Theo Angelopoulos

Theo Angelopoulos no seu escritório, em Atenas

Em Maio de 2001, o Visões Úteis esteve no escritório de Theo Angelopoulos, em Atenas. Estávamos a construir um espectáculo sobre a Europa, sobre as Fronteiras, sobre Heróis… O espectáculo chamou-se “Orla do Bosque” e é, muito provavelmente, uma das criações mais significativas para a maior parte dos envolvidos e, quem sabe, para algum do público. O processo de criação, novo e arriscado, valeu ao Visões a perda de apoios institucionais importantes e foi documentado num site específico, um “blog” de viagem, antes dos blogs ou das viagens estarem na moda. Deu origem também a um ensaio, publicado na altura pelas já extintas Quasi Edições.

Theo Angelopoulos, a par de Tonino Guerra e Daniel e Nina Libeskind, foi uma das figuras que mais me marcou nesta viagem.

Theo Angelopoulos morreu esta terça-feira. Fará falta à Europa.

EU: CLOSE THE REVOLVING DOORS

Dear friends,

Top European Commission staff are taking up lucrative corporate lobbyist jobs and helping big business to control Brussels! The Commission must now respond to an European Parliament demand for a tough new code of conduct — sign the petition for new rules to stop these abuses of power:

It’s outrageous — over half of top European Union politicians move straight from their posts into lucrative corporate lobbying jobs — turning the EU into a “lobbyocracy” run by big business, not the people.

The European Parliament is up in arms and has just threatened to withhold EU budget money until a new code of conduct is introduced to block officials rushing to become lobbyists. In a few days parliamentarians will meet to hear the Commission’s proposals, but they need support to force a decisive change.

This is a chance to clean up Brussels, but it will take a massive public outcry. The grip of big business on EU decisions subverts every democratic priority, from agriculture to climate to energy. Click to sign the petition, and forward this email to friends:

http://www.avaaz.org/en/eu_lobby_rules/?vl

The “revolving door” between the European Commission and the lobbyists fuels corruption, as officials compete for the fattest pay cheque when they leave office and then put their relationships and influence to work for the highest bidder.

The recently resigned EU Industry Commissioner has already joined the boards of 4 large firms — and set up his own EU lobbying company!

Such new jobs are supposed to be vetted by the Commission. But the secret ‘ethics committee’ responsible for that is failing to stand up for the public interest. It had never blocked a single appointment until September, when — following outrage in the media — it prevented former financial services commissioner Charlie McCreevy going to work with a British bank.

If we join together now, public and parliamentary pressure can break through Brussels complacency, block the industry commissioner’s appointments and force Commission president Barroso to fulfil his long-promised — but never implemented — promise for a tough new code of conduct to prevent abuse. Sign the petition and circulate widely:

http://www.avaaz.org/en/eu_lobby_rules/?vl

In the world we all want, public servants will serve only the public, not personal or corporate agendas. Our governments are among our most powerful tools to create change, but they must be ours. Let’s take back Brussels for the people of Europe.

With hope,

Alex, Benjamin, Ricken, Alice, Luis, Ben and all of the Avaaz team

MORE INFORMATION:

EU Commission pressed on tougher rules for ex-Commissioners:
http://www.theparliament.com/latest-news/article/newsarticle/eu-commission-pressed-to-introduce-tougher-rules-on-ex-commissioners/

European Commission revolving door scandal:
http://www.corporateeurope.org/lobbycracy/news/2010/09/27/revolving-door-scandal-alter-eu-call

Ethics committee blocks former Commissioner’s bank appointment:
http://www.irishtimes.com/newspaper/breaking/2010/1007/breaking36.html

Should former Commissioners be allowed to cash in?
http://www.neurope.eu/articles/102969.php

MEPs hold Commission budget to ransom
http://euobserver.com/18/31101

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Avaaz.org is a 5.5-million-person global campaign network that works to ensure that the views and values of the world’s people shape global decision-making. (“Avaaz” means “voice” or “song” in many languages.) Avaaz members live in every nation of the world; our team is spread across 13 countries on 4 continents and operates in 14 languages.

As cinzas vulcânicas e o nosso lugar no mundo

Pode parecer uma barbaridade o que vou dizer, mas estou satisfeito com isto das cinzas vulcânicas e do caos instalado nos transportes de todo o tipo, particularmente os aéreos. Se tivesse acontecido algum acidente, não teria a mesma sensação, obviamente, mas, assim, sem vítimas, as cinzas expelidas pelo vulcão da Islândia têm a extraordinária capacidade de nos relembrarem o nosso lugar no mundo.

