Entradas com Etiqueta ‘família’

Vou ali ser pai e já volto

Quarta-feira, 21 de Maio, 2008

Depois de 40 semanas e 3 dias, e sem que e Maria tenha dado sinais de querer tomar a iniciativa de abandonar o conforto do ventre materno (como nós a percebemos), vamos dirigir-nos agora ao Hospital para uma consulta marcada com o objectivo, segundo nos dizem, já que a médica obstetra não é de muitas palavras, de induzir o parto. Que poderá acontecer hoje ainda, ou amanhã, dependendo da evolução.

Há, por isso, grande probabilidade de já ser pai, da próxima vez que escrever aqui. Ou isso, ou de vir para aqui “matar” as horas de espera.

Vamos lá então à “boa hora”.

Fomos ao mercado

Sábado, 3 de Maio, 2008

Fui ao mercado com a Lau e a Maria

Fomos todos (a Maria ainda bem protegida).
O Mercado de Santiago fica no Bairro de Santiago, os “comboios amarelos” a quem muita gente associa algumas das piores coisas de Aveiro. Não percebo. Eu, em Aveiro, sempre morei junto do Bairro de Santiago e não conheço muitos espaços em cidades portuguesas com a qualidade de vida que o Bairro de Santiago oferece. Por muito que se favoreça a degradação dos espaços públicos e jardins, por acções e omissões, e por muitas dificuldades que se vivam dentro das habitações (que conheço e que, como quase toda a habitação social em Portugal, não é de grande qualidade), a verdade é que a vida no Bairro de Santiago aproveita o que de melhor se pode fazer, urbanisticamente falando, numa cidade como Aveiro: há espaço para respirar, campos de desportos, jardins para passear, luz… e há o Mercado!

Se uma parte da cidade se alheasse de preconceitos e viesse usar mais estes espaços que são de todos, seria mais difícil aos responsáveis públicos abandonar de forma tão miserável alguns dos espaços e serviços prometidos.

Venham daí!

Jogos de Tabuleiro

Sexta-feira, 2 de Maio, 2008

Tenho um amigo músico que é “viciado” em jogos. É “maluco” por RPGs, principalmente, mas experimenta todo o tipo de jogos (incluindo musicais) e tem uma energia imensa para partilhar essa “paixão”. À conta disso e duma vontade “familiar” de mudar hábitos que cada vez mais passam por monitores de computadores ou televisões, consolas e outras tretas, um pouco por todas as idades, juntei-me ao João Tiago, frequentando, de forma bastante irregular, sessões de jogos de tabuleiro e RPGs com a malta do JogoEu. Joguei com eles, umas sessões de D&D e uma sessão de Imperial.
Carcassonne, o jogoPercebi, com uma ou duas sessões, que há qualquer coisa de muito relaxante nos jogos de tabuleiro e dificilmente emulável por outras práticas lúdicas e gostava de conseguir trazer isso dentro de algumas rotinas familiares. Foi por isso que oferecemos o Carcassonne a um sobrinho e, para aprendermos, fizemos umas sessões com o jogo emprestado do João Tiago (obrigado).

Aspecto dum tabuleiro de CarcassonneÀ parte puramente lúdica, que não se deve racionalizar demasiado para não “estragar”, o Carcassonne é uma mistura muito interessante de estratégia, topologia e cartografia: o tabuleiro constrói-se enquanto se joga e assim se forma o território que se vai gerindo e ocupando em operações que, sendo simples, permitem que cada sessão seja sempre diferente.

Tem ainda a vantagem de ser um jogo com uma duração mais ou menos pré-determinada que é razoável (cerca de 45 minutos) e conseguimos, entretanto, encontrar uma forma de jogar com crianças abaixo dos 8 anos (a idade mínima recomendada), com uma simplificação das regras, o que nos permite jogar com mais sobrinhos. ;)

Há muitas sugestões de jogos no JogoEu e vamos tentar experimentar algumas por cá, mas, acima de tudo, estou convencido que a prática de jogos de tabuleiro e outros tipos de jogo são óptimas formas de encontrar escapes às rotinas muitas vezes involuntárias que passam pelo prolongamento desnecessário das horas em frente ao computador/estação de trabalho e a sua substituição acrítica por formas de entretenimento que envolvem mais monitores.

Não é muito “fashion”, bem sei, mas que se lixe.

