Contribuição para o Debate Aberto, no Esquerda.net

O Bloco tem que reflectir e tem que fazer muita coisa*

Tenho acompanhado com interesse uma parte significativa da reflexão que se vai fazendo e sublinho os apelos à necessidade de reflectir sobre as causas mais profundas da derrota da esquerda, em geral, e do Bloco de Esquerda, em particular. A possibilidade de participar num debate aberto, promovido pela Mesa Nacional é, por isso, algo que prezo especialmente e que espero sirva para convocar em quantidade, diversidade e qualidade, vozes lúcidas de esquerda.

É particularmente difícil, nesta altura em que parte do ruído gerado pela comunicação social e eventualmente mal gerido pela estrutura do Bloco e alguns dos seus protagonistas, se sobrepõe à reflexão real, compreender algumas vozes de militantes do Bloco que criticam os “ziguezagues” estratégicos dos últimos tempos. Não que não compreenda do que falam, mas porque me parece que os que criticam os “zigs” não são os mesmos que criticam os “zags” e estão mesmo na origem destes últimos. E vice-versa. E, sendo a diversidade enérgica de opiniões no interior do Bloco a sua principal riqueza, custa-me constatar que, até certo ponto, os bons resultados eleitorais tenham servido os interesses de todos os seus sectores, que se apresentam muitas vezes como portadores da legitimidade eleitoral “toda” do Bloco, enquanto que os maus resultados parecem ser usados como arma de arremesso interno, dizendo uns que o espaço natural do Bloco é mais ao centro (culpando os zags), outros que o Bloco tem que clarificar e radicalizar o discurso à esquerda (culpando os zigs).

A mim parece-me evidente que o Bloco tem que reflectir e tem que fazer muita coisa. Parece-me também evidente que, nesse exercício, não pode deixar de ser um espaço de liberdade e convergência da(s) esquerda(s) divergente(s), mas tem que encontrar formas mais claras e eficazes de comunicar interna e externamente, porque há um desfasamento entre as convicções do(s) eleitorado(s) e da(s) militância(s), natural e presente em quase todos os partidos, que no Bloco se articula de forma difícil com a energia da discussão interna e com a sua desequilibrada visibilidade pública.

Por outro lado, também acho que é preciso enquadrar toda esta reflexão, considerando a verdadeira natureza do último resultado eleitoral do Bloco. Pessoalmente, não acho que o resultado nestas eleições tenha sido catastrófico, na exacta medida em que senti que o anterior tinha sido excepcional. Ou seja, acho que é chegado o momento de compreender que o Bloco não se pode deixar deslumbrar, confundir eleitores com militantes e iniciar uma artificial guerra de facções. Creio que este é o tempo de se convocarem as vozes que dão força real ao Bloco para uma reflexão tão profunda quanto serena e razoável acerca do presente e futuro. E essas não são as vozes “barricadas” que fundaram o Bloco numa estratégia de sobrevivência, mas que nunca abandonaram realmente uma qualquer ortodoxia sectária, mas sim as vozes de quem participa activamente e construtivamente (e convictamente) nos entendimentos e nas convergências desta(s) esquerda(s).

São aqueles que estão “reféns da História” que têm mais voz e visibilidade na discussão interna? Preocupa-me se assim for.

Há uma desproporção preocupante entre o peso político e o peso mediático de alguns dos intervenientes na discussão? Não me surpreende, num partido que teve sempre um tratamento “especial” por parte da comunicação social.

Pode o Bloco avançar ou crescer sem a participação das vozes que o “ligam” e que, não sendo filiadas em nenhuma das suas facções, sentem que a sua participação política e a sua liberdade está a passar por ali? Creio que não.

Não sendo militante, não conheço os processos internos, e tenho a certeza que os próximos tempos serão vitais para a expressão social e política desta esquerda em que acredito e confio, pelo que tenho ponderado aderir ao Bloco, para poder fazer parte dessa reflexão e ficar implicado com o seu resultado. Sem perder liberdade e autonomia, mas assumindo um outro tipo de compromisso com esta (minha) esquerda.

