Entradas com Etiqueta ‘design’

Se for para mudar, que mudem para melhor

Terça-feira, 7 de Outubro, 2008

Ouvi, nas notícias, que o Multibanco ia mudar de imagem. Fiquei curioso, obviamente, mas por acaso, e porque uso a Internet para quase todas as operações bancárias, só alguns dias depois da mudança é que me deparei com ela. E fiquei muito desiludido. As questões mais profundas, as que potencialmente dificultarão a acessibilidade ao novo interface, são bem analisadas pelo Ivo Gomes, mas a mim, a impressão mais imediata e superficial foi “porque é que isto ficou tão feio”? E reparem que eu não achava nem a imagem, nem o interface antigo particularmente bonito. Mas se, por um lado, funcionava, por outro, tinha algum equilíbrio. Já esta nova imagem, pode eventualmente ter melhorias ao nível da “actualização” da identidade gráfica do Multibanco que se reflectem (eventualmente) na comunicação fora do interface. Aceito até que pessoas menos sensíveis a questões de legibilidade e acessibilidade considerem que, em geral, a nova imagem é mais “moderna”.

Multibanco - nova imagem

Mas não concordam que o novo “boneco” do MB é feio e mal desenhado?

MB, o novo boneco é feioE isso, chama a atenção para os pormenores de todo o interface e da identidade e, genericamente, há imensas fragilidades gráficas. Ora reparem com atenção… não é mesmo “feio”?

Porquê?

Design para míopes: o infeliz contra-exemplo destas novas caixas de lentes de contacto

Terça-feira, 29 de Julho, 2008

Atenção aos incautos: as novas caixas de lentes de contacto oferecidas com o líquido de tratamento 3 em 1 da Bausch & Lomb, que eu compro na MultiOpticas, são bem piores do que as antigas, tornando fácil a troca entre a lente esquerda e direita. Reparem:

Caixa de lentes de contacto iWear: mudar para pior?

Por isso, se usarem estes produtos e precisarem, como eu, de ter a certeza que não trocam a lente esquerda e direita, guardem as caixas antigas.
Um daqueles exemplos em que a decisão de mudar o “design” fez “perder de vista”, momentaneamente, os clientes do produto e a sua função específica.

Imagino que não seja complicado

Sexta-feira, 16 de Maio, 2008

“Eu não percebo nada disso, mas imagino que não seja complicado. É?”

Com cada vez mais frequência sou confrontado com este paradoxo: com a “democratização” das tecnologias e com a disseminação da ideia (absurda) de que dos computadores se tira o trabalho já feito, são cada vez mais as pessoas que, sem terem a menor ideia das competências necessárias, tarefas envolvidas ou tempo dispendido em alguns dos trabalhos que desenvolvo, requerem, em cima do prazo final de entrega dos trabalhos, actualizações, rectificações, modificações, revisões e outras tarefas que têm o seu tempo próprio no processo. E é comum dizerem mesmo coisas deste tipo: “não faço a mínima ideia como é que isso se faz, mas não deve ser assim tão complicado substituir isto, ou acrescentar aquilo ou…”

Mas não é bem assim, senhores. Se não fazem a menor ideia como se faz, é possível, e até provável, que aquilo que vos parece perfeitamente banal, mas que vos foi dito que teria um tempo próprio, seja de facto bastante complicado fora desse tempo.

Ah! É importante que se esclareça que neste “estabelecimento” o cliente não tem sempre razão. Aliás, é raro isso acontecer.

Desculpem o desabafo, mas são 5 da manhã e estou a acabar um desses projectos fora de tempo. Porquê? Porque, apesar de tudo, o trabalho é mesmo “a porca chantagem da sobrevivência”.

iPhone em Portugal pela Vodafone

Terça-feira, 6 de Maio, 2008

O Pedro Aniceto chama a atenção para o anúncio da Vodafone, mas a questão do “quando” permanece. “Later this year” será exactamente o quê?

Eu continuo sem saber exactamente o que pensar do iPhone, se querem que vos diga. Mas, se pensar no meu quotidiano e no tipo de uso que dou ao meu telemóvel, aos computadores e até ao iPod que me foi oferecido nos anos :) , não sei mesmo o que faria com um gadget daquele tipo. Não me faz falta nenhuma das suas funções, mas, bem sei que essa não é a primeira questão que passa pela cabeça de quem o deseja e foi por isso mesmo que foi assim concebido.

