jazz.pt | Fight The Big Bull: All is Gladness in the Kingdom

Fight The Big Bull, All is Gladness in the Kingdom
All is Gladness in the Kingdom, Fight The Big Bull (feat. Steven Bernstein)

CLASSIFICAÇÃO: 5/5

Fight The Big Bull reúne uma enérgica comunidade de músicos criativos de Richmond (Virginia), liderados pelo guitarrista Matt White, que, neste disco, se reúnem a propósito duma intensa colaboração com o trompetista e compositor Steven Bernstein que aceitou o desafio de, em 9 dias, partilhar o máximo possível com toda a comunidade.
A inesperada intensidade descrita por Steven Bernstein transparece claramente no que nos é dado a ouvir. O disco, com o seu colectivo massivo de 7 sopros (3 palhetas + 4 metais), secção rítmica com 2 percussionistas, um contrabaixo e a guitarra eléctrica de Matt White, funciona como uma “máquina” compacta, tão demolidora no groove (o fim de “Mothra” é um bom exemplo) como ágil e subtil nas composições mais espaçosas (como no início de “Sacred Harp”, na intro de sax tenor, ou em “All is Gladness in the Kingdom”, na intro de trompete). E, num exemplo raro para um ensemble desta dimensão, o disco desenrola-se sem que pensemos em nenhum momento numa divisão entre indivíduos solistas e grupo de apoio, apesar dos frequentes solos virtuosísticos que dada a diversidade, nos fazem adivinhar um colectivo construído com base numa forte cumplicidade e solidariedade entre músicos talentosos e possuidores de diferentes personalidades. E o todo, esmaga, clara e positivamente, a soma das partes, num inteligente esforço de composição e arranjo quer de Steven Bernstein, quer de Matt White afirmando Fight The Big Bull como uma referência dum jazz musculado, mas genuinamente ligado às raízes da música comunitária. “Jemima Surrender”, um original de 1970 de J.L. Robertson (The Band), com arranjo de Bernstein ilustra isso mesmo, com os sopros a assumirem, com eficácia, inteligência e humor, papéis clássicos, mas os vários tempos de groove/funk que se vão ouvindo nos momentos mais enérgicos por todo o disco, estabelecem pontes sólidas com vários tempos e géneros da música popular e comunitária.
Com os 6 originais de White, 2 de Bernstein e o arranjo já referido, Fight The Big Bull transporta-nos por uma viagem acelerada e rica, dando uso praticamente completo às possibilidades expressivas dos músicos individuais e do colectivo, com riqueza tímbrica e técnica, com diversidade e rigor rítmico e trilhando com sucesso o rico filão que (re)une o jazz às músicas populares comunitárias urbanas. “Gold Lions”, com a pesada linha de baixo a lembrar um certo rock independente (poderá lembrar Morphine) é um de muitos exemplos dessa vontade de inclusão e, ilustra simultaneamente, o papel relativamente reservado, mas extraordinariamente impactante e eficaz que Matt White reserva para as suas intervenções solistas.
Nem “tudo é felicidade no reino”, sabemo-lo bem, mas ao ouvir “All is Gladness in the Kingdom” torna-se bem evidente que, com felicidade, criatividade, talento e energia, podemos afirmar tal coisa e, por uns minutos— os que dura a fruição do disco—, a afirmação funciona como um decreto.
Quem ouve, agradece.

All is Gladness in the Kingdom, Fight The Big Bull (feat. Steven Bernstein)

Clean Feed, Lisboa, 2010
Gravado em Richmond, Virginia, EUA, 2009

  • Jason Scott sax tenor e alto, clarinete
  • J.C. Kuhl sax tenor, clarinete
  • John Lilley sax tenor
  • Steven Bernstein trompete, slide trompete
  • Bob Miller trompete
  • Reggie Pace trombone
  • Bryan Hooten trombone
  • Matt White guitarra
  • Cameron Ralston contrabaixo
  • Brian Jones percussão
  • Pinson Chanselle trap kit
  • Eddie Prendergast baixo eléctrico (faixa 7)
Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 30 da revista jazz.pt. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | Sei Miguel: Esfíngico

