jazz.pt | Paul van Kemenade, Two Horns and a Bass

Two Horns and a Bass, Pauls van Kemenade
Two Horns and a Bass, Paul van Kemenade

CLASSIFICAÇÃO: 3/5

Paul van Kemenade, saxofonista holandês e programador dum importante pequeno festival de música em Tilburg, “Stranger than Paranoia”, celebrou em Dezembro de 2007 os seus 30 anos de carreira e os 25 anos de existência do seu quinteto, com um concerto especial, na prestigiada Bimhuis, em Amesterdão, com transmissão e destaque pela rádio especializada VPRO. Nesse concerto, além de apresentar as suas cumplicidades de sempre- os duos com os pianistas Harmen Fraanje e Michiel Braam, o trio que dá nome ao disco, com Eric Vloiemans e Wiro Mahieu e o seu quinteto, com Pieter Bast, Wiro Mahieu, Rein Godefroy e Louk Boudesteijn—, convidou, para uma versão alternativa do seu quinteto, substituindo o piano pela guitarra, os mais notáveis Ray Anderson, Han Bennink, Frank Möbus e Ernst Glerum.
Esse evento deu origem à edição agora em análise, sendo a gravação deste quinteto de convidados especiais de “In a Sentimental Mood”, de Duke Ellington, retirada directamente do evento gravado para a rádio e televisão, com o restante conteúdo do CD gravado em sessões posteriores, em 2008. O excerto do concerto na Bimhuis justifica ainda a inclusão dum DVD, neste pacote, com um único vídeo de 12 minutos, com o mesmo áudio que consta no CD, numa opção que nos parece acrescentar muito pouco, apesar da qualidade da gravação.
Nesta edição de comemoração, todos os temas são de van Kemenade, com excepção da abertura do primeiro duo, de Harmen Fraanje e do já referido tema de Duke Ellington, seleccionado para a partilha com os convidados especiais. Os músicos presentes são todos competentes intérpretes holandeses, sem grandes figuras a destacar e os temas de van Kemenade, sendo agradáveis e eficazes, são relativamente
convencionais e assim são explorados. O disco flui sem grandes sobressaltos ou riscos e também, sem grande fulgor, destacando-se, justamente, a energia e o timbre brilhante de van Kemenade, que lembra
vagamente uma mistura de vários saxofones alto de referência do bebop e pós-bop, ou até o John Zorn mais controlado de “News for Lulu”, mas sem chegar a afirmar uma identidade muito particular.
O trio com Eric Kloeimans e Wiro Mahieu, “Two Horns and a Bass”, pode lembrar a fragilidade e delicadeza de “Looking at Bird” (Archie Shepp/NHOP), por exemplo, com uma métrica relativamente elástica, e as
referências genéricas para todos os projectos (duos e quinteto) são interessantes e exigentes, mas demasiado presentes.
O quinteto original de van Kemenade é competente na interpretação e exploração dos temas, com alguma inclinação pop/funk, e a experiência de audição dos diversos grupos de van Kemenade é agradável e revela uma personalidade musical enérgica, activa e diversificada, assim como um saxofonista competente, mas o disco não aspira a ser mais do que a simples soma das partes que o compõem, pelo que não escapa a alguma fragilidade do reportório e à repetição de uma série de modelos e clichés.
“In a sentimental mood”, de Duke Ellington, interpretado com os ilustres convidados Ray Anderson, Han Bennink, Frank Möbus e Ernst Glerum, repetido no CD e DVD, é mais um momento adicionado a esta espécie de “compilação”, momento certamente alto e merecido na carreira de van Kemenade, que se revela à altura dos convidados que colaboram generosamente para esta comemoração, com destaque para Ray
Anderson
e Frank Möbus.

Two Horns and a Bass, Paul van Kemenade

Edição de Autor BUMA STEMRA 08
Gravado na Holanda (2007 e 2008)

Inclui 2 duos, 1 trio e 2 quintetos:
Duo Harmen Fraanje (piano) – Paul van Kemenade (saxofone alto)
Eric Vloeimans (trompete) – Wiro Mahieu (contrabaixo) – Paul van
Kemenade
(saxofone alto)
Duo Michiel Braam (piano) – Paul van Kemenade (saxofone alto)
Paul van Kemenade Quintet

  • Pieter Bast bateria
  • Wiro Mahieu contrabaixo e baixo eléctrico
  • Rein Godefroy (piano e fender rhodes)
  • Louk Boudesteijn (trombone)
  • Paul van Kemenade (saxofonealto)
  • Ray Anderson (trombone)
  • Han Bennink (bateria)
  • Frank Möbus (guitarra)
  • Ernst Glerum (contrabaixo)
  • Paul van Kemenade (saxofone alto)
Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 29 da revista jazz.pt. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | Jeffery Davis Quartet: Haunted Gardens

