Tour “Organiza a tua Raiva!” começou hoje

Cartaz da Tour Organiza a tua Raiva

Organiza a tua Raiva! Tour – Okupa! Resiste! Cria!

Concertos 17, 18, 19 e 20 de Setembro 2009
Casa Viva, Killakancra, Club Aljustrense, C.S. Mouraria
Squat Meet * CALL-OUT DAYS OF ACTION 2009

Estamos, Lost Gorbachevs, a tocar em formato “quarteto”, com a colaboração da poderosa voz do Luís Gonçalves (Genocide). O concerto de hoje, na Casa Viva, foi uma boa amostra do tipo de força explosiva que estamos a tentar libertar, controlar e “organizar” e a tour, com a companhia de Trashbaile e Siervos de Nadie, será uma boa oportunidade de ganhar “rodagem” e perceber qual a melhor estratégia para registar este novo projecto, já bem distante de From neoliberalism to totalitarian capitalism.
Fiquei também a ponderar se, pela primeira vez, não será boa ideia andar com tampões para pôr nos ouvidos, durante a tour. ;)

Para os curiosos e/ou corajosos de Setúbal, Aljustrel e Lisboa, fica feito o desafio.

Datas dos Concertos

  • 17 Set 2009 18:00 Casa Viva Porto, Portugal
  • 18 Set 2009 22:00 Killakancra Setúbal, Portugal
  • 19 Set 2009 22:00 Club Aljustrense Aljustrel, Portugal
  • 20 Set 2009 18:00 C.S. Mouraria Lisboa, Portugal

Texto de divulgação do blog da Rede Libertária:

Se há bandas como nós, é porque há espaços como este, onde a arte pode fluir livremente, sem preocupações de rentabilização. [...]

Se há espírito crítico no mundo, é porque há espaços como este, com as pessoas que os animam e frequentam a não quererem ser meros espectadores passivos da exploração da grande maioria dos seres humanos e da destruição de todo o planeta.

Se há esperança de que tudo ainda é possível, é porque há espaços como este em que a lógica dominante se subverte, o objectivo do lucro desaparece, a autoridade se suicida, a propriedade se torna pública e a competição é substituída pela camaradagem e a cooperação.

E se há coisa de que os poderosos têm medo é de espaços como este, onde germinam e se reproduzem sementes de revolta e liberdade, treinos práticos dum mundo já transformado.

É por tudo isto que, respondendo ao apelo para um Squat Meet 09, não podemos deixar de demonstrar todo o nosso carinho, respeito e apoio a todos os squats e espaços autónomos.

Outubro no Balleteatro: Música e Performance

Em Outubro, o Balleteatro dá espaço à Música e à Performance, em dois ciclos, um programado pelo Jonathan Saldanha (Soopa), outro pelo Pedro Almeida. Altamente recomendável e não é só por eu integrar o Mental Liberation Ensemble no dia 3.

Ciclo música e performance 09 | balleteatro

DISNOMIA

Consultor artístico - Jonathan Saldanha

Dois concertos envolvendo músicos que povoam o universo da editora e colectivo portuense SOOPA, e que articulam a cena musical portuguesa nas vastas áreas da música exploratória.

Este ciclo pretende estabelecer e reafirmar rotas colaborativas entre representantes de correntes musicais exploratórias actuais, que vão produzindo um trabalho contínuo em Portugal, promovendo actuações de
músicos que abordam, usando diversas estratégias estéticas e formais, o tema do potencial transfigurador da prática musical, e a actividade sonora enquanto processo transmutador e por conseguinte alquímico.

O termo “Disnomia” remete para uma condição fisiológica em que o acesso à memória é vedado; metaforicamente, esta condição é traduzida na reconfiguração do real que todos os intervenientes no projecto levam a cabo no seu trabalho, como se os referenciais culturais não lhes surgissem de forma ordenada (na mitologia grega, Dysnomia era a Deusa da Desordem), mas sim como imagens residuais.