Esfíngico, Sei Miguel (Clean Feed)
Esfíngico, Suite for a Jazz Combo, Sei Miguel

CLASSIFICAÇÃO: 2.5/5

A estreia de Sei Miguel na Clean Feed dá-se com a edição deste “Esfíngico”, com o subtítulo de “Suite for a Jazz Combo” e com a interpretação dum combo com várias particularidades, composto por alguns nomes ilustres da improvisação mais livre e/ou “menos idiomática”, dos quais se destaca eventualmente Rafael Toral, apesar da sua sensibilidade e das suas aproximações teóricas a uma certa ideia de jazz ou das suas estratégias.
Mas “Esfíngico”, com o rigor estrutural que se adivinha, não dependeria desta ou daquela ideia de instrumentação mas, de forma mais evidente, de métodos e estratégias interpretativas e possibilidades tímbricas que Sei Miguel reconhece no grupo que lidera.
Uma das principais características da música apresentada nesta suite, de resto, é a clareza estrutural e um certo contexto ou enquadramento quase académico que permite identificar os momentos, a lógica das sequências e as estratégias em uso (momentos de pergunta-resposta e/ou imitação, abordagens pontilhísticas nas marcações rítmicas, identificação de solistas, etc).
A capacidade interpretativa dos diferentes músicos, neste contexto, é, em alguns casos, surpreendente, principalmente pelo rigor e contenção que atravessam a totalidade do disco, assegurando a “pureza” composicional mas, eventualmente, diminuindo o risco ou, pelo menos, a organicidade final da obra. Apesar de intelectualmente estimulante, a realização do conceito pode resultar demasiado asséptica.
Ao nível interpretativo, o encontro entre Sei Miguel e Fala Mariam, cuja prestação me parece merecer um destaque pela positiva, resulta interessante e rica, e Rafael Toral, apesar da dificuldade inerente à integração de instrumentos puramente electrónicos com os sopros, domina a linguagem e a técnica a um nível que lhe permite interpretar e reagir de forma orgânica e natural. Pedro Lourenço e César Burago, pelo papel composicional que desempenham, mas também, aparentemente, por alguma dificuldade em encontrar os registos tímbricos mais adequados e uma possibilidade de fluidez de discurso, que seria um útil ponto de apoio para o ouvinte, considerando a complexidade das estruturas, prejudicam, em alguns momentos a fruição do disco, com destaque para o papel desempenhado por César Burago no 3º andamento (Pássaros).
De forma global, a escrita de Sei Miguel parece ser demasiado cerebral e, neste caso concreto, o disco oscila entre momentos de grande qualidade e interesse, onde alguns músicos afirmam ideias claras e/ou partilham em duo, com momentos de rigidez, espera e aparente hesitação, em que intervenções aparentemente gratuitas ou fortuitas prolongam paisagens relativamente desérticas.

Esfíngico, Suite for a Jazz Combo, Sei Miguel

Clean Feed, Lisboa 2010
Gravado em Lisboa, 2006

  • Sei Miguel pocket trumpet, composição e direcção
  • Fala Mariam trombone alto
  • Rafael Toral modulated resonance feedback circuit
  • Pedro Lourenço guitarra baixo
  • César Burago timbales e pequenas percussões
Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 30 da revista jazz.pt. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | Peter Brötzmann Chicago Tentet @ Casa da Música

Peter Brötzmann Chicago Tentet
Casa da Música, Sala Suggia
20 de Maio 2010, 22h00