Haunted Gardens, Jeffery Davis Quartet
Haunted Gardens, Jeffery Davis Quartet

CLASSIFICAÇÃO: 4/5

Haunted Gardens” é a estreia em disco, como compositor e líder do virtuoso percussionista luso-canadiano Jeffery Davis. O percurso relativamente meteórico, ainda que pouco notado, de Jeffery Davis é justamente assinalado, neste momento, com este registo de altíssima qualidade, onde se afirma, a par do seu virtuosismo como instrumentista, quer no vibrafone, quer na marimba, o seu talento e inteligência como compositor, a sua criatividade como improvisador e a sua visão enquanto líder. Desde logo, a escolha do grupo de músicos que constituem este quarteto e a adequação da escrita e desenvolvimento dos temas à sua personalidade, tem uma contribuição decisiva para a coesão do resultado final. André Fernandes, Nelson Cascais e Marcos Cavaleiro encontram na escrita de Jeffery Davis e na dinâmica de funcionamento do quarteto amplo espaço para a afirmação das suas identidades musicais em diversos registos, sendo de destacar a prestação de André Fernandes, que se apropria dos temas com grande conforto e solidez, mas também para Marcos Cavaleiro, que encontra e inventa, dentro da relativa convencionalidade estrutural dos temas, os momentos ideais para pontuar, esclarecer ou (des)equilibrar a dinâmica do grupo, com as doses certas de rigor e subtileza. Nelson Cascais, por sua vez, adapta-se muito bem às diferentes funções que lhe competem e à diversidade da escrita, em função, também do papel desempenhado por Jeffery Davis, que consegue, com grande rapidez, alternar entre funções rítmicas, harmónicas e melódicas.
“The Pitbull’s Revenge” a 4ª faixa do disco, destaca-se, de algum modo, por esclarecer de forma inequívoca o impacto da opção pela utilização do vibrafone e da marimba no universo tímbrico do quarteto e por representar, na fluidez com que o quarteto se move em estruturas rítmicas menos convencionais, o delicado equilíbrio entre simplicidade e virtuosismo que se mantém ao longo de todo o álbum.
Pela qualidade geral da composição e da interpretação, face à maturidade e ao equilíbrio na afirmação individual das personalidades musicais do quarteto, considerando a diversidade presente e a coesão global estética, que parece afirmar um arco narrativo consequente, da leveza do “Joao’s Cafe” à densidade de “Viktoria’s Nightmare”, onde o solo de Jeffery Davis se afirma como um gesto “precioso”, também na transição para o tema seguinte, mesmo tratando-se dum primeiro disco e apesar de não ser imaculado, creio ser justo dizer que estamos perante uma consagração.

Haunted Gardens, Jeffery Davis Quartet

TOAP Tone of a Pitch (2009)
Gravado em Lisboa (2009)

  • Jeffery Davis vibrafone e marimba
  • André Fernandes guitarra
  • Nelson Cascais contrabaixo
  • Marcos Cavaleiro bateria
Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 29 da revista jazz.pt. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | Voladores, Tony Malaby’s Apparitions