Dia 3 de Outubro | 22h 45
MENTAL LIBERATION ENSEMBLE & RAFAEL TORAL

Agrupamento de geometria variável orientado em torno do eixo da editora portuense Soopa, o M.L.E. engloba um núcleo permanente de músicos (envolvidos em projectos da actual cena portuguesa, como F.R.I.C.S., Mécanosphère e Lost Gorbachevs) que, em cada apresentação, acolhem convidados (como por exemplo Carlos Zíngaro e Alfred 23 Harth).

A estética do projecto é inclusiva, abarcando o uso de instrumentos acústicos, eléctricos e electrónicos; o seu “modus operandi” é a improvisação, resultando na criação de organismos sonoros abstractos e em
constante fluxo.

Neste concerto, o M.L.E. será constituído por Gustavo Costa, Henrique Fernandes, João Filipe, João Martins, Jonathan Saldanha e Filipe Silva, para além do convidado Rafael Toral, músico e artista intermédia que, em mais de duas décadas de carreira, tem colaborado com John Zorn, Sonic Youth e Keith Rowe, entre outros.

mais info:
www.soopa.org

Dia 16 de Outubro | 22h
BEAST BOX apresenta: NYARLATOTHEP

Criação na confluência entre concerto, performance, teatro óptico e eléctrico, spoken word, e instalação sonora e visual, Nyarlathotep reúne o actor-locutor Diogo Dória e os músicos/artistas Jonathan Saldanha e Benjamin Brejon (Mécanosphère, Soopa) num “Cabinet of Wonders” macabro e mágico, baseado em filigrana no universo de HP Lovecraft e na figura de Nikola Tesla.

Diogo Dória – Voz
Jonathan Saldanha – Cenografia/Música
Benjamin Brejon – Cenografia/Música

mais info:
www.soopa.org
www.myspace.com/mecanosphere1

o corpo, os gestos e os sons

o corpo, os gestos e os sons” é um ciclo dedicado à música e performance concebido por Pedro Almeida para o Balleteatro.
A constante pesquisa de novos sons associados (ou não) às experiências do dia-a-dia, procuram o espaço que o esquisso e a improvisação possam ter no lugar de uma arte final. É na expressividade corporal, através dos gestos associados aos movimentos do desenho, que a guitarra, a voz e a percussão se têm desenvolvido. O corpo como trigger (botão), a tecnologia como ferramenta/acessório e o quotidiano como fonte inspiradora, destacam-se no acto criativo de quem procura a experimentação em palco.

Guitarras Variáveis e aCUR, são os projectos escolhidos pelo músico/designer/performer, onde se destaca o principal objectivo de cada actuação: o lado performativo e o seu resultado sonoro.

17 de Outubro 22h
“Guitarras Variáveis”

é o resultado de uma união de músicos que usam a guitarra como um instrumento comum de exploração, composição e base melódica. A consciência, a importância das influências e dos géneros que cada um extraiu no seu percurso individual, levam os participantes a expor o lado descomprometido dos acordes estandardizados do rock, das notas repetitivas da electrónica e da fluidez espontânea da improvisação. O lado imaginativo desta partilha sonora procura no experimentalismo uma outra forma de apresentação e atitude musical da guitarra.

O projecto surgiu numa iniciativa de Pedro Almeida, com Luís Varatojo e João Hora nos Encontros de Música Experimental EME2003, em Palmela (Setúbal, Portugal). Participaram até agora, André Gonçalves (okSuitcase), Alexandre Costa, Alexandre Soares (3 Tristes Tigres), Carlos Lobo (Evols), França Gomes (Evols), Horácio Marques, João Hora (FFT), LOC, Leonel Sousa (Alla Polacca), Luís Varatojo (A Naifa), Manuel Guimarães, Paulo Lopes (Repórter Estrábico), Pedro Almeida (aCUR), Pedro Boavida, Shinjiro Yamaguchi (Two-Lines), Tó Trips (Dead Combo) e Vítor Santos (Evols).

Seis anos depois, João Hora, Luís Varatojo e Pedro Almeida, novamente juntos!

