Entradas com Etiqueta ‘família’

Ensinamento fundamental

Domingo, 27 de Julho, 2008
Na Vida, ninguém é um exemplo acabado nem de Vício, nem de Virtude. Por isso, para crescermos e aprendermos, devemos procurar o máximo de figuras exemplares que, apesar dos seus melhores esforços, nos ensinarão, dos Vícios, as Virtudes e, das Virtudes, os Vícios.

Ocorreu-me no banho. Coisas de pai.

Quem sai aos seus…

Sábado, 26 de Julho, 2008

O pai: 31 anos, 1,56m de altura, 55Kg de peso

A mãe: 30 anos, 1,55m de altura, 55Kg de peso

A filha: 2 meses, 0,59m de altura, 5,95Kg de peso

Para quem nunca olhou para as curvas de percentis de crescimento nos boletins de saúde infantil ou não está familiarizado com o ritmo de crescimento dos bebés e crianças, saibam que isto quer dizer que, apesar dos pais da criança serem mais pequenos do que 95% dos jovens de 20 anos (nestas tabelas), a criança é maior do que 90% a 95% das crianças da sua idade:

Maria - Crescimento aos 2 meses

É caso para dizer que, às vezes, quem sai aos seus não só não degenera, como parece regenerar. :)

E o comentário mais frequente continua a ser: “que bebé tão grande!” ;)

O meu tio Délio

Sábado, 19 de Julho, 2008

Quando eu era uma criança, o meu tio Délio conduzia camiões TIR por essa Europa fora e, por vezes, à ida ou no regresso, parava à nossa porta para dizer “olá”. O enorme camião, donde saía o meu tio, pequeno como toda a família e fácil de reconhecer por todos, dada a semelhança com o meu pai, causava um forte impacto em todos os colegas de brincadeira, na rua. Imagino que mesmo na era das Playstations, os grandes camiões entusiasmem crianças pequenas, mas não sei se ainda podem estacionar em zonas residenciais, como fazia o meu tio Délio.

E, quando já tinha idade para isso, passei uns dias de Agosto com ele, a assistir (mais do que participar), com os meus primos e a minha tia, ao “passatempo” de férias, na Vagueira: uma campanha de pesca artesanal, arte xávega feita de sangue, suor e lágrimas, de homens nos barcos, mulheres nas praias e bois e tractores a puxarem as redes para terra.
Desde esses tempos que guardo dele uma imagem “heróica”, construída com tanta realidade como ficção (como todas as memórias de infância) e é essa a imagem que tenciono guardar.

Como não gosto de despedidas, roubo as palavras ao meu pai: até já, tio Délio.

Coisa mais linda!

Quarta-feira, 16 de Julho, 2008

DSC00007.JPG, colocada no Flickr por joaomartins.

Já há muito tempo que sabia que os pés dos bébés são um exagero de “ternura”. Agora, que o bébé é “meu” e que posso passar horas a olhar para os pézitos, posso afirmar, sem dúvida nenhuma, que têm um efeito hipnótico que desencadeia, além do ocasional suspiro, pequenas e breves exclamações. “Coisa mais linda!”

Nota breve acerca da importância dos standards

Terça-feira, 17 de Junho, 2008

A Maria completa um mês de vida no próximo dia 21 e quase desde o primeiro dia que me incomoda a inexistência de “standards” na roupa para bébé. Os pais que andam por aí sabem bem do que estou a falar, mas é tempo de dizer bem alto: “se a esmagadora maioria da roupa das crianças e adultos obedece a regras relativamente simples que facilitam a generalização rápida dos processos de vestir e despir, porque carga de água é que a roupa dos bébés tem que ter toda o seu próprio sistema de enfiar, apertar, segurar… à frente, atrás, pela cabeça, pelas pernas, com fitinhas, com molinhas, simétrico, assimétrico… chiça!

Proponho, desde já, a formação dum comité de normalização e submeto duas ou três ideias base:

  • desaconselhar peças de enfiar pela cabeça para os primeiros meses
  • desaconselhar peças de apertar atrás para os primeiros meses
  • banir camisolinhas interiores presas com fitinhas que NUNCA ficarão seguras nas polainas
  • normalizar a indicação do tamanho em função do comprimento e peso do bébé e NUNCA em função da idade em meses
  • criar um sistema internacional de representação gráfica das diferentes tipologias que permitam aos pais, seleccionar rapidamente as peças em função das formas de enfiar e das “tecnologia” de aperto a que melhor se adaptam, evitando o processo moroso e frustrante de procurar um “body” ou um “babygrow” com um daqueles desenhos giros que, além de ter o tamanho certo, não seja uma daquelas peças que demora 2 minutos a vestir, me vez de 30 segundos

Se quiserem apresentar outras contribuições, força. Eu tenho ainda menos de um mês de experiência mas já há tanta coisa que gostava de ver “normalizada”, que vocês nem imaginam.