Mas,

Recognizing the need is the primary condition for design.

Foi Charles Eames que o disse e se o for repetindo regularmente talvez evite pensar muito nisto. ;)

Substância

Terça-feira, 4 de Março, 2008

É cada vez mais evidente que o ciclo de desenvolvimento “técnico” de um website foi encurtado significativamente, ao ponto de ser possível, com um CMS competente e uma certa ginástica no desenvolvimento de templates, pôr um projecto online em alguns dias, ou mesmo horas, dependendo do fôlego, do número de colaboradores, da exigência gráfica, dos conteúdos.

Mas o ritmo acelerado a que se resolve o esqueleto e a pele superficial destas coisas, deixa cada vez mais evidente a progressiva ausência de substância: é cada vez mais comum ter projectos “pendurados”, à espera de conteúdos, ter clientes que querem um site mas que não fazem ideia do que ele irá conter, encontrar organizações que não são capazes de produzir nenhum tipo de discurso acerca de si próprias…

Corremos com toda a força para o futuro e vamos tão depressa que o presente nos escapa e a poeira da nossa corrida nos esconde o passado.
Boris Vian, Os Construtores de Impérios

E nem sequer sei (desconfio muito) se é só no caso da comunicação digital que vamos adoptando cada vez mais esta lógica de fazer “coisas” desenfreadamente, sem nos determos no que é verdadeiramente fundamental. Ou sem sequer percebermos o que é necessário.

Recognizing the need is the primary condition for design.
Charles Eames

Tipografia para Web Designers

Sexta-feira, 29 de Fevereiro, 2008

Em tempos que já lá vão, escrevi aqui acerca do brilhante I Love Typography, mas não tenho conseguido ser um leitor assíduo e, de cada vez que me dedico a ler os artigos ou simplesmente seguir algumas das sugestões apresentadas, fico sempre “maravilhado”. Mas agora, o iLT avançou com um primeiro capítulo dum Guia de Tipografia para a Web e isso é um acontecimento a destacar. É claro que esta não é a primeira iniciativa do género e há alguns recursos online e offline dedicados a estas questões de forma mais aprofundada, mas a leitura do iLT é muitíssimo agradável e, também a partir dos comentários, abre imensas portas. The Elements of Typographic Style Applied to the Web é um exemplo dum outro recurso mais aprofundado, também work-in-progress, a que acedi a partir dos comentários no iLT. O que prova que ter uma comunidade de leitores interessados e interessantes é uma enorme mais-valia.

Mas o mais relevante neste dois sites é a capacidade que têm de provar a relevância do conteúdo pelo exemplo. Ora reparem:

I Love Typography: aconselhável pelo conteúdo, pela forma e pelo exemplo

The Elements of Typographic Style Applied to the Web: um recurso em construção e um exemplo de como fazer

Se alguém precisa de exemplos que ilustrem a necessidade de dominar conceitos de tipografia para comunicar bem online, eles aqui estão, não é?

E pegando numa curtíssima referência do iLT:

Robert Bringhurst, the consummate typographer writes, typography exists to honor content. Are we honoring the content, if we design our pages in such a way that the text, the content, is difficult to read? 

O problema do significado

Segunda-feira, 21 de Janeiro, 2008

Novo logotipo do Banif Já muito se disse acerca da nova imagem do Banif, imagino eu.

A mim, o que mais me espantou nesta mudança foi a adopção duma figura mitológica cujo significado não é imediato e com o qual se terá (suponho eu) que criar uma ligação a três: símbolo, empresa e clientes.

Mas esta será uma boa oportunidade para perceber se alguém se importa com os significados que se escondem ou revelam por trás das imagens.

Centauros

O Tessaliano Ixíon, filho de Ares, o rei dos Lápitas, apaixonou-se por Hera e procurou levá-la para o seu leito. Mas Zeus enviou-lhe uma nuvem com a aparência de sua esposa, com a qual Ixíon se deitou. Desta união nasceram criaturas híbridas, cavalos com busto humano, munidos de braços: os centauros.

Os centauros viviam nos bosques dos montes Pélion e Ossa e os seus costumes eram considerados selvagens. Vêmo-los figurar nos cortejos de Dioniso. A lenda atribui-lhes numerosos delitos.