+ info:
http://www.larapal.org/guitarrasvariaveis
http://www.larapal.org/guitarrasvariaveis/participants/gvp_jhora.html
http://www.larapal.org/guitarrasvariaveis/participants/gvp_lvaratojo.html
http://www.larapal.org/guitarrasvariaveis/participants/gvp_pal.html

24 de Outubro 22h
“aCUR – critical food”

Performance especialmente concebida (Festival Escrita na Paisagem 2006) para confrontar os hábitos alimentares, para interrogar criticamente os gestos, as tradições, as receitas do comer contemporâneo e os comportamentos à mesa. Pedro Almeida procura uma abordagem sonora e visual das reacções corporais e sensoriais do acto performativo de comer. Ingredientes: boca como principal instrumento, o corpo como motor e armazém de energias, os efeitos dos sabores, os exageros dos petiscos, as provocações dos cheiros e a sonoridade dos alimentos. Um espectáculo com processamento de som e imagem em tempo real, dominado pela interacção com o público, pela ironia e humor corrosivos. O registo de video live, a cargo de Lara Silva, reforça o ritmo pormenorizado dos vídeos concebidos para a performance. Todos os sons produzidos ao vivo (processados ou não) são retirados de alimentos ou objectos relacionados com a gastronomia.

+ info:
site:: http://www.larapal.org/acur
site do projecto original:: http://www.escritanapaisagem.net/2006/doc_acurod.html
video:: www.larapal.org/acur/video/acur_criticalfood.mov
video:: www.youtube.com/watch?v=Cqzrwfc0wfg

jazz.pt | Alípio C. Neto Quartet + Ivo Perelman Trio

Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 25 da revista jazz.pt.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

16 de Abril 2009, 22h00, Casa da Música, Sala 2
Integrado no Ciclo Jazz e no País Tema 2009 (Brasil)

Duplo Concerto: Ivo Perelman Trio + Alípio C. Neto Quartet

Este duplo concerto, proposto pela Casa da Música e integrado simultaneamente no Ciclo de Jazz e na programação do país tema para 2009, o Brasil, ao juntar 2 formações lideradas por saxofonistas brasileiros “emigrados” (Alípio C. Neto em Portugal, Ivo Perelman nos EUA), constituiu um interessante desafio para o público a quem se apresentou, numa sessão única e num contexto onde parecia haver tantas semelhanças, 2 experiências claramente diferentes.
A música que se fez ouvir, e, com ela, os processos, as estratégias e a atitude dos dois grupos, foram um óptimo exemplo da extraordinária diversidade que se pode encontrar no jazz contemporâneo, independentemente das restrições taxonómicas que se queiram construir. Continuar a ler

Fotografias em Músicas @ Festa do Mundo

Cartaz da Festa do Mundo, Festival pela Interculturalidade, Ermesinde

Celebra-se este fim-de-semana, a Festa do Mundo, Festival pela Interculturalidade, no Parque Urbano de Ermesinde.

A convite do Pedro Almeida, participarei na sessão de Fotografias em Músicas, amanhã, dia 18 de Julho, a partir das 22h45. As Fotografias em Músicas são sessões de improvisação onde a música e a fotografia se complementam e dialogam. Seremos

  • João Martins sax – that’s me!
  • Horácio Marques guitarra
  • Álvaro Almeida trompete
  • João Soares contrabaixo
  • Pedro Almeida bateria electrónica+laptop
  • kitato fotografias

Parque Urbano Dr. Fernando Melo, junto ao Fórum Cultural de Ermesinde (perto da Estação da CP), dia 18 de Julho, às 22h45. Ao ar livre, com espaço para todos e entrada livre. Apareçam!

PS: Será a primeira vez que toco na terra natal da Cláudia. ;)

jazz.pt #25 já nas bancas!

jazz.pt #25, imagem da capa

A jazz.pt #25 [Julho e Agosto] já está nas bancas, com Bill Dixon, Jazz em Agosto, Greg Osby e a Lisbon Jazz Summer School em destaque na capa.