Sobre este Chicago Tentet de Peter Brötzmann já se disse e escreveu praticamente tudo, incluindo que é um dos melhores grandes ensembles de improvisação livre da actualidade e um dos mais interessantes projectos liderados pelo saxofonista alemão e, em Portugal, tivemos já o privilégio de ver e ouvir este ensemble de excepção no Jazz em Agosto de 2008, pelo que as expectativas face à sua presença na Casa da Música eram, compreensivelmente elevadas, mesmo que não tenham chegado para encher a Sala Suggia. Tal facto não pareceu perturbar a impressionante “força de intervenção” que o Peter Brötzmann Chicago Tentet é e o concerto desenrolou-se num nível transcendente, com a estratégia de liberdade e urgência que guia o colectivo a garantir uma espécie de ondulação natural entre alguma clareza lírica duma afirmação solista ou dum duo e o sempre esmagador clímax colectivo, calmamente separados por uma gestão gradual e natural das energias, sinergias e cumplicidades dos 11 músicos nas suas diversas combinações, em arranjos estruturais que parecem demasiado bons e eficazes para não serem intencionais e previamente negociados, mas, pelas mesmas razões, aparentemente impossíveis de gerar de outra forma que não através da confiança absoluta na energia musical.
E essa energia musical primária, assim como a confiança que estes músicos parecem nela depositar (mais até do que uns nos outros), é o que verdadeiramente transforma os concertos deste ensemble numa experiência impressionante: há qualquer coisa de ritual, natural e orgânico na forma como, da urgência de uma afirmação individual (cada um destes músicos parece capaz de soltar um grito musical quase espiritual, aceitando talvez em Albert Ayler, via Brötzmann ou directamente, uma certa figura tutelar), se constrói um corpo colectivo que acolhe e amplifica esse “grito” ou “lamento”, incorporando mais e mais “vozes” até ao paroxismo onde, extraordinariamente e apesar da enorme energia empregue por todos os músicos, se consegue, a espaços e por sobre a massa sonora global, compreender apelos individuais, seja pela sobre-energia— a que Brötzmann, Gustafsson e Bishop conseguem recorrer de forma fisicamente espantosa—, seja pela acuidade rítmica ou tímbrica, seja pela oportunidade ou carga emocional das intervenções. E o colectivo, aparentemente grande demais ou poderoso demais, identifica e assinala esses momentos como pontos de apoio da progressão dinâmica, ora abrindo espaços, ora mudando a direcção do seu crescimento, num processo tão natural como espantoso.
E ao longo do concerto as vagas sucedem-se, mas só os mais distraídos ou mal-intencionados confundem o carácter cíclico do envelope dinâmico com uma repetição aborrecida ou obsessiva: a cada abertura ou recuo, o material que se apresenta, afirmado de novo ou descoberto no meio da massa sonora, é fresco e, frequentemente inesperado, tão lírico como fértil. Os espaços permitem-nos descobrir as riquíssimas personalidades individuais, mas também as cumplicidades que estabelecem com o líder do agrupamento e com alguns dos seus cúmplices instrumentais, permitindo compreender de forma mais profunda a própria constituição do ensemble.
E o próprio movimento dos músicos no palco, assim como a estratégia de amplificação que privilegia o colectivo, criando zonas de “foco” para onde alguns dos solistas se dirigem, em momentos de maior urgência, como aconteceu com Ken Vandermark no clarinete e Joe McPhee no trompete, contribui para a afirmação duma experiência quase ritual e marcadamente interior, genuinamente ligada às raízes colectivas, populares e espirituais do jazz.
Talvez seja isso que transforma a experiência do concerto em algo de vagamente hipnótico e profundamente perturbador, mas esse efeito subjectivo e pessoal depende exclusivamente do extraordinário talento, energia, criatividade e generosidade dos 11 músicos em palco, unidos nessa espécie de “fé na música” ou na sua energia, que os conduz na improvisação e os mantém ligados, enquanto manifestam a sua presença individual.

Peter Brötzmann Chicago Tentet

  • Peter Brötzmann saxofones, clarinete
  • Mats Gustafsson saxofone
  • Ken Vandermark saxofones, clarinete
  • Joe McPhee trompete
  • Johannes Bauer trombone
  • Jeb Bishop trombone
  • Per-Âke Holmlander tuba
  • Fred Lonberg-Holm violoncelo
  • Kent Kessler contrabaixo
  • Paal Nilssen-Love bateria
  • Michael Zerang bateria
Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 31 da revista jazz.pt. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | Jamie Baum Septet @ BragaJazz 2010

Jamie Baum Septet @ BragaJazz 2010
Theatro Circo, 13/03/2010

O concerto do septeto liderado pela flautista nova-iorquina Jamie Baum encerrou o BragaJazz num já esperado encontro inteligente e articulado entre o jazz e a música erudita, buscando nesta última algumas referências tímbricas, pouco vocabulário e muitos conceitos estruturais. O septeto, pela própria configuração instrumental (as 2 flautas de Jamie Baum, o trompete de Ralph Alessi, o sax alto e o clarinete baixo de Doug Yates, a trompa de Vincent Chancey, o piano de George Colligan, a bateria de Jeff Hirshfield e o contrabaixo de Johannes Weidenmueller), tem a capacidade de soar como uma pequena orquestra de sopros e as composições de Baum exploram precisamente os territórios onde a música erudita e o jazz se encontram naturalmente, procurando referências em compositores como Charles Ives— a quem é dedicada uma suite no mais recente trabalho discográfico, da qual se ouviu um andamento no concerto em Braga—, mas assegurando uma performance jazzística de grande nível pela escolha dos músicos que a acompanham e pelos espaços e estruturas para os solos. É curioso ouvir um grupo tão pequeno e recordar as orquestras dirigidas por Hollenbeck, por exemplo, mas, de facto, existem paralelos na escrita que são incontornáveis e apresentam o septeto de Jamie Baum como um agrupamento poderoso e flexível na exploração duma linguagem a que se pode chamar “cosmopolita”, no território do jazz.
Apesar da qualidade da proposta e dos intérpretes, o Theatro Circo manteve-se morno, com o público a denotar, eventualmente, uma certa impaciência face à duração dos temas ou à cadência menos rápida e/ou pouco swingada de grande parte do concerto. Mas os momentos de altíssimo nível protagonizados, a título de exemplo, por Doug Yates, quer no sax, quer no clarinete baixo, com algum destaque num dos temas mais frenéticos da noite, fizeram a sala aquecer ligeiramente.
O concerto estendeu-se por uma apresentação de composições de Jamie Baum, nomeadamente algumas das registadas em “Solace” (Sunnyside Records), tendo como principais solistas, além da líder do septeto, particularmente interessante na flauta alto e do já referido Doug Yates, o trompetista Ralph Alessi, com uma abordagem e vocabulário marcadamente mais jazzístico e o pianista George Colligan, mais próximo dum certo cosmopolitismo académico presente na raiz das composições.

Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 30 da revista jazz.pt, integrado no report global do Braga Jazz. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | Ulrich Mitzlaff e Miguel Mira: Cellos

Cellos, Mitzlaff / Mira (Crative Sources)
Cellos, Ulrich Mitzlaff e Miguel Mira

CLASSIFICAÇÃO: 4/5

Seria interessante observar a produção musical de Ulrich Mitzlaff, o violoncelista e compositor alemão radicado em Portugal, especificamente do ponto de vista dos duos de cordas em que participou ou que dinamizou. A audição deste duo com Miguel Mira é, de facto, indissociável da audição do duo com o contrabaixista Miguel Leiria Pereira ou com o violinista Carlos “Zíngaro”, para quem teve o privilégio de ter o contacto com todos os projectos.
Mas não existe uma lógica de integração ou continuidade deste projecto com os outros referidos, mesmo que algumas estratégias sejam comuns. O duo com Miguel Mira é, de facto muito mais marcado pela duplicação do instrumento explorado por músicos com personalidades bastante distintas, anulando o efeito em projectos anteriores de aproximação e distanciamento tímbrico e assumindo totalmente a óbvia proximidade dos universos instrumentais, com ambos os intérpretes a explorarem, em cada uma das 7 partes que constituem o disco, universos e vocabulários comuns, muito centrados nas técnicas expandidas no violoncelo, tocando com o arco abaixo da ponte, na ponte e no corpo, fazendo amplo uso de percussões no corpo, com pizzicatos próximos da técnica de contrabaixo e fazendo um uso muito reservado e contido das técnicas convencionais do instrumento, com uma primeira aparição clara já na 2ª parte da peça central do disco “Tripartição” (4ª faixa do disco).
As técnicas expandidas, a ausência de referenciais rítmicos, assim como a abstracção e descontinuidade dos vocabulários usados aproximam este disco das vanguardas da música erudita contemporânea, não fosse o seu carácter eminentemente improvisado e, por isso, reactivo.
O nível técnico é tal que, sem outros recursos que não os instrumentos, Miguel Mira e Ulrich Mitzlaff constróem texturas e efeitos que nos habituámos a ouvir nas músicas electrónicas (como na 3ª parte de Tripartição), mas também movimentos e figuras que poderiam constar duma partitura para virtuosos da música erudita de finais do século XX. As referências conceptuais nos títulos das peças, “Figura”, “Inversão”, “Tripartição”, “Descontinuidade”, “Assimetria” e “Abstracto” são uma eventual chave de leitura para o processo por trás desta colaboração. Se a descontinuidade e a abstracção são conceitos claramente presentes na totalidade do disco, parece-nos que falta alguma assimetria pela identificação mais clara de eventuais discursos alternativos simultâneos e algumas figuras musicais identificáveis que actuassem como referências nesta paisagem rica. A penúltima faixa, “Assimetria”, precisamente, é um óptimo exemplo do que isso significa, num momento de texturas arqueadas em cordas dobradas, sobre as quais se afirma um solo intenso em pizzicato, com posterior inversão dos papéis. Um dos momentos mais cativantes do disco.

Cellos, Ulrich Mitzlaff e Miguel Mira

Creative Sources, Lisboa, 2010
Gravado em Sintra, 2009

Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 30 da revista jazz.pt. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | RED Trio: RED Trio