Voladores, Tony Malaby's Apparitions
Voladores, Tony Malaby’s Apparitions

CLASSIFICAÇÃO: 5/5

Este quarteto Apparitions, de Tony Malaby, na sua própria constituição de saxofone, contrabaixo e 2 baterias contém uma agenda, que se entende tão melhor, quanto mais se observa o perfil e história dos 4 instrumentistas: Tony Malaby, o líder da formação, nascido no Arizona, afirma-se cada vez mais como um dos grandes saxofonistas criativos do nosso tempo, aliando técnica, musicalidade e versatilidade para colaborar com nomes incontornáveis no jazz americano e europeu, como Charlie Haden, Michel Portal, Paul Motian ou Daniel Humair. Drew Gress, contrabaixista, improvisador e compositor, actualmente dedicado à improvisação contemporânea e de vanguarda, colabora habitualmente com John Abercrombie, Tim Berne, Don Byron, Uri Caine, Bill Carrothers, Ravi Coltrane, Marc Copland e Mark Feldman, entre outros. Tom Rainey é um dos mais requisitados e flexíveis bateristas da actualidade, com colaborações regulares com Tim Berne e um historial interminável de gravações e concertos, onde se destaca a sua versatilidade na exploração da bateria como instrumento completo. E John Hollenbeck é, além dum baterista e percussionista completíssimo, um compositor e maestro requisitado, com uma expressão e universo musical muito próprio.
Para quem a singularidade da formação ou o perfil dos músicos é relativamente indiferente, a abertura do álbum com um tema inédito de Ornette Coleman, “Homogeneous Emotions”, é, de facto, um bom ponto de partida. Há, neste quarteto peculiar, e em parte da abordagem expressiva de Tony Malaby e na sua escrita, referências a Ornette, numa certa ambiguidade ou abertura harmónica e uma certa disponibilidade polirrítmica, que é, por isso, mais sensível à (con)sequência de frases e motivos melódicos expostos sobre bases rítmica e harmonicamente livres, onde o espaço dos músicos, independentemente do seu instrumento, é em grande parte definido pela capacidade de reacção/criação e pela interpretação subjectiva do significado do momento musical e do seu espaço.
Com 1 tema de Ornette Coleman, 3 improvisações em grupo e 7 temas de Tony Malaby, a sensação geral é a duma música que resulta coerente e que tem significado(s), multidireccional, que se eleva à condição de muitíssimo mais do que a soma das partes, sendo as partes, as contribuições de cada músico.
De facto, em cada momento de cada tema, o universo de possibilidades face à criatividade, flexibilidade e destreza técnica de cada um dos músicos parece inesgotável, mantendo-se, em cada configuração e independentemente da instrumentação disponível, uma enorme coesão, resultado da intencionalidade da escrita e liderança de Malaby, mas, sem dúvida, da atenção e da grande experiência musical dos seus parceiros, cada um deles, igualmente responsável pela construção de momentos verdadeiramente surpreendentes. Com as improvisações de grupo a pontuarem o disco com momentos de procura “pura”, a versatilidade e expressividade que aí ouvimos é generosamente utilizada nos momentos mais direccionados do disco.
O encontro entre John Hollenbeck e Tom Rainey é verdadeiramente extraordinário, sem redundâncias, nem sobreposições, com Hollenbeck a povoar todo o disco com timbres e sonoridades complementares à já diversificada paleta de Tom Rainey e, com a melódica, a dobrar a voz de Malaby com sucesso, por exemplo em “Lilas”. Com bases rítmicas e texturas excepcionalmente ricas, Drew Gress, consegue encontrar o seu justo papel, sem ficar preso a funções convencionais e usando todo o potencial do contrabaixo, de acordo com as exigências dos temas, entre um baixo mais convencional de “Homogeneous Emotions”, por exemplo, e os harmónicos e arcadas nervosas em “East Bay”. Tony Malaby, com um som profundo e cru, quer no tenor, quer no soprano, afirma uma voz urgente, mas determinada, capaz de grande beleza e fragilidade, mas também de vigor, excitação e mesmo violência.
Emoções geridas e equilibradas de forma consequente, num disco que corre seriamente o risco de se tornar imprescindível.

Voladores, Tony Malaby’s Apparitions

Clean Feed (2009)
Gravado em Nova Iorque (2009)

  • Tony Malaby saxofone tenor e soprano
  • Drew Gress contrabaixo
  • Tom Rainey bateria
  • John Hollenbeck bateria, percussão, marimba, vibrafone, glockenspiel, melódica, pequenos utensílios de cozinha
Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 29 da revista jazz.pt. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | Empty Cage Quartet, Gravity