Eu assino 2 reports de concertos na Casa da MúsicaQuarteto de Alípio C. Neto + Ivo Perelman Trio e The inside songs of Curtis Mayfield, por William Parker— e 3 críticas de discos no Ponto de Escuta:

Vão lá comprar a revista para confirmar. Eu publico os textos aqui no blog, mas só depois de ter tido tempo de ler a versão em papel. E ainda nem sequer tenho a minha.

jazz.pt #24 já está nas bancas

Aliás, já está nas bancas há umas semanas, mas ainda não me chegou à caixa de correio, nem houve ainda tempo para actualizar o site, pelo que a capa digital ainda não está disponível.

É mais um bom número da revista. Fica o índice e os meus destaques (egoístas):

jazz.pt #24: Maio/Junho 2009

  • BD (Carlos Zíngaro)
  • Breves
  • Agenda de concertos
  • Estante do Miguel (Miguel Martins)
  • Ciber Jazz (Daniel Sequeira)
  • Jazz Bridges (Rui Miguel Abreu)
  • New York is Now (Kurt Gottschalk)
  • Blues.pt (António Ferro)
  • Perfil: José Pedro Coelho (António Branco)
  • Às Escuras: José Lencastre (Abdul Moimême)
  • Preview: Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra (António Branco)
  • Portugal Jazz
  • Reports:
    • Portalegre Jazzfest (António Branco)
      com referência ao concerto do Spy Quintet:
      «Para o final, noite dentro, o Spy Quintet recuperou o projecto inspirado no álbum “Spy vs Spy”, de John Zorn e Tim Berne, e foi uma agradável surpresa. Do denso muro rítmico erguido pelos dois bateristas (Gustavo Costa e João Tiago Fernandes) e pelo contrabaixista Henrique Fernandes, soltaram-se os dois saxofonistas (João Martins e Rui Teixeira), que sopraram vigorosamente e com alma, dando muito boa conta de si.
      Terminava em alta um festival que continua a crescer a olhos (e ouvidos) vistos.»
    • Braga Jazz (Nuno Catarino)
    • Dose Dupla (António Rubio, Rui Duarte)
    • Wayne Shorter (João Martins)
      o texto virá parar aqui ao blog dentro de dias
    • Off-Road (Alberto Mourão)
    • André Fernandes Imaginário (Nuno Catarino)
  • Entrevistas:
    • Zé Eduardo (Abdul Moimême)
      o Zé Eduardo, “grande timoneiro”, é o tema da capa e é mesmo uma figura central do Jazz e da sua promoção e ensino, em Portugal; eu tive o prazer de verificar isso directamente, frequentando 2 workshops que ele dirigiu em Aveiro, há uns anos
    • Fred Frith (Charity Chan)
      o Fred Frith é uma figura seminal e nesta entrevista fala sobre o seu papel no ensino da improvisação, no Mills College; vale a pena uma leitura atenta
  • Forward:
    • Bay Area (Rui Eduardo Paes)
    • Jazz ao Norte (João Martins)
      o texto virá parar aqui ao blog dentro de dias
  • 33 RPM: New Phonic Art (Abdul Moimême)
  • Ponto de Escuta (Gonçalo Falcão, Paulo Barbosa, Rui Duarte, Rui Eduardo Paes, João Aleluia, Paulo Gonçalves, José Pessoa, João Pedro Viegas, Alberto Mourão, Nuno Catarino, Abdul Moimême, João Martins)
    foi a primeira vez que participei no “Ponto de Escuta” e tive o prazer de, além de me debruçar sobre discos que a revista me propôs— Udentity de Denman Maroney, Prelude de Ambrose Akinmusire e Shakti de David S. Ware (os textos virão cá parar)—, pude divulgar, através da crítica, uma edição de autor que merece atenção: Now Boarding, do Quad Quartet (também virá cá parar o texto)
  • Discos da Minha Vida: Pedro Costa

AveiroSaxFest 2009

AveiroSaxFest 2009

De 29 de Abril a 3 de Maio, os saxofones estarão em grande, em Aveiro: Concertos, MasterClasses e Workshops numa produção do QuadQuartet, a ter lugar no Conservatório de Música de Aveiro Calouste Gulbenkian e no Estúdio Performas.

Vale a pena ver o programa geral, aqui.

