F.R.I.C.S. no aniversário da AMCSB

A Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa (F.R.I.C.S.) terá a grande honra e privilégio de se associar às comemorações do 23º 33º aniversário da Associação Musical e Cultural São Bernardo, com quem tivemos já o prazer de colaborar, no Porto em 3 eventos memoráveis: espectáculo da Trisha Brown Dance Company em Serralves, abertura do FIMP em 2008 e em 2009.

O programa detalhado das festas poderá ser consultado brevemente, presumo, no blog ou no Facebook da AMCSB, mas a participação da F.R.I.C.S. acontecerá já no próximo dia 6 de Dezembro, domingo.

Apareçam para desejar muitas felicidades e muitos anos de vida à Fanfarra de São Bernardo e à miríade de projectos da AMCSB. Merece um brinde!

jazz.pt | F.R.I.C.S.: balanço do 1º ano de actividade

Porque vem a propósito da comemoração do 2º aniversário da Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa – F.R.I.C.S., que será eficazmente assinalado com o concerto de amanhã, e porque estou diligentemente a fazer crescer o número de artigos do blog originalmente publicados na Jazz.pt, republico na íntegra o ensaio/reportagem que escrevi para o número 17 da revista, por encomenda do Rui Eduardo Paes, responsável pelo seguinte prólogo:

O crescendo de popularidade em apenas 15 meses de vida desta invulgar mini-”big band” está a torná-la num dos mais curiosos fenómenos musicais da actualidade do nosso país.

Muita água correu debaixo das pontes, mas o que escrevi em Janeiro de 2008 continua, na minha modesta opinião, a valer o espaço que ocupa.

FANFARRA RECREATIVA E IMPROVISADA COLHER DE SOPA – F.R.I.C.S.

Balanço do primeiro aniversário

A 14 de Dezembro de 2006, em jeito de “mashup” celebrativo- juntando o Natal ao Solstício de Inverno e ao Ano Novo-, o colectivo portuense Soopa, no cumprimento duma quase “tradição”, levou a um espaço habitual (o palco dos Maus Hábitos) alguns dos suspeitos do costume- anunciados como “algumas das mais obscuras celebridades do underground nortenho”-, numa configuração e sob um pretexto inesperado: “Uma Fanfarra Para o Século XXI!“.
A promessa, como é aliás comum nas propostas deste prolixo colectivo elevava a fasquia bem alto:

“Este grupo de 7 músicos irá levar o público numa viagem psicadélica que tem como ponto de partida o princípio comunitário, festivo e ruidoso das fanfarras populares, estando o ponto de chegada situado algures entre o desconhecido e a madrugada do dia 15.”

Não é nunca fácil a tarefa de compreender a real profundidade ou o real compromisso de quem se envolve neste tipo de propostas, ou neste tipo de formulações (nem quando se é parte do evento), pelo que, quanto ao nascimento do projecto, por elementar justiça, poder-se-á apenas afirmar que o investimento feito a priori na definição dum modus operandii e na selecção dos intervenientes e instrumentação disponível, provou ser determinante na definição da anatomia do concerto em causa e, consequentemente, de todo o projecto, a longo prazo: a estratégia de improvisação dirigida, por recurso à figura do “tele-maestro”, com imensa eficácia conceptual e pragmática e a opção pela prevalência de instrumentos de sopro transformaram uma promessa que poderia não passar disso mesmo, num daqueles raros momentos em que, no reino da experimentação mais radical (na perspectiva de alguns), o prometido é cumprido.

Não é claro, nem será a curto prazo, quanto do resto desta história depende directamente do eventual sucesso dessa primeira abordagem deste universo. E o panorama onde circulam estes projectos está cheio de histórias que se encerram com um primeiro capítulo deste género, independentemente do grau de realização ou das repercussões geradas.
O que é claro é que essa primeira experiência não só deixou marcas nos participantes directos, como terá criado necessidades imprevistas no público: não só a recepção foi entusiasta e incrédula quanto seu ao carácter inaugural, como nos deparámos com incentivos e convites para a sua repetição em diversos contextos e receptividade face ao possível lançamento de um disco.
Para um projecto recém-nascido, em que parte substancial dos músicos se encontrava pela primeira vez, a natureza dessas reacções não era vulgar. Mas era verosímil e parecia fazer sentido.
Ainda que articular uma explicação fosse (e continue a ser) uma tarefa difícil.

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Sexta-feira começa o FIMP

FIMP: Festival Internacional de Marionetas do Porto 2008 - 12 a 20 de Setembro

Na próxima sexta-feira, dia 12 de Setembro, começa mais uma edição do FIMP, Festival Internacional de Marionetas do Porto. Além de todas as razões habituais para estarem atentos e aparecerem, este ano, o FIMP tem um hino, de autoria do Hélder Gonçalves (Clã), que será interpretado, no dia da abertura, por duas fanfarras: Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa – FRICS + Fanfarra de S. Bernardo. A colaboração iniciada em Serralves continua desta forma, graças ao generoso convite do FIMP e com o desafio acrescido de assegurarmos um arranjo do hino do festival para a instrumentação particular da Fanfarra. Para quem percebe alguma coisa de teoria musical, mas não tem a organologia em dia, recordo que os clarins tocam apenas o arpejo de Mi bemol maior. ;)

Fazer o arranjo e ensaiá-lo com a Fanfarra de S. Bernardo tem sido, mais uma vez, um processo enriquecedor. E a vontade de continuar a aumentar os desafios é grande.

Para já, na sexta-feira, lá estaremos para encher a Praça com uma “forma mais animada” e tentar seduzir, como flautistas de Hamelin, as gentes do Porto a seguirem-nos até ao Teatro Carlos Alberto, onde o festival arranca com Macbeth, do Teatro de Marionetas do Porto.

Trisha Brown Dance Company em Serralves

Com a participação da Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa (F.R.I.C.S.) e Fanfarra de S. Bernardo

29 e 30 de Março 2008, 22h00
Auditório da Fundação Serralves, Porto

Um anúncio Soopa:

Trisha Brown Dance Company

Integrado no Ciclo Paralelo à Exposição “Robert Rauschenberg: Em viagem 70-76“, o espectáculo da Trisha Brown Dance Company inclui 5 coreografias, que abarcam 27 anos da carreira da seminal coreógrafa norte-americana.

A última peça do programa, “Foray Forêt” (1990), com figurinos de Robert Rauschenberg, tem como ambiente sonoro temas interpretados por uma fanfarra ou banda filarmónica recrutada no local de cada apresentação; este ambiente sonoro tem como objectivo uma evocação do imaginário musical dos cortejos e procissões da infância da própria Trisha Brown.

O repertório musical e ideológico da F.R.I.C.S. alicerça-se neste imaginário, embora os seus temas sejam improvisados, não pertencendo ao “corpus” da música escrita para um contexto filarmónico. A colaboração com a Trisha Brown Dance Company será a primeira vez em que a F.R.I.C.S. irá interpretar e trabalhar sobre música escrita, em concreto marchas e outras peças do repertório tradicional das fanfarras portuguesas.

A situação é tão mais específica e estimulante quanto consiste na primeira colaboração da F.R.I.C.S. com um agrupamento genuíno de músicos de fanfarra, a Fanfarra de S. Bernardo (Aveiro).

Uma nota paralela (e posterior): fiquei a saber agora, e muito me agrada, que a exposição de Robert Rauschenberg é a segunda exposição mais vista da história de Serralves.