-feira, 21 de Outubro, 2008

Quem diria que se podia fazer um passatempo com uma actividade tão banal como esta? Mas, para os não Lisboetas (e, se calhar para alguns lisboetas, também), cá fica o desafio:

Por onde se entra no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa?

Passatempo: descubra a entrada do TNDMII, imagem aérea (Google maps)

Será pela escadaria principal, virada para a Praça D. Pedro IV (Rossio)?

TNDMII, vista do Rossio (fotografia de telemóvel)

Será pela entrada poente, virada para a Estação do Rossio?

TNDMII, vista da Estação do Rossio (fotografia de telemóvel)

Ou será pela entrada nascente, virada para o Largo da Ginjinha?

TNDMII, vista do largo da Ginjinha (fotografia de telemóvel)

Já ajuda dizer que não é pelas traseiras (viradas para o Gambrinus) e deixar as fraquíssimas fotografias. Por isso, para dificultar um bocadinho, fiquem sabendo que na escadaria principal há uma esplanada e uma entrada para a Livraria do Teatro e na entrada poente, um Restaurante.

Quem adivinhar ganha reservas* para o resto da temporada do Visões Úteis.

* Este é um concurso gozão e da minha exclusiva responsabilidade pessoal. As reservas não são nem convites nem bilhetes com desconto. ;)

Lisboa

Quarta-feira, 15 de Outubro, 2008

Estou em Lisboa.

Quem tiver prestado alguma atenção ao blog nos últimos tempos sabe que é por causa da temporada do Muna no TNDMII e já deve ter percebido que o tempo para escrever aqui no blog não abunda. E mesmo que tivesse tempo, não sei se teria grande energia, confesso. E se tivesse, não devia conseguir fazer coincidir isso tudo com um momento em que tivesse acesso à Internet.*

(Além disso, as saudades fazem-me passar mais tempo ao telefone e menos no computador.)

Obviamente que não é a primeira vez que estou em Lisboa, nem sequer é a primeira vez que por aqui estou em trabalho. Mas é a primeira vez que estou de forma mais prolongada e com a sensação de que, temporariamente, é aqui que tenho que “morar”. E é mais estranho do que esperava. O meu instinto natural, relativamente inconfessável, faz-me sentir mais “tripeiro” quando estou em Lisboa, o que tem a sua “graça” quando venho num fim-de-semana ou para dar um concerto, mas, ao fim de vários dias, começa a fazer-me pensar de onde me vem esta reacção “intestina”.
Talvez tenha a ver com o facto de, em Lisboa, me sentir sempre relativamente “estrangeiro”. Não pela estranheza do território ou das pessoas e da sua diversidade, mas pela escala (ter mudado do Porto para Aveiro talvez acentue a minha dificuldade em lidar com cidades maiores) e pela sensação de ter muito pouco em comum com as pessoas à minha volta.

Hoje, depois da estreia do espectáculo para a infância, durante um belo almoço no FrutAlmeidas (os pastéis de massa tenra e os sumos de fruta são tão bons ou melhores do que a minha irmã vinha anunciando), consegui verbalizar melhor esta forma de “estranheza” ou “desconforto”: sinto nitidamente que há muito poucos assuntos da minha “agenda cívica” que sejam comuns à maior parte dos lisboetas. E vice-versa. As questões que mais me preocupam, no meu quotidiano em Aveiro e no Porto, são absoluta e naturalmente estranhas aos lisboetas. E aceito com naturalidade que o contrário é absolutamente real. Mesmo assuntos genéricos e preocupações “nacionais” têm que ser verbalizados e ilustrados de forma diferente. E não é natural que haja acordo acerca do que são as nossas prioridades.