Quando Pirítoo, filho de Ixíon, se casou, convidou os seus monstruosos parentes para o banquete. Estes embebedaram-se e tentaram violentar a noiva. Este acontecimento provocou uma luta entre centauros e Lápitas, que se traduziu numa batalha muito sangrenta. Os Lápitas acabaram por vencer, graças à coragem de Pirítoo e do seu amigo Teseu, e expulsaram os centauros da Tessália.

Curiosamente, a tradição costuma destacar deste conjunto dois centauros, a quem atribui uma origem bem diferente e que são recordados pela sua bondade e pela sua sabedoria: Folo, filho de Sileno, cuja hospitalidade Héracles apreciou, e sobretudo Quíron, filho de Cronos, benevolente e omnisciente.

A palavra Centauro (que significa: picador de touros) permite, sem dúvida, discernir a origem do mito: os vaqueiros a cavalo (que recordam os guardião de Camarga) intrigavam verosimilmente os viajantes que percorriam a Tessália. E foram estes que criaram a lenda destes seres, misto de homens e de cavalos.

in Dicionário de Mitologia Grega e Romana, de Georges Hacquard (Edições ASA)

Para mim, é uma curiosa associação, esta dum banco a uma criatura de origem duvidosa e maldita, entregue a excessos e comportamentos selvagens… curiosa por ser honesta. ;)
Mas estariam os responsáveis do Banif e/ou da agência responsável por esta nova imagem a pensar nesta associação de significados? Ou isso não interessa nada?

Esta cadeia começa aqui: uma escolha de 5 professores

Quinta-feira, 29 de Novembro, 2007

Depois da escolha de 5 filmes e pensando na frequência com que surgem estas cadeias de blogs com escolhas de filmes, livros, discos, autores, artistas e sucedâneos e, considerando eventos recentes, lembrei-me de, pela primeira vez, iniciar a minha própria cadeia: uma escolha de 5 professores.

As regras são simples: cada blogger deve referir cinco professores que, de alguma forma, tenham marcado o seu percurso. Não tem que ser uma escolha ordenada nem uma lista absoluta dos “melhores” ou “mais importantes”. Isso seria um exercício de crueldade.
A informação adicional fica ao critério de cada um, mas era engraçado que esta cadeia servisse para partilhar ideias sobre o que faz dum professor uma personagem marcante e, eventualmente, distinguir diferentes tipos de “professores”.

Não estou a pensar impor regras muito rígidas sobre graus de ensino, ensino formal ou não formal, continuado ou pontual. Cada um saberá melhor o que fazer.

As minhas escolhas são estas:

Margarida MónicaMargarida Mónica

A minha professora da escola primária, da 1ª à 3ª classe. Uma escolha óbvia para quem teve bons professores na primária. Escolho a Margarida Mónica não só por me ter ensinado a ler, escrever e contar, mas porque me ensinou a gostar da escola e a gostar de fazer parte da escola, um conjunto de pessoas e processos nem sempre simples.
Acresce a isso eu ser um miúdo particularmente irritante, se a memória não me falha, com todos os vícios típicos dos “filhos de professores”. E só guardo boas memórias desses 3 primeiros anos. Posso não ter ficado com a caligrafia de que gostaria e com áreas da tabuada um bocado nubladas, mas não por culpa da Margarida Mónica.

Fernando Valente, professor de SaxofoneFernando Valente

Foi meu professor de Saxofone e Classes de Conjunto no Conservatório de Música de Aveiro de Calouste Gulbenkian durante quase 7 anos (entre os meus 12 e 19 anos). Ensinou-me a tocar saxofone do nada e acompanhou-me num período crítico da minha formação como músico. Fez-me participar em projectos colectivos muito variados, levou-me a diferentes palcos e públicos, proporcionou-me o contacto com outros professores e formadores.
Em retrospectiva, sei que não era um grande pedagogo e que os métodos dele eram uma mistura do mais reaccionário das escolas de banda sinfónica e da “academia” com uma energia e paixão que consumia tudo e que era tão sedutora como perigosa. Podia ter corrido tudo muito mal e conheço gente que ficou chamuscada na relação com ele. Mas isso também me tornou mais “rijo”, que também pode ser uma forma de aprender.