Eu vou tentar retribuir o simpático convite que o Quad me dirigiu e dinamizar um curto workshop de 3 horas, no dia 2, sábado, dedicado à utilização de novas tecnologias na criação e interpretação musical.

Workshop de Composição Interactiva e Novas Tecnologias

As Novas Tecnologias são encaradas no âmbito deste Workshop como extensões possíveis e disponíveis para a prática instrumental criativa. As possibilidades de manipulação sonora em tempo real oferecem possibilidades de expansão tímbrica e expressiva a qualquer instrumentista, mas colocam questões técnicas específicas.
Da mesma forma, estas ferramentas expandem o campo de possibilidades na composição, interessando-nos, especificamente, processos de interacção ambiental e multimédia.
Apesar da sua potencial complexidade, os temas serão abordados de forma prática e generalista, privilegiando-se durante a sessão única, a possibilidade dos participantes testarem e experimentarem as ferramentas e processos de manipulação. Assume-se, como principal objectivo da sessão, a demonstração dum conjunto de ferramentas relativamente elementares e a sensibilização dos participantes para o seu potencial musical e criativo, estabelecendo ligações com algumas das performances que acontecerão durante o AveiroSaxFest.

Estrutura:

  1. Questões Técnicas Elementares
    a) Captação e Amplificação (microfones, amplificadores, altifalantes, etc);
    b) Processamento (unidades independentes, computadores, cadeia de processamento, etc.);
    c) Interfaces (placas de som, controladores MIDI, outros controladores)
  2. Processamento em Tempo Real como Técnica Instrumental
    a) A virtualização dos processos “naturais”: Equalização, Eco e Reverberação
    b) Efeitos “clássicos”: saturação, distorção, chorus, phaser, flanger, panning, etc
    c) Outros efeitos: modulação, vocoding, transposição, etc
    d) Efeitos compostos
  3. Processamento em Tempo Real como Técnica Compositiva
    a) Looping e contraponto
    b) Looping e cânone
    c) Outras técnicas de manipulação em “camadas”
  4. Composição Interactiva
    a) Modelos de manipulação não-musical (gestual, visual, etc)
    b) Interacção entre material sonoro e outras informações “performativas” e “ambientais”

Além do Workshop, participarei no concerto 220 Volts, também no dia 2, no Estúdio Performas, com mais uma incursão no work-in-progress “(ainda que não o diga frequentemente) as tuas criaturas povoam os meus sonhos”.

jazz.pt | Guimarães Jazz 2008

Texto escrito por João Martins, a 01/12/2008, relativo à 1ª semana do Guimarães Jazz 2008.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes e em conjunto com a cobertura da 2ª semana, da responsabilidade de Gonçalo Falcão, foi publicado no nº 22 da revista jazz.pt.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

Guimarães Jazz 2008

Considerações Gerais:
Um Festival de Dimensão Regional

O Festival de Jazz que Guimarães acolhe anualmente, apesar de não deixar de ser “de” Guimarães, atingiu já, de alguns anos a esta parte, uma dimensão regional que abrange, na atracção de público, não só todo o Norte do País— se falarmos de público “geral”, já que o pouco público especializado nacional está, à partida, conquistado— mas as regiões espanholas (cada vez) mais próximas. Essa dimensão, que resulta também do investimento e da prioridade definida pela cidade e pelo seu Centro Cultural, tem reflexos na programação dos concertos do festival, na organização geral, nas actividades paralelas, nas extensões que levam o Festival (e o seu público) a outros pontos da cidade— as sessões de cinema, as exposições, as Jam Sessions da primeira semana…
Considerar, portanto, o público para quem o festival é concebido e, obviamente, os efeitos “secundários” que dele se esperam na cidade, é de elementar justiça na apreciação das opções programáticas.
Em 2 fins-de-semana prolongados consecutivos, o festival propõe-se equilibrar diferentes visões do fenómeno jazzístico, procurando abrir mais portas do que aquelas que fecha (exercício sempre complicado), satisfazendo o apetite de vários públicos (dos mais generalistas aos mais especializados), assegurando uma componente formativa e (algum) espaço para músicos nacionais, num contexto global que envolva a cidade, em vez de a “colonizar”.
Só quem habita a cidade de Guimarães poderá aferir dos resultados destas apostas ao longo do tempo, mas quem, como eu, a visita regularmente, não pode deixar de reparar em sinais evidentes e, aparentemente, consolidados no tecido cultural/musical da cidade, atribuíveis, em grande parte, ao Festival e à atenção que ele faz incidir sobre a cidade.
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jazz.pt | Luso Skandinavian Avant Music Orchestra

