Entradas com Etiqueta ‘economia’

Banda Larga Móvel: não é concertação, é coincidência

Segunda-feira, 1 de Setembro, 2008

Digam lá se é ou não uma maravilha ver o mercado a funcionar? Valentes empreendedores capitalistas, sempre em concorrência feroz, ainda que educada, sempre em prol do consumidor, aumentando a escolha, elevando a fasquia na oferta de produtos e serviços e na procura duma “estratégia de diferenciação” e…

Tretas! Se é isto o mercado e a livre concorrência, eu vou ali e já volto!

E claro que não há concertação de preços, nem nenhuma atitude menos clara que exija atenção por parte dos argutos, perspicazes e activos reguladores seja na Autoridade da Concorrência, seja na ANACOM, seja… vão gozar com outro! Depois dizem que a malta anda deprimida por ter voltado de férias! A malta anda deprimida é porque anda farta de promessas do El Dorado abanadas na ponta duma vara, enquanto leva no lombo com os “sacrifícios” que se exigem de “todos e de cada um”, a bem da “estabilidade” e da “consolidação”. Já dizia o Zé Mário Branco, no FMI: “consolida, filho, consolida!…”

Depois admirem-se com o mau feitio de alguns tipos e a falta de educação e boas maneiras… ou, pior ainda, falta de fé no “mercado”.

IVA com recibo?

Sábado, 23 de Agosto, 2008

IVA com reciboVia Paulo Pires, descobri o “Movimento IVA com Recibo” que defende a discussão na Assembleia da República de uma proposta que contemple a possibilidade do IVA passar a ser pago ao Estado apenas no momento de emissão do recibo em vez da factura. O argumento é óbvio: com os atrasos nos pagamentos que, em Portugal, são uma espécie de cancro, muitas empresas são obrigadas a pagar valores de IVA respeitantes a facturas ainda não pagas, o que origina problemas de liquidez.

Quem se dirigir ao site ou ao blog do movimento poderá ficar com a ideia de que não existe grande profundidade na argumentação, e eu, por exemplo, concordo com o primeiro comentário no blog que sugere que a proposta tem um certo carácter paliativo, evitando debruçar-se directamente sobre o verdadeiro problema: os pagamentos em atraso.

Mas a mim agrada-me que um movimento deste tipo se apresente, num primeiro momento, como um movimento em construção, aberto a sugestões e propostas. Se se aumentar a discussão à volta desta questão, talvez seja possível encontrar uma proposta que proteja as PME’s (principalmente) dos efeitos nefastos da necessidade de pagarem IVA relativo a facturas em aberto, atacando simultaneamente o problema dos atrasos nos pagamentos, situação na qual o Estado (e todos os agentes públicos) tem uma enorme responsabilidade, não tanto pelo papel regulador que poderia ter, mas pelo exemplo que estabelece na prática quotidiana.

Sendo assim, esta é uma oportunidade para um exercício activo de cidadania, aconselhável a todos. A discussão faz-se no blog.

Espalhar o mal pelas aldeias…

Quarta-feira, 2 de Julho, 2008

A recente proposta da ERSE / EDP, de que fala a Paula Simões, é inenarrável. Mas, pelos vistos, colhe apoios. Mas há uma imensa hipocrisia nisto tudo: a EDP tem margens de lucro no seu negócio. E tem resultados positivos. Mas para ter lucros ainda maiores sem parecer demasiado gananciosa, disfarça esse aumento com a alegada necessidade de aumentar a eficácia das cobranças. Ou seja: a EDP não está a ter prejuízo com as dívidas incobráveis, porque elas estão já a ser absorvidas pelas margens de lucro existentes. Como o lucro não chega, mas parece mal dizer isso em tempos de crise, fala-se duma taxa nova associada a um processo (o de cobrança de dívidas) que todos conhecemos, sabemos que é complicado e que entope os tribunais. Assim, ganha a simpatia de alguns, enquanto nos lixa a todos. Brilhante!

Disse isto no blog da Paula e repito aqui, assim como reproduzo o apelo para que todos participem na consulta pública.

Uma das acções que está a ser levada a cabo é o envio para o email consultapublica@erse.pt do seguinte texto:

Exmos. Senhores:
Pelo presente e na qualidade de cidadão e de cliente da EDP, num Estado que se pretende de Direito, venho manifestar e comunicar a V. Exas. a minha discordância, oposição e mesmo indignação relativamente à ‘proposta’ – que considero absolutamente ilegal e inconstitucional – de colocar os cidadãos cumpridores e regulares pagadores a terem que suportar também o valor das dívidas para com a EDP por parte dos incumpridores.
Com os melhores cumprimentos,

Que mais poderemos fazer?

Está tudo ligado

Domingo, 4 de Maio, 2008

Anteontem:

“A grande preocupação que temos é a de que o país possa ser mais auto-suficiente do ponto de vista alimentar”, disse [Francisco Louçã], defendendo a necessidade de uma “política sensata” para evitar que os portugueses, que “hoje ganham muito menos, sejam tão penalizados”.

Ontem:

Primeiro produtor mundial de arroz, a Tailândia já se tinha pronunciado por uma acção concertada anunciando (…) a sua intenção de criar, juntamente com outros países ribeirinhos do rio Mekong (…), um convénio para fixar os preços do arroz baseado no modelo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
(…)
“Quando as pessoas têm fome, entram em desespero e tomam atitudes desesperadas”, advertiu recentemente na Austrália o professor da Universidade de Deakin Damien Kingsbury.

Face à possível escassez alimentar resultante da subida de preços, o Governo da Malásia anunciou ontem que vai adiar projectos públicos não essenciais e usar as respectivas verbas para criar reservas de alimentos.

“Não podemos esperar que [a escassez de alimentos] aconteça. Nessa altura será o caos”, justificou o primeiro-ministro malaio, Abdullah Ahmad Badawi.
(…)
Sem especificar ainda o montante da ajuda [planeada pelo Banco Asiático de Desenvolvimento], que “dependerá dos pedidos dos países em causa”, Kuroda [presidente do BAD] exemplificou que o preço do arroz triplicou nos últimos quatro meses, algo que, em sua opinião, “não se pode explicar pela leia da oferta e da procura”.

Já sabemos que as próximas crises não vão estar ligadas ao preço dos combustíveis, mas ao preço dos bens alimentares essenciais. E sabemos que está tudo ligado e que a política económica que eliminou a esmagadora maioria da nossa capacidade de produção alimentar (agropecuária, pescas, …) é uma ameaça real à nossa soberania.

E, nunca é demais frisá-lo: O MERCADO NÃO FUNCIONA!

A origem do dinheiro

Quinta-feira, 1 de Maio, 2008

O Guilherme chamou-me a atenção para este filme. Esclarecedor.

Destaco as citações finais:

[...] o mundo está agora mais sofisticado e preparado para avançar para um governo mundial.
A soberania supranacional duma elite intelectual e de banqueiros mundiais é certamente preferível às auto-determinações Nacionalistas praticadas nos últimos séculos
David Rockfeller (1991)

Apenas os pequenos segredos precisam de ser protegidos.
Os grandes mantêm-se secretos pela incredulidade do público
Marshall McLuhan

Mais informação em moneyasdebt.net.

Há por aí algum liberal que me possa esclarecer esta questão?

Sábado, 22 de Dezembro, 2007

Face aos recentes desenvolvimento na gestão do maior banco privado português, acham boa ideia continuar a falar das vantagens da gestão privada face à pública? Não será uma boa altura para assobiar par o ar e ir dar uma volta?