Red Trio, Clean Feed
RED Trio, RED Trio

CLASSIFICAÇÃO: 4.5/5

Rodrigo Pinheiro, Hernâni Faustino e Gabriel Ferrandini são personagens bem presentes e muito bem vindas na cena musical portuguesa improvisada e experimental há vários anos mas, pela sua natureza afável, generosa e discreta e talvez pelos instrumentos que tocam, não foram nunca alvo da atenção que merecem até à criação deste RED Trio. Aqui, neste encontro que se tem afirmado de forma fulgurante desde a sua criação, afirma-se não só o talento e virtuosismo de cada um deles, mas a sua capacidade colaborativa, assente em ouvidos muito atentos e numa gestão criteriosa do espaço a ocupar e do tipo de estímulo necessário para fazer evoluir as situações musicais e na aposta em estratégias criativas ganhadoras. O grupo recorre frequentemente à afirmação dum motivo a solo que depois se desdobra na sua exploração profunda e profícua pelo trio nas várias combinações possíveis. E a configuração hiper-convencional de piano, contrabaixo e bateria não limita em nada a capacidade exploratória e/ou expressiva do grupo; não só porque as “jaulas” tradicionais dos instrumentos da secção rítmica estão completamente postos de lado neste trio, mas também porque o domínio de diversas técnicas de expansão de cada instrumento permitem uma grande diversidade de situações. Igualmente notável é a confiança com que o RED Trio se dedica à exploração consciente dos motivos que vão sendo apresentados, gerindo cuidadosamente o perigoso equilíbrio entre a exaustão dos recursos, o interesse e a consequência musical do conjunto. Sem saltar de motivo em motivo e sem fugir das ideias antes duma cuidadosa observação, o RED Trio navega de forma precisa, cuidadosa e rigorosamente sincronizada no plano das ideias, por territórios da improvisação onde muitos músicos temem já não encontrar novas rotas. E a viagem que nos oferecem demonstra bem o enorme potencial que continua a existir no encontro livre entre músicos talentosos e atentos.
Este primeiro registo confirma e corporiza as óptimas impressões que o RED Trio tem dado em vários palcos pelo país.
Afirmam-se 3 grandes músicos: Rodrigo Pinheiro como um dos mais interessantes e criativos pianistas da nossa cena experimental, pelo que faz tanto no teclado como no corpo do piano, mas principalmente pelo extraordinário ouvido e sentido musical e pelo extenso vocabulário; Hernâni Faustino, um contrabaixista completo, pela diversidade expressiva e tímbrica, pela autenticidade e pela velocidade de reacção; Gabriel Ferrandini, um percussionista de excepção, pelo vastíssimo vocabulário, pelo timing, pela gestão rigorosa do espaço e da dinâmica. O conjunto que é o trio funciona com uma coesão e cumplicidade fora de série, reagindo tão depressa que parecem antecipar, por vezes, as intervenções de cada um e dominam os instrumentos de tal forma que chegam por vezes, como em “Quick Sand”, a apresentar-se, instrumentalmente, como uma formação híbrida.
Assim como o RED Trio entrou, directamente, para o conjunto de agrupamentos que já deviam existir há mais tempo, também este registo homónimo, entra directamente para uma discografia do essencial da música experimental / improvisada portuguesa. Naturalmente.

RED Trio, RED Trio

Clean Feed, Lisboa 2010
Gravação: Fundão, 2008

  • Rodrigo Pinheiro piano
  • Hernâni Faustino contrabaixo
  • Gabriel Ferrandini bateria e percussão

visita aconselhada: http://redtrio.info

Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 30 da revista jazz.pt. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | Paul van Kemenade, Two Horns and a Bass