Texto escrito por João Martins, a 02/10/2008.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 21 da revista jazz.pt.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

Luso Skandinavian Avant Music Orchestra
dirigida por Raymond Strid

Casa da Música, Sala Suggia, Terça-Feira, 30 de Setembro de 2008, 22h00

  • Raymond Strid – Direcção e Bateria
  • Gabriel Ferrandini – Bateria
  • Rodrigo Amado – Saxofone Tenor e Barítono
  • Sture Ericson – Saxofone Tenor e Clarinete
  • Sten Sandell – Piano
  • João Paulo – Piano
  • Nuno Rebelo – Guitarra
  • Dave Stackenas – Guitarra
  • Ernesto Rodrigues – Violino
  • Per Zanussi – Contrabaixo
  • Per-Ake Holmlander – Tuba

O concerto de encerramento do Ciclo Novas Músicas na Casa da Música, também integrado no contexto temático do Focus Nórdico, permitiu o encontro em palco de músicos portugueses e escandinavos, todos activos na improvisação livre, sob a direcção do baterista sueco Raymond Strid, com a designação de Luso Skandinavian Avant Music Orchestra.
Strid, com um percurso musical peculiar, já que começou directamente pela improvisação livre, escapando a percursos mais comuns de “fuga” (ao jazz, ao rock, ao pop…), explora há muito os jogos de improvisação (Gush, a colaboração com Mats Gustafsson e Sten Sandell, por exemplo começou nesse contexto) e a estratégia de direcção e construção da experiência deste encontro luso-escandinavo passou por cartões coloridos— pelo que se pôde perceber, verdes para protagonistas, vermelhos para paragens e brancos para ambientes—, que conduziram um set único marcado por contenção, exploração de diferentes formas de silêncio e uso generalizado de técnicas instrumentais expandidas.
A instrumentação (2 pianos, 2 guitarras, 2 baterias, 2 saxofones, 1 contrabaixo, 1 violino e 1 tuba) e a distribuição entre “nações”, poderia sugerir “confrontos” de estratégia ou linguagem, ou sucessões de diálogos-debates-demonstrações, mas os 11 músicos em palco não só estavam empenhados no cumprimento das regras do jogo e, por isso, bastante dependentes das instruções de Strid, como pareciam relativamente de acordo quanto aos registos tímbricos a usar e à manutenção da forma fluída e livre. Praticamente todos os instrumentos foram tocados durante grande parte do concerto nos seus limites técnicos quanto à produção de som (arcos sul-tasto e cordas afinadas em sub-graves, abafadores manuais externos nos pianos, ruídos nos corpos das guitarras, guinchos, vento e slaps nas palhetas, voz na tuba, mãos e escovas nos corpos das baterias), esbatendo a identidade musical e instrumental e afirmando um contínuo sonoro, com menos variações dinâmicas do que se esperaria dum ensemble tão numeroso. Rodrigo Amado e Raymond Strid, com auxílio de Dave Stackenas, terão protagonizado o momento mais “activo” do set, mas não passou duma curta excepção a uma performance que parecia marcada por um certo receio da massa sonora possível e que, de tanto se esforçar por criar silêncios, fundamentais nas improvisações colectivas, poderá ter esquecido a possibilidade de pontuar mais momentos e libertar outras expressões. João Paulo e Sture Ericson terão esboçado ainda uma espécie de duo, com alguma troca de material e Sten Sandell, parecia procurar responder às partículas ocasionais produzidas pelo ensemble, mas nenhum momento se afirmou verdadeiramente, nem pela dinâmica, nem pelo eventual estabelecimento de diálogos compreensíveis.
A fraca afluência de público, numa sala que não é particularmente acolhedora nessas condições, poderá ter tido algum impacto nos níveis de energia em palco, mas a direcção de Raymond Strid parecia, de facto, apostada na exploração duma certa ideia de silêncio intersticial.
De resto, é de destacar, o equilíbrio e o acordo entre todos os envolvidos (portugueses e escandinavos), que pareciam coordenados a um nível mais profundo do que a direcção, por vezes hesitante, de Raymond Strid, permitia compreender (que complicado que é gerir um sistema de direcção com a vontade de participar no jogo).