É certo que nós sabemos imenso de todas as ciências e tecnologias. É certo que nós inventámos mecanismos de todos os tipos e dominamos com à-vontade uma parte significativa da realidade que nos rodeia e, sobre ela, manipulamos um grande conjunto de parâmetros. É certo que estamos rodeados de especialistas capazes de nos explicar porque é que os aviões voam em geral, mas não podem voar através duma nuvem de cinza vulcânica, e outros que nos explicam o funcionamento dos vulcões e prevêem e fazem modelos do comportamento da nuvem de cinzas expelida… é certo que somos os maiores.

Mas quanto mais conhecemos e percebemos do mundo, mais claro fica que a nossa existência depende duma espécie de boa vontade circunstancial da Natureza, que, em qualquer momento, nos pode brindar com uma das suas manifestações que, sem escapar à nossa capacidade de compreensão, e mesmo previsão, ultrapassa claramente qualquer uma das nossa possibilidades de controlo. Estou convencido que a Humanidade (umas partes mais do que outras) precisa de ser confrontada com este sentimento de impotência mais frequentemente e, um evento destes abater-se sobre o centro da Velha e Civilizada Europa, é um “tiro certeiro”.

Não sei como será feito o rescaldo deste período de crise dos transportes aéreos que se reflectiu, num efeito de cascata, como uma crise global dos transportes, demonstrando, quase pornograficamente, o quanto as nossas “vidas modernas” dependem de redes de transportes eficazes e a quantidade assustadora de gente que está em movimento aparentemente constante através do globo. Não sei se uma crise nos ares, nos fará ver com outros olhos alguns dos meios terrestres que temos esquecido frequentemente.

Pergunto-me, por exemplo, se não seria esta uma altura engraçada para voltar a falar de comboios (mas uma conversa séria, como a que propõe o dactilógrafo em 3 actos: 1, 2 e 3) e se não virá aí uma segunda vaga de conversas sobre o desígnio nacional de ligar a rede ferroviária portuguesa à rede de alta velocidade europeia. Pergunto eu que não percebo nada disto: com TGV a ligar-nos à Europa, estaríamos melhor em casos destes? As redes de alta velocidade na Europa ajudaram alguma coisa no meio desta grande confusão? Ou estão, à partida, dimensionadas e pensadas para não competirem com ligações aéreas, pelo que se limitaram a colapsar um bocadinho mais tarde? Pode um transporte terrestre como o comboio de alta velocidade ter margens de disponibilidade na prestação de serviço, geridas estrategicamente à escala europeia, por exemplo, que lhe permitam minimizar os efeitos dum fenómeno similar a este?

Ou vamos simplesmente discutir o facto dos espaços aéreos terem sido fechados com base em modelos computacionais geridos por meteorologistas e precauções teóricas da indústria aeronáutica, pedir desculpa e indemnizar os operadores e partir do princípio que isto não volta a acontecer, ainda que saibamos que estas erupções são cíclicas?

Por mim, desde que o Planeta tenha a delicadeza de me deixar em casa nos dias em que nos decidir lembrar que nós só fazemos aquilo que ele nos vai permitindo, menos mal.

Apelo ao voto

O voto é uma coisa importante. A participação nas eleições democráticas, em todas e de todos os tipos é uma coisa importante. Não é nem o princípio nem o fim da democracia e não podemos admitir que a intervenção democrática se esgote na cruz que desenhamos (ou não) num boletim de voto e colocamos numa urna. Não podemos admitir que a democracia seja uma realidade discreta e temos que nos empenhar na generalização, na sustentabilidade e continuidade dos esforços de intervenção cívica e política, mas não podemos ignorar a importância do acto eleitoral como momento singular de avaliação da saúde dum estado democrático.