Two Horns and a Bass, Pauls van Kemenade
Two Horns and a Bass, Paul van Kemenade

CLASSIFICAÇÃO: 3/5

Paul van Kemenade, saxofonista holandês e programador dum importante pequeno festival de música em Tilburg, “Stranger than Paranoia”, celebrou em Dezembro de 2007 os seus 30 anos de carreira e os 25 anos de existência do seu quinteto, com um concerto especial, na prestigiada Bimhuis, em Amesterdão, com transmissão e destaque pela rádio especializada VPRO. Nesse concerto, além de apresentar as suas cumplicidades de sempre- os duos com os pianistas Harmen Fraanje e Michiel Braam, o trio que dá nome ao disco, com Eric Vloiemans e Wiro Mahieu e o seu quinteto, com Pieter Bast, Wiro Mahieu, Rein Godefroy e Louk Boudesteijn—, convidou, para uma versão alternativa do seu quinteto, substituindo o piano pela guitarra, os mais notáveis Ray Anderson, Han Bennink, Frank Möbus e Ernst Glerum.
Esse evento deu origem à edição agora em análise, sendo a gravação deste quinteto de convidados especiais de “In a Sentimental Mood”, de Duke Ellington, retirada directamente do evento gravado para a rádio e televisão, com o restante conteúdo do CD gravado em sessões posteriores, em 2008. O excerto do concerto na Bimhuis justifica ainda a inclusão dum DVD, neste pacote, com um único vídeo de 12 minutos, com o mesmo áudio que consta no CD, numa opção que nos parece acrescentar muito pouco, apesar da qualidade da gravação.
Nesta edição de comemoração, todos os temas são de van Kemenade, com excepção da abertura do primeiro duo, de Harmen Fraanje e do já referido tema de Duke Ellington, seleccionado para a partilha com os convidados especiais. Os músicos presentes são todos competentes intérpretes holandeses, sem grandes figuras a destacar e os temas de van Kemenade, sendo agradáveis e eficazes, são relativamente
convencionais e assim são explorados. O disco flui sem grandes sobressaltos ou riscos e também, sem grande fulgor, destacando-se, justamente, a energia e o timbre brilhante de van Kemenade, que lembra
vagamente uma mistura de vários saxofones alto de referência do bebop e pós-bop, ou até o John Zorn mais controlado de “News for Lulu”, mas sem chegar a afirmar uma identidade muito particular.
O trio com Eric Kloeimans e Wiro Mahieu, “Two Horns and a Bass”, pode lembrar a fragilidade e delicadeza de “Looking at Bird” (Archie Shepp/NHOP), por exemplo, com uma métrica relativamente elástica, e as
referências genéricas para todos os projectos (duos e quinteto) são interessantes e exigentes, mas demasiado presentes.
O quinteto original de van Kemenade é competente na interpretação e exploração dos temas, com alguma inclinação pop/funk, e a experiência de audição dos diversos grupos de van Kemenade é agradável e revela uma personalidade musical enérgica, activa e diversificada, assim como um saxofonista competente, mas o disco não aspira a ser mais do que a simples soma das partes que o compõem, pelo que não escapa a alguma fragilidade do reportório e à repetição de uma série de modelos e clichés.
“In a sentimental mood”, de Duke Ellington, interpretado com os ilustres convidados Ray Anderson, Han Bennink, Frank Möbus e Ernst Glerum, repetido no CD e DVD, é mais um momento adicionado a esta espécie de “compilação”, momento certamente alto e merecido na carreira de van Kemenade, que se revela à altura dos convidados que colaboram generosamente para esta comemoração, com destaque para Ray
Anderson
e Frank Möbus.

Two Horns and a Bass, Paul van Kemenade

Edição de Autor BUMA STEMRA 08
Gravado na Holanda (2007 e 2008)

Inclui 2 duos, 1 trio e 2 quintetos:
Duo Harmen Fraanje (piano) – Paul van Kemenade (saxofone alto)
Eric Vloeimans (trompete) – Wiro Mahieu (contrabaixo) – Paul van
Kemenade
(saxofone alto)
Duo Michiel Braam (piano) – Paul van Kemenade (saxofone alto)
Paul van Kemenade Quintet

  • Pieter Bast bateria
  • Wiro Mahieu contrabaixo e baixo eléctrico
  • Rein Godefroy (piano e fender rhodes)
  • Louk Boudesteijn (trombone)
  • Paul van Kemenade (saxofonealto)
  • Ray Anderson (trombone)
  • Han Bennink (bateria)
  • Frank Möbus (guitarra)
  • Ernst Glerum (contrabaixo)
  • Paul van Kemenade (saxofone alto)
Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 29 da revista jazz.pt. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | Jeffery Davis Quartet: Haunted Gardens