Texto escrito por João Martins, a 02/10/2008.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 21 da revista jazz.pt.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | Jazz no Parque 2008

Texto escrito por João Martins, a 23/09/2008.
Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 21 da revista jazz.pt.
A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

Jazz no Parque 2008

12, 19 e 26 de Julho de 2008
Campo de Ténis do Parque de Serralves

A cada ano que passa, interrogo-me se a relação do Jazz no Parque com a Fundação de Serralves e com o(s) seu(s) público(s) sofrerá algum tipo de evolução. É que os 3 concertos ao ar livre, em 3 fins-de-semana estivais consecutivos permanecem aparentemente desligados da programação geral do Museu de Arte Contemporânea e, apesar da sua longevidade e do estatuto adquirido, não se vislumbram iniciativas que promovam vivências mais profundas das propostas que o Jazz no Parque apresenta ao público.

Em 2008, a proposta de programação de António Curvelo repete a fórmula de 2007, trazendo ao Ténis de Serralves, um concerto “norte-americano” (Matt Wilson’s Arts & Crafts, em 2007 e Steve Kuhn Trio, em 2008), um “português” (OJM com John Hollenbeck, em 2007 e “Cubo“, de André Fernandes em 2008) e um “europeu” (Strada Sextet de Henri Texier, em 2007 e o Quarteto de Michel Portal, em 2008). A repetição desta “visão tripartida” não apresenta “per se” qualquer inconveniente, assim como a presença de “repetentes” (Joey Baron, Michel Portal, Bruno Chévillon, Daniel Humair, André Fernandes, Mário Laginha, Alexandre Frazão são alguns dos músicos que regressam ao Jazz no Parque) não é, “per se” “sinal de fraqueza”. Concordo com António Curvelo quando afirma que, no jazz contemporâneo, o mesmo músico se pode apresentar “com identidades múltiplas, conforme o(s) tempo(s) e o(s) modo(s) em que se move”, pelo que a repetição de nomes não conduz à repetição da música ou do evento.
Porém, acredito que estes dois factores cruzados e o número crescente de “repetentes” num festival que se faz de 3 eventos apenas, com agrupamentos, em regra, pequenos, pode conduzir a um fenómeno de desgaste e conduz certamente, apesar dos melhores esforços de António Curvelo, a um certo sentimento de “déja vu“, ou “déjà entendu” por parte do público mais fiel.
Num evento com a dimensão do Jazz no Parque e com o perfil de público que se vai afirmando/cristalizando, poderá até ser uma opção estratégica. Mas programar um festival de jazz, ainda que apenas com 3 concertos, sem (alguma) ousadia e sem correr (grandes) riscos não parece coerente nem com a natureza da música que se pretende divulgar, nem com a natureza da instituição promotora.

Mas há Verões e Verões, e há Outonos que se parecem precipitar, pelo que estas considerações pessoais valem apenas e só por isso mesmo e em nada beliscam a qualidade de cada um dos concertos apresentados.

Da memória dos 3 concertos, surpreendentemente, realçam-se 3 nomes: Joey Baron, Alexandre Frazão e Daniel Humair.
Os 3 bateristas, por razões puramente emocionais-musicais, foram os que deixaram memórias mais marcadas e vivas, no que é apenas mais um sinal do lugar que a bateria, enquanto conjunto de instrumentos, ocupa no panorama do jazz contemporâneo e da importância de bateristas capazes de construir e usar criativamente uma voz inconfundível no instrumento, além de respeitarem os constrangimentos “funcionais-operacionais” básicos do jazz.

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