Música para bébés - Mobile

Domingo, 25 de Maio, 2008

Ao contrário do que algumas pessoas possam pensar, não é nada complicado conciliar as convicções de músico experimental com a condição de pai dum bébé, musicalmente falando. É claro que me irrita que todas as caixas de música e brinquedos musicais tenham todas as mesmas 3 ou 4 melodias e não acredito que as sonoridades, padrões rítmicos, melodias e estruturas harmónicas escolhidas sejam as únicas capazes de estimular e agradar aos ouvidos de bébés recém-nascidos ou crianças pequenas. Tenho até sérias dúvidas sobre os efeitos que um certo efeito de “afunilamento” nas escolhas musicais dos pais, alegadamente em benefício do bébé, têm sobre o seu desenvolvimento.

A diversidade de estímulos é importante, desde que se compreendam as especificidades fisiológicas do bébé, ajustando intensidades e sendo criterioso nas escolhas. Mas a música para os bébés não devia precisar de ser “exclusiva”. Não precisa.

Ainda assim, em 2001 ou 2002, a propósito do nascimento dum bébé dum casal amigo (meus professores no Conservatório de Música em Aveiro), compus uma primeira peça a pensar neste universo da “música para bébés”. Chamei-lhe Mobile, porque na altura criei uma animação simples, em Flash, com polígonos coloridos em movimentos aleatórios.

Esta é, para já, a peça mais convencional duma playlist que estou a preparar para a Maria e que partilharei como podcast (as peças de minha autoria). Que vos parece?

 
icon for podpress  Mobile [1:46m]: Play Now | Play in Popup | Download (399)

É claro que a vida continua

Sexta-feira, 23 de Maio, 2008

A reacção mais frequente à notícia de que sou pai tende a associar à óbvia mudança de hábitos e rotinas que uma nova vida introduz, uma infeliz necessidade de abdicar ou controlar algumas das minhas actividades “naturais”. Amigos músicos receiam que deixe de estar tão disponível para concertos, leitores do blog presumem que deixarei de escrever com a mesma frequência, companheiros de outras tantas aventuras prevêem uma diminuição significativa de disponibilidade…

Se é por demais evidente que uma filha transforma a vida dos pais, é também imperativo que, no necessário (e bem positivo) reordenar de prioridades, os pais não se abandonem ou apaguem a si próprios. A Maria acrescenta muitas coisas à nossa vida, mas, felizmente, não se trata de nenhuma substituição. Claro que tudo isto está agora apenas a começar e só com o passar do tempo é que saberemos avaliar o seu real impacto, mas por se tratar duma decisão consciente, ponderada e reflectida, sentimo-nos preparados para continuar com a vida. Uma nova fase da vida.

E, para que não restem dúvidas, algumas provas visíveis de “actividade”:

A vida segue… mais alegre, mais preenchida, mais “focada”.

Maria

Quinta-feira, 22 de Maio, 2008

Mão Maria

Todos sabemos que o bébé mais bonito do mundo é o nosso e todos os pais sabem que a mãe mais corajosa do mundo é a do nosso bébé.

Hoje assisti, em primeira mão a isso mesmo: conheci o bébé mais bonito do mundo e senti o orgulho de estar com a mãe mais corajosa do mundo.

Não caibo em mim.

Vou ali ser pai e já volto

Quarta-feira, 21 de Maio, 2008

Depois de 40 semanas e 3 dias, e sem que e Maria tenha dado sinais de querer tomar a iniciativa de abandonar o conforto do ventre materno (como nós a percebemos), vamos dirigir-nos agora ao Hospital para uma consulta marcada com o objectivo, segundo nos dizem, já que a médica obstetra não é de muitas palavras, de induzir o parto. Que poderá acontecer hoje ainda, ou amanhã, dependendo da evolução.

Há, por isso, grande probabilidade de já ser pai, da próxima vez que escrever aqui. Ou isso, ou de vir para aqui “matar” as horas de espera.

Vamos lá então à “boa hora”.

Fomos ao mercado

Sábado, 3 de Maio, 2008

Fui ao mercado com a Lau e a Maria

Fomos todos (a Maria ainda bem protegida).
O Mercado de Santiago fica no Bairro de Santiago, os “comboios amarelos” a quem muita gente associa algumas das piores coisas de Aveiro. Não percebo. Eu, em Aveiro, sempre morei junto do Bairro de Santiago e não conheço muitos espaços em cidades portuguesas com a qualidade de vida que o Bairro de Santiago oferece. Por muito que se favoreça a degradação dos espaços públicos e jardins, por acções e omissões, e por muitas dificuldades que se vivam dentro das habitações (que conheço e que, como quase toda a habitação social em Portugal, não é de grande qualidade), a verdade é que a vida no Bairro de Santiago aproveita o que de melhor se pode fazer, urbanisticamente falando, numa cidade como Aveiro: há espaço para respirar, campos de desportos, jardins para passear, luz… e há o Mercado!

Se uma parte da cidade se alheasse de preconceitos e viesse usar mais estes espaços que são de todos, seria mais difícil aos responsáveis públicos abandonar de forma tão miserável alguns dos espaços e serviços prometidos.

Venham daí!