Gravity, Empty Cage Quartet
Gravity, Empty Cage Quartet

CLASSIFICAÇÃO: 3.5/5

Sobre o Empty Cage Quartet a prestigiada The Wire escreveu que é “uma das melhores coisas no jazz a emergir no novo milénio”. Aos cínicos bastaria dizer que o milénio ainda agora começou, mas depois de ouvir “Gravity” não podemos, com seriedade, ignorar a proposta deste grupo emergente da costa leste. Tanto pela música que apresentam como pelos processos sugeridos. “Gravity”, consiste na interpretação de duas obras, “Gravity” de Kris Tine e “Tzolkien”, de Jason Mears, que se apresentam como processos de fazer nova música, modulares, contendo um conjunto de possibilidades rítmicas e melódicas, incluindo palíndromos e complexos exercícios de simetrias melódicas e harmónicas, assim como explorações numéricas, que possibilitam interpretações lineares e recombinações da responsabilidade dos intérpretes e das suas escolhas em tempo real.
Sem privilégio aparente de nenhuma perspectiva idiomática, a música do Empty Cage Quartet lembra, a espaços, um híbrido de jazz e música conteporânea erudita, por exemplo quando Jason Mears opta pelo clarinete, em “Tzolkien 1+13″, reminiscente de Anthony Braxton, mas pode aproximar-se dum jazz livre, próximo das estratégias harmolódicas de Ornette Coleman, como em “Gravity: Section 8″, ou do M-Base de Steve Coleman, por exemplo, mas, na diversidade de abordagens e sonoridades, este quarteto, que parece desdobrar-se em múltiplas personalidades, mantém, misteriosamente, uma identidade bastante particular.
A complexidade conceptual não é audível (não de forma avassaladora, felizmente), mas fornece uma matriz estrutural que permite que as 4 vozes individuais atravessem os mesmos espaços, em ondas largas ou sinuosas e por vezes, de forma bastante angulosa ou em sentidos inversos, mas, nos seus cruzamentos, encontros e desencontros, a música produzida reflecte, de facto, a existência dum sistema intrigante que nos permite identificar os tais “pontos de gravidade”.
Uma música e um sistema que nos desafia, mas não aliena nem os intérpretes, músicos de grande qualidade técnica e criativa- com experiência de formação e colaboração com nomes como Milford Graves, Wadada Leo Smith, Vinny Golia, Nels Cline, Ken Filiano, Marilyn Crispell e Charlie Haden- nem os ouvintes.

Gravity, Empty Cage Quartet

Clean Feed (2009)
gravado em Nova Iorque (2008)

  • Jason Mears saxofone alto, clarinete
  • Kris Tiner trompete
  • Ivan Johnson contrabaixo
  • Paul Kikuchi bateria, percussão
Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 29 da revista jazz.pt. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | Pirouet Records: Transatlânticos (3 discos em análise)

Estes 3 recentes títulos da editora baseada em Munique, Pirouet, têm vários elementos em comum: o papel relevante dos saxofonistas (frontmen de 2 dos discos), a relativa juventude dos seus autores, a afirmação de algumas nuances dum certo jazz transatlântico, com os 3 discos liderados por músicos europeus, mas com a inequívoca presença do jazz norte-americano, não só na escolha de alguns intérpretes norte-americanos genuínos, mas no percurso e formação de todos os músicos envolvidos.

Virgo, Nicholas Thys
Virgo, de Nicolas Thys

CLASSIFICAÇÃO: 2.5/5

“Virgo”, do contrabaixista belga Nicolas Thys, apresenta-nos uma escrita escorreita, sem grandes sobressaltos, mas com assinalável eficácia lírica nos 6 temas (todos da autoria do contrabaixista), apresentados por uma formação coesa e tecnicamente irrepreensível, ainda que em relações algo convencionais, com Chris Cheek e Ryan Scott a explorarem habilmente a combinação do saxofone com a guitarra na apresentação dos temas e no desenvolvimento dos solos, sem momentos de afirmação individual de génio, mas servindo a estrutura dos temas com rigor. Dos 3 álbuns, este é o que se apresenta mais uniforme e que parece arriscar menos, quer na escrita, quer na interpretação, parecendo apostar em criar momentos de grande conforto- que consegue, sem dúvida-, mas correndo o sério risco de não afirmar nenhum traço identitário assinalável. A energia de “Disco Monkey”, tema de abertura, esgota-se rapidamente, e a sucessão de temas relativamente longos, sem particularidades estruturais ou singularidades assinaláveis, e sem significativas variações de humor ou tensão, afirmam uma música quase utilitária, muitíssimo bem executada, mas cuidadosamente planeada para não provocar grandes emoções.

Virgo, de Nicolas Thys

Gravação: Maio 2008, Nova Jérsia (EUA)
Edição: 2009, Pirouet Records, Munique

  • Chris Cheek, saxofone tenor
  • Jon Cowherd, piano
  • Ryan Scott, guitarra
  • Nicholas Thys, contrabaixo
  • Dan Rieser, bateria

