Let’s go to the movies!

Lembram-se das minhas queixas acerca das condições de exibição de cinema em Aveiro e das respostas recebidas?

Pois hoje é dia de boas notícias para os cinéfilos cá da terra (e chegaram-me por e-mail):

Exmo. Sr.:
O ecrã da sala já encontra em excelentes condições.

Cumprimentos

Luis R Mota
Lusomundo Cinemas
Director Geral / Managing Director

Que bela sensação de dever cumprido…

Nota importante: a publicação do meu primeiro artigo acerca deste assunto nas páginas d’O Aveiro não foi da minha responsabilidade. O artigo foi enviado por e-mail para esse e para outros órgãos de comunicação social (local e nacional), para lhes dar conhecimento. A direcção d’O Aveiro decidiu, sem me consultar, proceder à sua publicação ipsis verbis numa secção destacada do semanário e sem referência à origem (blog ou e-mail), privando os leitores do acompanhamento que o assunto mereceu no blog. Não levei isso a mal, mas achei estranho… mas sobre esse episódio e sobre o funcionamento dos jornais locais em geral tenho um artigo em banho maria já há algum tempo.

Space Ensemble @ Avanca ’07

Seguindo uma outra tradição festivaleira, o Space Ensemble associa-se ao Festival Avanca ’07 — Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia.

O Festival começa amanhã, dia 25, mas nós faremos uma pequena performance no dia 26, antes da cerimónia de entrega de prémios.

O Festival merece uma visita atenta, como sempre.

Festival Avanca ‘07 - Encontros Internacionais de Cinema, Televisão, Vídeo e Multimédia

Reacções cinéfilas

O meu post sobre as condições de exibição de cinema em Aveiro originou reacções diversas, como não podia deixar de ser.

O Cineclube de Aveiro respondeu de imediato, em comentário ao post e por e-mail, mostrando a sua preocupação pela situação descrita:

Boa noite,

No que concerne às sessões no Cineclube queria só esclarecer que, apesar de a máquina de projecção não ser das melhores, foram feitos vários investimentos no equipamento, nomeadamente na leitura óptica da banda sonora,no rectificador da máquina e nas lâmpadas. A qualidade da projecção obviamente depende do estado da cópia, os filmes mais antigos encontram-se a maior parte das vezes bastante degradados e como os filmes mais recentes que exibimos só costumam ter duas ou três cópias no país chegam às nossas mãos em mau estado.
Quanto ao intervalo, a máquina não permite ter um bobine para a película toda, por isso tem de ser substituída a meio.
Em relação às luzes da sala no intervalo, sugiro que exponha esta preocupação ao projeccionista e/ou a quem estiver a vender os bilhetes.
Cumprimentos cinéfilos.

Agradeci-lhes a resposta e reconheço as melhorias recentes introduzidas. Estarei atento aos intervalos e continuarei, obviamente, a desfrutar das sessões que programam.

A Lusomundo reagiu hoje, de forma compreensivelmente mais perturbada, mas positiva:

Exmo Sr:

Sao graves as acusações que faz sobre a Lusomundo.
Adoramos os clientes que sugerem e reclamam de maneira proactiva e não destrutiva.
Tomamos nota da reclamação que faz sobre o ecrã.
Lembro-lhe que tirar fotografias dentro de uma sala em exibição , ou dentro das nossas instalações é muito grave , pode inclusive constituir crime de violação aos direitos de autor.

Cumprimentos

Luis R Mota
Director Geral Lusomundo Cinemas

Respondi da seguinte maneira:

Ex.mo Sr.