E vocês? Quando foi a última vez que passaram umas horas em frente a um tabuleiro de Monopólio, de Xadrez, de Damas, Risco… ou com um baralho de cartas? ou…

Os pacotes de fraldas

Sexta-feira, 2 de Maio, 2008

Há uns tempos escrevi uns artigos acerca do sentido que fazia (ou não) ter publicidade num blog pessoal, como este. Comecei por me perguntar porque é que os blogs pessoais tinham cada vez mais publicidade e acabei por analisar como é que se pode fazer (se é que se pode fazer) dinheiro com publicidade no blog.

A minha opinião inicial é a de que não faz muito sentido tentar rentabilizar estes espaços pessoais, já que quem ganha, de facto, é o intermediário e os riscos de se acabar por alterar a relação com o blog por causa disso é real: quer do lado de quem lê, quer do lado de quem escreve.
Muitos bloggers/anunciantes vieram cá dizer-me que isso não acontecia: nem os leitores se queixam do espaço ocupado pela publicidade, nem eles se sentem “pressionados” consciente ou inconscientemente (essa é a parte mais difícil de assegurar) pelo facto do blog passar a ser uma potencial fonte de rendimento, se eles conseguirem atrair os anúncios e os visitantes certos.

A minha opinião não mudou, mas toda a reflexão e uma série de conversas fizeram-me ver a coisa doutra forma: o tempo que estou aqui, a escrever, traz-me um rendimento intelectual e social, de tipo pessoal e intangível muito importante, mas que, como muitas outras coisas que faço, não paga rendas, serviços ou pacotes de fraldas (que estão pela hora da morte, segundo me dizem). Ora isso resulta num peso na consciência com o qual não é fácil lidar e, em todas as minhas actividades mais voluntariosas vou tomando medidas para reduzir os gastos ou, nas poucas em que isso é possível, encontrar formas de rentabilização. Não se trata de enriquecer, obviamente, mas de sobreviver.

Ora, se estas preocupações “adultas” me fazem mudar de atitude gradualmente no que diz respeito a concertos, actividades criativas e as mil e uma coisas que continuo a fazer apenas pelo gosto e por algum espírito de missão, não fará sentido que neste blog— espaço pessoal que é meu e só meu—, sendo possível introduzir algum instrumento de rentabilização, isso não contribua para alguma paz de espírito?

Não sei ainda, nem garanto nada, mas a verdade é que a publicidade aí está. Não quero com isto incomodar ou assustar leitores e visitantes, por isso, se quiserem reclamar, façam-no. Digam-me se acham que está em sítios chatos ou se é demais. A relevância dos anúncios dependerá da velocidade do Google AdSense a perceber os conteúdos do blog e espero que não apareçam por aqui anúncios “estúpidos”, como aconteceu à Manuela Ferreira Leite.

Com o tempo e com sorte, talvez os cêntimos que forem aparecendo contribuam para os tais pacotes de fraldas e, com isso, para uma consciência menos pesada.

Desculpem qualquer coisinha.

PS: Sem desrespeitar os termos de serviço do Google AdSense, que proíbem a divulgação pública de resultados, darei notícia do desenrolar da situação, para quem tiver ficado curioso.

“Uma união mais perfeita”, por Barack Obama

Segunda-feira, 24 de Março, 2008

No dia 18 de Março, Barack Obama proferiu um discurso impressionante. Pode ser visto no YouTube e em centenas de blogs, mas para quem quiser saborear com mais calma, já há uma óptima tradução para português, nas Argolas, da minha irmã.

As razões desta tradução são claras e partilhadas, pelo menos por mim:

Tudo generalidades? Talvez. Mas gostava tanto de ouvir alguém falar assim das nossas generalidades. Alguém capaz de expor a sua visão das razões da nossa enorme desconfiança dos outros e do Estado e da nossa enorme dependência dos outros e do Estado. Estou tão farta de um Presidente da República que não acha próprio pronunciar-se sobre o que quer que seja e de um Primeiro-Ministro que só sabe anunciar medidas. Estou tão farta de discursos desinteressantes e mal ditos. Gostava tanto de ouvir alguém que quisesse realmente convencer-me de alguma coisa.

Obrigado, Catarina.