Não é que me sinta diminuído perante a possibilidade de participar, na qualidade de cidadão, neste debate aberto que agora se inicia, mas creio que a promoção de novas formas de militância é parte fundamental do futuro do Bloco. Novas militâncias que favoreçam uma ideia de futuro da esquerda, face à promessa de futuros históricos. Novas militâncias que, sem desprezar a história ou os percursos individuais e colectivos, permitam a construção de propostas e discursos que promovam as convergências possíveis à esquerda, articuladas em torno de projectos de acção política e social consequentes e mobilizadores, sem uma dependência excessiva de algumas das chamadas “causas fracturantes” com as suas militâncias apaixonadas, mas fugazes.

O problema que se coloca é, por isso, um problema de (con)vocação e mobilização de vozes livres, que não são necessariamente jovens, não-fundadores ou militantes recentes, mas serão, eventualmente, algumas das vozes mais genuinamente inquietas.

Alguns destes “militantes em potência” estão espalhados um pouco por toda a parte e afirmam-se quer pela consciência e reflexão política, quer pela enérgica participação cívica e social nas mais diversas áreas. A intensidade e/ou o desfasamento das convicções políticas e filiações partidárias de cada uma destas pessoas, ou apenas das suas afirmações públicas, varia ao longo do tempo e é um indicador importante da saúde da democracia e dos partidos, assim como da intensidade das tensões sociais e políticas e, em momentos de rupturas ou, pelo menos de grandes clivagens, a expressão pública destas convicções impõe-se como imperativo ético.

Temos que reconhecer que essa expressão se diluiu ou dispersou face a um panorama de causas sociais e políticas mais aberto e plural e menos polarizado, e o esquema de crescimento em fast-forward e sem a maturação necessária do nosso sistema político pós-25 de Abril, associado a debilidades estruturais não resolvidas e com grande impacto no exercício da cidadania— na educação e na cultura, por exemplo—, não pode ser desprezado, mas creio que, mesmo em tempos de maior apatia social, uma parte significativa dos membros mais enérgicos da nossa sociedade, se envolveu em “causas”, procurando identificar zonas de maior “fricção” social. Em determinadas alturas isso terá mesmo significado, para algumas pessoas, um necessário e saudável afastamento face às instituições tutelares da democracia parlamentar, cada vez mais “bem comportadas” e com menos espaço para a “inquietação”.

Uma “inquietação”, ou um conjunto de inquietações que nem sempre tiveram voz política, que passaram por fases de grande invisibilidade, mas que sempre continuaram a alimentar processos de “intervenção”, fruto de uma urgência ou angústia de acção / transformação social, ainda que ela nem sempre se tenha articulado conscientemente como discurso público de intervenção política.

Porque mesmo nos períodos e nos sectores da sociedade portuguesa em que discutir política em público é quase obsceno, encontramos muitos exemplos de solidariedade, de empenho e militância de muita gente válida e madura em causas sociais, cívicas e políticas relevantes, que fazem o presente e o futuro da esquerda.

O desafio está em compreender que essa é a energia fundamental dum movimento amplo de esquerda e que o Bloco pode ser o instrumento de parte dessas causas e movimentos, desde que a diversidade de motivações e convicções que estes transportam não sejam, por seu turno, instrumentalizadas.

Agudiza-se a necessidade de clarificar a natureza propositiva e progressista de discursos políticos capazes de mobilizar estas energias e o amadurecimento de soluções de funcionamento democrático eficazes, conciliadoras e promotoras de liberdade e lealdade.

Identifico no Bloco de Esquerda a única força política que pode acolher estas energias transformadoras e estas preocupações diversas, complexas e até contraditórias e gerar e gerir os compromissos necessários para agir de forma consequente. Um espaço de liberdade individual na militância que outros modelos de funcionamento partidário excluem e um reconhecimento dum carácter exploratório e eminentemente comprometido com uma realidade social em contínuo devir que outras estruturas procuram evitar.

Um espaço que se conquista e constrói diariamente, num ambiente que é naturalmente hostil e num contexto global de enormes desafios para todos.