Winter Fruits, Loren Stillman
Winter Fruits, de Loren Stillman

CLASSIFICAÇÃO: 4/5

A escrita do britânico Loren Stillman tem características significativamente diferentes, apesar do resultado final adquirir, globalmente, também, uma certa contenção dinâmica. Stillman não faz uso frequente dos moldes harmónicos e melódicos mais vulgares, nem procura estabelecer “prisões” rítmicas e as suas linhas mais sinuosas, distribuídas pelo quarteto e cuidadosamente integradas de acordo com proximidades tímbricas servem, simultaneamente, a estrutura dos temas e a partilha interpretativa, permitindo que a formação opere sem demasiadas restrições “hierárquicas”. As inflexões de registo do órgão de Gary Versace expandem o universo tímbrico expectável dum quarteto desta natureza e a variabilidade rítmica presente, que Ted Poor serve com rigor e criatividade, permite a progressão dos temas com relativa frescura e explorando as diferentes combinações presentes. É realmente notável a capacidade de partilha duma escrita exigente e a forma como os 4 músicos envolvidos encontram e trocam motivos melódicos, harmónicos e rítmicos, com extraordinária subtileza e um apurado sentido de timing, respeitando os necessários espaços individuais, mas mantendo um elevado sentido de compromisso para com a música, a todo o tempo. E, simultaneamente, a forma individual como cada um dos músicos se relaciona com o material base, enriquece-o, dando novas perspectivas e lançando pistas de compreensão e fruição para vários públicos. A inclusão de 2 temas escritos por Ted Poor (“Muted Dreams” e “Winter Fruit”, este último com espaços para os momento de maior intensidade do disco), permite comprovar que este compromisso resulta, de facto, duma forte cumplicidade entre os músicos e as performances individuais são irrepreensíveis, com destaque, eventual, para as capacidades expressivas do saxofone de Stillman.
O contorno global da dinâmica do disco é, ainda assim, relativamente contido, numa opção que lhe confere unidade, mas lhe retira, eventualmente, alguma energia.

Winter Fruits, de Loren Stillman

Gravação: Junho 2008, Nova Jérsia (EUA)
Edição: 2009, Pirouet Records, Munique

  • Loren Stillman, saxofone alto
  • Nate Radley, guitarra
  • Gary Versace, órgão
  • Ted Poor, bateria

Starbound, Robin Verheyen
Starbound, de Robin Verheyen

CLASSIFICAÇÃO: 3.5/5

Por último, o disco do jovem belga Robin Verheyen, agora radicado em Nova Iorque, é aquele onde o contorno dinâmico se expande e a paleta de estímulos se diversifica mais, num esforço de demonstração de possibilidades que poderá custar ao disco alguma coesão ou lógica interna, mas torna a experiência de audição mais rica. Verheyen afirma-se, de forma mais evidente, como “frontmen” e assume a responsabilidade de conduzir a esmagadora maioria dos temas e o seu desenvolvimento obedece frequentemente a alguns dos canônes dum jazz mais clássico, ainda que se note que o vocabulário de Verheyen está marcado por uma cultura musical mais vasta. A escrita parece, de resto, asumir um lugar secundário, com os temas, relativamente simples, a serem entregues à exploração pelo quarteto, onde Bill Carrothers ganha algum destaque, assim como Dré Pallemaerts, muito rigoroso e seguro nas estruturas mais convencionais, mas com um óptimo sentido de oportunidade na resposta pontual às intervenções e flexões solísticas, criando uma base rítmica bastante orgânica e reactiva. As mudanças profundas de tempo e contexto harmónico entre temas, permite que o disco assuma alguns cortes evidentes e desenhe um arco narrativo mais complexo, com “Lamenting”, em que Verheyen opta pelo saxofone tenor a funcionar como ponto de apoio significativo na viagem. O espaço atribuído a cada um dos músicos permite ouvir as configurações habituais dum quarteto desta natureza, com espaço para avaliar a elevada qualidade interpretativa dos músicos que integram este agrupamento com quem Verheyen assegura o seu estatuto de artista residente no CC de Warande (Turnhout, Bélgica). Ainda assim, alguns momentos do disco, como o tema que dá nome ao álbum, “Starbound”, carecem de melhor enquadramento, deixando a impressão de que pouco mais serão do que exercícios de grupo sobre temas ainda incipientes. Verheyen, com 27 anos, apresenta sinais extraordinários de maturidade (na escrita, na interpretação, na técnica e na expressividade) em momentos como “Lamenting”, mas parece revelar ainda alguma insegurança no que diz respeito à construção dum álbum completo.

Starbound, de Robin Verheyen

Gravação: Abril 2009, Munique
Editação: 2009, Pirouet Records, Munique

  • Robin Verheyen, saxofone soprano e tenor
  • Bill Carrothers, piano
  • Nicolas Thys, contrabaixo
  • Dré Pallemaerts, bateria
Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 28 da revista jazz.pt. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | Rodrigo Amado: The Abstract Truth

The Abstract Truth, capa do disco
The Abstract Truth,
de Rodrigo Amado, Kent Kessler e Paal Nilssen-Love

CLASSIFICAÇÃO: 4/5

“The Abstract Truth” é o segundo disco resultante da colaboração entre Rodrigo Amado, um dos mais proeminentes saxofonistas nacionais e o contrabaixista norte-americano Kent Kessler e o baterista norueguês Paal Nilssen-Love, eminentes improvisadores da cena internacional, secção rítmica regular das frequentes colaborações Chicago-Escandinávia, como as protagonizadas por Ken Vandermark e Peter Brötzmann.