Haunted Gardens, Jeffery Davis Quartet
Haunted Gardens, Jeffery Davis Quartet

CLASSIFICAÇÃO: 4/5

Haunted Gardens” é a estreia em disco, como compositor e líder do virtuoso percussionista luso-canadiano Jeffery Davis. O percurso relativamente meteórico, ainda que pouco notado, de Jeffery Davis é justamente assinalado, neste momento, com este registo de altíssima qualidade, onde se afirma, a par do seu virtuosismo como instrumentista, quer no vibrafone, quer na marimba, o seu talento e inteligência como compositor, a sua criatividade como improvisador e a sua visão enquanto líder. Desde logo, a escolha do grupo de músicos que constituem este quarteto e a adequação da escrita e desenvolvimento dos temas à sua personalidade, tem uma contribuição decisiva para a coesão do resultado final. André Fernandes, Nelson Cascais e Marcos Cavaleiro encontram na escrita de Jeffery Davis e na dinâmica de funcionamento do quarteto amplo espaço para a afirmação das suas identidades musicais em diversos registos, sendo de destacar a prestação de André Fernandes, que se apropria dos temas com grande conforto e solidez, mas também para Marcos Cavaleiro, que encontra e inventa, dentro da relativa convencionalidade estrutural dos temas, os momentos ideais para pontuar, esclarecer ou (des)equilibrar a dinâmica do grupo, com as doses certas de rigor e subtileza. Nelson Cascais, por sua vez, adapta-se muito bem às diferentes funções que lhe competem e à diversidade da escrita, em função, também do papel desempenhado por Jeffery Davis, que consegue, com grande rapidez, alternar entre funções rítmicas, harmónicas e melódicas.
“The Pitbull’s Revenge” a 4ª faixa do disco, destaca-se, de algum modo, por esclarecer de forma inequívoca o impacto da opção pela utilização do vibrafone e da marimba no universo tímbrico do quarteto e por representar, na fluidez com que o quarteto se move em estruturas rítmicas menos convencionais, o delicado equilíbrio entre simplicidade e virtuosismo que se mantém ao longo de todo o álbum.
Pela qualidade geral da composição e da interpretação, face à maturidade e ao equilíbrio na afirmação individual das personalidades musicais do quarteto, considerando a diversidade presente e a coesão global estética, que parece afirmar um arco narrativo consequente, da leveza do “Joao’s Cafe” à densidade de “Viktoria’s Nightmare”, onde o solo de Jeffery Davis se afirma como um gesto “precioso”, também na transição para o tema seguinte, mesmo tratando-se dum primeiro disco e apesar de não ser imaculado, creio ser justo dizer que estamos perante uma consagração.

Haunted Gardens, Jeffery Davis Quartet

TOAP Tone of a Pitch (2009)
Gravado em Lisboa (2009)

  • Jeffery Davis vibrafone e marimba
  • André Fernandes guitarra
  • Nelson Cascais contrabaixo
  • Marcos Cavaleiro bateria
Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 29 da revista jazz.pt. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | Voladores, Tony Malaby’s Apparitions

Voladores, Tony Malaby's Apparitions
Voladores, Tony Malaby’s Apparitions

CLASSIFICAÇÃO: 5/5

Este quarteto Apparitions, de Tony Malaby, na sua própria constituição de saxofone, contrabaixo e 2 baterias contém uma agenda, que se entende tão melhor, quanto mais se observa o perfil e história dos 4 instrumentistas: Tony Malaby, o líder da formação, nascido no Arizona, afirma-se cada vez mais como um dos grandes saxofonistas criativos do nosso tempo, aliando técnica, musicalidade e versatilidade para colaborar com nomes incontornáveis no jazz americano e europeu, como Charlie Haden, Michel Portal, Paul Motian ou Daniel Humair. Drew Gress, contrabaixista, improvisador e compositor, actualmente dedicado à improvisação contemporânea e de vanguarda, colabora habitualmente com John Abercrombie, Tim Berne, Don Byron, Uri Caine, Bill Carrothers, Ravi Coltrane, Marc Copland e Mark Feldman, entre outros. Tom Rainey é um dos mais requisitados e flexíveis bateristas da actualidade, com colaborações regulares com Tim Berne e um historial interminável de gravações e concertos, onde se destaca a sua versatilidade na exploração da bateria como instrumento completo. E John Hollenbeck é, além dum baterista e percussionista completíssimo, um compositor e maestro requisitado, com uma expressão e universo musical muito próprio.
Para quem a singularidade da formação ou o perfil dos músicos é relativamente indiferente, a abertura do álbum com um tema inédito de Ornette Coleman, “Homogeneous Emotions”, é, de facto, um bom ponto de partida. Há, neste quarteto peculiar, e em parte da abordagem expressiva de Tony Malaby e na sua escrita, referências a Ornette, numa certa ambiguidade ou abertura harmónica e uma certa disponibilidade polirrítmica, que é, por isso, mais sensível à (con)sequência de frases e motivos melódicos expostos sobre bases rítmica e harmonicamente livres, onde o espaço dos músicos, independentemente do seu instrumento, é em grande parte definido pela capacidade de reacção/criação e pela interpretação subjectiva do significado do momento musical e do seu espaço.
Com 1 tema de Ornette Coleman, 3 improvisações em grupo e 7 temas de Tony Malaby, a sensação geral é a duma música que resulta coerente e que tem significado(s), multidireccional, que se eleva à condição de muitíssimo mais do que a soma das partes, sendo as partes, as contribuições de cada músico.
De facto, em cada momento de cada tema, o universo de possibilidades face à criatividade, flexibilidade e destreza técnica de cada um dos músicos parece inesgotável, mantendo-se, em cada configuração e independentemente da instrumentação disponível, uma enorme coesão, resultado da intencionalidade da escrita e liderança de Malaby, mas, sem dúvida, da atenção e da grande experiência musical dos seus parceiros, cada um deles, igualmente responsável pela construção de momentos verdadeiramente surpreendentes. Com as improvisações de grupo a pontuarem o disco com momentos de procura “pura”, a versatilidade e expressividade que aí ouvimos é generosamente utilizada nos momentos mais direccionados do disco.
O encontro entre John Hollenbeck e Tom Rainey é verdadeiramente extraordinário, sem redundâncias, nem sobreposições, com Hollenbeck a povoar todo o disco com timbres e sonoridades complementares à já diversificada paleta de Tom Rainey e, com a melódica, a dobrar a voz de Malaby com sucesso, por exemplo em “Lilas”. Com bases rítmicas e texturas excepcionalmente ricas, Drew Gress, consegue encontrar o seu justo papel, sem ficar preso a funções convencionais e usando todo o potencial do contrabaixo, de acordo com as exigências dos temas, entre um baixo mais convencional de “Homogeneous Emotions”, por exemplo, e os harmónicos e arcadas nervosas em “East Bay”. Tony Malaby, com um som profundo e cru, quer no tenor, quer no soprano, afirma uma voz urgente, mas determinada, capaz de grande beleza e fragilidade, mas também de vigor, excitação e mesmo violência.
Emoções geridas e equilibradas de forma consequente, num disco que corre seriamente o risco de se tornar imprescindível.