Muito me agrada receber uma resposta de tão alto nível e saber que estão de facto preocupados com a situação que descrevo.
Recordo que a reclamação que faço acerca do ecrã da sala 4 tem já mais de um ano e só por isso me permito as liberdades literárias de supôr que a mancha pode, de facto, dirigir-se aos espectadores com comentários pouco apropriados.
Concordará, se partilha do meu gosto pelo cinema, que uma situação deste tipo que se mantém durante tanto tempo, pode levar-nos a comentários mais “abrasivos”.
E, de certo, reconhece a justeza da minha interrogação: dada a sua reacção enérgica, devo depreender que não têm recebido reclamações sobre esta situação, pelo que o “peso da vergonha” recairá, necessariamente, sobre os espectadores habituais.
Eu, pela minha parte, considero o meu dever cumprido: da primeira vez que vi aquela mancha (há mais de um ano), saí da sala e pedi o dinheiro do bilhete de volta. Da segunda, anteontem, vi o filme até ao fim e “despejei” a minha frustração num post no meu blog pessoal, fazendo-vos chegar uma cópia.
Obtive a reacção que pretendia: o compromisso de que a situação será resolvida.

Sobre o ilícito praticado no acto de fotografar o ecrã (no período de publicidade prévia à exibição do filme), alegarei, caso seja necessário, a exclusão de ilicitude prevista no artigo 31º do Código Penal Português.

Com os melhores cumprimentos,

João Martins

Afinal, o que estava em falta era uma maior consciência e exigência por parte dos espectadores de cinema na cidade.
Muito me apraz saber que a situação será resolvida e, brevemente, tentarei ir confirmar a qualidade da projecção da malfadada Sala 4.

Era cinema que queria? Temos pipocas…

Cinemas Lusomundo, Forum AveiroEm Aveiro, uma das capitais de distrito deste nosso jardim à beira mar plantado, situada no litoral norte, equipada com uma Universidade e, por isso e muito mais, com aparentes condições para estar um bocadinho acima da média do país no que à qualidade dos equipamentos culturais diz respeito, há 16 salas de cinema com programação regular. De facto, há 3 espaços: 2 multiplexes da Lusomundo em Centros Comerciais (um com 8 salas, outro com 7) e o Cineclube / Cinema Oita. E, assim, temos, tipicamente, 10 a 11 filmes diferentes em exibição.

Sobre a hegemonia da Lusomundo e o mal que isso faz ao panorama geral da exibição de cinema em Portugal, já muito se disse e nem sequer me parece que seja uma boa solução responder a esse monopólio com outro, como tenta fazer a Medeia, mas nem é isso que me interessa, agora.

Eu, ultimamente tenho ido quase só ao Cineclube, mas há imensas razões para querer que haja boas salas de cinema e em quantidade razoável numa cidade de dimensão média e, ontem, fomos mesmo (eu e a minha cara-metade) a uma das salas Lusomundo, no Forum Aveiro, para nos entretermos com um filme, que é um direito que assiste a todos.

Bilheteira? Não, pipoqueira…Logo que chegámos ao cinema, lembrámo-nos porque é que há tanto tempo que não tínhamos grande vontade de lá ir: toda a experiência é deprimente, desde o momento de comprar os bilhetes. Pusemo-nos na fila das pipocas e quando chegou a nossa vez lá pedimos ao “pipoqueiro”, quase envergonhados, bilhetes para o cinema. Envergonhados por estarmos a fazer perder tempo ao senhor, porque não queremos pipocas, nem chocolates, nem coca-colas nem mais nada… só mesmo os bilhetes. E já agora, porque a sala está praticamente vazia, em lugares decentes, que não são nem na última fila, nem descentrados e… nem devia ser preciso explicar isso, pois não?

