Afinal a quem é que falta informação sobre a história da nossa democracia?

O nosso Presidente queixava-se, na cerimónia de comemoração do 25 de Abril, do alheamento dos jovens e da igorância demonstrada relativamente a alguns dos aspectos fulcrais da tenra história da nossa democracia e do nosso sistema político.

Hoje votou-se na Assembleia da República um voto de pesar pela morte do Cónego Melo proposto, obviamente, pelo CDS-PP. Que o CDS o proponha é relativamente normal, como é normal a reacção enérgica do Bloco de Esquerda e do PCP, denunciando a ligação assumida do Cónego Melo ao MDLP, que “semeou o terror” na altura do 25 de Abril, sendo por isso “alguém que não merece qualquer respeito da República” e clarificando que “cada partido tem os heróis que escolhe”.

O que não é nada normal e demonstra que, afinal, não são só os jovens que andam confusos acerca da história da nossa democracia, é que o voto tenha sido aprovado com a abstenção do Partido Socialista e o voto favorável da maioria dos deputados do PSD e alguns do próprio PS.

E o argumento apresentado por Jorge Strecht, de que o grupo parlamentar “jamais votaria contra o pesar pela morte de alguém” é patético e não salva o PS da vergonha de contribuir para esta aprovação indigna.

Aqui, neste blog, faz-se um voto de pesar pelo estado da nossa democracia. Ou de nojo?