A homenagem recente que recebeu, pelo Teatro Aveirense, fez-me voltar a pensar nele como “personagem” e percebi que era importante que se tivesse homenageado a pessoa real, em toda a sua complexidade, em vez de se tentar construir uma imagem mais digna de salão nobre… ainda assim, a homenagem era necessária e teve momentos genuínos. Gostei.

Leo VerheyenLeo Verheyen

É estranho que um trombonista belga que orientou um workshop curtíssimo de Música de Câmara do Século XX, no Conservatório de Música de Aveiro de Calouste Gulbenkian , venha parar a esta lista, mas a verdade é que foi a primeira vez que vi partituras gráficas, que soube que havia outras formas de compor e comunicar música e que me vi na qualidade de intérprete/criador, com excepção dos workshops de Jazz que já tinha frequentado e que não tiveram o mesmo impacto (em retrospectiva). Em vez do Leo Verheyen, que orientou o workshop, talvez devesse estar aqui o nome da Andreia Hall e do José Abreu, meus professores de Análise e Técnicas de Composição e que organizaram o referido workshop. Como consequência directa, escrevi e apresentei a minha primeira “obra” no fim desse ano, com secções de improvisação e módulos permutáveis.

Beatriz Madureira

Não tenho fotografia da Beatriz Madureira (arquitecta) e faz sentido que assim seja. Foi a melhor professora que tive na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e é provável que esta seja uma das minhas escolhas mais difíceis de explicar. Menos para quem conheceu a Beatriz Madureira a tempo. A disciplina era a “cadeira do Távora”, Teoria Geral da Organização do Espaço, mas acima de tudo era uma introdução rápida e agressiva a vários “fundamentais”: o que é a Arquitectura, o que é um curso superior, o que é “estudar”, para que é que se estuda, quais as ferramentas… estruturante a vários níveis e um “destaque” que me sabe muito bem fazer.

Carlos AguiarCarlos Aguiar

Eu sou menos do que um aluno ausente no DeCA, mas a primeira aula que tive com o Carlos Aguiar deixou-me “pasmado”. A má experiência na FAUP pode ter baixado as minhas expectativas, mas em pouco mais de uma hora, de uma forma extraordinariamente fluída e estruturada, apresentou o Curso, explorou conceitos fundamentais, explicou a opção por um curso de Design único…
Daquilo que eu conheço das “escolas de projecto”, o Carlos Aguiar é um exemplo raro de eficácia, rigor e dinamismo.

As escolhas estão feitas. Como a cadeia começa aqui, passo a bola a quatro amigos de quem me interessa saber as respostas, mas sugiro que quem quiser pegar na ideia o faça. Se puserem um link para aqui, é simpático. Se não, “no harm done”.

Os 4 a quem passo a batata quente são: o Guilherme Cartaxo, a Catarina Martins, o Pedro Mosca e o Nuno Casimiro.

F.R.I.C.S. @ Remade in Portugal

Terça-feira, 2 de Outubro, 2007

Remade in PortugalComeçou a 28 de Setembro e prolonga-se até 5 de Outubro o primeiro grande evento dedicado ao Eco-Design organizado no nosso país: o Remade in Portugal é a primeira Exposição de Internacional de Design Ecológico e está na Estufa Fria em Lisboa.

O evento, pela forma como se apresenta e pelos nomes destacados causa-me enorme desconfiança, devo dizê-lo. Por isso mesmo, vai ser um gosto estar lá a tocar, amanhã às 18h30, com a já quase omnipresente Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa.

Sim, será o primeiro concerto do colectivo F.R.I.C.S. na Capital do Império e adensam-se as dúvidas sobre a resistência da sua mítica flexibilidade cosmopolita à nossa pura força psicadélica.

Vejam o que aconteceu ao “Allgarve” depois da nossa passagem e ponderem sobre onde quererão estar amanhã. ;)

I love typography too!

Quinta-feira, 20 de Setembro, 2007

I Love Typography, cabeçalho do site

Foi através do blog do Jeffrey Zeldman (e viva os feeds!) que conheci o I Love Typography.

O site é muito bom, a escolha dos 15 exemplos de uso excelente de tipografia em websites é muito boa e é claramente um sítio que vale a pena guardar e visitar regularmente (e viva os feeds outra vez!).

E é especialmente engraçado encontrar esta referência no mesmo dia em que conheci o Typography Kicks Ass e falei de coincidências tipográficas. :)