Passaram-nos para a mão uma espécie de factura que é o bilhete de todos e, mais uma vez, ficámos na dúvida sobre se podíamos ou não avançar para a área das salas, já que não há ninguém a não ser os vendedores de pipocas, que dão o “jeitinho” de vender bilhetes… e limpar as casas de banho e o chão, ver das projecções, abrir e fechar as salas… um espectáculo de produtividade e flexibilidade que deve fazer inveja a muitos dirigentes da administração pública.
Como não queremos perturbar o negócio principal dos senhores da Lusomundo— as pipocas— com as coisas que se passam nas “traseiras”—o cinema — seguimos para a sala e cruzámo-nos com um jovem (desta vez cruzámos, porque já aconteceu passarmos “indetectados”) que, quase por acaso, olhou para o bilhete e disse qual era a sala: sala 4… número familiar…

Entrámos, sentámo-nos e pasmámos! A razão pela qual a sala 4 nos era familiar, era por ter sido a primeira e última sala de que nos tínhamos levantado antes sequer do início dum filme (e que filme), para exigir o dinheiro de volta. A tela tinha uma mancha gigantesca, bem no centro, como se alguém tivesse tentado limpar alguma coisa, deixando um rasto circular gorduroso e com um reflexo muito brilhante. Essa mancha que nos fez sair da sala há mais de um ano atrás e que nos tentaram convencer a aceitar porque “quase ninguém se tinha queixado, mas [eles iam] tentar ver se era na tela ou no projector e resolver imediatamente” ainda lá está!! Eu repito: uma mancha enorme, mesmo no centro da tela, há mais de um ano!

Sala 4 do Cinema Lusomundo, Forum AveiroNa fotografia de telemóvel quase não se nota, é verdade, mas está mesmo no centro, quase a rir-se de nós, como quem diz “Vocês acham que eu justifico uma intervenção qualquer de limpeza, substituição ou reparação? Ainda se fosse uma das máquinas de pipocas a avariar, ou se acabasse o gás da coca-cola ou alguma dessas coisas importantes… eu sou só uma mancha irritante que vos impede, a vocês, picuinhas dum raio, de usufruírem do filme que, ainda por cima, querem ver sem consumir mais nada. Concentrem-se nas legendas, já que não têm baldes de pipocas ou coca-cola com que se distrair. Assim, como assim, os empregados desta casa já estão suficientemente ocupados com a venda de guloseimas, a limpeza das casas de banho e a cobrança de bilhetes. Querem dar-lhes ainda mais trabalho? Se quisessem ver cinema, iam a um cinema. Aqui vendem-se pipocas…”

Estávamos demasiado cansados e a precisar duma anestesia hollywoodesca para voltarmos a sair e reclamar, mas não consigo tirar da cabeça esta dúvida dilacerante: eles estão-se nas tintas para as reclamações, ou as pessoas que lá vão estão-se tão nas tintas para os filmes que já nem reclamam? Que os donos da Lusomundo se estão marimbando para o cinema, acho que não é novidade nenhuma. Mas será que os espectadores também já entraram nessa onda?

Se assim for, só me resta dizer: tirem-me deste filme!

Uma nota breve acerca das sessões do Cineclube, já agora: eu compreendo que o equipamento de projecção e de som, que já dá sinais de precisar de reforma, não possa ser substituído, assim como percebo que deve ser difícil arranjar cópias em melhor estado de alguns dos filmes (ultimamente não tenho tido razões de queixa)… eu até percebo, por muito que me custe, que as sessões tenham intervalo se for por razões técnicas (as pessoas nem saem da sala e, se saem é só para esticar as pernas), mas porque é que insistem em retomar o filme ainda com as luzes da sala acesas e… pronto, eu, picuinhas, me confesso.

(Uma cópia deste post será enviada para o Cineclube de Aveiro e outra para a Lusomundo, se eu lhes encontrar um contacto online.)

O Caimão / Il Caimano

Il Caimano, posterMais uma coisa sobre a qual gostaria de ter tempo para falar: o prazer de ver bom cinema (proporcionado pelo Cineclube de Aveiro, ultimamente).

Ontem fomos ver “O Caimão” e, definitivamente, o Nanni Moretti faz parte da minha lista de realizadores contemporâneos preferidos.

E a conversa entre o triste produtor Bruno Bonomo e o cínico agente polaco Jerzy Sturovski, na piscina, sobre a espiral descendente italiana, lembrou-me tantas e tantas conversas que tivemos com os nossos amigos italianos em Parma e em Roma…