Por isso, é importante votar. E é particularmente importante votar em consciência, sempre que possível, garantindo que o voto expresso é um mecanismo de legitimação real dos eleitos. Por isso é que, salvo situações excepcionais, como algumas eleições presidenciais e/ou processos eleitorais desesperantes, determinantes e fracturantes, não sou adepto da ideia do “voto de protesto”, já que esse voto, que eventualmente desvia eleitores das ideias e propostas que considera importantes, por falta de confiança nos seus protagonistas, não atribui legitimidade real aos outros candidatos em que confiará mais (pelo menos o seu protesto), ainda que não concorde com as suas ideias e projectos. Acho que em democracia, e em situações normais, a expressão do apoio popular em votos nos partidos deve corresponder a uma adesão significativa desses eleitores aos programas e à confiança depositada nos seus protagonistas. Alternativamente, há o voto branco e o voto nulo, que são também formas legítimas de relacionamento com o processo democrático.

É, também, por demais evidente que a adesão completa às propostas deste ou daquele partido, ou uma confiança cega neste ou naquele candidato é um perigoso exercício de ingenuidade, que não aconselho a ninguém. A democracia é um processo que, ao envolver pessoas maduras e conscientes, pressupõe compromissos, cedências, relativizações e avaliações subjectivas das prioridades de cada um.

Votar é importante também porque é suposto que não seja fácil. Não deveria ser fácil para quem promove as suas ideias, apelando ao voto, nem deveria ser fácil para quem toma a decisão de legitimar este ou aquele candidato. O funcionamento actual das campanhas eleitorais e a forma como a comunicação social gere estes processos (de facto), contribui de forma mais ou menos contínua para esta ideia de que há as pessoas que votam e as pessoas que não votam: quem vota já sabe em quem votar, seja por ser eleitor fiel, seja por fazer parte dos pendulares costumeiros e vê-se reduzido a uma estatística qualquer; quem não vota é tratado como indiferente ou alienado, com culpas repartidas entre o sistema partidário e a apatia generalizada e também passa a ser apenas valor estatístico.

Ficamo-nos, por estas alturas, quase sempre a chapinhar na espuma dos acontecimentos e isso parece interessar à maior parte dos intervenientes destes processos, desde políticos a jornalistas e comentadores.

Amanhã, é dia de reflexão. Não se saberá bem sobre o que é que as pessoas irão reflectr, já que, em boa verdade, não se lhes ofereceu nada de significativo ou profundo sobre o qual valesse a pena esse exercício.

Eu, pessoalmente, vou votar no Bloco de Esquerda. Digo-o por razões óbvias de honestidade e porque o meu voto será, ao contrário de muitos votos que o Bloco terá, um voto de adesão às ideias propostas e de confiança nos protagonistas. Adesão crítica e confiança não ilimitada, obviamente. Um voto adulto, validamente expresso e que legitima, simultaneamente, os eleitos e a minha posição como eleitor responsável.

Espero, sinceramente, que um conjunto vasto de eleitores, dos vários quadrantes politicos, tenha atitude semelhante, no domingo.

Que boa ideia!

1 da manhã. Estão 14 pessoas numa emissão da RTP a tentar comunicar entre elas e comigo, creio que sobre a Europa, num espaço provavelmente muito interessante para intervenções acusmáticas, mas francamente ineficaz para conversas ou debates.

Se estivesse no Twitter perguntaria se alguém está a perceber alguma coisa…

E mais: quem é que acha que eles se ouvem uns aos outros?

Berlusconi, o Intocável

A mais recente iniciativa legislativa do governo de Berlusconi, que prevê a “suspensão temporária” dos procedimentos judiciários contra o Presidente da República, os presidentes do Senado e do Parlamento, bem como contra o primeiro-ministro, sob o pretexto de proteger “o desenrolar sereno das funções dos mais altos responsáveis do Estado” é a prova da podridão do sistema político italiano. E, ao contrário do que se possa pensar, este não é um assunto que nos seja alheio. Nesta Europa em que vivemos e em que nos enfiam Tratados quase-Constitucionais pela goela abaixo com total desprezo pelas consultas populares e demais instrumentos democráticos, o estado das democracias e do conceito de “estado de direito” é (tem que ser) uma preocupação global. Mais do que qualquer outra distracção, são as próprias definições do que é ou não admissível face a um quadro de valores éticos comum às sociedades europeias que deviam estar em cima da mesa quando se discute o futuro da Europa. Se a Europa se constrói com personagens como Berlusconi e se considera aceitável que, dentro dum espaço cultural, social e político que se pretende comum, se faça tábua rasa da separação de poderes (executivo, judiciário e legislativo), então é evidente que nesta Europa não só não se poderá partilhar uma carta constitucional, como dificilmente se partilhará um futuro digno.

