Escapatórias

Pelo pouco que fui acompanhando, parece-me que havia muita gente convencida que desta vez é que íamos ser campeões europeus de futebol. Parece que não, afinal.

Ficam algumas questões no ar, para entreter os próximos dias e fornecer escapatórias, para quem precisar:

  • Terá sido culpa do árbitro sueco que não marcou a falta do Ballack sobre o Paulo Ferreira, no 3º golo alemão?
  • Terá sido culpa do Ricardo que continua “aos papéis” em lances de bola parada e deixou que os alemães repetissem uma jogada ensaiada para o 2º e 3º golos?
  • Terá sido culpa do Scolari que anunciou a sua transferência para o Chelsea durante o campeonato, contribuindo para a desestabilização do plantel?
  • Terá sido culpa do João Moutinho que não soube escolher entre a cabeça e o joelho
    quando o Bosingwa lhe entregou o golo?
  • Terá sido culpa do Pepe que cabeceou para fora quando o Deco lhe meteu um canto mesmo a jeito?

Ou terá sido simplesmente a eficácia germânica e a simplicidade absoluta do futebol que consiste em marcar golos e evitar que o adversário marque, por mais “rodriguinhos” que os nossos meninos façam?

Temos escapatórias para várias semanas de rescaldo do europeu mas fico com uma dúvida: os ecrãs gigantes montados um pouco por todo o país mantêm-se, independentemente da nossa participação? Podem baixar um bocadinho o volume, pelo menos?

Somos um país de sócios?

A campanha estupidificante que o BES tem em curso com a Federação Portuguesa de Futebol, com o objectivo de tornar todos os portugueses “sócios da selecção” é uma jogada de mestre em termos de colheita de dados, já que a maior parte das pessoas, nestes tempos de euforia histérica, adere de forma irracional e nem se apercebe que está autorizar a utilização dos seus dados para marketing variado para o resto da vida. Depois do rescaldo do Euro 2008, talvez se intensifiquem as queixas de publicidade indesejada, mas agora, pela “nossa selecção”, faz-se tudo. Até (ou principalmente) os maiores disparates.

Saber que o BES só agora é que comunicou à Comissão Nacional de Protecção de Dados que estava a fazer a recolha é apenas a prova do sentimento de impunidade que paira sobre estas coisas. Mas diz bastante acerca da postura da FPF nestas coisas: como representantes de interesses públicos, os dirigentes da FPF deviam assegurar que todas as iniciativas que envolvem a Federação decorrem dentro da normalidade e da legalidade.

Mas somos todos sócios, não é? Quem é que se vai queixar?