Publicado no Debate Aberto promovido pelo Esquerda.net

Agradeço que comentários relevantes para a reflexão se façam lá. Destaco a rapidez de publicação e a diversidade de textos que estão a ser publicados neste espaço e que, na minha opinião, são uma demonstração de coragem, energia e compromisso com o processo de reflexão que tem sido exigido por todos.

* enviei o texto por e-mail, sem título. Esta foi uma (boa) opção editorial da equipa do Esquerda.net.

[Divulgação] Ciclo de Debates sobre Investimento Cultural

O Roteiro sobre Políticas Culturais organizado pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda começa este fim de semana (dia 10), no Porto (Teatro Carlos Alberto). Também este fim de semana, no dia 9, se inicia um Ciclo de Debates sobre Investimento Cultural, a ter lugar no Espaço Campanhã.

Ciclo de Debates “2010 – O Investimento Cultural”

Dias 9, 16 e 23 de Janeiro, com início pelas 16H00

Painel I – 9 de Janeiro
Produção Artística, as questões de Mercado
Apresentação de projecto: Projectos Vivos – Rui Ferro
Oradores: Alice Bernardo, Fabrice Ziegler, Isaque Pinheiro, João Teixeira Lopes, Renato Brito
Moderação: Lino Teixeira

Painel II – 16 de Janeiro
Clusters Criativos, experiências e expectativas
Apresentação de projecto: 20/21 – Pedro Pardinhas
Oradores: Álvaro Barbosa, Carlos Martins, Henrique Silva, Jorge Campos, Michael Dacosta Babb, Miguel Veloso
Moderação: Lino Teixeira

Painel III – 23 de Janeiro
Bonfim/Campanhã, um universo particular?
Apresentação de projecto: Circolando
Oradores: Daniel Pires, Helena Pereira, João de Sousa, José Castro, Junta de Freguesia Bonfim, Junta de Freguesia Campanhã, Miguel Pinho
Moderação: Lino Teixeira

Local: Espaço Campanhã
Rua Pinto Bessa 122 – Armazém 4. (atrás do BANIF) 4300-472 Porto
Tel: 912897580
Mail: linha1@plataformacampanha.com

Programa:

  • 9 de Janeiro, às 16H00 – Produção Artística, as questões de Mercado
  • 16 de Janeiro, às 16H00 – Clusters Criativos, experiências e expectativas
  • 23 de Janeiro, às 16H00 – Bonfim/Campanhã, um universo particular?

Entidade promotora: Estrutura

Entrada livre
Mais informação: ciclodedebates2010.tumblr.com

O ano de 2010 começa em grande no que à discussão sobre Políticas Culturais diz respeito. A participação nestas iniciativas legitima as preocupações que os agentes culturais vão manifestando de forma sistemática, contribuindo para uma maior pressão sobre os decisores políticos. Apareçam e divulguem.

Debate sobre políticas culturais promovido pela Plateia

Segunda-feira, 7 de Setembro, 18h00, FNAC S.ta Catarina, Porto

A PLATEIA – Associação de Profissionais das Artes Cénicas tem vindo a promover debates a propósito de políticas culturais no âmbito europeu, nacional e autárquico, por ocasião de cada uma das eleições. Este ciclo, que se iniciou em Junho com um debate acerca das políticas europeias, prossegue agora com um encontro com candidatos à Assembleia da República, dos partidos com assento parlamentar. Será uma oportunidade única para discutir e comparar as propostas dos vários partidos em termos de política cultural. O debate será moderado pela jornalista Carla Carvalho, da SIC e terá lugar na FNAC de Santa Catarina, no Porto, na segunda-feira, 7 de Setembro pelas 18h.
No debate participam Catarina Martins (Bloco de Esquerda), João Almeida (Partido Popular), Jorge Strecht Ribeiro (Partido Socialista), Manuel Loff (Partido Comunista Português) e Pedro Duarte (Partido Social Democrata).

Vale a pena ler com atenção o texto proposto pela Plateia como mote deste debate, aqui.