Mas Kessler e Nilssen-Love encontram na presença de Rodrigo Amado, apesar das semelhanças instrumentais com Vandermark e Brötzmann, um desafio singular, já desde “Teatro” (European Echoes, 2006). Repete-se, em “The Abstract Truth” o formato de improvisação colectiva, gravada numa única sessão e a forte personalidade destes 3 músicos resulta, novamente, numa explosão enérgica e vibrante de música “urgente”. Não uma explosão descontrolada, massiva e destrutiva ou avassaladora, mas uma que estilhaça e tanto produz momentos de alguma agressividade, como pequenas construções/destruições efémeras, “urgentes” e enérgicas, ainda que contidas. Amado, Kessler e Nilssen-Love encontraram uma fórmula que lhes permite gerir a energia extrema e a urgência que colocam na música que fazem, sem comprometer a intelegibilidade e a variedade dinâmica que a transmissão e partilha duma complexa mensagem a 3 exige. A receita depende da apurada sensibilidade musical dos 3, da sua capacidade de se ouvirem, de procurarem os seus espaços e cederem tempo a solos e duos, ainda que fugazes, e de partilharem material de forma praticamente imediata, bastando a insinuação de temas ou padrões e respondendo às solicitações do grupo. À energia “crua” dos momentos mais histriónicos, o trio sabe responder com espaço para momentos mais líricos assegurados regra geral por algum do vocabulário mais pungente dos saxofones de Amado, que assegura uma prestação assinalável pela entrega e pela riqueza tímbrica. Mas Kessler e Nilssen-Love demonstram igualmente momentos de grande delicadeza, assegurando, ao longo do disco, uma experiência intensa, mas variada.
Regra geral, a personalidade musical de Rodrigo Amado, promotor deste encontro, parece liderar parte do desenvolvimento das peças, que, com um formato menos longo do que é habitual em registos deste tipo, se tornam menos dispersivas. Mas o tipo de liderança de Amado é, além de discreto e pontual, acima de tudo, musical, pela participação com o seu vocabulário particular, que navega inteligentemente, entre os limites dum jazz “genuíno” e “visceral”, como encontramos em Archie Shepp ou Sonny Rollins, e a liberdade explosiva de um Ken Vandermark, complementados com desenhos melódicos frequentemente não-jazzísticos e até com memórias eruditas.
De resto, todo o trio demonstra um enorme envolvimento no processo e, mais do que isso, um envolvimento informado, fruto da maturação desta colaboração, com soberbas transições e sobreposições tímbricas, notáveis em “Enigma of the Arrival”, entre Amado e Kessler, por exemplo.
Conhecem-se, ouvem-se, respeitam-se, querem comunicar entre eles e com quem os ouve. E o resultado, ainda que abstracto é, sem dúvida, verdadeiro.

+ info: www.rodrigoamado.com

The Abstract Truth, de Rodrigo Amado, Kent Kessler e Paal Nilssen-Love

Edição European Echoes 2009
Gravado em Lisboa, Julho de 2008

  • Rodrigo Amado saxofone tenor e barítono
  • Kent Kessler contrabaixo
  • Paal Nilssen-Love bateria
Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 27 da revista jazz.pt. A publicação do texto neste blog tem como principal objectivo promover a revista: compre ou assine a jazz.pt.