Bebé - Livro de Instruções

Domingo, 16 de Março, 2008

Bébé - Livro de Instruções, arteplural ediçõesTodos os pais “por estrear” passam pelo ritual de ouvir centenas de conselhos contraditórios acerca do processo e de toda a experiência, desde que se sabe da gravidez. Toda a gente tem palpites, saber “de experiência feito”, truques e dicas, que vai partilhando com mais ou menos insistência, mais ou menos seriedade na voz. E é habitual que se diga, como “desculpa” para todas as dúvidas que possam surgir, que “os bebés não trazem livro de instruções”. Como se pode ver, isso já não é completamente verdade: o livro de Joe e Louis Borgenicht não vem com o bebé, é um facto, mas é mesmo um livro de instruções: com diagramas, listas de peças, questões frequentes, conselhos de utilização e, acima de tudo uma abordagem à puericultura bem diferente da habitual, cheia de fotografias “queridinhas” e inúteis e “paleio” mais ou menos metafísico.

Como se diz na contracapa, este é mesmo um “manual para principiantes sobre Tecnologia de Recém-nascidos“. Muito adequado para espíritos mais “técnicos”e uma óptima combinação de útil, agradável e divertido. E, sinceramente, acho que o trabalho de ilustração é uma óptima demonstração da utilidade do (bom) desenho na comunicação técnico-científica: muitas questões e explicações são bem mais evidentes numa boa ilustração do que em várias fotografias. No caso da puericultura, o que se perde no factor “que bébé tão fofinho!”, ganha-se na clareza do “ah! é assim que se pega no bébé… nunca tinha percebido onde ficava a outra mão”.

O Grande Livro do Bebé, de Mário CordeiroMas mesmo numa altura de aprendizagem acelerada, acho que a primeira escolha em termos de literatura técnica de puericultura continuaria a ser O Grande Livro do Bebé, de Mário Cordeiro, por ser mais aprofundados e por estar claramente pensado em termos da nossa realidade nacional.

Acima de tudo, é óptimo poder escolher e variar. E uma coisa é certa: independentemente da literatura consultada, teremos sempre a família, os amigos, os conhecidos e até alguns desconhecidos, disponíveis e desejosos de partilharem a sua experiência ou mesmo “coisas que ouviram dizer”.

“O saber não ocupa lugar”, não é?

Quem nos educa?

Terça-feira, 26 de Fevereiro, 2008

Os debates sobre a educação em Portugal são os únicos verdadeiramente fundamentais porque só ganhando essa aposta podemos sequer pensar em ter um futuro.

Mas assistir a debates destes torna-se quase doloroso, frequentemente, porque passamos o tempo todo à espera de um sinal de esperança, de rumo e de alguma estabilidade. Hoje, no Prós e Contras, houve muitos sinais contraditórios, alguma agitação pueril, sinais claros (para mim) da crescente diluição das estruturas sindicais enquanto interlocutores sérios e construtivos em algumas das questões fundamentais (o que é um sinal complicado para a democracia) e a consolidação duma sensação de grande “viscosidade” de todo o habitat educativo.

A Ministra insiste em identificar “equívocos” na base de todas as diferenças de opinião— o que é muito irritante e diz muito acerca da capacidade comunicativa do Ministério— os sindicatos especializaram-se, aparentemente, no combate administrativo e judicial, de tal forma que não chegam a formular convicções, muitos professores fazem questão em dar razão à Ministra, anunciando despudoradamente visões enviesadas das políticas e dos seus instrumentos… no meio de tudo isto, a tentação maniqueísta de Fátima Campos Ferreira (que parece gostar bastante de dedos apontados e pouco de diagnósticos complexos), não ajuda a navegar e filtrar o que pode ser inércia de classe, o que pode ser legítima desconfiança, o que pode ser violência e desadequação das medidas propostas, o que podem ser caminhos alternativos.

Pergunto-me se as participações do meu pai, Arsélio de Almeida Martins, poderão ter ajudado a fracturar alguma da “crosta” acumulada em cima destas questões, que nos impedem de as ver pelo que elas são, de tão saturados estamos de contra-informação das mais variadas fontes. Espero que sim. Mas não tenho grandes ilusões: as visões lúcidas, não simplistas, responsáveis e comprometidas que lhe são características não são de digestão televisiva fácil. Além do mais, estes são assuntos sobre os quais quase toda a gente se sente à vontade para emitir opinião e sobre os quais demasiadas pessoas têm opiniões formadas a priori, que não têm nenhuma relação com a realidade.

Mas se tiver estado gente atenta nesta noite de segunda-feira (que raio de horário para este programa, meus senhores!), pode ser que se tenha dado mais um passo para, pelo menos, aproximar a questão a mais portugueses.

Depois, logo se vê.