Que boa ideia!

1 da manhã. Estão 14 pessoas numa emissão da RTP a tentar comunicar entre elas e comigo, creio que sobre a Europa, num espaço provavelmente muito interessante para intervenções acusmáticas, mas francamente ineficaz para conversas ou debates.

Se estivesse no Twitter perguntaria se alguém está a perceber alguma coisa…

E mais: quem é que acha que eles se ouvem uns aos outros?

Forum ou Blog?

Volta e meia, as coisas aquecem, por aqui, e um ou outro artigo despoleta uma série de comentários, réplicas e tréplicas que poderiam ser o início de intermináveis discussões. Tivesse eu mais tempo— ou o blog mais leitores— e alguns artigos poderiam mesmo ter “caudas” tão ou mais longas do que alguns tópicos de fóruns* que frequento e mailing lists em que participo.
Uma parte da “animação”, como seria de esperar, é assegurada por mim, mas é estranho, neste formato de blog, dar por mim a escalpelizar, aprofundar ou sublinhar o que escrevi inicialmente, sendo que me parece que parte dos comentários ou comentadores não espera, nem suscita, de facto, nenhuma resposta. Como sou adepto de trocas de opiniões, mesmo que (ou principalmente) acaloradas e temperadas com provocações e me incomoda um certo carácter asséptico que parece ser de “bom tom” em certos sectores da blogosfera, dou por mim a ter dificuldade em gerir o tempo dedicado ao “acompanhamento” dos temas, depois de sobre eles me debruçar no artigo, propriamente dito.
Precisamente porque me interessam e agradam os comentários, opiniões e críticas, fico sem saber até que ponto devo participar eu próprio na refrega. De facto, nunca tive jeito para gerir o silêncio. ;)

* – no Novo Acordo Ortográfico escreve-se “Fórum / Fóruns” ou “Forum / Fora”?

Profissional? Eu?

A convite do Dr. Nelson Lopes, psicólogo no Gabinete de Apoio ao Jovem da Câmara Municipal de Aveiro, participei num Painel de Profissionais, com a missão de partilhar com alunos do 12º ano da Escola Secundária Jaime Magalhães Lima, alguma da minha experiência na qualidade de web designer. Todas as minhas reservas— não ter um percurso de formação minimamente regular, ser demasiado jovem e inexperiente para poder dar uma visão completa de qualquer exercício profissional e ser excessivamente disperso na minha actividade para me poder assumir como profissional seja de que área for— foram sendo rebatidas pelo Nelson Lopes, a quem a ideia de trazer um “agente provocador” ao painel, parecia agradar.

Participei, por isso, nessa qualidade e, apesar do cansaço (o painel foi de manhã e tinha tido filme-concerto do Space Ensemble em Barcelos na noite anterior), acho que não se perdeu tudo e ninguém ficou demasiado melindrado (espero) com a minha presença.

Comecei, destacando a velocidade vertiginosa a que a web, enquanto suporte, se desenvolve e modifica e, por isso, a necessidade imperiosa de, quem se interessar por ela, não se afeiçoar demasiado a ferramentas, linguagens ou procedimentos específicos e, necessariamente circunstanciais, e investir numa formação flexível, centrada no “aprender a aprender” e no “aprender a pensar“, muito mais “estáveis” e úteis a médio e longo prazo do que o “aprender a fazer“. Partilhei também a parte mais “dramática” do meu percurso escolar (uma prolongadíssima desistência do curso de arquitectura) e aconselhei, nos limites do que me é permitido, a não ter medo de mudar de sonhos e vontades e, acima de tudo, fugir das armadilhas das expectativas externas (ou da percepção que temos delas) e quebrar este ciclo vicioso de prolongar os percursos formativos ad nauseam, sem convicções.

Não se metam num curso superior qualquer só porque é o que se espera que façam ou, pior, porque é aquele em que conseguem entrar. O curso não pode ser um fim em si mesmo.

Não sei se o disse com esta convicção, mas tentei.