No meio da tragicomédia italiana, dou por mim a pensar que, aparentemente, a nossa Constituição assegura de forma mais clara a estrutura tripartida do exercício do poder e que, apesar de tudo, ainda nos falta percorrer um longo e íngreme caminho de decadência ética para chegarmos ao patamar italiano. Ou estarei, ingenuamente, a acreditar demasiado na impossibilidade de se fazer um bypass total ao Tribunal Constitucional no processo legislativo nacional?

Que bela nuvem de fumo, Sr. Sócrates

Afinal, o futuro da Europa que fazia sentido referendar, caso se fizesse um tratado constitucional, é demasiado complicado para ser discutido em público, na sua versão simplificada… Como?

E os deputados que elegemos e que, na sua maioria, propunham a via referendária, afinal não a queriam por questões de princípio e, mudada a forma do documento (e o nome da cidade que lhe dá o título) já se sentem capazes de ratificar sem a trabalheira de explicar o que está em causa aos portugueses. Eu concordo que explicar coisas aos portugueses pode ser desesperante, mas então, para quê a promessa?

“Palavras leva-as o vento”, certo?

Mas se o anúncio da ratificação do Tratado de Lisboa por via parlamentar foi uma óptima forma de lançar a confusão sobre discussões ainda em gestação (como a do pagamento em duodécimos do aumento das pensões), o que foi  mesmo brilhante foi avançar com a decisão do novo Aeroporto Internacional logo a seguir. Pode ser coincidência, mas não quero desconfiar das habilidades do nosso primeiro-ministro.

Agora deve ser engraçado tentar seguir o rumo dos debates em torno destas duas mega-decisões: no meio do fumo e do ruído, não restam grandes alternativas senão esbracejar e esperar que a poeira assente.

E, com jeitinho, ainda se arranjam mais dois ou três anúncios de peso para manter um estado de confusão até às próximas eleições.

O que é que eu não estou a perceber neste protocolo?

UA assina protocolo com Eurodeputado Armando França
Esta Sexta-feira, 21 de Dezembro, às 11h00, na Sala do Senado do edifício da Reitoria, a UA assina um acordo de colaboração com o Eurodeputado Armando França, para o acolhimento anual de recém diplomados ou finalistas da UA como estagiários, nas áreas de intervenção parlamentar do Eurodeputado, por períodos de três meses.

O protocolo prevê ainda a realização de acções concertadas para a colocação desses alunos, nomeadamente através do recurso a programas nacionais e comunitários de apoio à realização de estágios e à inserção na Vida activa, e a instituição de um prémio para o melhor trabalho da autoria desses estagiários, em termos de inovador e de investigação, que foque a temática europeia ou outra abordada durante o estágio.A cerimónia de assinatura do protocolo contará com a presença da Prof. Doutora Maria Helena Nazaré, Reitora da UA, e do Eurodeputado Armando França.

Há qualquer coisa de estranho nisto ou eu é que sou excessivamente desconfiado? Quem paga aos estagiários ao abrigo deste acordo? O eurodeputado, do seu bolso, ou um fundo qualquer do Parlamento Europeu e/ou do Grupo Parlamentar? Se for o segundo caso, o protocolo, ou acordo, deveria ser assinado com o PE ou o Grupo Parlamentar e não com o eurodeputado, mesmo que este viesse em sua representação. Se for o primeiro caso, não é estranho? Uma Universidade Pública estabelecer um acordo para a colocação de estagiários em acção política ou para-política com um eurodeputado específico, duma côr política específica… não faria mais sentido um acordo com uma comissão ou com outras organizações presentes no PE?

E o que serão as “acções concertadas para a colocação desses alunos, através do recurso a programas nacionais e comunitários”? Quererá dizer que, em troca da colaboração da UA no fornecimento de mão-de-obra técnica para as “áreas de intervenção do eurodeputado”, serão facilitados procedimentos de concurso para outros “tachos” comunitários?

Que se façam estas coisas, já estamos habituados… agora que se anunciem desta forma…

Do que eu gostava mesmo era de estar completamente enganado e ser de facto perfeitamente normal e legítimo e até prática corrente ao abrigo das atribuições institucionais de todos os eurodeputados.

Mas se o Tratado de Lisboa é opaco, este protocolo, ou acordo, parece um bocado “transparente”. Ou não?