Pode parecer ridículo falar-se de forma tão “radical” acerca de diferenças e assimetrias locais e regionais num rectângulo tão pequeno como este, e só com 10 milhões de pessoas. Mas aqui, à minha volta, se é verdade que estão concentradas quase metade dessas pessoas, também é verdade que está concentrado muito mais de metade do poder político e económico. E é isso que é desconfortável: sentir que a esmagadora maioria das decisões que afectam o meu quotidiano é tomada por gente que lhe é completa e naturalmente alheia. E se me pedirem para eleger um assunto tipicamente “lisboeta” que afecta todo o território nacional, é fácil: a suburbanidade. Eu não conheço território suburbano fora da região de Lisboa e Vale do Tejo. A discussão técnica não é fácil, mas eu partilho da visão de alguns geógrafos e urbanistas que consideram que o espaço urbano contínuo entre Aveiro e Viana do Castelo, constitui um fenómeno de conurbação, onde múltiplos pólos urbanos se intersectam e promovem cruzamentos de pessoas, serviços e mercadorias, sem uma hierarquia clara que permita falar de urbes e subúrbios. Além disso, uma parte significativa das cidades portuguesas não chega a ser propriamente “urbana”, pelo que não faz sentido falar de “suburbanidade”. Ou, numa visão mais distanciada, poder-se-ia dizer que todo o país é sub-urbano, relativamente à região da capital, onde existe uma cultura urbana e suburbana real, que no resto do país ainda se cruza muito com uma raíz profundamente rural. Este problema de desenvolvimento, gestão e planeamento territorial marca de forma profunda a agenda nacional, mas devia reconhecer-se a sua natureza específica. E aceitar com naturalidade que a simples diferença de escala e de modelo de desenvolvimento urbano traça fronteiras no país, que não se podem ignorar.

Devia ser simples, não?

Mas pergunto-me (e a vocês, que me lêem, já agora) se, da mesma forma que me ajudou estar nesta condição de “estrangeiro” para me pôr a pensar nisto (outra vez), não precisaremos todos de conhecer melhor o país todo, partindo, sempre que possível, dessa condição de “estrangeiro” que resulta, necessariamente, duma certa disponibilidade para nos alhearmos do que já julgamos saber. Será esse exercício possível?

* Aceito sugestões de locais agradáveis na vizinhança do D. Maria (Rossio) ou perto da estação de Metro da Av. de Roma (onde estou alojado) com acesso rápido e gratuito (wireless, preferencialmente) e onde se possa trabalhar. Tem mesmo que ser um sítio simpático, porque preciso de uma tomada, já que a bateria do meu velhinho portátil não colabora.

As ruas deviam ser sempre nossas

Domingo, 5 de Outubro, 2008

Se esta rua fosse minha... com destaque no Público

Nós, F.R.I.C.S., fizemos a nossa parte e, a mim, soube-me muito bem. Se pudesse, tinha ficado por ali, a participar nas actividades ou só a ver as pessoas e a animação. Mas, se algumas pessoas podem sentir e dizer que “o Porto devia ser sempre assim”, o que muito me alegra, a verdade é que o evento e a energia positiva que o parece caracterizar não é muito comum na cidade. Não me interpretem mal: gosto imenso do Porto, mas se me vim embora foi precisamente por ser comum um sentimento insuportável de opressão e uma espécie de impossibilidade de se ser ali genuinamente feliz, sem ser numa breve explosão.

Interessam-me todos os registos desta festa e reacções, pelo que se tropeçarem em alguma coisa interessante, agradeço que apontem aqui nos comentários.

Se eu tivesse conta no Twitter

Sexta-feira, 19 de Setembro, 2008

… diria que um grupo de espanhóis de alguma idade (galegos, presumo), em visita turística à nossa cidade de Aveiro, estão a cantar em grupo, de forma espontãnea e com bastante qualidade, canções tradicionais, na praça por baixo da janela do meu escritório.

Normalmente, a praça tem música (muito pouco variada) fornecida por uma loja de discos, mas assim é bem mais humana. Pena que tenham que ser turistas espanhóis a animar a malta.

Como não tenho conta no Twitter, perdi muito mais tempo a escrever e publicar este post. :(
Mas evito (mais) um fluxo constante de distracções. ;)

Música na Praça do Peixe, Aveiro

Sexta-feira, 18 de Julho, 2008

Apesar de ter começado no princípio do mês, só agora é que me apercebi que há concertos e animação no Coreto da Praça do Peixe em Julho e Agosto. O Rui Pedro Andarilho, que toca hoje, mandou-me o cartaz por mail:

Cartaz do Música na Praça 2008

Para animar as noites de Verão e, espero eu, para animar a vida cultural da cidade. Só é pena só haver concertos à noite, aparentemente. O de hoje, de acordo com a regra, creio, é entre as 22h e as 24h. Seria interessante um plano para animar as tardes, com uma componente de dinamização turística também. O ano passado aconteceu, mas nem sempre da melhor forma. São, de facto mecanismos que é preciso testar e afinar, mas acima de tudo, persistir, para criar hábitos.