Para ilustrar a questão da velocidade, usei uma citação do Boris Vian, tirada de “Os Construtores de Impérios“:

Corremos com toda a força para o futuro e vamos tão depressa que o presente nos escapa e a poeira da nossa corrida nos esconde o passado.

Timeline of major browser releases, Wikipediae, para dar um aspecto mais “técnico”, mostrei-lhes esta timeline dos lançamentos dos principais browsers, que pode ser vista em detalhe na Wikipedia.

Para quem nasceu à volta de 1990, este ritmo de desenvolvimento, a par das datas de lançamento dos principais serviços web que fazem parte do nosso quotidiano— Amazon, 1994; Yahoo e Sapo, 1995; hi5, 1996; Google, 1997, MSN, Blogger e RSS, 1999; Wikipedia, 2001, Last.fm, 2002; Skype e MySpace, 2003, YouTube, 2005— deve fazer pensar 2 vezes todos aqueles que aspiram a um futuro sossegado (que espero que sejam sempre cada vez menos).

Datas de lançamento de serviços web emblemáticos

O tempo não era muito (15 minutos para a apresentação) e não consegui fazer nada de tão rigoroso ou completo como gostaria. Até porque não podia evitar a “provocação” final que, infelizmente, não tivemos tempo para debater, nem com os alunos, nem com os professores, nem com os restantes profissionais presentes: o matemático Manuel Scotto, o engenheiro electrotécnico/telecomunicações José Carlos Pedro, o engenheiro civil João Paulo Tavares (CMA) e o professor de educação física / empresário Ricardo Silva.

Quem sabe se a podemos debater aqui no blog? Cá vai:

O trabalho é a porca chantagem da sobrevivência.
Movimento Situacionista

Quem nos educa?

Os debates sobre a educação em Portugal são os únicos verdadeiramente fundamentais porque só ganhando essa aposta podemos sequer pensar em ter um futuro.

Mas assistir a debates destes torna-se quase doloroso, frequentemente, porque passamos o tempo todo à espera de um sinal de esperança, de rumo e de alguma estabilidade. Hoje, no Prós e Contras, houve muitos sinais contraditórios, alguma agitação pueril, sinais claros (para mim) da crescente diluição das estruturas sindicais enquanto interlocutores sérios e construtivos em algumas das questões fundamentais (o que é um sinal complicado para a democracia) e a consolidação duma sensação de grande “viscosidade” de todo o habitat educativo.

A Ministra insiste em identificar “equívocos” na base de todas as diferenças de opinião— o que é muito irritante e diz muito acerca da capacidade comunicativa do Ministério— os sindicatos especializaram-se, aparentemente, no combate administrativo e judicial, de tal forma que não chegam a formular convicções, muitos professores fazem questão em dar razão à Ministra, anunciando despudoradamente visões enviesadas das políticas e dos seus instrumentos… no meio de tudo isto, a tentação maniqueísta de Fátima Campos Ferreira (que parece gostar bastante de dedos apontados e pouco de diagnósticos complexos), não ajuda a navegar e filtrar o que pode ser inércia de classe, o que pode ser legítima desconfiança, o que pode ser violência e desadequação das medidas propostas, o que podem ser caminhos alternativos.

Pergunto-me se as participações do meu pai, Arsélio de Almeida Martins, poderão ter ajudado a fracturar alguma da “crosta” acumulada em cima destas questões, que nos impedem de as ver pelo que elas são, de tão saturados estamos de contra-informação das mais variadas fontes. Espero que sim. Mas não tenho grandes ilusões: as visões lúcidas, não simplistas, responsáveis e comprometidas que lhe são características não são de digestão televisiva fácil. Além do mais, estes são assuntos sobre os quais quase toda a gente se sente à vontade para emitir opinião e sobre os quais demasiadas pessoas têm opiniões formadas a priori, que não têm nenhuma relação com a realidade.

Mas se tiver estado gente atenta nesta noite de segunda-feira (que raio de horário para este programa, meus senhores!), pode ser que se tenha dado mais um passo para, pelo menos, aproximar a questão a mais portugueses.

Depois, logo se vê.