jazz.pt | Christian Lillinger’s Grund: First Reason

First Reason, capa do disco
First Reason, de Christian Lillinger’s Grund

CLASSIFICAÇÃO: 4/5

A definição e justificação do nome do grupo, “Grund”, que Christian Lillinger oferece nas notas do disco corresponde de forma clara ao que o estreante grupo apresenta neste disco. “Grund”, como chão ou o tipo de base que 2 contrabaixos são capazes de fornecer, para uma improvisação mais livre e espaçosa e “Grund”, como razão para fazer as coisas duma maneira e não doutra, razão pela qual certa combinação de instrumentos funciona de determinada maneira… os dois sentidos implícitos no nome do grupo ouvem-se ao longo do disco e percebem-se como forças orientadoras na escolha dos instrumentos e instrumentistas, no trabalho de composição e no desenvolvimento da interpretação do grupo e de cada músico.
A formação com 2 contrabaixos e o tipo de liberdade pretendida que justifica esta escolha é claramente evocativa de Ornette Coleman, e os momentos de contacto entre “First Reason” e o trabalho em duplo quarteto acústico de Ornette Coleman são bem conseguidos, como se vê imediatamente em “Pfranz”, o tema de abertura. E as semelhanças entre “Grund” e os duplos quartetos de Ornette Coleman, estendem-se positivamente a diversos aspectos do desenvolvimento do disco. “Grund” é uma formação muito horizontal constituída por músicos versáteis, criativos e produtivos em todos os instrumentos e onde se garante abundante espaço para que todos se exprimam, em duos e solos, ora em padrões, ora em linhas livres mas, genericamente, os diversos intervenientes podem afirmar-se, sem demasiada necessidade de competirem num frenesim permanente. O legado de Ornette Coleman é, de resto, usado com sensibilidade e mestria na própria anatomia melódico-rítmica de alguns temas, como “Pfranz” e “Shape”, na sua apresentação em uníssono pela banda com posteriores explorações melódico-rítmicas lideradas pelos solistas, na utilização consciente de uma pulsação nervosa, quase polirrítmica, no “swing” e mesmo em alguns dos aspectos do desenvolvimento dos solos, reminiscentes de Ornette, mas também de Don Cherry e outros dos grandes improvisadores que com eles colaboraram, nestes contextos.
Mas “First Reason” é estruturalmente comedido, evitando explorações demasiado prolongados do mesmo material, oferecendo aos ouvintes 11 temas de elevada qualidade e ancorados, apesar das referências, em universos diferenciados e vastos: as 3 faixas de nome Grund, estrategicamente espalhadas pelo disco, são aliás exercícios ricos de exploração sonora, recorrendo a efeitos, clusters, técnicas e vocabulários mais próximos da vanguarda erudita do que do Jazz mais tradicional, evocativos da complexidade e riqueza tímbrica de Anthony Braxton, por exemplo.
Racionalizando, podemos dizer que, em “First Reason”, Grund combina um conjunto vasto de referências e, dessa forma, não é capaz de afirmar uma identidade singular, esmagado pelo peso das brilhantes evocações que faz. Mas a audição dum disco é bem mais do que um exercício estritamente racional e qualquer músico de jazz poderá facilmente ser esmagado pelo peso dos fantasmas que evoca, se os evocar “travestidos”. Christian Lillinger com esta estreia “Grund” parece, pelo contrário, ter os pés bem assentes num terreno que conhece bem, que sabe ser fértil e onde há ainda muita música para crescer e florescer. Esta primeira colheita, “First Reason”, poderá ter ainda demasiado cheiro da terra em que cresceu, mas é de grande qualidade.

First Reason, de Christian Lillinger’s Grund

Edição: Clean Feed, 2009
Gravação: Ibiza, 2008

  • Tobias Delius: saxofone e clarinete
  • Wanja Slavin: saxofone, clarinete e melódica
  • Jonas Westergaard: contrabaixo
  • Robert Landfermann: contrabaixo
  • Christian Lillinger: bateria e percussão
  • convidado: Joachim Kühn: piano
Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 26 da revista jazz.pt.
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jazz.pt | Lucky 7′s: Pluto Junkyard

Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 26 da revista jazz.pt.
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Pluto Kunkyard, de Lucky 7's

Pluto Junkyard, de Lucky 7′s

CLASSIFICAÇÃO: 4/5

Nas notas do disco, sobre as composições apresentadas, Jeff Albert, descreve “Pluto Junkyard”, o tema que dá nome ao disco, como uma tentativa de demonstrar as capacidades desta instrumentação e destes músicos para criar ambientes “assustadores, engraçados e pouco comuns”. A peça cumpre esse objectivo e esta descrição das possibilidades deste septeto é bastante eficaz. Através dos arranjos e da interpretação, este quase ensemble de metais, transforma-se em algo de completamente diferente, não só pelo espaço dado ao vibrafone de Jason Adasiewicz, que oferece um colorido muito especial e se integra de forma esplêndida com toda a secção rítimica, mas também pela forma como os 4 metais (sax, 2 trombones e corneta), se complementam, se desafiam e se dividem para garantir que não somos sujeitos a uma experiência entediante de sucessões intermináveis de solos, mas sim a uma evolução natural das ideias musicais, em combinações eficazes, por vezes estranhas e frequentemente bem humoradas. Também a estrutura dos temas procura caminhos menos evidentes para fazer evoluir a música e o álbum por paisagens novas.
A acompanhar a escrita inteligente dos temas, as intervenções de tipo solista aproveitam a sua “abertura” estrutural e harmónica e levam-nos a momentos menos previsíveis.
Músicos que parecem confiantes do caminho que trilham e satisfeitos com o ambiente instrumental em que se encontram produzem tendencialmente música cativante. E é este o caso.