Fomos ao mercado

Sábado, 3 de Maio, 2008

Fui ao mercado com a Lau e a Maria

Fomos todos (a Maria ainda bem protegida).
O Mercado de Santiago fica no Bairro de Santiago, os “comboios amarelos” a quem muita gente associa algumas das piores coisas de Aveiro. Não percebo. Eu, em Aveiro, sempre morei junto do Bairro de Santiago e não conheço muitos espaços em cidades portuguesas com a qualidade de vida que o Bairro de Santiago oferece. Por muito que se favoreça a degradação dos espaços públicos e jardins, por acções e omissões, e por muitas dificuldades que se vivam dentro das habitações (que conheço e que, como quase toda a habitação social em Portugal, não é de grande qualidade), a verdade é que a vida no Bairro de Santiago aproveita o que de melhor se pode fazer, urbanisticamente falando, numa cidade como Aveiro: há espaço para respirar, campos de desportos, jardins para passear, luz… e há o Mercado!

Se uma parte da cidade se alheasse de preconceitos e viesse usar mais estes espaços que são de todos, seria mais difícil aos responsáveis públicos abandonar de forma tão miserável alguns dos espaços e serviços prometidos.

Venham daí!

Depois do Adeus, cheias em Lisboa

Segunda-feira, 18 de Fevereiro, 2008

Para acabar de vez com a ideia de que a discussão acerca dos riscos e sua prevenção é apenas uma manobra comercial, eis que, depois da estreia do Depois do Adeus — o novo programa da Maria Elisa na RTP, em que se discutiu ordenamento do território e prevenção de riscos, entre outras coisas, a propósito das cheias de 1967—, vieram cheias a sério em Lisboa.

Quem é que dizia que “não há coincidências”?

É uma revolução? É sim, meu menino.

Domingo, 17 de Fevereiro, 2008
Confuso com o movimento, o som da «Fanfarra Recreativa Improvisada Colher de Sopa» e os polícias que circulavam no interior e exterior do edifício, uma criança questionou o pai sobre o que se estava a passar.
«É uma revolução?», ouviu-se a pergunta.

Bolhão: Artistas e populares contra projecto recuperação

Diário Digital/Lusa | 16-02-2008 16:51:00

Artistas, arquitectos, políticos e populares aderiram hoje, no Porto, a mais uma manifestação organizada pelo movimento cívico em defesa do Mercado do Bolhão, que agendou já idêntico protesto para o próximo sábado.

Animados pela notícia da classificação do mercado do Bolhão como imóvel de interesse público, os organizadores do protesto garantem que «não vão parar» e manifestam-se, agora, mais confiantes de que o tribunal, através de uma providência cautelar, lhes dê razão e impeça o avanço do projecto da autarquia de reconversão do edifício.
Em declarações à Lusa, o arquitecto Correia Fernandes lamentou que a Câmara do Porto se tenha «demitido da obrigação de procurar rubricas, programas e outros apoios que existem para a reabilitação física dos espaços, optando pela imediata entrega do imóvel a um grupo privado».
Entregou a concepção do projecto, mas também a construção e a exploração do mercado sem antes ter tentado encontrar uma solução alternativa, nomeadamente através de candidaturas a fundos comunitários que existem», frisou.
O arquitecto, que hoje se juntou às dezenas de manifestantes que se reuniram em frente ao mercado, explicou que «todos os edifícios vão mudando - veja-se o caso da Cadeia da Relação - mas o importante é a manutenção da memória».
No caso do Mercado do Bolhão, «trata-se de um edifício notável e de grande importância a nível mundial».
A mesma opinião foi transmitida pelo mestre José Rodrigues, que faz questão de afirmar que adere a todos os movimentos que visem impedir os atentados contra o património.
Do negócio não sei, mas sei que destruir um património destes é um crime», acrescentou o escultor, considerando que «uma cidade vive de memórias».
José Rodrigues defende que se «façam obras e que se modernize o mercado», mas «mantendo as suas características principais».
O Bolhão faz parte do Porto», frisou.
A azáfama no interior do mercado era a habitual de uma manhã de sábado, não se notando, segundo os comerciantes e clientes, grandes alterações no movimento apesar da «festa» que decorria no exterior.