Downgrade do Natal

Quarta-feira, 26 de Dezembro, 2007

Há, de certeza, melhorias que podem ser introduzidas nisto do Natal. Aliás, acho mesmo que basta fazermos uns quantos downgrades para voltarmos a uma versão mais “básica” sobre a qual talvez se possa construir uma época com
algum sentido.
Eu, que sou ateu desde pequenino (de formação, se quiserem), lembro-me de haver uma altura em que o Natal não me incomodava como agora. Ser criança e receber prendas talvez tivesse alguma coisa que ver com isso, mas acho que havia mais alguma coisa.

E isto não pretende ser um “rant” acerca da fúria consumista… só.

O que me incomoda, acima de qualquer outra coisa, é a sensação, que se me afigura cada vez mais como real, de que os verdadeiros detentores desta celebração e seus supostos guardiões, os cristãos, estão a deixar que ela seja “manipulada”, “ocupada”, “parasitada” pela lógica de consumo, que se assume, desta forma, como uma outra espécie de religião que nos tenta converter a todos. Uma religião que tem os seus próprios símbolos, templos, rituais e celebrações que se sobrepõem e aproveitam das tradições existentes. Na história das religiões isto não é novo: o próprio Cristianismo foi absorvendo várias manifestações pagãs ao longo da sua expansão.

Mas não deixa de ser estranho assistir ao esboroar duma certa identidade, com o eventual argumento admirável de que esta será uma forma de “abrir” a celebração a todos.

É que nem todas as celebrações deveriam ser para todos. Ou, pelo menos, não deveriam abdicar do que lhes é central por uma qualquer ideia de “acessibilidade”.

E, assim, me apanham numa demanda reaccionária: quero um Natal com fronteiras, que seja uma festa que não é minha, mas da qual posso participar por generosidade dos outros. Era esse o sentimento que tinha quando era criança: o Natal era uma coisa estranha, à qual eu não pertencia, mas no qual me era dado o “presente” de partilhar, pela generosidade dos outros.

Parece demasiado esquisito?

Discurso das Águas

Quarta-feira, 14 de Novembro, 2007

 

Arsélio Martins, Prémio Nacional de Professores: homenagem da Escola Secundária José Estêvão

O Discurso das Águas, a que o José-António Moreira empresta a voz numa edição especial dos Sons da Escrita, é uma óptima maneira de começar a raspar a superfície sobre o real e profundo significado da atribuição do Prémio Nacional do Professor ao meu pai, Arsélio Martins.

Obrigado, José-António e toma lá este abraço apertado e cheio de memórias.

Quem preferir um tratamento mais crú, pode ir ver a notícia na SIC.

Cartaz do AveiroMat 2007 - Encontro Regional de Professores de MatemáticaE, quem quiser uma amostra real e ao vivo, pode vir a Aveiro, no próximo sábado, ao AveiroMat 2007 - 8º Encontro Regional de Professores de Matemática.

Mas, façam o que fizerem, não o atrapalhem, que ele não está disponível para deixar que a atribuição dum prémio interfira com o que é verdadeiramente importante.

Arsélio de Almeida Martins

Quarta-feira, 14 de Novembro, 2007

Pai e Filho: Arsélio Martins, Prémio Nacional do Professor, é meu paiÉ o nome do meu pai, que hoje circulou nos rodapés dos noticiários a propósito do Prémio Nacional do Professor.

É estranho ser filho do primeiro laureado com esta distinção. Como se o facto de toda a gente ficar a saber aquilo que para mim era óbvio há muito— que ele é «um exemplo de cidadania e um mestre no verdadeiro sentido do termo»—  me deixasse “desprotegido” ou “exposto”.

Mas nada do que possa ter sido dito agora, a propósito dos méritos do laureado, será novidade para quem o conhece como pessoa e/ou como professor (que são coisas difíceis de distinguir) e, sendo evidente que os prémios valem o que valem, não deixa de ser reconfortante que, de vez em quando, acertem nas escolhas.

Eu fico com o orgulho próprio de “filho babado” e com o sorriso interior de saber que talvez tenha aprendido com o professor laureado, meu pai, coisas preciosas e únicas… mas suspeito que muita gente partilha dessa sensação e é ela que justifica o próprio prémio. ;)

Mas se passarem por ele, no Lado Esquerdo, ou nas Geometrias, por exemplo, cumprimentem-no como se nada fosse: apesar de tudo, ele é um moço reservado. ;)