Pluto Junkyard, de Lucky 7′s
Gravado 2007 Chicago (EUA)
Edição Clean Feed 2009

  • Jeb Bishop, trombone e guitarra
  • Jeff Albert, trombone e trombone baixo
  • Josh Berman, corneta
  • Keefe Jackson, saxofone tenor
  • Jason Adasiewicz, vibrafone
  • Mathew Golombisky, contrabaixo e baixo eléctrico
  • Quin Kirchner, bateria
Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 25 da revista jazz.pt.
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jazz.pt | Transit: Quadrologues

Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 25 da revista jazz.pt.
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Quadrologues, Transit (Clean Feed)

Quadrologues, Transit

CLASSIFICAÇÃO: 3.5/5

A primeira gravação deste grupo, de 2006, tinha o nome de “Transit”.
Transit é agora nome de grupo e Quadrologues o nome do álbum.
E Quadrologues é um óptimo nome para o que o grupo dirigido pelo percussionista Jeff Arnal realiza: não nos oferece uma estrutura convencional hierarquizada com secção rítmica e solistas, apesar da formação o permitir, apostando isso sim, numa lógica horizontal, em que os diferentes elementos do grupo encetam uma conversa, não limitando os seus instrumentos aos papéis convencionais e trabalhando muito mais na reacção e troca de material musical do que na afirmação de temas ou modelos.
A utilização de ruídos e técnicas expandidas, em quase todos os temas, a partir de “Walking of Fire”, permite a construção dum léxico vasto e são sistematicamente evitados clichés estilísticos, procurando-se uma forma não restringida, que procura nas características sónicas intrínsecas o seu modo de expressão válido.
Estruturalmente, apesar da liberdade presente, os temas são coesos e construídos à volta de algumas ideias simples e eficazes. O alinhamento do álbum faz das transições entre temas momentos quase indetectáveis, o que contribui para a fluidez da experiência de audição, e o álbum funciona como uma experiência de audição contínua, com as inflexões e o arco dramático que se esperaria duma obra única.
“Z Train”, a meio do álbum, ao retomar ambientes mais familiares, dá um segundo fôlego à experiência de audição e, globalmente, os vocabulários em uso pelos vários músicos são adequados aos ambientes criados, revelando-se flexibilidade técnica e sensibilidade auditiva.
Como ponto menos positivo, parece-me que alguns momentos introdutórios, com as técnicas estendidas, algo repetidas a partir de determinada altura no álbum, parecem demorar-se mais do que o necessário, dificultando a fruição contínua do disco.

Quadrologues, por Transit
Gravado em Dezembro de 2006 e Janeiro de 2007, em NY (EUA)
Edição: Clean Feed, 2009

  • Jeff Arnal, percussão
  • Seth Misterka, saxofone alto
  • Reuben Radding, contrabaixo
  • Nate Wooley, trompete
Texto escrito por João Martins. Depois de revisto e editado por Rui Eduardo Paes, foi publicado no nº 25 da revista jazz.pt.
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jazz.pt | Herculaneum: Herculaneum III

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Herculaneum III, por Herculaneum

Herculaneum III, Herculaneum

CLASSIFICAÇÃO: 2.5 / 5

Herculaneum, o septeto de Chicago, que tem como principal compositor o seu percussionista Dylan Ryan, apresenta um conjunto de temas que fazem um uso inteligente das particularidades tímbricas das diferentes combinações de instrumento que o compõem e que consegue afirmar várias dimensões de ensemble, ora soando como uma mini-orquestra, ora deixando toda a acção a cargo de um duo ou trio, como no princípio de “Lavender Panther” ou “Mahogany”. A diversidade instrumental é fundamental para afirmar os momentos mais interessantes do álbum, com o vibrafone e a flauta a permitirem a afirmação de momentos completamente diferentes daqueles que se conseguem com os metais e as madeiras. A energia rítmica que se sente em parte dos temas é igualmente interessante e a interpretação é bastante competente. Mas a qualidade da gravação não é das melhores e, infelizmente, a escrita dos temas, não mantém sempre um nível elevado o que, apesar dos esforços interpretativos dos 7 músicos, faz com que o disco não mantenha um interesse constante, sendo de escuta bastante agradável, mas pouco desafiante.

Herculaneum III, Herculaneum
Gravado em 2007 (EUA)
Edição Clean Feed 2009

  • John Beard, guitarra
  • David Mcdonnel, sax alto e clarinete
  • Nick Broste, trombone
  • Patrick Newberry, trompete e feliscórnio
  • Nate Lepine, flauta
  • Greg Danek, contrabaixo
  • Dylan Ryan, bateria e vibrafone
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