Isabel Figueira, de 71 anos, todos os dias visita o mercado.

«Só me ajeito a comprar aqui» disse, afirmando à Lusa que concorda que se façam obras «desde que garantam o regresso dos comerciantes».
Os jovens Andreia e Humberto vieram do Algarve para um período de férias no Porto.
«É a primeira vez que aqui estamos e viemos porque é um sítio emblemático da cidade», disseram.
Um outro casal, também jovem, explicou que moram na baixa portuense e que todos os sábados fazem compras no «Bolhão».
Confuso com o movimento, o som da «Fanfarra Recreativa Improvisada Colher de Sopa» e os polícias que circulavam no interior e exterior do edifício, uma criança questionou o pai sobre o que se estava a passar.
«É uma revolução?», ouviu-se a pergunta.

Simultaneamente ao protesto decorreu uma recolha de assinaturas para um abaixo-assinado que será entregue, a meio da próxima semana, na Assembleia da República, onde se defende que o Mercado do Bolhão «deve ser reabilitado e não demolido».
Este abaixo-assinado já recolheu cerca de «20 mil assinaturas», segundo um dos promotores, mas espera-se que o número continue a aumentar até 21 de Fevereiro, dia em que será entregue no parlamento.
A Câmara do Porto assinou a 23 de Janeiro um contrato com a TranCroNe (TCN), onde se prevê que a autarquia ceda o edifício em direito de superfície por 50 anos, recebendo um milhão de euros no momento da emissão da licença de construção e uma percentagem dos resultados de exploração a partir do décimo ano.
As origens do Mercado do Bolhão, um dos edifícios mais emblemáticos da cidade, remontam a 1838, quando a Câmara do Porto decidiu construir uma praça em terrenos adquiridos ao cabido.

Diário Digital/Lusa
16-02-2008 16:51:00

Ainda não assinou a petição? De que é que está à espera?

Mãmã, estou na TV!

Segunda-feira, 11 de Fevereiro, 2008

F.R.I.C.S. na reportagem sobre as manifestações do fim de semana do movimento Porta 65 Fechada

A participação da Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa - F.R.I.C.S. nos protestos organizados pelo Movimento Porta 65 Fechada “animou” a reportagem do Jornal da Tarde.

[adenda] entretanto chegou ao Youtube:

Porta 65 Fechada: MANI FESTA ACÇÃO

Quinta-feira, 7 de Fevereiro, 2008

O Movimento Porta 65 Fechada promove um fim de semana de contestação com acções em vários pontos do país.
A causa é justa, o momento é este e é urgente agir. Eu, que beneficiei do antigo Incentivo ao Arrendamento Jovem e que sei reconhecer o impacto positivo que teve em parte da minha “auto-determinação”, acho que se “mete pelos olhos dentro” o absurdo duma parte considerável do Decreto Lei Porta 65.

Parece, entre outras coisas, que alguém achou que esta era uma boa forma de moralizar ou pressionar o mercado do arrendamento em Portugal e que, face a esse desígnio maior, o sacrifício duma geração era perfeitamente aceitável. A malta, ainda por cima, é nova!, o que é que lhes custa pôr a vida em stand-by, até que os proprietários percebam que estão a perder clientes ou “vítimas” e comecem a baixar os valores das rendas até aos padrões definidos pelo Estado? De facto…

Nota-se um padrão nesta forma de pensar e agir por parte do Executivo: é uma familiar mistura de autismo com prepotência cobarde.

Se o desígnio de moralizar o mercado do arrendamento é nobre, que sentido faz “atacar” a questão usando os jovens arrendatários como arma de arremesso?

O programa das festas para o próximo fim de semana pode ser visto no blog do movimento e, para quem estiver no Porto, fica aqui o meu convite especial para o concerto de F.R.I.C.S. na Casa Viva, no sábado, dia 9, às 21h00.

Cartaz do fim de semana de contestação promovido pelo movimento Porta 65 Fechada