Voladores, Tony Malaby’s Apparitions

Clean Feed (2009)
Gravado em Nova Iorque (2009)

  • Tony Malaby saxofone tenor e soprano
  • Drew Gress contrabaixo
  • Tom Rainey bateria
  • John Hollenbeck bateria, percussão, marimba, vibrafone, glockenspiel, melódica, pequenos utensílios de cozinha
Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 29 da revista jazz.pt. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | Empty Cage Quartet, Gravity

Gravity, Empty Cage Quartet
Gravity, Empty Cage Quartet

CLASSIFICAÇÃO: 3.5/5

Sobre o Empty Cage Quartet a prestigiada The Wire escreveu que é “uma das melhores coisas no jazz a emergir no novo milénio”. Aos cínicos bastaria dizer que o milénio ainda agora começou, mas depois de ouvir “Gravity” não podemos, com seriedade, ignorar a proposta deste grupo emergente da costa leste. Tanto pela música que apresentam como pelos processos sugeridos. “Gravity”, consiste na interpretação de duas obras, “Gravity” de Kris Tine e “Tzolkien”, de Jason Mears, que se apresentam como processos de fazer nova música, modulares, contendo um conjunto de possibilidades rítmicas e melódicas, incluindo palíndromos e complexos exercícios de simetrias melódicas e harmónicas, assim como explorações numéricas, que possibilitam interpretações lineares e recombinações da responsabilidade dos intérpretes e das suas escolhas em tempo real.
Sem privilégio aparente de nenhuma perspectiva idiomática, a música do Empty Cage Quartet lembra, a espaços, um híbrido de jazz e música conteporânea erudita, por exemplo quando Jason Mears opta pelo clarinete, em “Tzolkien 1+13″, reminiscente de Anthony Braxton, mas pode aproximar-se dum jazz livre, próximo das estratégias harmolódicas de Ornette Coleman, como em “Gravity: Section 8″, ou do M-Base de Steve Coleman, por exemplo, mas, na diversidade de abordagens e sonoridades, este quarteto, que parece desdobrar-se em múltiplas personalidades, mantém, misteriosamente, uma identidade bastante particular.
A complexidade conceptual não é audível (não de forma avassaladora, felizmente), mas fornece uma matriz estrutural que permite que as 4 vozes individuais atravessem os mesmos espaços, em ondas largas ou sinuosas e por vezes, de forma bastante angulosa ou em sentidos inversos, mas, nos seus cruzamentos, encontros e desencontros, a música produzida reflecte, de facto, a existência dum sistema intrigante que nos permite identificar os tais “pontos de gravidade”.
Uma música e um sistema que nos desafia, mas não aliena nem os intérpretes, músicos de grande qualidade técnica e criativa- com experiência de formação e colaboração com nomes como Milford Graves, Wadada Leo Smith, Vinny Golia, Nels Cline, Ken Filiano, Marilyn Crispell e Charlie Haden- nem os ouvintes.

Gravity, Empty Cage Quartet

Clean Feed (2009)
gravado em Nova Iorque (2008)

  • Jason Mears saxofone alto, clarinete
  • Kris Tiner trompete
  • Ivan Johnson contrabaixo
  • Paul Kikuchi bateria, percussão
Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 29 da revista jazz.pt. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.